sexta-feira, outubro 29, 2010

El Mundial del 2018 o 2022

Na imprensa internacional, a candidatura de Espanha ao mundial de futebol é suspeita de beneficiar de corrupção de federações de futebol terceiras.

Na imprensa nacional, ninguém opina seriamente sobre o assunto. Nem sequer se ouve uma putativa declaração de distanciamento por parte dos seriíssimos dirigentes da FPF.

Não se pode proibi-los?

Não gosto de autedóres nem de murais.

São saloios no abuso de cores e na ortografia, ofendem o espaço público pelo tamanho e a vista pela imposição, tapam arquitetura e paisagem.

Amplificam exponencialmente o que é tribal e anti-democrático na publicidade, pois são inevitáveis e permanentes. Obrigam-nos a vê-los, quer queiramos quer não.
Ainda que nada do anunciam nos diga respeito, conclamam-nos continuamente à ação, mandam-nos escolher pessoas, gritam partidos ou produtos sem apelo nem desculpa. Não há mudança de canal, estação de rádio ou autocolante em caixa de correio que nos safe.

Em resumo, são uma forma de publicidade abusiva, suja, feia e autoritária.
Não se pode proibi-los? A civilização agradece.

Perguntas estúpidas, respostas igualmente inteligentes

E se uma das condições para a China nos comprar a dívida fosse a restauração da pena de morte? Quantos diriam que não?

quarta-feira, outubro 27, 2010

Compro o que é nosso ®

A AEP tem uma campanha chamada "Compro o que é nosso" para promover a escolha de produtos nacionais em detrimento de equivalentes estrangeiros.

Por si, é algo meritório. Se for bem sucedida, sempre ajuda a reduzir as importações. Lembremo-nos que a maior parcela da dívida nacional cabe aos particulares.
Só não percebo é por que uma ideia que é tão simples de aplicar é sempre processada com tanta complicação e despesa para ser posta em prática que acaba por ser completamente ineficaz.

Já temos sítio na internete. Já vi anúncios na televisão. Ainda não vi mas desconfio que, como é costume, há por aí entrevistas, panfletos couché para entupir as caixa de correio, autocolantes nos vidros dos cafés de esquina, etc.
Mas o pior é aquele logótipo horrível - mais um - ao qual julgam que nos habituaremos à força de spots publicitários e que, para se justificar e na melhor das hipóteses, virá a ser incluido nas embalagens ou estará à vista (?) nas prateleiras de supermercado.


Esta gente (seja governo ou indústria) já vai na enésima campanha do género desde o 25 de Abril e ainda não aprendeu que publicidade não é branding e que educar o público não é vender um sabonete.

Desde há muitos anos que outros países têm tido campanhas parecidas e são inacreditavelmente simples e eficazes. "Campanhas" é um termo que uso para estabelecer o paralelo pois não se tratam de campanhas esporádicas ("olá... estamos em crise, toca a armar uma campanha!") mas sim de visibilidade contínua e por prazos prolongados.

Principalmente, a forma de atingir a maior fatia demográfica possível sem necessidade de iniciativas e divulgações que só ajudam à confusão do público, é precisamente não criar logos inúteis mas sim usar elementos visuais que lhe são familiares e cujo sentido é óbvio (é a minha definição de logótipo...).
Isto é, o melhor logo para identificar produtos nacionais já existe e toda a gente o conhece sem precisar de nenhuma explicação.
Qual é ele? Deixo-vos uma pista (isto está tudo ligado, pás):



ADENDA: Já que estou a prestar serviços de consultoria gratuitos, que tal a AEP e demais obrigarem os distribudores a identificar a origem dos produtos brancos? Aquilo do "produzido na UE" não me diz nada e não ajuda muito à campanha.

Perspetiva de uma jovem tory sobre a intelectualidade nacional

Sentados a ver o telejornal, aparece o João César das Neves a falar não sei do quê.

-Quem é este agora?

-Este dá aulas na universidade católica e escreve crónicas num jornal. É conhecido por ser contra o aborto e o casamento gay.

-E deixam-no escrever num jornal?

sexta-feira, outubro 15, 2010

Siga para bingo

Com um abanar de cabeça dos patrões, a novela do sr. Coelho chegou ao fim.

quinta-feira, outubro 14, 2010

"A mina dos segredos"

É a minha proposta para um novo reality show.
Depois, claro, tapa-se o buraco e já está.

Há vinte anos atrás, a minha banda preferida eram os Interpol

quarta-feira, outubro 13, 2010

De novo, a serpente

Quase no mesmo dia, ficamos a saber de motins (teoricamente anti-gay) em Belgrado; violência fora e dentro de um estádio de futebol em Génova; e da subida assustadora da extrema-direita nas eleições autárquicas em Viena.

Se os primeiros casos demonstram a marginalização crescente dos ultra-nacionalistas sérvios - reduzidos de criminosos de guerra impunes a bandos de hooligans alimentados a álcool - o último parece vir a tornar-se no mais bizarro paradigma de integração deste tipo de animais numa sociedade estrangeira.

Sabe-se que o líder do FPÖ, Heinz-Christian Strache, que se diz católico, tem vindo a conquistar o voto jovem entre as comunidades de imigrantes ex-jugoslavos (27% vota no "Partido da Liberdade", um movimento criado para impedir a imigração de estrangeiros) e não é raro enriquecer a sua retórica anti-islâmica com missas ortodoxas e condenações à UE e NATO pelas posições destas organizações na Bósnia ou no Kosovo.
E se esta segunda geração que lhe dá ouvidos, nascida durante o longo fim da guerra nos Balcãs, já não pode sonhar com a Grande Sérvia, é igualmente acompanhada por descendentes de croatas no ódio à comunidade islâmica (turcos, búlgaros, paquistaneses, etc). O discurso abertamente racista de Strache - o qual, para outras audiências, responsabiliza qualquer estrangeiro pela criminalidade (??) na Áustria - cai-lhes como mel na sopa e, não menos paradoxalmente, acaba por serem estes eleitores sem qualquer "sangue vienense" quem facilita a ascensão da serpente a uma posição de poder.

Com mais de um centenário

É errado dizer-se que há países mais desenvolvidos que o nosso porque são monarquias. Na realidade, ocorre exatamente o oposto: estes países são monarquias porque são desenvolvidos.

segunda-feira, outubro 11, 2010

A sabedoria popular fascina-me

Ontem, o medo, a ignorância e o preconceito foram mais importantes para um terço dos eleitores que viver na melhor cidade do mundo*.



Se isto é possível onde não há crise, nem desemprego ou criminalidade, é possível em qualquer lado.

domingo, outubro 10, 2010

10-10-10

Enquanto não for dez de Outubro de dez mil e dez, não me chateiem com datices escatológicas.

sábado, outubro 09, 2010

Liu Xiaobo, Nobel da Paz, Tiananmen

Aqui há uns anos, à mesa de um jantar de má memória, a nossa anfitriã, uma médica chinesa casada, educada e trabalhada em Cambridge, insistia que a censura que o seu governo impunha à internete servia para proteger o bravo povo chinês da pornografia ocidental.
Entre o momento em que tive a brilhante ideia de discordar e aquele em que se trocavam insultos de "fascista", foi um piscar de olhos e a soiré acabou mesmo mais cedo do que o planeado. Quando dei por isso estava a ser expulso da casa.

Ontem, a Great Firewall of China esteve mais ativa que nunca. Qualquer referência ao Nobel e a Liu Xiaobo que aparecesse no éter era sumariamente apagada. A cortina de fumo estende-se aos telemóveis "inteligentes" e não só, com mensagens de texto não chegando ao seu destino e iPhones subitamente transformados em iPods ao teclar daquelas palavras-chave.

E tal como essa anfitriã do passado, prevê-se que a parcela da população chinesa que ainda tiver algum acesso ao anúncio do prémio reagirá com indignação longamente alimentada pela propaganda nacionalista de Pequim. Tudo o que contradiga a versão oficial de excelência moral nada mais é que uma tentiva de demonização do seu país por um ocidente invejoso do progresso da China.

P.S.: Pobres diplomatas noruegueses, mais uns que carregam a tarefa de explicar a uma autocracia que não têm nem querem ter qualquer poder sobre entidades civis e independentes como o comité Nobel.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Singularidades de um atraso de cem anos*

(ou "Ele há países onde ainda não chegou a ética republicana")




*título roubado ao Ricardo Schiappa do Esquerda Republicana

quarta-feira, outubro 06, 2010

terça-feira, outubro 05, 2010

Contas de merceeiria, pois então*




*Obrigado ao Miguel Carvalho, do Esquerda Republicana

De um coevo da revolução do 5 de Outubro de 1910

"De volta de dois meses de férias nas doces margens do lago Léman, cheguei a Lisboa na véspera da revolução.
Poucas horas depois de um breve tiroteio de barricada no alto da Avenida e de um lacónico bombardeamento proveniente de uma insubordinação de marinheiros a bordo de um navio de guerra, proclamava-se, perante Lisboa atónita e, imediatamente depois, perante a passividade do país inteiro, o triunfo dos revolucionários.
Este desenlace quase incruento é em sua aparente superficialidade o trágico desmoronamento instantâneo de todo um velho mundo. É o reviramento, com o de dentro para fora e com o debaixo para cima, de uma sociedade inteiramente desarticulada. É uma nação ferida de morte na continuidade da sua tradição e da sua história. Assim o afirmam os triunfadores, principiando expressivamente por arrancar do pavilhão que cobria a nacionalidade portuguesa a coroa real, mais da nação que de qualquer rei (...).

Pobres homens, mais dignos de piedade que de rancor, os que imaginam que é com um carapuço frígio, talhado à pressa em pano verde e vermelho, manchado no lodo de uma revolta num bairro de Lisboa, que mais dignamente se pode coroar a veneranda cabeça de uma pátria em que se geraram tantos grandes homens, a cuja memória imperecível, e não aos nossos mesquinhos feitos de hoje em dia, devemos ainda os últimos gestos de consideração a que podemos aspirar no mundo! Pobre gente! Pobre pátria!

Ao antigo reino, assim desfeito com o mesmo leviano descuido com que as meninas de Lisboa desmanchavam puzzles num jogo à moda do Inverno passado, sucedeu-se o regime de um Governo Provisório, ao qual, creio que unicamente por serem republicanos os indivíduos que o constituem, se chamou «da República».

A indiscutível evidência é que em tal Governo não concorrem por enquanto nenhuma das cláusulas que assinalam um regime democrático. Falta-lhes como base essencial a anuência prévia da maioria das vontades; falta-lhes pacto fundamental; falta-lhes estatuto regulador da sua acção dirigente e falta-lhes sobretudo, nas suas formas de proselitismo, de apostolado e de conciliação patriótica, o íntimo sentimento de simpatia, de indulgência, de bondade, de liberdade, de fraternidade e de igualdade, que é a chave de todo o poder popular.
(...)

Não me parece, portanto - repito -, que o Governo Provisório de Lisboa seja mais autenticamente o prefácio de uma liberal República que o da mais despótica tirania.
(...)

Entre a monarquia constitucional parlamentar e república parlamentar constitucional não distingo diferença, nem considero que ela exista, a não ser historicamente, entre o princípio da eleição e o da hereditariedade, tendo eu por tão precários os acasos do voto como os do nascimento.
(...)"

Ramalho Ortigão, Janeiro de 1911
As Farpas II

O melhor e mais cáustico das Farpas vem depois, quando se descreve a desilusão e o descrédito da nova república, a pompa dos novos senhores ("o presidente novo em coche real, puxado a quatro por dezasseis relinchantes famílias aristocráticas"), a propaganda (Museu Republicano, um mausoléu de buiças, e a inacreditável apresentação ao ministro do Brasil da menina Deolinda Alves, de barrete e espada, como encarnação de récita da jovem república portuguesa), etc.

sábado, outubro 02, 2010

quinta-feira, setembro 30, 2010

My hero


(clique para aumentar)

Mitarbeiter sprechen



Já ouvi isto hoje umas sete mil vezes.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Enrolos e brochas

Orçamento da empresa contratada pela imobiliária-armada-aos-carapaus-de-corrida: 2500 euros.
Orçamento do "particular": 250 euros + 50 de material.

(deste, ainda não percebi se atende por Misha e é amigo do Mario - que também não conheço - ou se acha que é melhor passar por latino em terras de extrema-direita e o outro é que se chama Misha)

Não parece difícil de decidir.
Mas ter de passar três dias fechado das oito às seis numa casa virada do avesso, de olho em três búlgaros da Anatólia e com tinta por todo o lado, já não é assim tão tentador.

terça-feira, setembro 28, 2010

Straw dogs

Já há remake desta fita poderosa para 2011. Estou curioso para saber se vão conseguir ser tão modernos quanto o Peckinpah em 1971.

quinta-feira, setembro 23, 2010

E mai nada

quarta-feira, setembro 22, 2010

Cona

Do latim 'cunnus', que é mais assertivo que a 'vulva' grega e não faz impressão na boca quando se pronuncia.
Estes já estão nesse dicionário universal sem controlo parental que é a wikipédia (aqui e aqui). Com a vantagem de ter fotos e tudo.

Isto tudo para dizer que não tarda muito começam a queimar livros.

Já somos dois


País possível

Já passou, já faz tempo, e não há registos, mas eu lembro-me bem dessa conversa, alta noite, noite dentro, cada um em seu hotel e em seu país, e a tentarmos inventar de madrugada um país possível onde vivêssemos os dois.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Por motivos diferentes, claro

Os spams que recebo com maior frequência são, de longe, aqueles para aprender inglês e os outros para alongar o pénis.

Isto é mais que suficiente para uma tarde de ponderações.
Ora, caso necessitasse de ambas as capacidades mas só pudesse adquirir uma, qual escolheria? Pergunta fortuita na aparência, esconde na verdade um dilema de proporções nietzscheanas.

terça-feira, setembro 07, 2010

terça-feira, agosto 31, 2010

Este Miranda é um fenómeno

Pela lapidação, quando há suspeitas de homicídio.
Em qualquer outro caso, faça favor de se executar o condenado com método posterior à primeira revolução industrial.

aqui, para quem não conseguir acreditar.

No Algarve deve estar mesmo muito calor

Hóteis do Algarve exigem suspensão de campanha Guimarães 2012, capital europeia da cultura, porque consideram campanha ofensiva e insultosa. Tudo porque anúncio mostra praia algarvia vazia.

«A AHETA exige aos organismos envolvidos um "pedido de desculpas formal ao Algarve, aos algarvios e aos seus agentes económicos e, em última análise, aos portugueses, pela atitude difamatória e ofensiva desta campanha contra a principal região turística nacional e uma das maiores geradoras de riqueza do nosso país".»

A no-brainer

sexta-feira, agosto 27, 2010

Peço desculpa por interromper de novo o drama palestiniano

Após o fim do genocídio de quase um milhão de Tutsis no Ruanda, em 1994, mais dois milhões de Hutus procuraram refúgio do outro lado da fronteira que o seu país faz com a RD do Congo, temendo possíveis retaliações por parte das suas anteriores vítimas, agora no poder.

Mas aqui, em lugar de protegidos, esbarraram com os rebeldes do AFDL (o movimento criado por Laurent Kabila, pai do atual presidente congolês Joseph Kabila) os quais, em conluio com o novo governo Tutsi, entregaram a dezenas de milhar destes ruandeses a "justa" retribuição.

O resultado é, segundo primeira análise de um relatório da ONU, um novo genocídio.

Quero lembrar ao prezado leitor que o grosso da tragédia relatada já pertence ao passado. Passado recente mas inapelavelmente passado.

Na melhor das hipóteses, seguem-se um par de semanas de holofotes.

sábado, agosto 14, 2010

Estes manés papam tudo

Eu só gostava de saber é por que razão os palestinianos têm direito, coitaditos, a viver em paz no seu território e os libaneses, mui democraticamente, nem por isso.

O meu amor é verde

Já lá vão alguns anos e nunca percebi, não tenho coragem para lhe perguntar.
O petit nom que me dá será "little pea" ou "little pee"?

É nestas coisas que os cabelos fogem do peito e deixamo-nos estar como estamos.

domingo, agosto 08, 2010

sexta-feira, julho 30, 2010

Estou cá também estou ilibado

Nunca na vida pus os pés no Freeport ou Ikea*.

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Quando cheguei a Portugal depois da inauguração da primeira moviflor sueca, fartava-me de ouvir na rua "i-quê-á" para aqui, "i-quê-á" para ali e, durante algum tempo, andei convencidíssimo que tinham criado um qualquer novo instituto da qualidade alimentar ou automóvel, sem dúvida alguma, absolutamente essencial à vida dos portugueses.

quinta-feira, julho 29, 2010

Empresa farmacêutica portuguesa financia o ocultismo



Parapsicologia? PARAPSICOLOGIA?? Numa altura em que há cortes orçamentais em todos os setores considerados não-essenciais e a investigação científica se ressente, há uma empresa privada que se dá ao luxo de credibilizar e financiar os "prof.s" herreros e karambas? Estarão a gozar com os pobres? Ou não passará de gralha?

Que não lhe fica nada bem, não fica, mas a Bial, lá está a maravilha do mercado, pode ir à bruxa as vezes que quiser. Todavia, o regulamento foi aprovado pelo, digamos assim, regulador, a Fundação para a Ciência e Tecnologia! E isso já mexe com todos nós.

Que estará por detrás desta parvoíce?

quarta-feira, julho 28, 2010

Voltaremos depois dos nossos compromissos comerciais

Perguntas politicamente incorretas

Quando um estrábico fala com outro, também ficará na dúvida com que olho o interlocutor o vê?

terça-feira, julho 27, 2010

Dois em um

Estes dinamarqueses são mesmo totós. Já não basta pagarem sem reclamar os impostos mais altos do mundo (e.g., 70% de IVA nos popós) ainda engolem todo o tipo de parvoíces new age que lhes aparece à frente.

Olhem-me só para este delírio: bicicletas públicas com satnav recarregado a energia solar... Em Copenhaga, meu deus!

Não haverá por lá um Patrick de Barros para lhes explicar que eles não têm horas de sol que sustentem estas fantasias?

segunda-feira, julho 26, 2010

A internacional mirandesa

CIDADÃO CONSUMIDOR



(toda uma reeducação, aqui)

Spínola-Saramago, xis.

Trinta e seis anos depois, continuam a querer dividir-nos. Presumem-se donos das ruas e, numa variação abrilesca à praga do futebol, servem-se dos seus nomes para marcar território e exaltar irmãos de tribo.

Não há pachorra. As ruas não são de matilhas do norte, do sul, da esquerda soviética ou da direita macaca, são nossas, e a toponímia serve para recordar-nos tanto da intensidade como da variedade dos nossos sucessos (ou derrotas).

A única censura que se justifica a nomes só mesmo em benefício da sensibilidade do público quando, por exemplo, penso naqueles que me ocorre chamar a esse tipo de donos e respetivas mãezinhas.

quarta-feira, julho 21, 2010

Uma constituição sul-americana


Até melhor explicação ou informação, são estas as extraordinárias visões de revisão constitucional propostas pelo PPC/PSD:
-aumentar os poderes do Presidente da República;
-aumentar os mandatos do Presidente e da Assembleia;
-fim do Serviço Nacional de Saúde;
-fim da Escola Pública;
-liberalização dos despedimentos através da substituição da “justa causa” por “razão atendível”.

Dizem que, apesar da generosidade da última - porque, com certeza, terá em mente o fim dos contratados a "recibo verde" - estas são propostas vincadamente liberais, isto é, de direita.

Não sou grande estudioso de ciências pouco exatas por isso não tenho aqui à mão argumento fulminante do seu oposto ou confirmação. Mas uma coisa é fácil de perceber: estamos diante de uma deriva para o caudilhismo de quem manda e o salve-se quem puder para quem é mandado.

De modo que, qualquer que seja o lado ideológico de que esta propaganda se reclama, a bizarria vem certamente inspirada no modelo de sociedade daquelas repúblicas de bananas nascidas na viragem para o século vinte de má memória e que, no seu continente de origem ou lá para os lados do Cáucaso, para citar apenas dois casos exemplares, ainda persistem.

ADENDA: a bandeira acima foi tirada daqui e qualquer semelhança com esta é uma feliz coincidência.

quarta-feira, julho 14, 2010

off-shore cá dentro

Como é sabido, todos os países da União, independentemente da saúde da sua economia, fazem agora vários esforços para inverter as tendências de défice, quebra de PIB e crescimento da dívida. Nesses planos de contenção e recuperação das finanças públicas, o mais óbvio seria obrigar quem ajudou a criar esta crise a também carregar com o ónus da sua saída.

Através de impostos especiais sobre a atividade bancária, é isso mesmo que vai ser posto em prática na Áustria (extra €500M pa), na Alemanha, na França e na Hungria (cobrados a 3 anos). Também o mesmo se passará no Reino Unido (extra £2000M anuais, previstos), ainda mais ajudados pelo aumento para 28% do imposto sobre ganhos de capital. A Itália, mais tímida, limita-se a criar um novo imposto sobre bónus e opções de compra de ações.

E em Portugal? Em Portugal parece que irá haver um aumento do imposto sobre rendimento singular, em particular com novo escalão a 45% para quem ganha €150 000 pa (deve ser porque somos muitos e, ainda para mais, quem mais dificilmente escapa à inspeção)...
Já a banca, esse setor económico tão carente de subsídios e em risco de deslocalização, permanece ainda e sempre a salvo no paraíso fiscal português.

domingo, julho 11, 2010

A curiosa realidade alternativa do capitalismo português

Quando a PT foi privatizada, os investidores não se preocuparam com a golden share.

Quando o Estado manteve a empresa em monopólio, não houve santíssima liberdade de "mercado" que comovesse os acionistas privados.

Daí que, quando a golden share impede que "os fundos" milionários vão parar a investidores constituídos em 70% por bancos e empresas estrangeiras, há comentários do Sr.Berardo que só nessa realidade alternativa podem fazer todo o sentido.

sexta-feira, julho 09, 2010

Assim se vê a palhaçada que é este país

"não percebo como é que um gajo destes ainda é chamado para a selecção nacional... assim se vê a palhaçada que é este país."


Tirado da caixa de comentários de uma notícia no DN fazendo referência à possível presença do jogador Miguel numa festa de praia (não merece linque).

quarta-feira, julho 07, 2010

Eles roubam tudo e não deixam nada

Amanhã voltaremos a ouvir os alemães, sabe-se lá porquê, a cantar os parabéns ao imperador dos outros.
Aqui fica uma variação do "Pai da Harmonia" ao seu próprio segundo andamento, com a letra original aposta à partitura (1797). É a versão cá de casa, pois claro.

terça-feira, julho 06, 2010

Ó meuzzze amigozzzeze

O abominável comentador das neves estava bem era na Indonésia.

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via Esquerda republicana

Negócio da China, perdão, da Espanha

Se a Telesp só tem valor quando ligada à Vivo então que se troque os 50% da Vivo por 50% da Telesp+Vivo...

domingo, julho 04, 2010

Expatriados

Gente de todas as nacionalidades e profissões, têm duas coisas em comum: não pretendem integrar-se na sociedade em que vivem; e passam os sábados à tarde a queixarem-se uns aos outros sobre inferno que foi a sua manhã no Ikea.

sábado, julho 03, 2010

28ºC, heute am frühen Morgen

Não sabem a admiração que tenho pelas ciclistas de minissaia, pedalando a caminho do trabalho ou da universidade, joelhos alinhados no meio do calor matinal.
Estoicismo é nunca sacrificar a estética de todo o dia pelo conforto de duas viagens.

quinta-feira, julho 01, 2010

Two lovers



Um círculo desencontrado de quatro amantes, e não as duas/dois do título, cada um vendo no seguinte aquilo que o anterior vê nele: uma invenção pessoal de amor como escape voluntário e desesperado de si próprio.
No fim, parece que acaba bem. Mas aí a ilusão é nossa.

Depois de Closer e Revolutionary road, só agora vi o terceiro murro no estômago da década. Admito, mais suave que, por exemplo, o filme de Sam Mendes; mas nem por isso fez menos estragos.

Para neo-coninhas, ingénuos de pára-quedas e maluquinhos do liberalismo em geral

Do FT:

The irony of Portugal’s use of a golden share will not have escaped Telefónica and Madrid. Only five years ago, the Spanish telecoms group was protected by a golden share itself. But under heavy pressure from the European Commission, the Spanish government agreed to give it up as well as similar protection for three other groups.
(...)
Many of Europe’s largest companies have had golden shares at one time or another, from Volkswagen and Iberia to KPN and BAA.
(...)
One of the most famous recent golden share cases was with VW, the German carmaker protected by its own law. That law gave the local government of Lower Saxony a veto over big management decisions and the right to two board seats because of its 20 per cent shareholding. It gave the same rights to the federal government, even though Berlin did not exercise that power in recent years.
It was struck down by the ECJ three years ago but the German government then resurrected certain provisions to ensure that Lower Saxony and trade unions were protected and the new law has so far escaped renewed censure.


E acrescento eu que o articulista se esqueceu de mencionar a fatia de leão detida pelo estado francês sobre a EDF/GDF/Suez/etc ou, para voltar ao hemisfério sul, a posse indefectível pelo governo brasileiro da quarta maior empresa de energia do mundo, a Petrobras.
Mas isso são detalhes, não é? Só nós é que somos atrasadinhos e não compreendemos o enorme benefício nacional de deixar acionistas como os pobretanas do BES a pensar apenas com a carteira.

domingo, junho 27, 2010

Páre, SCUT e olhe

Amiga estrangeira:
-Não conheço o interior do país. é fácil apanhar o comboio em Lisboa para ir a Bragança?
Eu:
-Não há.
-Para Chaves?
-Também não.
-Mesmo do Porto?
-Nope.

Faz uma pausa e olha para o mapa e para o guia de viagem.
-Ok. Se calhar o sul está mais bem servido... Lisboa-Lagos? Não é interior mas...
-Sonhas.
-Mas são cidades assim tão pequeninas?
-Não, quase tudo capitais de distrito.
-Não pode ser! e não há comboio?
-Mas onde julgas que estás? na Europa? Aluga mas é um carro.
-Isso fica caríssimo!: aluguer; gasolina; portagens... Condutores portugueses!
-Talvez. Mas o nosso Estado poupou um dinheirão ao fechar as linhas. Olha, com sorte, ainda consegues fazer caminho em auto-estrada ou via rápida à borla e sempre poupas na portagem.
-Hum. Assim não sei...
-Évora tem comboio...
-Sim, eu sei. Já lá estive mais que uma vez.

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ADENDA: obrigatório ler esta posta de Daniel Oliveira.

quarta-feira, junho 23, 2010

Esta coisa dos feriados

Principalmente aquela macarronice do "da Família". Obrigue-se empregador e empregado a trabalhar somente das 8 às 16h00 e vão ver que não são precisos para nada.

terça-feira, junho 22, 2010

Tortugueses

Depois da demolição de ontem, a imprensa austríaca (eu sei que vocês nem dormem a pensar no que diz a imprensa austríaca) alcunhou a seleção das quinas de Tortugal, pois que Tor, entre outras coisas, também é "golo" em alemão.

Já em português isto soa-me a nome de terra de gente tortuosa, daí pensar que não está nada mal achado, não senhor.

segunda-feira, junho 21, 2010

Deve ser do clima

Quinze dias em África e já duas ou três seleções europeias são palco de confrontos entre rebeldes e dirigentes.

domingo, junho 20, 2010

Se não têm cuidado ainda acabam como o "i"

O DN afirma em títulos que o casamento de princesa Vitória não terá cobertura internacional e que "ficou marcado por boicote noticioso das agências internacionais".

Completamente. Assim que eu tivesse visto, à boda só foi dada cobertura pela CNN, BBC, öRF, ZDF e SF.