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sábado, maio 24, 2008

A ASAE o quê?

A ira contra a ASAE é bem característica dos Portugueses.
As leis estúpidas que condicionam a sua actuação, são emanadas das directivas ridículas de ignaros burocratas em Bruxelas.
A multidão critica a ASAE por tentar fazer cumprir a lei, claro.
Cumprir a lei não é de Português. E a culpa de uma lei ridícula não é nunca de quem a fez mas de quem a tenta fazer cumprir. Porque não se espera que as leis sejam cumpridas.
Portugal é a Sicília, independente da Espanha.

sábado, maio 03, 2008

Direitalhaços

José de Pina inventou o conceito de Esquerdalho para designar aqueles indivíduos que se usam na política para se poder dizer que se é de esquerda.

O PS é especialista, claro, na utilização de esquerdalhos: José Sá Fernandes é o Esquerdalho de António Costa, Manuel Alegre é o Esquerdalho do PS, Mário Soares foi o Esquerdalho de Sócrates nas presidenciais e Freitas do Amaral foi o Esquerdalho de Sócrates no Governo.

Mas José de Pina ainda não reparou no reflexo de direita do Esquerdalho. Este pode ser chamado de Direitalhaço.

O que é um Direitalhaço? Ao contrário do Esquerdalho, que já é uma figura conhecida antes de ser Esquerdalho, o Direitalhaço é desconhecido antes de o ser. Às vezes continua desconhecido depois de o ser.

Para que serve o Direitalhaço? Enquanto que o Esquerdalho serve para fazer os eleitores distraídos pensarem que o PS é de esquerda, o Direitalhaço serve para fazer os eleitores distraídos pensarem que o PSD não é verdadeiramente de direita.

O Esquerdalho permite apodar de esquerda, políticas que são de direita.

O Direitalhaço tem uma missão mais ambiciosa: pretende convencer os basbaques que as políticas que defende são as únicas políticas verdadeiramente de direita e, mais ainda, as únicas políticas que poderão tirar a pátria do fétido buraco onde se encontra.

Por onde anda o Direitalhaço? No passado, os primeiros Direitalhaços apareciam e desapareciam em colunas de opinião nos jornais de maior circulação, como fogos-fátuos: uma coluna de um MBA desconhecido a favor da livre iniciativa num jornal semanário aqui, uma página de um jovem prof. da Universidade do Porto denunciando os gastos do SNS e a sua vantajosa substituição pelos seguros privados, escrita desta vez num jornal diário de circulação nacional, etc.

Mas entretanto surgiu a Internet e os Direitalhaços infestam a blogosfera. Há dezenas de blogs, todos eles se ligam uns aos outros e parece que todos os Direitalhaços se conhecem.

Quem são os Direitalhaços típicos hoje em dia?

Apesar de denunciarem a preguiça dos portugueses ( «trabalham como marroquinos» ), os Direitalhaços têm muitas vezes empregos no Estado ou são professores em universidades privadas. De qualquer forma, os seus empregos permitem-lhe passar horas a escrever nos seus blogs e a passear pelas caixas de comentários dos blogs de outros, o que significa que não parece ser necessário que os portugueses deixem de trabalhar como marroquinos para ajudarem à salvação da pátria.

Outra característica que os parece unir é serem quase todos adeptos do F.C. Porto e festejarem as suas vitórias com um permanente e, já inexplicável, espírito revanchista, sempre a lembrar aquele árbitro com nome esquisito (Calabote? Zagalote?) que não quis parar um jogo do Benfica num ano em que o Porto até acabou por ser campeão.

Finalmente, os Direitalhaços são adeptos de uma polícia firme e autoritária, que prenda os malfeitores que infestam este país e o tornam inseguro quando fazem arrastões em Carcavelos ou nos comboios da linha de Sintra. São adeptos de uma lei e de juízes que não libertem os malfeitores que aterrorizam o país.

Assim são os Direitalhaços: entusiastas do trabalho, do respeito e cumprimento da lei, de Pinto da Costa e de Alberto João.

P.S. Quem é o Esquerdalho dos Diretalhaços? É Vasco Pulido Valente, velho e ainda a querer pagar os almoços no Gambrinus, serve para fazer passar a ideia que os Direitalhaços respeitam o regime democrático, as liberdades individuais e a igualdade dos cidadãos perante a lei.

domingo, abril 06, 2008

Tropa de Elite

Rio de Janeiro.
Uma Polícia Militar corrupta e extorsionária.
Traficantes de droga armados até aos dentes a dominar as favelas dos morros adjacentes ás zonas turísticas da cidade maravilhosa.
Um grupo de membros da classe média com "consciência social", que fuma erva e se passeia pelas favelas a fazer o bem, com a cumplicidade, retribuída, dos traficantes.
E o BOPE, Batalhão de Operações Policiais Especiais. Uma Tropa de Elite da Polícia Militar, incorrupta, imaculada, que entra pelas favelas adentro para torturar e matar os maus.
O cansaço do Capitão Nascimento, farto de missões violentas e sem sentido.

Este filme fez furor no Brasil durante o ano passado. A classe média (alta) minoritária adorou-o. Os adolescentes correram ás lojas da moda para comprar a réplica das fardas negras do BOPE.

A receita propagandista, já sobejamente conhecida e experimentada com sucesso nos EEUU, teve um sucesso estrondoso.

Na verdade, não há esperança nem gente boa naquele filme: os traficantes, brutais e armados até aos dentes; a Polícia Militar vergonhosamente corrupta; a classe média de esquerda, hipócrita e covarde; os assassinos e torturadores do GOPE.

O filme foi acusado de ser fascista e é injustamente classificado como uma espécie de alter ego da "Cidade de Deus".

Na verdade, o filme realmente foge da solução do problema logo no início. A corrupção na Polícia Militar é apresentada como inevitável. Mal pagos e recrutados à toa, os PMs do Rio não são de fiar.

Pagar melhor à Polícia e aumentar a exigência no recrutamento e formação não cabem no formato propagandista da película. Mas ninguém me convence que, num país de 180 milhões de habitantes, não é possível recrutar e formar 30000 polícias bem pagos e competentes para pôr ordem no Rio.

Agora nem sequer há a desculpa da crise! Mas há quem me diga (um Brasileiro) que não é mesmo possível recrutar 30000 Brasileiros honestos para servir na PM do Rio.

Eu acho que o problema é outro. Uma PM competente e eficaz não se limitaria a prender e pôr na ordem os bandidos, traficantes de droga, que dominam as favelas.

Sairia também para os bairros da classe média e alta para prender os outros bandidos que, sem correr grandes riscos e muitas vezes protegidos pela lei, roubam em grande a riqueza do país e os seus impostos.

E isso aí seria inaceitável! No mínimo, são gente conhecida e amiga, a quem devemos favores ou com quem temos negócios ou relações familiares ou partidárias.

É por isso preferível manter o status quo e enganar a classe média com as acções espectaculares e contra-producentes do BOPE.

Os problemas e a forma de os encarar são essencialmente a mesma coisa no Brasil e em Portugal. As diferenças são a gigantesca dimensão do 1º e o enorme kinship existente numa nação antiga e relativamente homogénea como Portugal.

Mas as semelhanças, dentro das condicionantes acima, são evidentes.