quinta-feira, maio 27, 2010

Viva melhor, pergunte-me como





Viena, [de novo] a melhor cidade do mundo para viver e trabalhar.


(também gostei de ver Lisboa em 45º lugar, à frente de Madrid e Nova Iorque, mas 'prontos')

segunda-feira, maio 24, 2010

Entre canecas de helles



Segundo me confidenciou no domingo à noite H., um dos responsáveis pela banda sonora deste anúncio, os seis segundos e picos de Ronaldo com o Homer custaram tanto à produção quanto todo o restante. Só não me disse o que este "quanto" era.

quinta-feira, maio 20, 2010

Drugs

The Dirtbombs

quarta-feira, maio 19, 2010

Aqui d'El-Guei

Se bem que o cu nada tenha a ver com as calças, seis dos sete países onde já existe casamento entre homossexuais são monarquias.

terça-feira, maio 18, 2010

Ian Curtis

Suicidou-se há 30 anos.



Há um momento em que despertamos para as coisas. Ou em que as coisas nos despertam a nós. O mundo torna-se então muito mais amplo e misterioso. A música dos Joy Division foi uma das primeiras a abrir-me os olhos e os ouvidos. "Unknown Pleasures". E sinto que ainda não decifrei o enigma.
Vi há uns meses o documentário de Grant Gee (muito bom). Começa com esta citação:

«To be modern is to find ourselves in an environment that promises us adventure, power, joy, growth, transformation of ourselves and the world - and at the same time that threatens to destroy everything we have, everything we know, everything we are.»
- Marshall Berman

tirada daqui


R.I.P Ian Curtis.

Giacinto Scelsi




«A whole chapter of recent musical history must be rewritten: the second half of this century is now unthinkable without Scelsi ... He has inaugurated a completely new way of making music, hitherto unknown in the West. In the early fifties, there were few alternatives to serialism's strait jacket that did not lead back to the past. Then, toward 1960–61, came the shock of the discovery of Ligeti's Apparitions and Atmosphères. There were few people at the time who knew that Friedrich Cerha, in his orchestral cycle Spiegel, had already reached rather similar results, and nobody knew that there was a composer who had followed the same path even years before, and in a far more radical way: Giacinto Scelsi himself.»
- Harry Halbreich

Esta não conheciam vocês

segunda-feira, maio 17, 2010

Não te conheço de lado nenhum

Estive a ver o nosso primeiro ministro na televisão. Falava num encontro com empresários em Madrid. Para definir o que senti ao ouvi-lo falar só me ocorreu uma expressão espanhola: verguenza ajena.

Turn off

Silicone, raspadinha, botox de qualquer espécie, unhacas de gel, piercings em fissuras e zonas mucosas (vá lá, no nariz passa desde que não tenha de o assoar), tatuagens fora de membros (e.g., slag tag), oxigenação folicular, bronze de incubação, sobrancelha de travesti, e, last but not least, o belo do muffin top.

Subsídios para a construção de uma sociedade mais livre, justa e bela

O puritanismo na atitude de uns empregadores é tão assustador quanto a ditadura do silicone-e-raspadinha dos outros.

domingo, maio 16, 2010

Redundância malandra

Com 20% de desemprego em Espanha, há certos liberais que se lá vivessem apenas sobreviveriam à custa do estado.

Líderes fracos

O desrespeito por quem nos serve é a forma mais baixa de cobardia.

sábado, maio 15, 2010

A Bruna Paralítica



ao minuto 1 mais 30 segundos

sexta-feira, maio 14, 2010

As feridas dos outros



O Conselho Geral do Poder Judicial e do Tribunal Supremo de Espanha decidiu suspender Baltazar Garzón das suas funções de juiz da Audiência Nacional. O juiz Varela fez horas extraordinárias para que esta decisão fosse tomada o mais depressa possível, evitando assim a ida de Garzón para o Tribunal Internacional de Haia.

A ideia, pelo que se depreende, não era que Garzón deixasse de exercer em Espanha, a ideia é que ele deixe de exercer por completo. Não se trata aqui de justiça mas sim de revanchismo. Esta decisão só vem tornar as coisas mais claras.

Garzón pode com a ETA, com os GAL e até com Pinochet. Mas ameaçar toda a direita espanhola através do caso Gurtel e querer julgar o genocídio franquista revelou-se tarefa demasiado hercúlea, até para este juiz com tomates de aço.

Mas a fúria legalista do Tribunal Supremo (que aceitou as queixas da Falange e de um pseudo-sindicado de extrema direita), serve para deixar à vista de todos que a verdade continua a ser incómoda para muita gente.

A direita espanhola acena ainda e sempre com o argumento de que há feridas que não se devem reabrir. Todos os que usam este argumento deveriam saber que há feridas que nunca chegaram a cicatrizar. Mas não faz mal, são as feridas dos outros.



terça-feira, maio 11, 2010

Eles estão de volta!



Depois de uma pausa para tomar balanço, a revista Pormenores está outra vez nas bancas. Parabéns pela perseverança e pelo bom trabalho!

PS: Quero uma casa de taipa!

É este ainda o nosso fado?

Futebol


Fátima


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Como bem diz o Ricardo Schiappa aqui

segunda-feira, maio 10, 2010

A má gestão compensa

(Via Vanity Fair, via The New York Times, via Daily Intel):

“Top executives at the country’s largest media companies continued to reel in multimillion-dollar pay packages in 2009, a year of widespread cost-cutting throughout the industry,”.

See if you can match the executive’s obscene salary to the terrible news about recent layoffs at his own company. The lucky champion will win ... a renewed disgust with this country’s fetishization of avarice!

1. CBS’s Les Moonves, $43 million
2. Viacom’s Philippe P. Dauman, $34 million
3. Comcast’s Brian L. Roberts, $25 million, and Stephen B. Burke, $31 million
4. Gannett’s Craig A. Dubow, $4.4 million
5. The New York Times’ Arthur Sulzberger Jr., $4.8 million
6. McClatchy’s Gary B. Pruitt, $2.6 million

A. “[Redacted] said most of the [300] jobs being eliminated are at the division and regional management levels and it will try to find other jobs for the people whose positions are being eliminated.”
B. “[Redacted] eliminated more than 10,000 jobs in 2007 and 2008, including about 2,000 layoffs last fall, and [redacted] executives have said repeatedly that they expect more downsizing, including layoffs.”
C. “[Redacted] just announced that it needs to cut 100 positions, or about 8 percent, from its newsroom by the end of the year.”
D. “[Redacted’s] news division will be hit with layoffs next week, perhaps as many as 100 people, roughly 7 percent of the 1,400 person staff.”
E. “[Redacted] said it will slash about 850 jobs—7 percent of its work force—and freeze some senior-level salaries.”
F. “[Redacted] has cut 4,150 jobs since June 2008.”

Solução:
1. D; 2. E; 3. A; 4. B; 5. C; 6. F

domingo, maio 09, 2010

Uma tragédia

Salários e contratos
O disparate: entre 2006 e 2010, os salários da função pública grega tiveram um aumento, em média, de 30%.

Os cortes que agora levam o "proletariado" à rua são os seguintes: congelamento destes aumentos e fim do 13º e 14º "mês" para os níveis de topo dos salários.

Isto é, quem ganha muito passa a ganhar menos e quem ganha pouco fica na mesma.

No setor privado, as empresas poderão, a partir de agora, despedir até 4% dos seus funcionários (antes, eram 2%)... Fascistas!!

Reforma
Em média, um grego enfia as alpercatas aos 61 anos de idade para gozar o salário mais alto que ganhou na vida. Depois de esbanjá-lo em retsina e subornos aos médicos, morre de enfarte aos 72.
É possível que a partir de agora a idade máxima de reforma passe a estar indexada, qual euribor, à esperança média de vida. Tendo em conta que será a média dos salários o que irá definir a mesada final, talvez com menos tilim para boa vida esta acabe por aumentar.

Fuga fiscal
Seriam 20 mil milhões de encaixe direto. Mas não faço ideia como irão mudar os costumes e a fiscalização num pardieiro onde até a construção ilegal, meu deus, consegue fugir aos impostos.

Mas o pior, o pior de tudo serão os aumentos de 10% no imposto sobre combustíveis, álcool e tabaco. E lá me vão lixar a idade de reforma outra vez, pá.

De facto, isto sim, são medidas de austeridade de levar um país à guerra civil.

sábado, maio 01, 2010

Cherchez la femme

Casa para viver ou viver para a casa?

Imaginei que tinha uma proposta de trabalho semelhante ao que tenho agora mas em Lisboa. Um senão em Portugal é o salário. No entanto, pensei "ganho menos mas a vida é mais barata".

Um bom critério para confirmar tal impressão seria assegurar-me de como variaria a minha despesa com uma questão incontornável, a habitação. Todos temos de viver debaixo de telha, não é?

Fui a uma agência imobiliária online e fiz uma busca para apartamento com a mesma área (m2) e em área equivalente da capital portuguesa (freguesia). Infelizmente, não encontrei nada na praça da Município e fui obrigado a ver como param as modas em Alvalade. Mas nem aqui havia alugueres.

Encontrando algo para venda, agarrei no valor do imóvel e, sem fazer comparações, introduzi-o no software de simulação de um banco português.

Duas horas depois já tinha recuperado do ataque de pânico.

sexta-feira, abril 30, 2010

Os ricos que paguem a crise

Eduardo Pitta já faz aqui referência ao absurdo atual do crédito bonificado.
Para além dos resultados apontados, acrescento eu que nunca fez qualquer sentido o Estado subsidiar a construção civil para uso privado. Mais: ao estimular a ilusão da propriedade, a intervenção estatal apenas contribuiu para tolher ainda mais um mercado de aluguer que já era, por outros motivos, deficitário.

O outro grande beneficiário deste subsídio é a banca comercial. Exatamente a mesma que, independentemente de crises ou recessões, vê os seus lucros aumentarem anualmente.
Dirá alguém que o Estado acaba por recuperar o seu investimento/subsídio através da coleta sobre essas mais-valias bilionárias.
Por mais absurdo que pareça, nem por isso. Pois tendo em mãos uma atividade estável, lucrativa e sem risco de deslocalização, aquilo que o Estado faz é... aplicar um desconto de (pelo menos) 8% ao IRC da banca.
Para isto, seria preferível substituir os bancos por agiotas. Ao menos esses só vivem à custa de quem decide endividar-se.

Não é necessário ser economista para saber que um orçamento equilibra-se de duas maneiras: ou se reduz a despesa, ou se aumenta a receita. Mas se acreditarmos que a primeira responsabilidade de qualquer governo (e este até se diz socialista) é assegurar o bem-estar, e mesmo a sobrevivência, dos cidadãos, a escolha é mais do que legítima e racional, é óbvia: como diziam antigamente, os ricos que paguem a crise.

quinta-feira, abril 29, 2010

A Goldman Sachs é alvo de inquérito no senado americano

Muitas outras agências não destoariam no banco dos réus. Apesar disto, nenhuma vai à falência e há muito idiota que continua a dar-lhes ouvidos.
De facto, o "mercado" é mais infalível que o papa.

segunda-feira, abril 26, 2010

domingo, abril 25, 2010

Neste 25 de Abril de hoje...


... Que o espírito daquele de há 36 anos em Portugal atravesse o meio-continente que nos separa e venha a pairar sobre as eleições de hoje, reduzindo os nazis à insignificância que eles merecem ou expendindo-os o mais lesto possível para a Rosário que os pariu.

sábado, abril 24, 2010

Direito e Justiça

Muita gente lá anda entretida a discutir exames e pedagogia (!) por causa da falta de tato de um professor da Faculdade de Direito de Lisboa e da falta de tino dos seus meninos. Um escandalozinho da treta que só se justifica pelo mediatismo a que a causa implicada foi sujeita nos últimos anos.

Sendo público o seu activismo recente contra o casamento entre homossexuais, devia o professor saber que um exame acerca de casamentos seria sempre interpretado como tentativa de propaganda de causas perdidas. Por outro lado, aos estudantes de Direito tinha competido trazer a argumentação para dentro da sala de exame e deixar a sensibilidade à porta. Alguns deles preferiram fazer exatamente o contrário. Desculpa-os a falta de experiência (estão no primeiro ano) mas revela que há algo de profundamente errado na educação de quem acede ao nosso sistema de ensino superior.
Em suma, pode dizer-se que estiveram bem um para os outros.

Completamente alheio a esta palhaçada de diletantes, o tribunal da relação absolveu o pato-bravo de Braga pelo crime de tentativa de corrupção de José Sá Fernandes. Razão: o vereador, como tal, não teria poder para prestar o favorzinho solicitado.
Como diz o próprio, mais valia ter aceite os 250 000 euros.

Agora adivinhem com qual dos dois abusos de direitos constitucionais se choca mais a minha alminha hipersensível.

sexta-feira, abril 23, 2010

quinta-feira, abril 22, 2010

E agora uma coisa realmente importante

Em ano de centenário do golpe de estado em que nos encontramos, há quem se dedique a discutir sobre se o regime actual será a II ou a III república.

Dado que é uma questão de saber contar, a dúvida não surpreende. Ou não fora a planeada escolarização universal um dos maiores falhanços da I.

O bolo

Sondagens após o debate de Cameron, Clegg e Brown na semana passada:

Conservadores: 32%
Lib-Dem: 31%
Trabalhistas: 27%



As notícias de certa e determinada imprensa nesta semana:

"The Daily Telegraph reported that Mr Clegg received up to £250 a month from three businessmen in 2006, paid into his bank account. The Mail led on comments he made in 2002 about Anglo-German relations under the headline "Nick Clegg in Nazi Slur on Britain". He was also attacked in The Sun and the Daily Express.

(...) for the Conservatives, Greg Hands said: "Nick Clegg must produce the paperwork to clear up some serious questions about these donations."


"Up to £250 a month"!!

O debate é hoje à noite. Adivinhem quais vão ser os temas prementes que tanto conservadores como trabalhistas tentarão discutir ad nausea para um melhor esclarecimento dos eleitores.

terça-feira, abril 20, 2010

Eles andam aí

Lêem-se rapidamente os comentários na imprensa estrangeira e fica uma impressão de que, como (de momento) já não se pode atacar a Grécia, a mira não se vira para Portugal sem alguma morbidez.

Novas do Extremo-oriente

O oligarca Thaksin Shinawatra é o líder do movimento "vermelho" que ciclicamente ocupa as ruas de Banguecoque, exigindo o seu regresso ao poder.

Dono de cadeias de televisão e telecomunicações, entre outras (rede móvel em monopólio, a Shinawatra Computer and Communications Group, a Shinawatra Satellite, a Universidade Shinawatra, a estação iTV, o Siam Commercial Bank e, inclusivé e por um par de anos, o clube de futebol inglês Manchester United), Thaksin ficou milionário à custa do contribuinte e o seu percurso parece uma cópia decalcada daquele de populistas como Berlusconi ou qualquer um da nova classe de dirigentes do Cáucaso.
Em particular, Thaksin soube capitalizar o descontentamento das populações rurais perante a modernização imposta pelas elites urbanas, tornando-se primeiro-ministro da Tailândia em 2001. Mas, cinco anos depois, perante as acusações de corrupção e peculato (entretanto provadas in absentia) e a hostilidade que criou junto dos militares e restante classe dirigente, acabou sendo deposto num golpe de estado que, curiosamente, destituiu o primeiro-ministro mas não dissolveu o parlamento que o suportava.

Na sequência da sua queda, Thaksin refugiou-se primeiro no Reino Unido mas acabou por fugir para o Camboja, onde foi contratado como "conselheiro económico" pelo governo de Hun Sen. Em Outubro de 2008 e outra vez em Abril do ano passado, depois do templo de Preah Vihear ter sido declarado património universal, as tropas cambojanas voltavam a entrar em confrontos com o exército tailandês pela posse daquele e do território envolvente.


Tudo isto porque, hoje de manhã, em Banguecoque, discutia-se a possibilidade do exército fazer uso de fogo real contra os manifestantes. Parece que, entre velhos e crianças trazidos em autocarros pagos pela fortuna de Thaksin, começaram a aparecer outro tipo de "vermelhos", de armas em punho.
E estas já não seriam pedras de intifada ou bambús afiados; outrossim, AK-47, diretamente vindas do Camboja.

domingo, abril 11, 2010

Constatação do óbvio

Ninguém gosta de ser tratado como dispensável, muito menos pelo poder que dele deveria depender.
Não admira, por isso, que os valentes (de Valença do Minho) reajam ao insulto dando prova material do que este, na sua discutível mas legítima opinião, simboliza: uma transferência de soberania.

sexta-feira, abril 09, 2010

R.I.P. Malcolm McLaren

Gostava deste gajo.

"Disgrace"

terça-feira, abril 06, 2010

Clash of Titans!

Não, não é nada disso.

É sim ir ver o Herzog quase vinte anos depois de ter adorado o Ferrara:

segunda-feira, abril 05, 2010

Canción primaveral

I

Salen los niños alegres
de la escuela,
poniendo en el aire tibio
del abril, canciones tiernas.
¡Qué alegria tiene el hondo
silencio de la calleja!
Un silencio hecho pedazos
por risas de plata nueva.

II

Voy camino de la tarde
entre flores de la huerta
dejando sobre el camino
el agua de mi tristeza.

En el monte solitario
un cementerio de aldea
parece un campo sembrado
con granos de calaveras.
Y han crecido cipreses
como gigantes cabezas
que con orbitas vacías
y verdosas cabelleras
pensativos y dolientes
el horizonte contemplan.

¡Abril divino, que vienes
cargado de sol y esencias,
llena con nidos de oro
las floridas calaveras!


Federico García Lorca (março de 1919)

sexta-feira, abril 02, 2010

quarta-feira, março 31, 2010

Queria perdoar-lhe o Rei benigno, Movido das palavras que o magoam; Mas o pertinaz povo e seu destino (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam

Inês de Medeiros e o partido socialista consideraram que a primeira teria condições para ser deputada por Lisboa mesmo vivendo em Paris.

É de 'Homem', por ambas as partes. Por exemplo, eu não teria condições para ser deputado de todo, nem que vivesse no telhado de S.Bento. Mas também tenho a certeza que, caso o PS tivesse conhecimento da minha existência, e pelo menos neste aspeto, estaria de acordo comigo.

Dado que o parlamento ainda não é itinerante, a lei concede aos deputados da Nação - claramente e sem excepção - o direito a viagens pagas ao domicílio de cada um.
Nada do outro mundo quando até empresas privadas dão ajudas de custo em casos semelhantes. Não só é legal como é legítimo.

Mas depois de eleita a senhora, dá ideia que toda a gente se esqueceu disto e questiona-se a ética da própria e a do partido (está na moda).
Ora bem, se não queriam uma deputada por Lisboa a passar fins-de-semana em Paris, não votavam nela. Se não votaram por este motivo mas mesmo assim ela foi eleita, aguentem-se à bronca: chama-se a isso 'democracia'.

Desculpam-se dizendo que não é possível separar os deputados de acordo com as nossas objecções ou preferências, que se vota numa lista e não em pessoas.

Ah, pois. Isso sei eu. Neste sistema eleitoral apenas temos o poder de dar carta branca ao diretório de um partido.
Obviamente que quem aceita esta situação, nada mais tem a dizer. De acordo com toda a legalidade e legitimidade.

terça-feira, março 23, 2010

Risque o que não interessar

Na América do Sul/Norte, uma lei que obriga os cidadãos a comprar um seguro a companhias privadas é considerada capitalista/socialista.

Those were the days

Hollywood (e Maureen O'Sullivan) antes do Código de Hays...

Tarzan and his mate, 1934




... E depois...

Tarzan finds a son!, 1939




Nota de rodapé: Lembro-me de ter visto algures imagens da cena final de um filme extraordinário, ainda mudo, onde uma centena de figurantes foi sentada à mesa de um banquete sumptuoso. Depois de comidos e bebidos, receberam instruções da produção para se comportarem exatamente como se o fim do mundo fosse mesmo amanhã. O bacanal foi tamanho que alguns destes "atores" e "atrizes", por serem menores na altura, nem puderam assistir à exibição nos cinemas.

No ponto



No dia em que o comprei guardei-o numa mochila. À noite, no regresso a casa, o táxi teve um furo. Não sei porquê, tirámos as mochilas do banco de trás enquanto o taxista mudava o pneu. Chovia.
No dia seguinte reparámos que o livro estava encharcado. Demorou quase uma semana a secar no chão do escritório, à frente do ventilador. As páginas ficaram enrugadas e amareladas.
A princípio fiquei contrariado, mas agora parece que o aspecto do livro está mais de acordo com o seu conteúdo do que quando o tirei da prateleira na livraria.

Hoje termino-o. Por coincidência, no dia em que Akira Kurosawa faria 100 anos.

domingo, março 21, 2010

A intifada dos atrasados mentais

Parece que duas excursões de trogloditas desataram à pedrada uma à outra e aos carros de pessoas que passavam na autoestrada.

Com a polícia portuguesa é sempre a mesma coisa: quando era mesmo útil ter um ou dois de gatilho fácil por perto, ninguém se chega à frente.

sábado, março 20, 2010

Os trombones de piston...



...são outra coisa que também me faz feliz.

Estas coisas...



...fazem-me feliz.

sexta-feira, março 19, 2010

terça-feira, março 16, 2010

Morreu o pai do Geraldão

Glauco Villas Boas e seu filho foram mortos a tiro em sua casa, na passada sexta-feira.

Glauco, juntamente com os companheiros de subversão Arnaldo Angeli e Laerte Coutinho (com os quais colaborou na Chiclete com Banana), fazia parte de uma geração fantástica de cartunistas brasileiros 'nascida' após a queda da ditadura militar.



Apesar da distribuição errática em território português, li muito na adolescência o seu fanzine Geraldão, centrado no onanista do mesmo nome - trinta anos, cheio de vícios e que ainda vive com a mãe. Mas os meus preferidos sempre foram o casal Neuras, o melhor retrato em 'quadrinhos' do pior que as relações têm.
Fica uma tirinha para exemplo, dentro do que pude encontrar na net:



Este é daqueles que me vai deixar com saudades.

domingo, março 14, 2010

Deprimente

Desde 1998 que morreram 5.4 millhões de pessoas no Congo em resultado da guerra.

Eu quero é o "conflito israelo-árabe", os média, os americanistas de cátedra e os imbecis de lencinho à iasser arafate vão todos para a puta que os pariu.

Já a propósito de uma conversa matinal, lembrei-me de um outro pormenor não menos construtivo

O primeiro-ministro do Reino Unido tem um doutoramento em ciências políticas mas ninguém lhe chama "doutor".

sábado, março 13, 2010

Assim de repente, lembrei-me de um pormenor ainda mais edificante

Durante mais de vinte anos, a Alemanha tem conseguido manter a sua taxa de desemprego nos 10%.

sexta-feira, março 12, 2010

Assim de repente, lembrei-me de um pormenor edificante

Estas agências de rateio são as mesmas que davam AAA+ a todo o santo subprime que viam à frente.

Não gosto de bullying

Prefiro "judiar".

Já agora, meus grandes parolos, shotgun escreve-se "caçadeira".

quarta-feira, março 10, 2010

Desiderato



Noite ociosa. Está um frio desgraçado lá fora e há horas que só dão saltos olímpicos na Fernseher.

Ligo o skype. O R. não falha.
Desterrado em Bournemouth, onde partilha casa com outro académico, espera todas as noites pelo online da namorada nova, jornalista anglo-italiana, recém-divorciada, que conheceu durante um fim-de-semana em Londres. Aproveitando o atraso costumeiro, trocamos comentários sobre os current world affairs, como se ainda estivessemos no bar do college, fazendo-nos ouvir por outros, fígado fresco e presunção a condizer.

A conversa acaba por voltar às idiossincrasias da freelancer londrina e, naturalmente, a assuntos de saias em geral. Daqui, chegar ao flatmate seria inevitável. Acontece que está deveras impressionado com a capacidade assustadora que o mesmo tem para arrebanhar mulheres. "Cada noite dorme com outra, seja solteira, casada, ou assim-assim". Faz uma pequena pausa e acrescenta "a semana inteira!".

Dado que nos conhecemos há já alguns anos, não consegui evitar sentir uma pequena picada no ego. Tentei disfarçar (mal) o desconforto, tendo-me saído com qualquer coisa como "De facto, impressionante. Com certeza, pensar em variantes diárias à meia dúzia de rotinas que uma sedução implica deve obrigar a um esforço admirável..."
"Oh, percebeste mal", interrompeu, "o J. não se maça com conquistas. Nem tem absolutamente critério algum para escolher com quem se deita. O truque que revela, orgulhoso, quando insiste em dispensar conselhos, é terrivelmente simples: lower your standards".

Я очень рад, ведь я, наконец, возвращаюсь домой

terça-feira, março 09, 2010

Pedro encontra Inês



Mas afinal era Katyia.
Daqui.


Dedicado aos irredutíveis que nos leem e em comemoração do quarto aniversário deste blogue, há um mês atrás.

quinta-feira, março 04, 2010

Parabéns, Mrs. Gobley



Uns whiskeys, umas guinesses e um maço por dia. E 100 anos de vida.

quarta-feira, março 03, 2010

A mediocridade de Henrique Raposo

Escreve o inefável cronista no Expresso online (2 de Março):

I. Numa entrevista ao i, Christopher Hitchens mostra, mais uma vez, que não consegue ou não quer compreender a pulsão religiosa dos homens. Isto porque Hitchens vê na religião uma espécie de fascismo travestido (que bela palavra, dr. Sócrates). Hitchens é daquela família de esquerdistas que deixou de pensar quando o fascismo e o nacionalismo acabaram na Europa. Sem o velho "inimigo" contra quem lutar, este esquerdismo não consegue pensar. Donde nasce a necessidade de transformar a religião numa espécie de fascismo que engana as pessoas com promessas divinas.

Hitchens tem sessenta anos. Quando tinha vinte e cinco, idade de alguma razão, já os fascismos de paixão católica (Franco ou Salazar) tinham morrido. Pelas minhas contas, resta o comunismo.
Por miúdos, o escritor esquerdista é hoje ateísta porque não tem aquela ideologia ateísta contra a qual lutar.
Tudo lógico no pequeno mundo de Henrique Raposo.

II. Além desta ira irracional que lhe tolda o pensamento, Hitchens revela o pecado da preguiça. Quando compara, de forma leviana, a religião ao fascismo, este nosso esquerdista esquece o papel essencial da religião na luta contra os totalitarismos do século XX (quer fascismo, quer comunismo).

Com esta prova da treta, e presumindo que admite a distinção, Raposo esquece o papel essencial do comunismo na luta contra o fascismo e vice-versa... Decerto, estará toldado com alguma falta de racionalidade. Com ou sem ira.

Depois, a suposta "novidade" de Hitchens tem, na verdade, cerca de dois séculos. No século XIX, já havia gente a fazer carreira intelectual através de frases como "a religião envenena tudo". É por isso que mais vale ler os originais, que estão nas bibliotecas sobre o século XIX.

Depois, vem o argumento à café, o "isto já tem barbas" que geralmente serve para insinuar cultura ante a plebe deslumbrada. Sine ratio (eheh), não passa de escatologia.
Segundo Henrique Raposo, Nietzsche, Heidegger, ou Marx vendiam banha-da-cobra mas era da boa porque na altura era original. O próprio, por outro lado, presumo que se liberte do fardo das suas excelsas meditações por necessidade puramente higiénica.

III. Hitchens deve tudo a Deus. Sem Ele, Hitchens não existia intelectualmente. E é por causa deste ateísmo "cool" e preguiçoso que nunca digo que sou ateu. Sou agnóstico. E, como agnóstico, digo que é mais fácil falar com um crente do que com um ateu. Aliás, é impossível dialogar com um ateu. A intolerância, no início do século XXI, aqui na Europa, está do lado dos ateus.


Uma alteração biológica, algures no passado das espécies que nos antecederam, trouxe-nos vantagens determinantes para a nossa propagação. Ao mesmo tempo, tornou-nos, por defeito, em animais capazes de imaginar o sobrenatural. Discutir o que seja desistindo da razão, como faz um crente, é voltar a tempos de sobrevivência incerta e temor dos céus.
Tempos aqueles quando, pelas mesmas razões, pouca tolerância decerto haveria para com intelectuais que pusessem em causa a crença maioritária.

Pelo contrário, quando se trata de identificar uma causa de injustiça e violência - como o é tantas vezes a religião -, e combatê-la sem bombas ou inquisição, a tolerância mora em pouco mais lugares que aqui, na Europa do séc. XXI.

A prova está em um comentador tão medíocre como Henrique Raposo conseguir escrever para um jornal sem que este facto perturbante faça o mesmo descer a pique nas tiragens.

domingo, fevereiro 28, 2010

Haverá questões mais prementes para um chefe de Estado? Há, mas não seria a mesma coisa



Lista completa aqui (onde os EUA e o friendly neighbour to the north têm direito a lista destacada).

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Declaração de interesses: para o caso de ainda ninguém ter dado por isso, sou monárquico e, como tal, NÃO apoio nem simpatizo com qualquer candidato ou futuro candidato à presidência da república portuguesa).

Para confirmação da análise frenológica prévia



Nem de rir conter me posso.
Tenham medo, tenham muito medo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ele há cientistas sem noção de marquetingue

"I don't believe the killer whale purposely intended to kill the woman"

Nancy Black, bióloga marinha.

domingo, fevereiro 21, 2010