sexta-feira, abril 30, 2010

Os ricos que paguem a crise

Eduardo Pitta já faz aqui referência ao absurdo atual do crédito bonificado.
Para além dos resultados apontados, acrescento eu que nunca fez qualquer sentido o Estado subsidiar a construção civil para uso privado. Mais: ao estimular a ilusão da propriedade, a intervenção estatal apenas contribuiu para tolher ainda mais um mercado de aluguer que já era, por outros motivos, deficitário.

O outro grande beneficiário deste subsídio é a banca comercial. Exatamente a mesma que, independentemente de crises ou recessões, vê os seus lucros aumentarem anualmente.
Dirá alguém que o Estado acaba por recuperar o seu investimento/subsídio através da coleta sobre essas mais-valias bilionárias.
Por mais absurdo que pareça, nem por isso. Pois tendo em mãos uma atividade estável, lucrativa e sem risco de deslocalização, aquilo que o Estado faz é... aplicar um desconto de (pelo menos) 8% ao IRC da banca.
Para isto, seria preferível substituir os bancos por agiotas. Ao menos esses só vivem à custa de quem decide endividar-se.

Não é necessário ser economista para saber que um orçamento equilibra-se de duas maneiras: ou se reduz a despesa, ou se aumenta a receita. Mas se acreditarmos que a primeira responsabilidade de qualquer governo (e este até se diz socialista) é assegurar o bem-estar, e mesmo a sobrevivência, dos cidadãos, a escolha é mais do que legítima e racional, é óbvia: como diziam antigamente, os ricos que paguem a crise.

quinta-feira, abril 29, 2010

A Goldman Sachs é alvo de inquérito no senado americano

Muitas outras agências não destoariam no banco dos réus. Apesar disto, nenhuma vai à falência e há muito idiota que continua a dar-lhes ouvidos.
De facto, o "mercado" é mais infalível que o papa.

segunda-feira, abril 26, 2010

domingo, abril 25, 2010

Neste 25 de Abril de hoje...


... Que o espírito daquele de há 36 anos em Portugal atravesse o meio-continente que nos separa e venha a pairar sobre as eleições de hoje, reduzindo os nazis à insignificância que eles merecem ou expendindo-os o mais lesto possível para a Rosário que os pariu.

sábado, abril 24, 2010

Direito e Justiça

Muita gente lá anda entretida a discutir exames e pedagogia (!) por causa da falta de tato de um professor da Faculdade de Direito de Lisboa e da falta de tino dos seus meninos. Um escandalozinho da treta que só se justifica pelo mediatismo a que a causa implicada foi sujeita nos últimos anos.

Sendo público o seu activismo recente contra o casamento entre homossexuais, devia o professor saber que um exame acerca de casamentos seria sempre interpretado como tentativa de propaganda de causas perdidas. Por outro lado, aos estudantes de Direito tinha competido trazer a argumentação para dentro da sala de exame e deixar a sensibilidade à porta. Alguns deles preferiram fazer exatamente o contrário. Desculpa-os a falta de experiência (estão no primeiro ano) mas revela que há algo de profundamente errado na educação de quem acede ao nosso sistema de ensino superior.
Em suma, pode dizer-se que estiveram bem um para os outros.

Completamente alheio a esta palhaçada de diletantes, o tribunal da relação absolveu o pato-bravo de Braga pelo crime de tentativa de corrupção de José Sá Fernandes. Razão: o vereador, como tal, não teria poder para prestar o favorzinho solicitado.
Como diz o próprio, mais valia ter aceite os 250 000 euros.

Agora adivinhem com qual dos dois abusos de direitos constitucionais se choca mais a minha alminha hipersensível.

sexta-feira, abril 23, 2010

quinta-feira, abril 22, 2010

E agora uma coisa realmente importante

Em ano de centenário do golpe de estado em que nos encontramos, há quem se dedique a discutir sobre se o regime actual será a II ou a III república.

Dado que é uma questão de saber contar, a dúvida não surpreende. Ou não fora a planeada escolarização universal um dos maiores falhanços da I.

O bolo

Sondagens após o debate de Cameron, Clegg e Brown na semana passada:

Conservadores: 32%
Lib-Dem: 31%
Trabalhistas: 27%



As notícias de certa e determinada imprensa nesta semana:

"The Daily Telegraph reported that Mr Clegg received up to £250 a month from three businessmen in 2006, paid into his bank account. The Mail led on comments he made in 2002 about Anglo-German relations under the headline "Nick Clegg in Nazi Slur on Britain". He was also attacked in The Sun and the Daily Express.

(...) for the Conservatives, Greg Hands said: "Nick Clegg must produce the paperwork to clear up some serious questions about these donations."


"Up to £250 a month"!!

O debate é hoje à noite. Adivinhem quais vão ser os temas prementes que tanto conservadores como trabalhistas tentarão discutir ad nausea para um melhor esclarecimento dos eleitores.

terça-feira, abril 20, 2010

Eles andam aí

Lêem-se rapidamente os comentários na imprensa estrangeira e fica uma impressão de que, como (de momento) já não se pode atacar a Grécia, a mira não se vira para Portugal sem alguma morbidez.

Novas do Extremo-oriente

O oligarca Thaksin Shinawatra é o líder do movimento "vermelho" que ciclicamente ocupa as ruas de Banguecoque, exigindo o seu regresso ao poder.

Dono de cadeias de televisão e telecomunicações, entre outras (rede móvel em monopólio, a Shinawatra Computer and Communications Group, a Shinawatra Satellite, a Universidade Shinawatra, a estação iTV, o Siam Commercial Bank e, inclusivé e por um par de anos, o clube de futebol inglês Manchester United), Thaksin ficou milionário à custa do contribuinte e o seu percurso parece uma cópia decalcada daquele de populistas como Berlusconi ou qualquer um da nova classe de dirigentes do Cáucaso.
Em particular, Thaksin soube capitalizar o descontentamento das populações rurais perante a modernização imposta pelas elites urbanas, tornando-se primeiro-ministro da Tailândia em 2001. Mas, cinco anos depois, perante as acusações de corrupção e peculato (entretanto provadas in absentia) e a hostilidade que criou junto dos militares e restante classe dirigente, acabou sendo deposto num golpe de estado que, curiosamente, destituiu o primeiro-ministro mas não dissolveu o parlamento que o suportava.

Na sequência da sua queda, Thaksin refugiou-se primeiro no Reino Unido mas acabou por fugir para o Camboja, onde foi contratado como "conselheiro económico" pelo governo de Hun Sen. Em Outubro de 2008 e outra vez em Abril do ano passado, depois do templo de Preah Vihear ter sido declarado património universal, as tropas cambojanas voltavam a entrar em confrontos com o exército tailandês pela posse daquele e do território envolvente.


Tudo isto porque, hoje de manhã, em Banguecoque, discutia-se a possibilidade do exército fazer uso de fogo real contra os manifestantes. Parece que, entre velhos e crianças trazidos em autocarros pagos pela fortuna de Thaksin, começaram a aparecer outro tipo de "vermelhos", de armas em punho.
E estas já não seriam pedras de intifada ou bambús afiados; outrossim, AK-47, diretamente vindas do Camboja.

domingo, abril 11, 2010

Constatação do óbvio

Ninguém gosta de ser tratado como dispensável, muito menos pelo poder que dele deveria depender.
Não admira, por isso, que os valentes (de Valença do Minho) reajam ao insulto dando prova material do que este, na sua discutível mas legítima opinião, simboliza: uma transferência de soberania.

sexta-feira, abril 09, 2010

R.I.P. Malcolm McLaren

Gostava deste gajo.

"Disgrace"

terça-feira, abril 06, 2010

Clash of Titans!

Não, não é nada disso.

É sim ir ver o Herzog quase vinte anos depois de ter adorado o Ferrara:

segunda-feira, abril 05, 2010

Canción primaveral

I

Salen los niños alegres
de la escuela,
poniendo en el aire tibio
del abril, canciones tiernas.
¡Qué alegria tiene el hondo
silencio de la calleja!
Un silencio hecho pedazos
por risas de plata nueva.

II

Voy camino de la tarde
entre flores de la huerta
dejando sobre el camino
el agua de mi tristeza.

En el monte solitario
un cementerio de aldea
parece un campo sembrado
con granos de calaveras.
Y han crecido cipreses
como gigantes cabezas
que con orbitas vacías
y verdosas cabelleras
pensativos y dolientes
el horizonte contemplan.

¡Abril divino, que vienes
cargado de sol y esencias,
llena con nidos de oro
las floridas calaveras!


Federico García Lorca (março de 1919)

sexta-feira, abril 02, 2010

quarta-feira, março 31, 2010

Queria perdoar-lhe o Rei benigno, Movido das palavras que o magoam; Mas o pertinaz povo e seu destino (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam

Inês de Medeiros e o partido socialista consideraram que a primeira teria condições para ser deputada por Lisboa mesmo vivendo em Paris.

É de 'Homem', por ambas as partes. Por exemplo, eu não teria condições para ser deputado de todo, nem que vivesse no telhado de S.Bento. Mas também tenho a certeza que, caso o PS tivesse conhecimento da minha existência, e pelo menos neste aspeto, estaria de acordo comigo.

Dado que o parlamento ainda não é itinerante, a lei concede aos deputados da Nação - claramente e sem excepção - o direito a viagens pagas ao domicílio de cada um.
Nada do outro mundo quando até empresas privadas dão ajudas de custo em casos semelhantes. Não só é legal como é legítimo.

Mas depois de eleita a senhora, dá ideia que toda a gente se esqueceu disto e questiona-se a ética da própria e a do partido (está na moda).
Ora bem, se não queriam uma deputada por Lisboa a passar fins-de-semana em Paris, não votavam nela. Se não votaram por este motivo mas mesmo assim ela foi eleita, aguentem-se à bronca: chama-se a isso 'democracia'.

Desculpam-se dizendo que não é possível separar os deputados de acordo com as nossas objecções ou preferências, que se vota numa lista e não em pessoas.

Ah, pois. Isso sei eu. Neste sistema eleitoral apenas temos o poder de dar carta branca ao diretório de um partido.
Obviamente que quem aceita esta situação, nada mais tem a dizer. De acordo com toda a legalidade e legitimidade.

terça-feira, março 23, 2010

Risque o que não interessar

Na América do Sul/Norte, uma lei que obriga os cidadãos a comprar um seguro a companhias privadas é considerada capitalista/socialista.

Those were the days

Hollywood (e Maureen O'Sullivan) antes do Código de Hays...

Tarzan and his mate, 1934




... E depois...

Tarzan finds a son!, 1939




Nota de rodapé: Lembro-me de ter visto algures imagens da cena final de um filme extraordinário, ainda mudo, onde uma centena de figurantes foi sentada à mesa de um banquete sumptuoso. Depois de comidos e bebidos, receberam instruções da produção para se comportarem exatamente como se o fim do mundo fosse mesmo amanhã. O bacanal foi tamanho que alguns destes "atores" e "atrizes", por serem menores na altura, nem puderam assistir à exibição nos cinemas.

No ponto



No dia em que o comprei guardei-o numa mochila. À noite, no regresso a casa, o táxi teve um furo. Não sei porquê, tirámos as mochilas do banco de trás enquanto o taxista mudava o pneu. Chovia.
No dia seguinte reparámos que o livro estava encharcado. Demorou quase uma semana a secar no chão do escritório, à frente do ventilador. As páginas ficaram enrugadas e amareladas.
A princípio fiquei contrariado, mas agora parece que o aspecto do livro está mais de acordo com o seu conteúdo do que quando o tirei da prateleira na livraria.

Hoje termino-o. Por coincidência, no dia em que Akira Kurosawa faria 100 anos.

domingo, março 21, 2010

A intifada dos atrasados mentais

Parece que duas excursões de trogloditas desataram à pedrada uma à outra e aos carros de pessoas que passavam na autoestrada.

Com a polícia portuguesa é sempre a mesma coisa: quando era mesmo útil ter um ou dois de gatilho fácil por perto, ninguém se chega à frente.

sábado, março 20, 2010

Os trombones de piston...



...são outra coisa que também me faz feliz.

Estas coisas...



...fazem-me feliz.

sexta-feira, março 19, 2010

terça-feira, março 16, 2010

Morreu o pai do Geraldão

Glauco Villas Boas e seu filho foram mortos a tiro em sua casa, na passada sexta-feira.

Glauco, juntamente com os companheiros de subversão Arnaldo Angeli e Laerte Coutinho (com os quais colaborou na Chiclete com Banana), fazia parte de uma geração fantástica de cartunistas brasileiros 'nascida' após a queda da ditadura militar.



Apesar da distribuição errática em território português, li muito na adolescência o seu fanzine Geraldão, centrado no onanista do mesmo nome - trinta anos, cheio de vícios e que ainda vive com a mãe. Mas os meus preferidos sempre foram o casal Neuras, o melhor retrato em 'quadrinhos' do pior que as relações têm.
Fica uma tirinha para exemplo, dentro do que pude encontrar na net:



Este é daqueles que me vai deixar com saudades.

domingo, março 14, 2010

Deprimente

Desde 1998 que morreram 5.4 millhões de pessoas no Congo em resultado da guerra.

Eu quero é o "conflito israelo-árabe", os média, os americanistas de cátedra e os imbecis de lencinho à iasser arafate vão todos para a puta que os pariu.

Já a propósito de uma conversa matinal, lembrei-me de um outro pormenor não menos construtivo

O primeiro-ministro do Reino Unido tem um doutoramento em ciências políticas mas ninguém lhe chama "doutor".

sábado, março 13, 2010

Assim de repente, lembrei-me de um pormenor ainda mais edificante

Durante mais de vinte anos, a Alemanha tem conseguido manter a sua taxa de desemprego nos 10%.

sexta-feira, março 12, 2010

Assim de repente, lembrei-me de um pormenor edificante

Estas agências de rateio são as mesmas que davam AAA+ a todo o santo subprime que viam à frente.

Não gosto de bullying

Prefiro "judiar".

Já agora, meus grandes parolos, shotgun escreve-se "caçadeira".

quarta-feira, março 10, 2010

Desiderato



Noite ociosa. Está um frio desgraçado lá fora e há horas que só dão saltos olímpicos na Fernseher.

Ligo o skype. O R. não falha.
Desterrado em Bournemouth, onde partilha casa com outro académico, espera todas as noites pelo online da namorada nova, jornalista anglo-italiana, recém-divorciada, que conheceu durante um fim-de-semana em Londres. Aproveitando o atraso costumeiro, trocamos comentários sobre os current world affairs, como se ainda estivessemos no bar do college, fazendo-nos ouvir por outros, fígado fresco e presunção a condizer.

A conversa acaba por voltar às idiossincrasias da freelancer londrina e, naturalmente, a assuntos de saias em geral. Daqui, chegar ao flatmate seria inevitável. Acontece que está deveras impressionado com a capacidade assustadora que o mesmo tem para arrebanhar mulheres. "Cada noite dorme com outra, seja solteira, casada, ou assim-assim". Faz uma pequena pausa e acrescenta "a semana inteira!".

Dado que nos conhecemos há já alguns anos, não consegui evitar sentir uma pequena picada no ego. Tentei disfarçar (mal) o desconforto, tendo-me saído com qualquer coisa como "De facto, impressionante. Com certeza, pensar em variantes diárias à meia dúzia de rotinas que uma sedução implica deve obrigar a um esforço admirável..."
"Oh, percebeste mal", interrompeu, "o J. não se maça com conquistas. Nem tem absolutamente critério algum para escolher com quem se deita. O truque que revela, orgulhoso, quando insiste em dispensar conselhos, é terrivelmente simples: lower your standards".

Я очень рад, ведь я, наконец, возвращаюсь домой

terça-feira, março 09, 2010

Pedro encontra Inês



Mas afinal era Katyia.
Daqui.


Dedicado aos irredutíveis que nos leem e em comemoração do quarto aniversário deste blogue, há um mês atrás.

quinta-feira, março 04, 2010

Parabéns, Mrs. Gobley



Uns whiskeys, umas guinesses e um maço por dia. E 100 anos de vida.

quarta-feira, março 03, 2010

A mediocridade de Henrique Raposo

Escreve o inefável cronista no Expresso online (2 de Março):

I. Numa entrevista ao i, Christopher Hitchens mostra, mais uma vez, que não consegue ou não quer compreender a pulsão religiosa dos homens. Isto porque Hitchens vê na religião uma espécie de fascismo travestido (que bela palavra, dr. Sócrates). Hitchens é daquela família de esquerdistas que deixou de pensar quando o fascismo e o nacionalismo acabaram na Europa. Sem o velho "inimigo" contra quem lutar, este esquerdismo não consegue pensar. Donde nasce a necessidade de transformar a religião numa espécie de fascismo que engana as pessoas com promessas divinas.

Hitchens tem sessenta anos. Quando tinha vinte e cinco, idade de alguma razão, já os fascismos de paixão católica (Franco ou Salazar) tinham morrido. Pelas minhas contas, resta o comunismo.
Por miúdos, o escritor esquerdista é hoje ateísta porque não tem aquela ideologia ateísta contra a qual lutar.
Tudo lógico no pequeno mundo de Henrique Raposo.

II. Além desta ira irracional que lhe tolda o pensamento, Hitchens revela o pecado da preguiça. Quando compara, de forma leviana, a religião ao fascismo, este nosso esquerdista esquece o papel essencial da religião na luta contra os totalitarismos do século XX (quer fascismo, quer comunismo).

Com esta prova da treta, e presumindo que admite a distinção, Raposo esquece o papel essencial do comunismo na luta contra o fascismo e vice-versa... Decerto, estará toldado com alguma falta de racionalidade. Com ou sem ira.

Depois, a suposta "novidade" de Hitchens tem, na verdade, cerca de dois séculos. No século XIX, já havia gente a fazer carreira intelectual através de frases como "a religião envenena tudo". É por isso que mais vale ler os originais, que estão nas bibliotecas sobre o século XIX.

Depois, vem o argumento à café, o "isto já tem barbas" que geralmente serve para insinuar cultura ante a plebe deslumbrada. Sine ratio (eheh), não passa de escatologia.
Segundo Henrique Raposo, Nietzsche, Heidegger, ou Marx vendiam banha-da-cobra mas era da boa porque na altura era original. O próprio, por outro lado, presumo que se liberte do fardo das suas excelsas meditações por necessidade puramente higiénica.

III. Hitchens deve tudo a Deus. Sem Ele, Hitchens não existia intelectualmente. E é por causa deste ateísmo "cool" e preguiçoso que nunca digo que sou ateu. Sou agnóstico. E, como agnóstico, digo que é mais fácil falar com um crente do que com um ateu. Aliás, é impossível dialogar com um ateu. A intolerância, no início do século XXI, aqui na Europa, está do lado dos ateus.


Uma alteração biológica, algures no passado das espécies que nos antecederam, trouxe-nos vantagens determinantes para a nossa propagação. Ao mesmo tempo, tornou-nos, por defeito, em animais capazes de imaginar o sobrenatural. Discutir o que seja desistindo da razão, como faz um crente, é voltar a tempos de sobrevivência incerta e temor dos céus.
Tempos aqueles quando, pelas mesmas razões, pouca tolerância decerto haveria para com intelectuais que pusessem em causa a crença maioritária.

Pelo contrário, quando se trata de identificar uma causa de injustiça e violência - como o é tantas vezes a religião -, e combatê-la sem bombas ou inquisição, a tolerância mora em pouco mais lugares que aqui, na Europa do séc. XXI.

A prova está em um comentador tão medíocre como Henrique Raposo conseguir escrever para um jornal sem que este facto perturbante faça o mesmo descer a pique nas tiragens.

domingo, fevereiro 28, 2010

Haverá questões mais prementes para um chefe de Estado? Há, mas não seria a mesma coisa



Lista completa aqui (onde os EUA e o friendly neighbour to the north têm direito a lista destacada).

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Declaração de interesses: para o caso de ainda ninguém ter dado por isso, sou monárquico e, como tal, NÃO apoio nem simpatizo com qualquer candidato ou futuro candidato à presidência da república portuguesa).

Para confirmação da análise frenológica prévia



Nem de rir conter me posso.
Tenham medo, tenham muito medo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ele há cientistas sem noção de marquetingue

"I don't believe the killer whale purposely intended to kill the woman"

Nancy Black, bióloga marinha.

domingo, fevereiro 21, 2010

Em tempos de crise, negócios seguros

Paladinos da democracia

O Sol é um jornal que "luta" pela liberdade de imprensa em Portugal ao mesmo tempo que prefere censurar a sua edição angolana.

Outra coisa não se esperava de JAS. Também no passado e sempre que necessário, a distribuição do Expresso na Madeira apresentava-se com frequência numa versão convenientemente menos espessa.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Coisas realmente importantes

A hifenização em "Aguiar-Branco" é da autoria do próprio ou da imprensa?
Não de propósito, lembra-me os bons velhos tempos do "Cavaco e Silva".

C'est ci n'est pas sur la politique



A pose, o excesso de melena a compensar feições oligofrénicas. O sorriso escarninho, os olhos afastados, heterotrópicos, o queixo retraído. O casaco indiferente ao baixo abdómen apesar do esforço dos botões de punho. A "consolidação de carreira" aos 36 anos (sic) sonhada na revalorização patética do nome.

Tudo nele me recorda os muitos maridos que igualmente conheci apenas por retrato ou por telefone.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Off-shore* tax heavens: Portugal

Excusam os liberalinhos ultramontanos de estrebuchar que quem fala assim é o Telegraph. Mais idóneo é difícil.

«Case study

You can save €60,000 by careful tax planning. George, 60 and a widower, is about to become a Portuguese resident but remains UK domiciled for now.

The calculations below show how much tax George would pay were he to be taxed at the standard rates, and also how much tax he could save by investing tax-efficiently. If George were to be taxed on his income under the standard position his liability would be €87,244.72.

However, only 15 per cent of pension income is taxable 85pc is tax free (annuity treatment). Investment income: place investments in a tax wrapper - George can draw £800,000 tax-free, all gains and income roll up tax-free.

On this basis, he will have no tax on this income in Portugal for 20 years. Sell the UK house whilst Portuguese resident and in the UK tax year after departure – no Portuguese capital gains tax and no UK capital gains tax.

Invest in a tax wrapper, and extract original capital tax free, as above. Gift shares in the company to Discretionary Trust with no UK IHT (100 per cent exempt…Business Property Relief). The dividends can be paid tax free to Trustees, and tax free from Trustees to George.

With these changes his total total tax charges amount to €429.73 – a saving of €67,593.69.»


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*Não, a Madeira não é para ali chamada.

ADENDA...

"The reports of my death are greatly exaggerated"

A maior parte da dívida grega repousa em bancos europeus.

Javier Krahe



... um verdadeiro "grande de Espanha".

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Agora mais a sério

Paranóico, pois. E em excelente companhia.


Perigos próximos

"Leio que« elementos do Centro Nacional de Inteligência, a secreta espanhola», estiveram em território português sem referir à sua congénere.É mais do que uma descortesia.É uma desconfiança que se instala dos dois lados da fronteira."


Medeiros Ferreira, no Córtex frontal.

E quando parecia que a escatologia nacional se tinha esgotado, eis que...



Ou então, Bere ke Aravexun Trebadeń di Leukitanea!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Assim, tipo fé-divére de telejornal


'O' Gladiador (por antonomásia) era... Português!

Explicamos já: a certa altura, Maximus Decimus Meridius, o personagem de Russell Crowe, revela querer voltar para sua casa, em Trujillo... Acontece que Trujillo fica 160km a leste do Marvão, ainda em território da província romana da Lusitânia!!

A mim, nunca enganaram. Com aquele mau-feitio, como podia ser espanhol?
Nem calculam o meu ressaibo quando no filme gritam por 'Spaniard', pás.

A propósito das quantidades de explosivos e tal

A GNR agora reporta ao governo espanhol e este corrige-a ou como é que é?

domingo, fevereiro 07, 2010

Canadá em ditadura

Desde 3 de Dezembro de 2009 que o parlamento canadiano se encontra fechado por ordem do primeiro-ministro Stephen Harper e com beneplácito da rainha, Isabel II.
Dada a minoria parlamentar do seu partido, Harper pretende governar por decreto até, pelo menos, Março de 2010.

Espera-se, a qualquer momento, que ecloda a revolução que libertará o povo canadiano da tirania monárquica e o traga, finalmente, para o convívio civilizado entre as modernas nações republicanas.

Dos historiadores

Dividem-se entre bons e maus, enviesados ou exaustivos, de esquerda ou de direita, monárquicos ou republicanos.

Para além disto, é ainda possível encontrar no mesmo historiador relatos, referências e opiniões que são fidedignos, outros que são falsos, e outros que são assim-assim.

Como disse Montesquieu (mais ou menos, que a memória é fraca),
«Preferimos ler aquilo que suspeitamos confirmar as ideias que já temos formadas».

Do pluralismo republicano

Por Fernando Rosas, um conhecido historiador de extrema-direita:

«[A República é] Colonial, patriota. Daí a matriz colonialista da República. O primeiro ensaio revolucionário para derrubar a monarquia é o 31 de Janeiro de 1891, precisamente um ano depois do Ultimato.»

«Os carbonários não desaparecem em 1910, transformam-se numa espécie de milícia informal do Partido Republicano, da ala de Afonso Costa, a ala mais jacobina.»

«O Afonso Costa é o homem do equilíbrio orçamental em moldes conservadores, equilibrou o orçamento com a mesma técnica do Salazar.»

«É preciso perceber que nem tudo foi a ditadura militar que começou. A ditadura militar refinou instrumentos que é a República que inaugura, como as deportações sem julgamento para África dos suspeitos de pertencerem à Legião Vermelha, uma organização que não se conhece bem hoje. Alguns são executados sumariamente na rua pela polícia. Apesar de a greve ser teoricamente permitida, houve muita gente morta, sindicatos encerrados, jornais apreendidos.»

Na entrevista do dia 2, este grande talassa ainda tem o desplante de afirmar que o melhor livro que se escreveu sobre o 5 de de Outubro foi o "O poder e o povo" (tese de doutoramento de V.P. Valente).

Posta humildemente dedicada ao Ricardo Alves, com quem me é impossível competir em matéria de leituras sobre a primeira república.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

"Em lances de amor a mentira é um dever."*

"Afonso Costa forçou ainda a entrada de Portugal na I Guerra Mundial (1914-1918). Em dois anos, houve quase tantos mortos como nos treze anos de guerras coloniais entre 1961 e 1974. É com este regime que a nova democracia portuguesa se quer identificar em 2010?"

É o que escreve o historiador Rui Ramos aqui.

Citei-o recentemente numa troca de comentários com o Dorean. Agora arrependo-me.
Ao acusar Afonso Costa de forçar a entrada de Portugal na 1ª Grande Guerra, Rui Ramos ou é ignorante ou está de má fé (enquanto historiador nenhuma das hipóteses lhe fica bem).

Uma das razões para a entrada da Alemanha na guerra foi a tentativa de aumentar a sua influência colonial em África, retirando-a à França, à Bélgica e a Portugal.
O governo português "ignorou" o ataque alemão ao posto fronteiriço de Maziúa, em Agosto de 1914. "Ignorou" entre aspas porque tentou responder (de forma desastrosa, é verdade) aos ataques em solo moçambicano e angolano.
O governo português ignorou, enquanto pôde, a pressão inglesa para que Portugal abandonasse a neutralidade.

Mas o que é que Rui Ramos acha que o governo da República devia fazer quando, em Março de 1916, a Alemanha declarou oficialmente guerra a Portugal? Será que ele acha que a solução teria sido outra caso o regime não tivesse mudado? Ou está só a ser demagogo?


* Ramon de Campoosorio

No comment

Os títulos da república

Após a queda da monarquia nos dois países germânicos, os títulos de nobreza ou fidalguia foram coerentemente proibidos. Contudo, a malta não achou piada e tratou de mudar legalmente o seu apelido por forma a incluir neste o antigo qualificativo nobiliárquico.
Por exemplo, Claus Graf von Stauffenberg (Tom Cruise em Valkyrie), era no tempo da outra senhora simplesmente Claus von Stauffenberg.
Toma lá e vai buscar.

Os burgueses, estranhamente, não foram tão coerentes consigo próprios. Apesar da proibição que impuseram aos outros, os republicanos austríacos* garantiram desde logo a manutenção dos títulos académicos no nome do respectivo cidadão. E assim, o primeiro chefe de governo em 1918 é desde o início introduzido como Dr. Karl Renner.
Quer por arrivismo de uns ou provincianismo de outros, manteve-se a tradição e, hoje em dia, é habitual encontrar nas portas dos domicílios verdadeiros comboios onomásticos, transpirando exclusividade, como "Univ. Prof. Dr. Dipl.-Ing.". Ou tratar a mulher de um médico por "Frau Doktor". Ou, inclusivé, requerer o mestrado para uma carta de condução.

Só quem não conhece as nossas sociedades dirá que desta vaidade mal não vem ao mundo. Entre outros preconceitos que se mantêm, não me parece nada republicano que seja improvável a eleição de um primeiro-ministro em Portugal sem que este se apresente dotado de algum prefixo universitário.

Spot on, caro Vital Moreira, spot on...

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*Sobre o equivalente português, as comemorações deste ano serão prolíferas em exemplos...

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

FPÖ chega a 32% de intenções de voto



A verdade é que os austríacos têm um talento especial para fazer de nazis.

Para trabalhar no ionline, nem sequer é preciso saber inglês

A notícia propriamente dita: um biólogo da universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, acaba de descobrir como produzir artificialmente tecido para reconstrução do corpo penial (enxerto).

A língua macaca: A publicação semanal Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), como não tem tradução no google, passa a ser uma tal de «Academia Nacional de Procedimentos Científicos dos Estados Unidos».

O título escolhido para associar à vetusta mas imaginária instituição: «"Enlarge your penis" deixou de ser Spam»

Lindo.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Celebração cor-de-rosa


Deixa ver...

Quando, dezanove* anos mais tarde, os patriotas da bandeira ibérica tomaram o poder, atiraram-se aos ingleses como leões, certo?

__________________
*que desatenção!

sexta-feira, janeiro 29, 2010



One of these nights I may just
Jump down that rainbow way, be with my baby, then
We'll spend some time together
So hologramic, oh my T V C one five
My baby's in there someplace
Love's rating in the sky
So hologramic,
oh my T V C one five