quarta-feira, maio 14, 2008

Rejected but loved


Contou-me que, quando crianças, tinham uma caixa de cartão no sotão onde ela e a irmã costumavam guardar aqueles bonecos ou bonecas com os quais já não brincavam. Convenciam-se que assim fariam companhia uns aos outros e talvez não sentissem falta das antigas donas.
Do lado de fora haviam escrito com marcador grosso: "R.B.L.", isto é, "Rejected But Loved". Assim, podiam esquecer-se sem maldade e passar, com entusiasmo, a brincar com o boneco novo.

É isto que algumas mulheres nos fazem em adultas: enfiam-nos na caixa R.B.L. que lá terão arranjado em tempos; nós, confundidos, insistimos. Sem perceber que aquelas visitas curtas ao sotão não passam, no fundo, de remorsos de pequenita.

segunda-feira, maio 12, 2008

Separados à nascença?



Hizbollah libanês / Guarda Revolucionária iraniana.

sexta-feira, maio 09, 2008

Indagandis et sedibus causas morborum


Chego e sou instalado numa espécie de aparthotel, construido nos anos 80, para artistas convidados. A renda é quase simbólica mas, como que para prevenir tentações meridionais de permanência, impõem-se regras e decoração espartanas.

A ménage das cuecas, por exemplo, faz-se por meio de marcação antecipada. No dia atribuído, recebo a chave (mais uma de uma série de cinco) e um rol de indicações. Mas a exiguidade do meu Hochdeutsch não é páreo para a dinâmica do sotaque local e, durante as minhas buscas pela sala das máquinas, acabo por me perder.

Salva-me a simpatia de uma nativa, a qual, ao ver-me aflito de trouxa e detergente nas mãos, se dispõe a conduzir-me escadas abaixo, por portas travessas, até à cave. Nesta, estende-se diante de mim um corredor ladeado por inúmeras portas de ferro. Olho para a etiqueta da chave e avanço, perscrutando pela correspondência.

Destranca, destranca, puxa alavanca. A sala, com 7 metros de pé-direito, é maior que o apartamento em todas as coordenadas. Sentam-se, lado a lado e insignificantes, a lavadora e a secadora, minguadas que estão pelo espaço vazio. Abandono-as à sua ruidosa tarefa e fecho a sólida porta atrás de mim. Nisto, deixo de ouvir um sussurro que seja.
Cá fora, consigo ver o sorriso da nativa, ao fundo do corredor, com a satisfação de dever cumprido. Isto permite desviar-me de um calafrio mas não consigo apagar a imagem surgida segundos antes na minha cabeça.
Não há dúvida que estes austríacos sempre foram obcecados pelo casario subterrâneo.

Levem lá a água, pués que a terra há-de ser nossa

Sempre desconfiei que o resultado à vista, mais do que uma ironia do destino, já era água levada no bico durante as negociações para o caudal do Alqueva.
Fintam-nos à distância, aqueles ciganos.

quinta-feira, maio 08, 2008

quarta-feira, maio 07, 2008

As casas de Luanda

O 25 de Abril tornou-se consensual. Alguma direita com mais uns dedos de testa sabe que o fim das revoluções, seja ele qual for, entrega-lhe a vitória. A prova é que, há menos de duas semanas, poucos eram aqueles que não enchiam a boca com liberdade e democracia, independentemente da sua orientação eleitoral.

Ora, ele há sítios onde raramente eclodem revoluções. Nessas paragens, as gentes têm não menos carinho pela liberdade e pela democracia mas, em lugar de as celebrarem uma vez por ano, exercem-nas todos os dias.

E não são egoístas com o seu privilégio. Por exemplo, se um governo, seu representante, se porta mal e negoceia com ditadores, irá ter sérias dificuldades em governar os seus representados.
Muito menos uma instituição financeira privada se arroga a alinhar publicamente com governos mafiosos estrangeiros e contra a sociedade civil: era o fim da sua credibilidade e também do seu negócio.

Aqui, não: somos revolucionários em pasto de café. Conquistámos o direito a ruminar enquanto nada se passar connosco. Mas sempre com aquele sentimento de superioridade de quem, "se for preciso", vai lá e parte a loiça toda ao patrão.

E são mais três imperiais, s.f.f..

terça-feira, maio 06, 2008

Acerca das dúvidas sobre a imputabilidade do sr.Fritzl

Imagens de uma prisão na Estíria, Áustria, o Justizzentrum Leoben (página do projectista aqui).

Vista exterior nocturna.


Escadaria interior


Área de convívio social


Área de convívio conjugal


Espaço de reflexão

Eu queria mesmo era o Cartola



Estragam tudo. Marisa Monte? Tá bem, siga. Mas com legendazinhas? Valha-me deus...
__________________________________________
Obrigado ao Origem das Espécies pela lembrança.

sábado, maio 03, 2008

Cara Manuela

A minha Cara Amiga é sem dúvida a melhor entre os candidatos que se apresentaram na corrida à liderança do PSD.

É quem tem a maior possibilidade de derrotar Sócrates.

Mas, para convencer os filiados e os futuros eleitores, por favor apresente alguma idéia.

Não passe a mensagem de que qualquer proposta apresentada nos média actuais é um mero sound-bite. Não entre no jogo deles. Não evite transmitir as suas idéias apenas porque quer evitar a transmissão de sound-bites.

Não faça como Durão Barroso, que nunca transmitiu nenhuma idéia nas suas campanhas mas que acabou por transmitir vários sound-bites. Essa estratégia levou Barroso à presidência da Comissão Europeia mas não levou o país a lado nenhum.

Os meus cumprimentos e desejos de Boa Sorte.

Direitalhaços

José de Pina inventou o conceito de Esquerdalho para designar aqueles indivíduos que se usam na política para se poder dizer que se é de esquerda.

O PS é especialista, claro, na utilização de esquerdalhos: José Sá Fernandes é o Esquerdalho de António Costa, Manuel Alegre é o Esquerdalho do PS, Mário Soares foi o Esquerdalho de Sócrates nas presidenciais e Freitas do Amaral foi o Esquerdalho de Sócrates no Governo.

Mas José de Pina ainda não reparou no reflexo de direita do Esquerdalho. Este pode ser chamado de Direitalhaço.

O que é um Direitalhaço? Ao contrário do Esquerdalho, que já é uma figura conhecida antes de ser Esquerdalho, o Direitalhaço é desconhecido antes de o ser. Às vezes continua desconhecido depois de o ser.

Para que serve o Direitalhaço? Enquanto que o Esquerdalho serve para fazer os eleitores distraídos pensarem que o PS é de esquerda, o Direitalhaço serve para fazer os eleitores distraídos pensarem que o PSD não é verdadeiramente de direita.

O Esquerdalho permite apodar de esquerda, políticas que são de direita.

O Direitalhaço tem uma missão mais ambiciosa: pretende convencer os basbaques que as políticas que defende são as únicas políticas verdadeiramente de direita e, mais ainda, as únicas políticas que poderão tirar a pátria do fétido buraco onde se encontra.

Por onde anda o Direitalhaço? No passado, os primeiros Direitalhaços apareciam e desapareciam em colunas de opinião nos jornais de maior circulação, como fogos-fátuos: uma coluna de um MBA desconhecido a favor da livre iniciativa num jornal semanário aqui, uma página de um jovem prof. da Universidade do Porto denunciando os gastos do SNS e a sua vantajosa substituição pelos seguros privados, escrita desta vez num jornal diário de circulação nacional, etc.

Mas entretanto surgiu a Internet e os Direitalhaços infestam a blogosfera. Há dezenas de blogs, todos eles se ligam uns aos outros e parece que todos os Direitalhaços se conhecem.

Quem são os Direitalhaços típicos hoje em dia?

Apesar de denunciarem a preguiça dos portugueses ( «trabalham como marroquinos» ), os Direitalhaços têm muitas vezes empregos no Estado ou são professores em universidades privadas. De qualquer forma, os seus empregos permitem-lhe passar horas a escrever nos seus blogs e a passear pelas caixas de comentários dos blogs de outros, o que significa que não parece ser necessário que os portugueses deixem de trabalhar como marroquinos para ajudarem à salvação da pátria.

Outra característica que os parece unir é serem quase todos adeptos do F.C. Porto e festejarem as suas vitórias com um permanente e, já inexplicável, espírito revanchista, sempre a lembrar aquele árbitro com nome esquisito (Calabote? Zagalote?) que não quis parar um jogo do Benfica num ano em que o Porto até acabou por ser campeão.

Finalmente, os Direitalhaços são adeptos de uma polícia firme e autoritária, que prenda os malfeitores que infestam este país e o tornam inseguro quando fazem arrastões em Carcavelos ou nos comboios da linha de Sintra. São adeptos de uma lei e de juízes que não libertem os malfeitores que aterrorizam o país.

Assim são os Direitalhaços: entusiastas do trabalho, do respeito e cumprimento da lei, de Pinto da Costa e de Alberto João.

P.S. Quem é o Esquerdalho dos Diretalhaços? É Vasco Pulido Valente, velho e ainda a querer pagar os almoços no Gambrinus, serve para fazer passar a ideia que os Direitalhaços respeitam o regime democrático, as liberdades individuais e a igualdade dos cidadãos perante a lei.

quinta-feira, maio 01, 2008

Há por aí alguma alma caridosa me possa esclarecer?

Os 'k' eu dou de barato, porque poupam-se caracteres e tempo.
K isto depois akabe por se propagar sem proveito é konsekuencia de preguiça mental. Mas esse é o lado para o kual eu durmo melhor.

Agora, o k nunka percebi são os 'x'. Parecem kerer substituir tudo o k tenha memória de 's', seja ele sibilante ou não, dando à konverxa um travoxinho pueril.

Ká pra mim, kotax ou pitax, ixto é elax a faxerm-x ao pixo de uma forma perfeitamente konxtranxedora. Até pk xoa a kumberxa de padre beirão e homoxexual.

Voxês k axam?

Para inglês ver e rir

A denunciar a pressa do provinciano em imitar os civilizados, só cá faltava a tradução à moda de tasca do Algarve:



Dir-me-ão alguns que o que interessa é a qualidade de vida e tal. Muito bem, se é assim, proponho a aposição em todos os passeios de Lisboa, e de outras cidades turísticas, de dísticos vermelhuscos com a advertência "NON CARS".
Também é erro de sintaxe - um carro não pode optar pela sua essência - e perfeitamente inútil, pois a nenhum visitante anglo passa pela cabeça tal barbaridade. Mas pode ser que, imbuídos do mesmo espírito arrivista, os nativos permitissem a entrada nas suas espessas cornaduras de algum conceito vago de vergonha e respeito ao próximo.

É uma idéia, até costumamos ser bons a escrever certo por linhas tortas. A lei, por si só, não funciona.

Porque hoje é dia da Espiga

terça-feira, abril 29, 2008

Não se apanha um vídeo de jeito no youtube, pá



Pelo sr. Hank Williams, Sr.

segunda-feira, abril 28, 2008

Quem é vivo sempre aparece



(ao decalcar o filme tornaram o vídeo fracote. hélas)

sábado, abril 26, 2008

A diferença esteve no "D"

O que têm José Lello (PS) e Valentim Loureiro (PSD) tinham em comum?

sexta-feira, abril 25, 2008

Na Feira, era este o resultado ao intervalo

Betão 1, Natureza 1

Pela boçalidade dos primeiros, pressinto que ainda vai a prolongamento.

quinta-feira, abril 24, 2008

Já alguém os viu ao mesmo tempo e sem um deles estar de costas?





(a propósito deste outro do Esquerda republicana)

segunda-feira, abril 21, 2008

A leste nada de novo

Hoje passei os olhos pelo Blasfémias e só vi falar do PSD e de futebol. Lamento, pois, mas assim não há nada de jeito para gozar.

sábado, abril 19, 2008

Surpreendente

O papa Bento XVI. Rodeado por uma auréola de conservador, a sua atenção aos ritos e ao credo não se resume a uma mera questão formal. Ele quer dar mais verdade à relação entre a Igreja e os Católicos.

De rir à gargalhada

Durão Barroso vai à China, encabeçando um delegeção de 9 comissários, para discutir a actual situação dos direitos humanos no Tibete.

Que não haja ilusões sobre o verdadeiro propósito da viagem. Durão vai aproveitar a situação para extorquir uma série de concessões económicas aos Chineses em troca da conivência e silêncio da União Europeia em relação aos acontecimentos do Tibete.

Que não haja ilusões. Durão vai ser enganado pelos Chineses, mais espertos do que ele.

Para sacana, Santana e meio.

Não deu para resistir - Black Francis

Black Francis precore @ Blytheswood Square Glasgow

A 2ª música é Bird Dream - Pixies ao Vivo

E porque choveu

Mesmo assim, não pioraram muito.

Dose repetida.

Hoje lembrei-me deles

Cher

Porque me apetece.

Porque choveu

A melhor música da Madonna

Independência nacional, liberdade, democracia?

Numa interessante entrevista ao Diário Económico, José Maria Ricciardi, analisa a situação actual.
A entrevista é interessnate, não só pelo que ele diz mas também pelo que não diz.
Sobre a reacção dos Bancos Centrais à crise, elogia a Reserva Federal Americana e critica o BCE. Como se a Reserva Federal não estivesse apenas a repetir a receita que levou à crise actual.
Sobre os produtos financeiros criativos, aponta também o dedo aos bancos centrais por não terem as ferramentas para os controlar. E que tal proibí-los, como muita gente agora advoga? Esses produtos não são desenhados exactamente para escapar à supervisão desses bancos e para esconder dos investidores incautos o verdadeiro risco subjacente?
Não está preocupado com as tomadas de posição dos fundos soberanos. Acha essa tomada de posições legítima e consequente com a evolução da economia. Afinal, as economias Europeia e Americana são economias submergentes. Haverá uma ordem económica diferente.
E a ordem política? Esses fundos, detidos geralmente por estados totalitários, não vão influenciar as condições políticas e as garantias de liberdade dos cidadãos na Europa e Estados Unidos? São esses países tão abertos ao investimentos estrangeiro e ás importações como a Europa eos UUSS? A minha experiência pessoal diz-me que não. O jogo não me parece ser jogado em condições equivalentes.
Gostava de saber a opinião de José Maria Ricciardi sobre estas variantes dos temas que abordou.

sexta-feira, abril 18, 2008

... e a ferradura

Parece que Menezes se demitiu na sequência de uma entrevista de António Borges na RTP1.
Confesso que não acompanhei o processo.
Se foi assim penso que António Borges se devia candidatar á liderança do PSD.
Consciência crítica do partido, gestor de grande reputação, tem agora a oportunidade de aplicar na prática todas as teorias que defende.
Tem a oportunidade de mostrar que a preparação superior que justifica os elevados salários dos gestores do sector privado também pode, com facilidade, trazer melhorias significativas na forma de fazer política.
Como poucos, pode abdicar, por uns anos, do seu salário e contribuir para o bem público, usufruindo dos relativamente modestos salários da classe política.
Pode mostrar que os super-homens modernos que são os gestores de topo lidam com eficácia com a pressão dos media.
Pode mostrar que é possível melhorar as condições de vida dos Portugueses.
Pode mostrar que lida de forma superior com os autarcas e com os líderes de secção do partido.
O mesmo repto é lançado a outros Antónios: Carrapatoso e Mexia e a todos aqueles que se chegaram à frente subscrevendo o Compromisso Portugal.
Carrapatoso pode mostrar, de forma concreta, como aplica as suas teorias de gestão por objectivos no funcionalismo público. ( Quando uma vez inquirido sobre que objectivos se podem atribuir à polícia, atrapalhou-se e respondeu que a polícia não é o sector ideal para definir uma gestão de recursos humanos baseada em objectivos, ignorando que uma das primeiras áreas onde se aplicou essa política foi exactamente na polícia e nas Forças Armadas dos EEUU ).
Tenho a certeza que os funcionários públicos, se devidamente motivados, vão, na sua maioria, responder positivamente ao desafio.
Para assessores podem trazer os jovens, e competentíssimos Turcos, que têm apadrinhado na sua gestão privada.
Se se chegarem à frente tenho a certeza que terão o apoio de muitos Portugueses vulgares, como eu, que anseiam pelo aparecimento de uma nova classe política, competente e capaz de inverter o rumo decadente do nosso país.
Pessoalmente, apoio-os. Juro!

Se não se chegam à frente, ao menos reconheçam que não acreditam na democracia representativa ( ou outra ) e que desdenham a liberdade de expressão.

São nefastas para os negócios.

O cravo...

Luis Filipe Menezes demitiu-se e convocou eleições, agastado com a oposição interna.
Dizem alguns que, independentemente da qualidade do homem, ele deveria ter tido um período de graça para afirmar a sua liderança.
Não concordo.
A democracia não se faz de eleições/plebiscitos que elegem periodicamente ditadores. É um combate diário em que um líder se afirma pela sua autoridade, pela credibilidade e pela capacidade de convencer os outros que a oposição à sua liderança só os prejudicará.
Falando em termos modernos, um líder político democrático afirma-se pela capacidade de retirar incentivos ás atitudes oposicionistas. Um líder democrático convence os outros de que é melhor para eles apoiá-lo do que combatê-lo.
Pela força (do apoio dos pares) e pela persuasão.
Menezes não foi capaz de o fazer, pelo menos com uma única vitória, e tenta reforçar-se com uma segunda.
A atitude é compreensível.
Mas não é legítimo criticar uma opsição interna que se movimentou à vontade e sem receio de eventuais consequências nefastas em termos eleitorais.
É preciso que se perceba isto.

quinta-feira, abril 17, 2008

domingo, abril 13, 2008

F. amazing...

Esta versão fantástica de Timeless Melody dos La's.

A entrevista também merece a pena ser ouvida, pela sua estranheza.

sábado, abril 12, 2008

sexta-feira, abril 11, 2008

quinta-feira, abril 10, 2008

Viva o patrão!

Numa das suas melhores canções.



Quiz: Em que outro lugar encontram o baterista?

Linda!

segunda-feira, abril 07, 2008

Formas de luta

Os governos pouco podem fazer.

As empresas vão ficar quietinhas.

Os atletas podem tomar atitudes passivas mas serão prejudicados e, máquinas como são, não ousarão nada.

Só o público pode fazer alguma coisa. Não ver, levar os shares ao mínimo. Os meios de comunicação podem ajudar: não transmitir, não noticiar, não pagar. Afinal, dependem acima de tudo do público.

As empresas e os governos não poderão ser responsabilizados.

A maior potência do mundo tem de ser uma democracia. O público ficará satisfeito.

É a civilização que está em jogo.

É só para limpar

Foi organizada uma provocação. Os descontentes revoltaram-se e foram mortos ou presos.

O campo está livre para que, na altura certa, os turistas possam visitar a zona sem que as autoridades receiem quaisquer veleidades dos nativos.

Nem verdade nem consequência

Acho piada à amnésia que atingiu os comentadores de direita nos últimos tempos.

As vociferações a favor da liberdade e democracia proferidas durante a crise do Iraque estão agora esquecidas.

Percebo o seu medo mas parece-me ver uma atitude tipo Neville Chamberlain (escreverei sobre ele numa posta futura).

As racionalizações são pífias. Irão acordar tarde demais, como Chamberlain?

Ou vão persistir na cobardia e na hipocrisia?

Eu penso duas vezes antes de escrever algumas coisas neste blogue e não as escrevo.

Afinal o anonimato também tem as suas desvantagens. O anonimato relativo não oferece defesas contra eventuais retaliações que provavelmente pertencem ao campo da paranóia.

Mas esses senhores não escrevem sob a capa do anonimato e as represálias públicas são ainda menos prováveis.

Valha-nos a Inês Pedrosa. Bem haja!

domingo, abril 06, 2008

Do poder

Tropa de Elite

Rio de Janeiro.
Uma Polícia Militar corrupta e extorsionária.
Traficantes de droga armados até aos dentes a dominar as favelas dos morros adjacentes ás zonas turísticas da cidade maravilhosa.
Um grupo de membros da classe média com "consciência social", que fuma erva e se passeia pelas favelas a fazer o bem, com a cumplicidade, retribuída, dos traficantes.
E o BOPE, Batalhão de Operações Policiais Especiais. Uma Tropa de Elite da Polícia Militar, incorrupta, imaculada, que entra pelas favelas adentro para torturar e matar os maus.
O cansaço do Capitão Nascimento, farto de missões violentas e sem sentido.

Este filme fez furor no Brasil durante o ano passado. A classe média (alta) minoritária adorou-o. Os adolescentes correram ás lojas da moda para comprar a réplica das fardas negras do BOPE.

A receita propagandista, já sobejamente conhecida e experimentada com sucesso nos EEUU, teve um sucesso estrondoso.

Na verdade, não há esperança nem gente boa naquele filme: os traficantes, brutais e armados até aos dentes; a Polícia Militar vergonhosamente corrupta; a classe média de esquerda, hipócrita e covarde; os assassinos e torturadores do GOPE.

O filme foi acusado de ser fascista e é injustamente classificado como uma espécie de alter ego da "Cidade de Deus".

Na verdade, o filme realmente foge da solução do problema logo no início. A corrupção na Polícia Militar é apresentada como inevitável. Mal pagos e recrutados à toa, os PMs do Rio não são de fiar.

Pagar melhor à Polícia e aumentar a exigência no recrutamento e formação não cabem no formato propagandista da película. Mas ninguém me convence que, num país de 180 milhões de habitantes, não é possível recrutar e formar 30000 polícias bem pagos e competentes para pôr ordem no Rio.

Agora nem sequer há a desculpa da crise! Mas há quem me diga (um Brasileiro) que não é mesmo possível recrutar 30000 Brasileiros honestos para servir na PM do Rio.

Eu acho que o problema é outro. Uma PM competente e eficaz não se limitaria a prender e pôr na ordem os bandidos, traficantes de droga, que dominam as favelas.

Sairia também para os bairros da classe média e alta para prender os outros bandidos que, sem correr grandes riscos e muitas vezes protegidos pela lei, roubam em grande a riqueza do país e os seus impostos.

E isso aí seria inaceitável! No mínimo, são gente conhecida e amiga, a quem devemos favores ou com quem temos negócios ou relações familiares ou partidárias.

É por isso preferível manter o status quo e enganar a classe média com as acções espectaculares e contra-producentes do BOPE.

Os problemas e a forma de os encarar são essencialmente a mesma coisa no Brasil e em Portugal. As diferenças são a gigantesca dimensão do 1º e o enorme kinship existente numa nação antiga e relativamente homogénea como Portugal.

Mas as semelhanças, dentro das condicionantes acima, são evidentes.

sábado, abril 05, 2008

quinta-feira, abril 03, 2008

Com letra do sr. García Lorca e música do sr. Cohen



Vou para ali e sabe deus quando volto.

quarta-feira, abril 02, 2008

terça-feira, abril 01, 2008

sexta-feira, março 28, 2008

I believe

Acredito que a idade não nos melhora nem a inteligência nem a criatividade.

Eis aqui um exemplo. Como eles eram tão melhores quando eram mais novos.

Eu não sei quem é mais maluco

O JoaoMiranda ou os seus comentadores.

quinta-feira, março 27, 2008

quarta-feira, março 26, 2008

Dorean, toma lá esta resposta

Sem letras...

Eu até percebo que se queira fazer uma pedagogia disto mas...

O caso está a tomar proporções pythonianas.

Do 5 dias:

A Escola, a Professora, a sua Aluna e do Telemóvel dela
26 Março 2008 | por Paulo Pinto

A novela acaba de conhecer mais um desenvolvimento. Agora é o Ministério Público que quer apurar se houve ilícito penal, indo mover-lhe um processo no Tribunal de Menores. Prevejo que amanhã o assunto seja debatido na Assembleia da República e que, depois de amanhã, conste na agenda do Conselho de Estado.


Há uma coisa de que tenho a certeza: a partir de agora, sempre que algum espertinho filmar cenas na escola, arrisca-se a fazerem-lhe uma espera no recreio. E se só lhe partirem o telmóvel, já vai com sorte.

De uma conversa em volta do tema "felicidade"


- Pretty much bread-and-butter, I would say. Unfortunately, common-sense is not that common.

_______________________________
"Nude with a yellow pillow", R. Liechenstein (1994)

segunda-feira, março 24, 2008

I've got a bad liver, and a broken heart



"Well I got a bad liver and broken heart, yeah,
I drunk me a river since you
tore me apart
And I don't have a drinking problem, 'cept when I can't get a
drink
And I wish you'd a-known her, we were quite a pair,
She was
sharp as a razor and soft as a prayer

So welcome to the continuing saga, she was
my better half, and I was just a dog
And so here am I slumped, I've been
chipped and I've been chumped on my stool
So buy this fool some spirits and
libations, it's these railroad station bars

And all these conductors and
porters, and I'm all out of quarters
And this epitaph is the aftermath, yeah
I choose my path, hey, come on, Kath,
He's a lawyer, he ain't the one for ya

No, the moon ain't romantic, it's intimidating as hell,
And some guy's
trying to sell me a watch
And so I'll meet you at the bottom of a bottle of
bargain Scotch
I got me a bottle and a dream, it's so maudlin it
seems,
You can name your poison, go on ahead and make some noise
I ain't
sentimental, this ain't a purchase, it's a rental, and it's purgatory,
And
hey, what's your story, well I don't even care
Cause I got my own
double-cross to bear

And I'll see your Red Label, and I'll raise you
one more,
And you can pour me a cab, I just can't drink no more,
Cause it
don't douse the flames that are started by dames,
It ain't like
asbestos
It don't do nothing but rest us assured,
And substantiate the
rumors that you've heard"...

domingo, março 23, 2008

Apesar de isto não passar de uma grandessíssima antonomásia

À atenção dos directores do jornal “Expresso”

O Sindicato dos Trabalhadores Humorístico-Circenses (STHC) vem por este meio deixar claro o seu mais veemente repúdio à publicação de uma crónica do vosso colaborador Daniel Oliveira. Este senhor teve o topete de escrever “Alberto João Jardim é um palhaço” e ainda esclareceu a sua ideia do que é um “palhaço”: alguém que “envergonha, de cada vez que abre a boca, a nossa democracia".

Isto é claramente uma ofensa à nobre e industriosa classe profissional dos Palhaços, que o STHC tem a honra de representar. Que fique claro que estes trabalhadores não têm o hábito de envergonhar alguém. Mais importante ainda, não é Palhaço quem quer.


Recolha de assinaturas online em repúdio pela comparação feita aqui.

Num restaurante perto de si (*)




Anda mergulhar e nadar aqui comigo
Dá-me a oportunidade de eu estava à espera:
Mostrar os meus atributos
Ante olhar apreciador.

O meu fato de banho de melhor material,
De tecido puro,
Agora que ficou molhado
Vê-lhe a transparência,
Como está colado ao meu corpo.

Tenho de admitir que te acho atraente.
Afasto-me a nadar mas logo venho para trás,
A chapinhar, com conversas,
Só desculpas para ter a tua companhia.

Olha!, um peixe dourado a brilhar entre os meus dedos!
Vê-lo-ás melhor se te chegares para aqui, para o pé de mim.


"Os Doces versos: poemas de amor no Antigo Egipto" (séc. XII a.C.), trad. de Hélder Moura Pereira.

Imagem: "The Two-timer", por Amy Crehore
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(*) O prometido é devido.

sexta-feira, março 21, 2008

Também há uma Igreja Católica Oficial mas não sei se um representante do governo provincial estará presente durante a transubstanciação


«The China Buddhist Association will issue living-Buddha permits. When the reincarnated living Buddha has been installed, the management at his monastery shall submit a training plan to the local Buddhist Association, which shall report to the provincial people's government for approval.

(...)

Once a reincarnated living Buddha soul-child has been recognized, it shall be reported to the provincial people's government for approval; those with a great impact shall be reported to the State Administration of Religious Affairs for approval; those with a particularly great impact shall be reported to the State Council for Approval.
When there is debate over the size of a living Buddha's impact, the China Buddhist Association shall officiate.

(...)

Applicants to be reincarnated living Buddhas may not be reincarnated if the provincial people's government does not allow reincarnations.»

Na Harper's, via Pastoral portuguesa

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Fotograma de "Life of Brian", onde Pôncio Pilatos e o centurião discutem o destino a dar ao putativo messias. Biggus Dickus ausente da imagem.

quinta-feira, março 20, 2008

A propósito daquele vídeo que anda de blogue em blogue

Muitos houve que se deixaram horrorizar com uma suposta situação de violência.

Fui à procura, pixograma a pixograma, de indícios de agressão. Apesar do aparato, nada naquelas imagens sugere algo mais que o histerismo de uma adolescente indisciplinada. E é precisamente a falta de balizas de comportamento e a imaturidade da sua escala de valores o que, perante os seus pares, a encurralam nessa disputa com a professora por um telemóvel. O contacto físico é uma extensão dessa teimosia parva de ambas, não indicando qualquer intenção de agredir. Concerteza que a aluna merece um processo disciplinar (toda a turma!) mas imaginar que este vídeo pode representar o caos do quotidiano no ensino secundário é de santo.

Nota negativa para a professora também. Como sugere o Daniel Oliveira (e como eu próprio me lembro dos meus bons velhos tempos), um professor que reage com a mesmíssima imaturidade dos seus alunos tem a turma perdida. A atitude dos outros no vídeo bem o demonstra. E, infelizmente, destes setôres há muitos por aí.

quarta-feira, março 12, 2008

A Lista de Ratzinger


Confesso que já frequentemente cometia os anteriores e, quase sempre, sem espécie de arrependimento. Do alto da minha experiência, posso afiançar que, em matéria de maldade, nem se poderia chamar-lhes pecados. Arrisco mais: talvez não fora o espalhafato holywoodesco dado pelo poeta toscano e é provável que a Igreja não se tivesse dado ao trabalho de arengar com os pobres por tão pouco.

Assim, não desgostei deste upgrade papal.

Para já, as novas proibições não me afectam pois não tenho carro e não pretendo matar células embrionárias/bebés (riscar o que não interessa) num futuro próximo. Depois, fica tudo muito mais bem definido sem prejuízo de imparcialidade: constam lá dos requisitos para a danação eterna a pedofilia e a criação obscena de riqueza, as duas grandes actividades menos católicas (depois da Inquisição) da Igreja. Vamos a ver se é desta que aprendem.
Mais: como bem vi aqui escrito, ao ameaçar com o fogo infernal os apóstatas neo-liberais do arrefecimento global, retira-lhes o apoio dos negacionistas conservadores. E isto, pelo menos em Portugal, olha que é opus, pá.

Por último, o novo catálogo vai fornecer aos produtores americanos uma excelente base para o argumento de mais um filmaço, na senda do "Sete" e do "Dez" (mandamentos): o "Treze". E esta, parece-me, ainda é a melhor razão que consigo encontrar para regozijo geral pela Lista de Ratzinger.

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Painel direito do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas", de Jerónimo Bosque, 1503-4