Sábado, Julho 19, 2008

O governador do banco de Portugal dissertou sobre o nuclear

Próximos convidados a abrir a alma no parlamento:

-o procurador geral da república analisa o TGV para Lisboa-Porto;
-a presidentina da Cruz Vermelha Portuguesa discute o imposto sobre os combustíveis;
-o director do IPPAR opina sobre estratégias de combate aos fogos florestais.

Em caso de confusão nos assuntos correntes

Quando certas opiniões marginais (ver esta caixa de comentários, é uma autêntica caricatura) glorificam as FARC e, num delírio furioso, classificam a presidência colombiana de "regime assassino" (risos), ficamos esclarecidos, não é?

Aardvark, antes que protestes, estamos muito longe de bater em mortos: segundo as sondagens, os loucos podem representar 17% do eleitorado (fonte JN/UCatólica). Digo 'podem' pois tenho a secreta esperança de que, como marginais que são, esses loucos nem votam.

Sexta-feira, Julho 18, 2008

O voto emigrante

A soberania do parlamento português acaba na fronteira, exactamente aquilo que deveria ser o limite da sua representatividade.

O resto é contabilidade de deputados para a definição de maiorias; quem acredita em mais que isto ou é tolo ou é do partido.

Dúvidas existenciais

Quem terá razão, Bob Geldof ou José Sócrates?

Os emigrantes sanzonais da caça ao voto

Resposta a isto.

O que acho, sem ironias, é que quem sai desvincula-se. Por vezes até cria raízes noutro sítio e vota ali. Aqueles que vão aos consulados registar a sua nova residência fazem-no apenas por exigência das leis locais.

Não é só a baixa taxa de recenseamento e participação que demonstra o desinteresse desse 'eleitorado'. Ele está à vista quando nos grandes pólos da emigração portuguesa, vêem-se jornais diários polacos, chineses, árabes, et c., à venda mas nunca portugueses.

(da mesma maneira, não me parece que putativos irlandeses americanos, ainda que sejam mil, estejam em pulgas para votar na Irlanda; da mesma maneira, não me parece que em Nova Iorque se leia o Irish Times)

A própria natureza do sistema eleitoral ajuda está em perfeito concurso para o alheamento e torna inúteis os círculos extra-nacionais existentes: esses míseros quatro deputados que refere perdem, tal como todos, o vínculo para com o seu eleitorado mal são eleitos. Se, dentro deste sistema, o sentimento de representação já tem dificuldade em medrar entre os residentes, muito mais terá quando nada do quotidiano de um emigrante pode ser afectado pelo voto disciplinado e inimputável de parlamentares anónimos e longínquos.

Julgo sim que, à falta interesse da "diáspora" na política nacional, é a política nacional que o procura. O que mostra que esse tipo de iniciativa pretende apenas beneficiar o representante, não o representado. “Deixem-se estar onde nada fazemos por vós”, parece dizerem, “mas agora podereis eleger-nos por cá”.

Com tal importância par a opinião pública, V. ainda se espanta com a desfaçatez com que se mudam de regras ao sabor das conveniências partidárias?
Acharia possível as regras eleitorais, o número de deputados por círculo, et c., vir a serem manipulados fora o eleitorado residente aquele afectado?

Em suma, no papel parece bonito mas na prática é redundante e demagógico. Tão redundante e demagógico quanto o voto duplo para as autarquias e parlamento europeu em vigor e de uma utilidade limitada à contabilidade do rotativismo.

Quanto à qualificação em portugueses de segunda ou primeira, é uma questão falsa, já se viu, e só ofenderá o tolo; os emigrantes vivem noutras economias e culturas e, sendo dessas que têm conhecimento e usufruto, é nelas que têm interesse em participar.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Separados à nascença?




Obrigado ao 31 da Armada pela inspiração.

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Mais uma entrada de leão

O estilo dos textos do blogue de Laurinda Alves é igual aos do de Marcelo Rebelo de Sousa. Em tom cordato, dá-se conhecimento da actualidade e do privilégio de contactos que a autora possui. Isto é, originalidade pessoal alguma se vislumbra.

A diferença entre o blogue de Laurinda Alves e outros que por aí há está no vídeo. Aquilo parece um híbrido entre os "magazines light" da têvê social onde toda a gente conhecida se conhece e os blogues de jornalistas que passam a vida a comentarem-se uns aos outros.

No fundo é, como a grande maioria da blogosfera, um blogue que só a família e amigos poderão ter interesse em ler.
Assim como esses, a sua função esgota-se no dizer "estou aqui".

Guillermo Rivera Fúquene encontrado morto

Pel'O Castendo.

A referência aqui ao seu desaparecimento é apenas de domingo.

...

Terça-feira, Julho 15, 2008

Observação blogosférica avulsa

Passando os olhos pelos comentários em blogues com caixas de 2 ou 3 dígitos, é fácil verificar uma coisa ou duas coisas que toda a gente sabe e outras menos óbvias: quanto mais taberneira a resposta mais certo ser de anónimo ou hemónimo (aqueles que assinam qualquer coisa mas não têm ligação para lado algum); que os anónimos e hemónimos cometem, em média, mais erros ortográficos/semânticos/sintáticos que os nónimos; que o raciocínio de anónimos e hemónimos é, regra geral, ou extremamente banal ou por demais ininteligível (ver ponto anterior); que a malta sofre de ADHD(*) que dá dó.

O silogismo resulta num "quanto mais ignorante, mais taberneiro e maior a cobardia".
Donde a ignorância, não sendo felicidade, é um princípio de violência.

Já o último ponto levanta a questão do amor de mãe. Será excesso ou insuficiência?

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(*) Attention Deficit Hyperactivity Disorder

N.R.: todos os membros deste blogue frequentam, sempre que podem, tabernas, tascos, casas de pasto, barraquinhas de comes-e-bebes e afins, e não se pretende de modo algum ofender a classe dos profissionais do ramo de louro à porta; pelo contrário, bem-hajam e tenham santa paciência ou juntem-se aos palhaços.

Ao pé deste Homem qualquer líder mundial é um puto ranhoso e cobarde



Luis Moreno-Ocampo, procurador-geral do Tribunal Penal Internacional.

If ignorance is bliss

Why are so many people unhappy?

Segunda-feira, Julho 14, 2008

A Bastilha


A fortaleza-prisão, "expressão máxima da tirania", contava à data da sua tomada pelos sem-cuecas com sete prisioneiros: quatro falsificadores, dois loucos e um aristocrata, o conde de Solages.

A análise acutilante de Marcelo

Presumivelmente em estado de hiper consciência, "Marcelo Rebelo de Sousa afirma que a crise económica e social é propícia ao aparecimento deste tipo de acontecimentos. O comentador considera ainda que a falta de integração pode estar na origem dos confrontos verificados em Loures."

Nos vídeos RTP.

A produzir espertos-saloios há mais de 3 gerações

Diálogo entre portugueses em Roterdão, os primeiros não têm cartão do banco:

"(...)
- Epá, a gente veio para aqui muito à pressa, respondemos a um anúncio no jornal e passados dois dias já estávamos a voar para cá. Não deu tempo para tratar de nada. Entretanto já fomos ao banco mas eles pedem-nos comprovativo de residência.
- Então e vocês não têm?
- Não. A gente mora na fábrica e o patrão não nos deixa dar essa morada.
- Então como é que são pagos?
- Ele passa por lá com 250 euros por semana e dá-nos.
- Épá, mas vocês sabem que isso é menos que o ordenado mínimo cá!
- Mas o ordenado mínimo é só para os holandeses, não é? O patrão diz que é assim. Diz que gosta muito dos portugueses porque quando é para trabalhar a gente trabalha a sério. Os holandeses tiram pausas para almoçar e saem do trabalho às quatro.
- Então e vocês, trabalham até que horas?
- Entramos às seis e saímos às oito. Se há encomendas também trabalhamos ao fim de semana.
- Então mas vocês têm visto notícias, não ouviram que há portugueses a serem explorados por cá?
- Isso deve ser pessoal que não quer trabalhar.
(...)"

Do Nadir dos tempos, via Arrastão. Vão lá ler o resto do diálogo que vale a pena.

Domingo, Julho 13, 2008

"it's the things you don't see that make all the difference"

Uma empresa de limpezas inglesa, sem vergonha de oferecer hotel e dar palheiro. De propor refeições e entregar sanduíches (custam 2 libras).
Parece anedota mas as boxes dos cavalos (os "quartos") ainda tinham estrume e urina agarrados à palha. Cama não. E nem sequer havia pão-de-forma e fiambre que chegasse para todos.

São tantas as notícias de exploração e condições sub-humanas de trabalho para emigrantes na Europa que, de facto, hoje em dia já só deveria cair quem quer.

Contudo, a emigração portuguesa continua, iludida por promessas de salários mínimos múltiplos dos nacionais com direito a alojamento e alimentação.

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Via Sem muros, via Arrastão.

NOTA 1: louvor à sr.ª Sónia Mendes, emigrante portuguesa em Londres, que confrontou os negreiros e não hesitou em chamar a polícia.

NOTA 2: a empresa em questão é a filial britânica de uma multinacional australiana chamada Cleanevent que tem como lema o título desta posta.

NOTA 3: e dêem graças ao santinho serem cidadãos comunitários.

iPhoda

Produto perfeito para o português "médio", o qual compra tudo, com a maior das naturalidades, a prestações.

Direitos humanos na Colômbia

A canalha colombiana não é só formada por maluquinhos revolucionários da selva. Grupos paramilitares, formados em tempos para combater a guerrilha à margem da lei, também fazem o que querem e lhes apetece debaixo do sol.

Martha Cecilia Obando era dirigente de uma singela associção de defesa de mulheres deslocadas (populações deslocadas do Vale de Caúca). A 29 de Junho, depois de várias ameaças, foi abatida a tiro por um desconhecido quando atravessava uma rua em Buenaventura. Mais informações e mais vítimas no sítio da Aminstia Internacional.


Guillermo Rivera Fuquene é dirigente sindical para os funcionários públicos em Bogotá. No passado dia 22 de Abril levava a filha à escola quando foi abordado por "policiais" e enfiado num carro. Nunca mais ninguém o viu.

Pobreza, assassinatos em pleno dia e "desaparecimentos". A marca de qualquer república das bananas.

Queira o presidente (eleito) Uribe ver-se livre desta imagem e também terá de extinguir qualquer força armada civil e punir severamente os desvios e abusos de poder de caciques e oligarcas.

Isto se quiser terminar o seu mandato tal como o começou, como democrata.

Sábado, Julho 12, 2008

Um confronto pessoal e não de civilizações

Fazia, marroquina, casada com cidadão francês e mãe de três filhos também franceses. A mesma cidadania que lhe foi recusada pela insistência no uso da burca, contrário aos "valores da República".

Discriminação cultural? Xenofobia? Violação de direito religioso?

Tretas. A senhora nunca se cobriu da cabeça as pés enquanto vivia em Marrocos e nem tinha intenção de o fazer quando se juntasse ao marido. Foi este quem lhe exigiu a mudança de hábitos, literalmente.

A República decidiu conforme seu Direito mas houve justiça? Afinal, quem ficou a perder foi uma inocente, ao se ver obrigada a engrossar por vontade alheia as hordas dos sans papiers.

The natives are restless 18

Leio no DN que é em Loures mas as imagens na SIC lembram-me Beirute.

Crise? Qual crise?

Não tenho carro fóssil particular pois basta-me o eléctrico colectivo.

Não pago hipotecas a rapinos mas renda a uma senhoria adorável que se esforça por manter o prédio e seus interiores em boas condições.

(escadalizados com a iconoclastia, os amigos portugueses dizem-me que atiro dinheiro à rua por "no fim não ficar com a casa"; ora,"no fim" bem podem os meus descendentes, se os houver, alugarem eles próprios, que a mim tanto se me dá)

Tudo o resto - cuecas, restaurantes, viagens - entra no cabaz por troca directa em débito electrónico.

O meu fim de mês chega sem sobressaltos ou ansiedades.

É da competência do arrivista a invenção da roda



E que tal começar por substituir os autocarros por "carros eléctricos"?

Importa-se de repetir?

A propósito do faroeste na fronteira norte de Lisboa, a explicação do comissário da PSP de Loures, Resende Silva (duas detenções e algumas - sic na SIC - armas apreendidas):

"Curiosamente, um dos indivíduos detidos [em flagrante] no segundo tiroteio já havia sido detido no tiroteio da noite anterior".

Música do meu tempo, pás

Obviamente, há outras coisas boas

Como Joy Division

Sexta-feira, Julho 11, 2008

Talento!



Esperemos que a menina recupere a saúde para que não lamentemos por ela. Quero vê-la a envelhecer, a tornar-se medíocre, a perder a inspiração.

Não precisamos de uma nova Janis Joplin.

Mas isto é rock do velho, puro e duro, impregnado de heroína, como deve ser.

Ao pé disto, o que se ouve hoje em dia é tudo asséptico, tipo restaurante macrobiótico para não fumadores abstémios.

Entretanto, nos mentideros da blogosfera...

... Já se fala num JoaoMiranda da Esquerda.

Domingo, Julho 06, 2008

A propósito da "homofobia" de Manuela

A Lisboa desaparecida de J. Rentes de Carvalho

"E quando vejo a Torre de Belém lembro que nesse tempo o guarda, a troco de cem escudos, emprestava a chave do terraço do monumento. Aí ao ar livre, vendo passar os navios no Tejo, faziam-se cópu­las que, devido à solenidade do lugar e aos nervos da ocasião, se tornavam duplamente históri­cas. Uma hora depois - raro as horas voltariam a ser tão curtas! - o guarda batia impiedosa­mente à porta, e era pagar de novo ou sair. Modelo de dis­creção, quando a dama descia a escada ele volta­va as costas, 'para não ver'."

O resto do artigo no Tempo contado.

Sexta-feira, Julho 04, 2008

Exercício de estilo, categoria Apontamento de Reportagem: "Nem só de vinho vive o homem".


Há quem se lembre de tardes de verão passadas a cobrir a mesa do café com mines. Antes do advento do ar condicionado, a canícula termalizava a cerveja mais depressa que a sede e só tirada do frio em meia-dose se lograva aproveitar a fresquinha na totalidade. Como brinde, as rodadas sucediam-se, quebrando o tédio e estimulando a conversa, sem que que o álcool chegasse a toldar o conhecimento ou a aquecer os ânimos.

Isto tudo para dizer que estas antigas criotecnologias estão bastante actuais na era do aquecimento global e a primeira garrafa de 2.5 dl austríaca foi lançada há bem pouco tempo, já a prever a chegada das temperaturas alentejanas aos Alpes. A "Zipfer Sparkling" é uma cerveja seca mas leve no gosto, entre a Pils e a Helle, publicitada como alternativa ao ubíquo Spritzer mas com mais uns grauzitos que este.

Infelizmente, (ainda) não é distribuida nos cafés e por isso não vou poder reconstituir com fidelidade as horas de ócio de outrora. No entanto, dá jeito para se ter em casa, pois é maneirinha no frigorífico e a sua oferta às visitas faz-se sem perguntas denecessárias.
Afinal, com estes 30º Celsius lá fora, quem é que tem coragem de recusar uma minezita e uns quadradinhos de Vorarlberger?
"À vossa", como eles dizem no fim dos apontamentos de reportagem.

P.S.: os preciosistas (e seriamente avariados da pinha) notarão que aldrabei a foto, pois essa aí é uma Premium de 3.3 dl e não a Sparkling de 2.5.

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Reflexão enquanto espero a minha vez na compra compulsiva de lâminas de barbear numa loja de aeroporto

O terrorismo global islamista não é mais que a eternização da luta entre as tribos de sempre, agora estendida ao terreno do "inimigo comum". Tal como no séc. XI, os loucos varridos julgam que quem mais perdas causar ao Ocidente mais tolos impressiona e arrebanha para debaixo do braço.

O problema é que, com a ajuda dos nossos iluminados, aquele expediente de troglodita funciona que é um primor.