sexta-feira, junho 20, 2008

Separados à nascença?



Uncanny.

O Tattoo da Ilha da Fantasia ("da plene! da plene!") chamava-se Hervé Villechaize e deu um tiro no peito em 93, aos 50 anos de idade e avançado estado alcoólico. Esta é a sua carta de suicídio.

Toy, por outro lado, está vivinho da silva e, segundo julgo, livre de tais mau-humores.

___________________________________
A idéia desta posta é minha e só minha. O Fábrica Lumière (um blogue entretanto em estado congelado) apenas me plagiou com antecipação.

E agora, José?

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?


Carlos Drummond de Andrade

The natives are restless 15

"3:2 gegen Portugal: Deutschland schlägt die Unschlagbaren und steht im Halbfinale"

Die Zeit, hoje (curiosamente, não é assunto de primeira página).

quinta-feira, junho 19, 2008

Esses bravos vanguardistas irlandeses

Como diz Eduardo Pitta, no seu excelente Da Literatura:

Conduzida pela extrema-direita e outros sectores conservadores da sociedade irlandesa, a campanha do NÃO privilegiou três espantalhos: o fim da neutralidade militar, a imposição do aborto e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Será que este interessantíssimo pormenor passou ao lado da "esquerda das causas" ou terão simplesmente turned the blind eye considerando que o fim o justificava?

quarta-feira, junho 18, 2008

Rubin Carnuntum, tinto, 2006



Zweigelt, claro.

Com licença, sexo anal. Obrigado pela atenção.

Decididamente, a "dr.ª" Patrícia Lança, (aka, Patrícia McGowan Pinheiro) tem um problema qualquer com o sexo anal.
Já no passado, a Sr.ª Pinheiro se lançou numa cruzada contra a dita recreação, misturando uma fé inabalável no propósito divino da SIDA com as mais bizarras crenças "científicas" sobre fisiologia humana.

Desta feita, a ex-deputada do PSD (!) volta a carregar sobre a sodomia com um argumento do século passado: o da preferência do vírus maldito pelo seu grupo de risco homossexual masculino.

Não resisto a responder à última e inenarrável posta de Patrícia Lança/Pinheiro/... fazendo-lhe chegar um dado importante, raramente tido em conta nos seus vôos de insurgente loucura.

Salvo erro (confirme, sff e tal), aquilo que afirma é que em nenhum dos por si considerados grupos de não-risco, heterossexuais, (doravante chamadas 'amigas do peito' e 'amigos das mamas') houve aumento da incidência quer da doença (SIDA) quer do virús (HIV). O que prova aos seus olhos a iniquidade da sodomia.

Mas aqui é que a porca torce o rabo (ou o põe a jeito). Pois quem sabe de fonte recta e idónea, i.e., as amigas do peito, sabe que o sexo anal não é prazer exclusivamente desfrutado com sofreguidão pelos homens homossexuais (doravante chamados 'amigos do peito dos outros').

Aliás, tanta impertinência ao cimo da linha d'água faz-me pensar, salvo as inevitáveis idiossincrasias (categoria onde calculo se enterra Lança), se o gosto do gineceu pela invasão não será um segredo de polichinelo das próprias, forma de vestir falso pudor com privilégio.

Seja como for, tal forçosamente requer a intervenção dos amigos das mamas ou de amigas das mamas: ambos grupos de não-risco. Isto no total resulta exactamente nos mesmos três grupos que, segundo a própria "dr.ª", apresentam evolução no diagnóstico bastante estável.
E tendo em conta que amigos das mamas e amigas do peito estão em maioria no mundo... Já ninguém vai em grupos.

Haveria mais a contradizer (jovens hetero cada vez mais cedo e sem preservativo, ...) mas estou sem pachorra.

Quanto às interjeições da autora acerca da prática do fisting, deixarei o responsório para uma outra oportunidade, pois é tema que considero merecer discussão mais alargada. Salvo seja.

NOTA: Quem teve ou tem acesso ao que se passa num hospital como o Curry Cabral também estará por dentro da mui democrática demografia dos doentes com SIDA; contudo, o facto parece passar desapercebido a alguém que já teve responsabilidades políticas num partido de poder.
Isto é algo que se deve ter em consideração na próxima vez que houver eleições legislativas, provando que não é por votar no centrão que os meus concidadãos evitam radicais lunáticos no parlamento.

terça-feira, junho 17, 2008

The natives are restless 14

Os imigrantes de leste estão a voltar para lá.

O mercado funciona!

Do 31 da Armada:

"Os media anunciaram que as bombas podiam ficar sem gasolina. As pessoas entraram em pânico e as bombas ficaram mesmo sem gasolina. Depois disso vão lembrar-se que os supermercados também podem ficar sem comida..."

segunda-feira, junho 16, 2008

The natives are restless 13

Voltaram os esquemas de pirâmide ao melhor estilo sul-americano (*).


__________________________________________________
(*) isto é, agora toda a gente sabe que é proibido mas ninguém se quer lembrar porquê.

The natives are restless 12

A Selecção Nacional leva com duas secas dos abaixo-de-cão dos suiços.

quarta-feira, junho 11, 2008

The natives are restless 11

"António Vila Cova está na lista de Miguel Cadilhe à presidência da SLN/Banco Português de Negócios (BPN), mas recebe uma pensão por invalidez da CGD"

Diário Digital, hoje, citando o Diário Económico

The natives are restless 10

"O lucro líquido atribuível da Espírito Santo Financial Group (ESFG) recuou 5,9% para 40,3 milhões de euros nos primeiros três meses de 2008, face a igual período do ano passado."

Diário Económico, hoje

The natives are restless 9

"As temperaturas ainda não estão elevadas e a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) já registou 119 incêndios apenas nos primeiros oito dias de Junho."

Correio da Manhã, anteontem

The natives are restless 8

"Sócrates vaiado por sindicalistas. Primeiro-ministro assistia às cerimónias do 10 de Junho"

SIC, ontem

The natives are restless 7

"Existe uma corrida às bombas de gasolina. Esta manhã em Lisboa alguns postos tinham centenas de automóveis à espera para abastecer."

SIC, hoje

The natives are restless 6

"Mais um caso de atropelamento, em Braga. Três camionistas foram abalroados. Um deles ficou ferido."

TVI, hoje

The natives are restless 5

"Aqui vemos um membro de um piquete de paralização a tentar convencer um colega a aderir à luta encetada. Nada de mais pacífico e convincente."



RTP, hoje

The natives are restless 4

"Crise/Combustíveis: Governo Civil de Évora constitui reservas estratégicas para polícias, bombeiros e emergência"

RTP, hoje

The natives are restless 3

Fruta, legumes e peixe começam a faltar nos supermercados

JN, hoje

The natives are restless 2

Território português com níveis de radiação ultra-violeta entre "alto" e "muito alto"

Publico online, hoje

The natives are restless 1

Jovens apedrejam viaturas da PSP

DN, hoje.

Agora queixem-se

Lembram-se quando Cavaco-primeiro-ministro desactivou as linhas da CP que pôde e desatou a construir auto-estradas? Choviam as milenas da CEE e o rodoviário, com empreitadas de mover a economia e enriquecer os amigos do partido, era o futuro.
Havia também fundos inesgotáveis para as transportadoras crescerem como cogumelos, and the living was easy.

Esta visão "estratégica" deu no descalabro a que assistimos agora: estamos completamente dependentes dos estados de espírito de Espanha e absolutos reféns dos direitos de estrada dos camiões.

É tão fácil aprofundar a periferia do território e o seu atraso enquanto se ganham maiorias absolutas a curto prazo, não é?

Women: know your limits

A propósito das 65 horas

Estive a fazer contas de cabeça e descobri que trabalho 72 horas por semana, em média, sem contar com as de almoço.

Acho que estou dentro da média portuguesa. Certo?

terça-feira, junho 10, 2008

A exigência portuguesa

Emigrou do Porto para Neuchâtel em 1986, ano da gloriosa entrada de Portugal na CEE. Hoje é serralheiro. Honra ao trabalho mas nada o distingue de outro serralheiro de qualquer raça.

Mas empresa onde este e tantos outros trabalham conseguiu o contrato de fornecimento das 60 e tantas medalhas que serão atribuídas aos três primeiros classificados do Euro 2008 de futebol.

Motivo mais que suficiente para a televisão anunciá-lo como o "português que é o medalheiro do Europeu".

São exactamente 2 minutos e 17 segundos de jornalismo das tascas, sem contar com os teasers à peça.

Dando espaço ao orgulho nacional, pensei em sugerir à RTP uma reportagem com o título "a famosa limpeza da Suiça afinal é portuguesa!" , que podia incluir directos com as senhoras que lavam as casas-de-banho no edifício da Roche, por exemplo. Sem elas, aquilo era um chiqueiro, com certeza.

Mas depois lembrei-me que o Expresso se antecipou em tempos no tema com uma entrevista à criada alcoviteira da Claudia Bruni. Não se pode melhorar o que já é perfeito, não é?

O inferno

O carjacking, o endividamento a 130%, o autismo do governo, o descrédito do oposição, o assalto ao Estado, a delinquência generalizada, o nepotismo institucional, o medo da imigração e a vergonha da emigração, os 30ºC em crescendo, os incêndios em crescendo, a extrema-direita violenta em crescendo, a extrema-esquerda demagógica e irresponsável, a loucura aguda do futebol (Euro), a loucura crónica do futebol (FCPorto), as filas de açambarcadores nas estações de serviço, a semana de 65 horas, a pobreza de 20% da "raça", a rebelião e a destruição dos pescadores, o lockout das transportadoras de mercadorias e a falta de alimentos nos supermercados, o apedrejamento de camiões...

Chegada esta altura, é costume o personagem do filme dizer "falta pouco para morrer alguém; a partir daí, é o inferno."

Pois é, já não falta nada.

A minha contribuição para o debate sobre o acessório despoletado por indignação acessória com base na expressão acessória de um oficiante acessório.

Raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça, raça.

Para os restelosos da bola

Dou de barato que o sítio anda mal-frequentado e até já viu dias melhores. Contradizê-lo não é a minha tese.
Mas não deixa de ser divertido olhar para o passado recente e verificar a nossa posição numa tabela classificativa de Qualidade de Vida. Tinha sido elaborada pela Economist Intelligence Unit, a qual tentou basear a análise em factores concretos, como o PIB, e subjectivos, como inquéritos junto da população.

Convém, por isso, sublinhar que a tabela é de 2005, ano em que não houve bandeirinhas de Europeu ou Mundial.



NOTA: apesar de figurarmos dez lugares acima do Reino Unido não foram contabilizados quaisquer rankings da FIFA ou de carjacking

____________________________
completamente roubado ao blogue da revista Atlântico

Na sequência do teste hedonista, ela desafiou-me


Só não é um verdadeiro Top 10 pois a ordem dos factores é arbitrária.

-frutos proibidos
-transe massivo
-provocar
-brisa na pele
-beijos-borboleta
-conversas sem horas
-deixar-se levar
-adormecer ao colo
-um concerto a muitas mãos
-amamentar um filho

___________________________
No middle ground, de Terry Rodgers (2006)

segunda-feira, junho 09, 2008

Postas tipo eurocromo-repetido, 2

"Nham-nham-nham... Selecção nacional, uma ova: o Deco é brasileiro, o Nani é isto, o Bosingwa é aquilo, ... Nham-nham-nham"

Postas tipo eurocromo-repetido

"Alienados das bandeirinhas... patrioteiros do futebol... Nham-nham-nham... Não vão ganhar nada... Nham-nham-nham... e depois é que a realidade dói... Nham-nham-nham..."

A vergonha de Cavaco

No Público online:

Cavaco Silva apela a Portugal para "atrair e acarinhar" emigrantes que querem regressar


Acho muito bem que "o Estado e a sociedade civil" recebam bem quem queira voltar, era o que mais faltava.
Mas, e que tal, antes de mais nada, o Estado não acarinhar mas servir a sociedade civil para evitar que as pessoas se sintam na necessidade de emigrar?

O Presidente da República deve estar ainda a sonhar com o folclore das gerações de 60 e 70, descartando as responsabilidades que os governos PSD e o PS tiveram na sangria humana das duas últimas décadas.

Sabe quantos portugueses foram viver à volta das fábricas de embalagem de carne de Thetford desde 1990, i.e., quando o senhor foi primeiro-ministro? São hoje 50,000.

Espalhados pelo Reino Unido, especula-se que venha a haver quase tantos portugueses como muçulmanos. E era capaz de jurar que, tanto uns como outros, nunca ouviram falar da Linda de Suza.

A incompetência de um governante e o falhanço de uma sociedade mede-se pelo número de concidadãos que emigram.
Tenha vergonha, sr.Presidente, tenha muita vergonha.

Blogue Insurgente

Não sei porquê, mas cada vez que leio o Insurgente, lembro-me dos gémeos Kaczynski.

domingo, junho 08, 2008

Hoje vou adormecer assim



Sleep tight.




_______________________________
"The Girl can't help it" (1956)

You're going to reap just what you sow

Para a Suiça e em força!



E até se lhes perdoa a americanice da mãozinha ao peito.

Mobiles are evil



A bateria acaba a meio da conversa "importantíssima"?
O número daquela simpática de ontem à noite desapareceu do livro de endereços misteriosamente?
A factura das chamadas vem superior ao orçamento de defesa de um país do médio oriente?
Chega atrasado ao concerto, os seus amigos estão lá dentro e não há rede alguma?
Põe o bichinho no mute para não levantar suspeitas mas ainda assim aquilo badala mensagens a 300 dB?
Drunk-dialings às 3 da manhã?

Agora já sabe porquê.
______________________________
via The Hidden Persuader

sábado, junho 07, 2008

Em directo de Viena

Estou sitiado pelo Turco e as insígnias das duas federações de futebol não poderiam ser mais recorrentes. No ecrã gigante em frente à Rathaus (um de oito), um crescente opõe-se à cruz templária.

Não sei se tal imagética invocará algum espírito de cruzada nestes tempos de supostos choques civilizacionais. Mas certo é que, cada vez que a selecção avança avança, ouvem-se uns "POR-TU-GAL!" numa mistura de sotaques croata, austríaco, alemão, polaco, grego e até espanhol. No mínimo, quer parecer-me que cá para leste ninguém gosta assim muito dos turcos. Isto mesmo é-me confirmado pelo vendedor da barraquinha dos Käsekrainer mas como ele é sérvio não acho inteligente perguntar-lhe porquê.
Para mim tanto faz e, pelo menos, já me sinto mais acompanhado na minha t-shirt verde-rubra (comprada em Barcelona em 2004, no dia seguinte à vitória sobre os espanhóis).

De resto, a rapaziada é bem comportada. Bebe-se muito mas, tirando um culturista com complexo de meia-altura e muita garganta, o povo é sereno e a ausência da selecção inglesa neste campeonato vai passando agradavelmente desapercebida. Às onze e meia já o recinto está vazio e a festa, sem futebol, continua por esses bares fora.

Os Intocáveis


Se me tivessem dito isto há uma década ou duas, não acreditava: Pinto da Costa e Loureiros condenados por corrupção.

Aliás, tal é a teia de interesses nacional que só comecei a acreditar mesmo quando mais tarde fiquei a saber que a UEFA aproveitou para dar a sua machadada. A esses o mafioso de província não tem como dar a volta.
Por que acham que só falo disto agora?

É um excelente começo. Agora só falta despachar os restantes dirigentes desportivos.

sexta-feira, junho 06, 2008

Lusofobia já!

Os Ainu do norte do Japão voltam a ser gente, com direito a língua, cultura e território próprios, anuncia o Le Figaro online . Isto é, voltam a ser ainu, que significa precisamente humano. Esta minoria da ilha de Hokkaido é mais um exemplo de um povo esquecido o qual, por ser autóctone, se tornou vítima de leis e práticas racistas impostas pela etnia ocupante (como os Saami da Suécia, também chamados lapões, cuja segregação foi oficialmente abolida em 1976).


Estava eu a passar os olhos pelas fotos quando a certa altura leio que, por causa de séculos de segregação e racismo, esta pobre gente lamenta hoje em dia ter apenas 17% de licenciados entre os seus, quando um terço de todos os japoneses tem canudo.

Tendo em conta que a parcela de portugueses com educação superior deve andar à volta de 10%, como toda a gente gosta de dizer, "a mais baixa da Europa", pergunta-se: quem é está disposto a nos ocupar e tratar como subhumanos sem direito a selecção de futebol (uma coisa que até os norte-irlandeses têm) para que possamos chegar, pelo menos, àquele este resultado?

____________________________________________
A foto, de um cavalheiro Ainu, foi tirada por Christina Witt. É na fartura das sobrancelhas e no bigode cerrado que deposito alguma esperança.

quinta-feira, junho 05, 2008

A fevere da bola

Dizia-me um sérvio no outro dia na rua:
"Portugal will roast that Turkey! Eheheheh!"

quarta-feira, junho 04, 2008

Vem o Verão, salta o teste de personalidade






What philosophy do you follow? (v1.03)
created with QuizFarm.com
You scored as Hedonism

Your life is guided by the principles of Hedonism: You believe that pleasure is a great, or the greatest, good; and you try to enjoy life’s pleasures as much as you can.



“Eat, drink, and be merry, for tomorrow we die!”



More info at Arocoun's Wikipedia User Page...


Hedonism


95%

Existentialism


85%

Strong Egoism


80%

Justice (Fairness)


75%

Utilitarianism


70%

Kantianism


50%

Nihilism


10%

Apathy


10%

Divine Command


0%




Pois, pois. Trocando por miúdas, "o que tu queres sei eu".
Bem, sempre saiu mais acertado que aqueles do political compass.

Esta é para provocar o Esquerda Republicana

Vem a propósito duma notícia no Público do passado dia 31 e pescada ao O Carmo e a Trindade:
Campolide: Finanças ponderam vender templo do século XIX à irmandade local.

E que tal o Estado devolver à ICAR todo o património de interesse artístico e cultural - expropriados após a guerra civil e a "revolução" republicana - por cuja recuperação ou preservação não consegue, manifestamente, ser responsável? E que em muitos casos apenas servirá para especulação (como o quartel da Graça)?

A partir de 2012, num ISP perto de si

Não, não tem nada a ver com o aumento da gasolina (para o qual me estou perfeitamente nas tintas).

ISP aqui significa 'servidor de internet' e acho que desta não é só maluqueira de conspiracionistas. E nem precisa de mexer o rabo da cadeira para levar com uma machadada no orçamento (na melhor das hipóteses).

Esqueçam a sintaxe de surfista e o arzinho de nerd de universidade californiana dos rapazes (o visual até começa bem, com a introdução feita por miúda decotada, prendendo a atenção logo de início); vale a pena ouvir para ter uma idéia do que pode vir a acontecer.




via hidden persuader, do Bicho-carpinteiro

terça-feira, junho 03, 2008

O bravo soldado Franz


O sr. Künstler, née Kuenstler na Roménia de 1900, foi alistado pelo kaiseriche und koenigliche Armee (a.k.a., Kuka) da Áustria-Hungria em 1918. Expulso pelos comunistas húngaros, torna-se cidadão da Alemanha em 1946.

Morreu hoje, aos 107 anos, "o Último Soldado do Imperador". Sobreviveu a duas guerras mundiais, quatro nacionalidades e, segundo contava, "muitas mulheres". Levou-o sim, e concerteza à traição, o intestino delgado.

O 8 e coisa, 9 e tal fez dois anos


Gosto muito do 8 e coisa, 9 e tal.
Há bastantes blogues de gajas (todos conhecemos os géneros, vai do confessional-picante ao
feminista emperdenido) mas passadas uma ou duas leituras a 'novidade' fica por aí.

Depois há blogues bons, com uma particularidade definida que os torna interessantes. Neste caso, ser feito por gajas.
A receita do sucesso é simples: como são gajas, e nada parvas, vêm as mesmas coisas de uma maneira que raramente lembra aqui aos gajos, mesmo aos nada parvos. E ali começa a discussão.

Parabéns (atrasados) por dois anos de um blogue de excepção. E cumprimentos ao António Mafra.

quinta-feira, maio 29, 2008

De indy hot rock chick a modelo Chanel

Anda meio mundo blogosférico perdido pela moça retratada abaixo, música incluida.
A foto está de antologia: uma brincadeira que interrompe a nudez mas não a indiferença ao tabu.



Mas, ainda assim, o retrato não faz justiça à cantora. Fotogenia mesmo é isto,



levando a menina a passar na arena de Natalie Portman, Rachel Weisz e Norah Jones (My Blueberry Nights) e a acabar na Men's Vogue



Nas décadas de antanho, dizia-se que havia três maneiras de se garantir levar à certa miúdas assim: ser muito rico, ser fotógrafo, ou ser estrela de rock.

Esta indy esteve-se sempre nas tintas para o dinheiro dos outros, desarma qualquer câmera e ainda vem a ser ela um ídolo musical para muito maduro descontrolado.

Cat power? Sem dúvida absolutamente alguma.

Grandes carros, pequenos depósitos

"E o automóvel é um dos seus principais símbolos. Toda esta histeria à volta dos combustíveis tem essencialmente a ver com isso: a recusa de uma classe média que teve uma ascensão artificial, muito alavancada em endividamento e subsídios, em abdicar do carrinho."

(LR, no Blasfémias)

Há um ano atrás, uma senhora minha conhecida teve imensa dificuldade em contratar uma mulher-a-dias. A sua casa é... Grande e, durante bastante tempo, a única pessoa que concorreu ao lugar foi uma rapariga, imigrante bielo-russa ou polaca, não me lembro, que se fez deslocar para a entrevista num Land Rover. Não ficou pois achou que 'o serviço era muito'.

Fico com curiosidade de saber, pois, se a ex-futura empregada doméstica se terá visto livre do pópó entretanto ou simplesmente emigrado para outras paragens. Afinal, é isso que muito português faz, embora ninguém fale do assunto.

quarta-feira, maio 28, 2008

I'm a lover, not a fighter

O Esquerda Republicana vai buscar o Huffington Post para dar destaque ao depoimento de um veterano da guerra no Iraque.
Rolando por ali abaixo na edição online desta referência mundial da imprensa escrita, descobrem-se notícias não menos interessantes.
Por exemplo, a tenista Ashley Harkleroads, 23, de quem provavelmente nem o maradona ouviu falar, vai posar para a Playboy na edição americana de Agosto destoutra referência mundial da imprensa escrita.



__________________________________________________________
Foto tirada à porta do hotel em Nova Orleães, era ainda de manhã.
Um exclusivo do VoC para a imprensa escrita blogosférica de referência.

Palavras que eu odeio

Manuel Queiroz, cronista do DN, interessou-se hoje pelos "peitos protuberantes" da amante do ministro canadiano.

Deu uma vez por todas, não são "peitos", nem "seios", nem "colo", nem o raio-que-o-parta, são MAMAS.
E olhe que "protuberantes" também não os tornam mais "finos".

O Luxemburgo aboliu a monarquia

Correcção: o ministério dos negócios estrangeiros português logo há cinco anos atrás, não sei sob que chantagem maoista, reconheceu a existência de uma 'República Luxemburguesa'. E ainda hoje insiste com convicção e comunicados oficiais.

Que no MNE ninguém saiba qual é a capital da Mongólia, eu até compreendo. É uma pergunta de Trivial, não é para qualquer um.
Mas num país onde 20% população é portuguesa?

Esperam-se os desenvolvimentos do costume, nomeadamente na tradução dos domínios de email.

__________________________________________
Do Notas verbais, via Corta-fitas.

O Nepal aboliu a monarquia

Correcção: o parlamento do Nepal (há nove anos sem eleições), sob chantagem da guerrilha maoista, apoiada pela China, declarou o estado de 'república democrática'.

Um dos líderes, C.P. Gajurel, jurou à BBC:

"We are committed to multi-party democracy, peaceful competition in the election," he said. But, he added, "definitely we will not go for the previous so-called parliament". The Maoists, Mr Gajurel said, wanted a new kind of parliament where "oppressed classes can compete".

Esperam-se os desemvolvimentos do costume.

segunda-feira, maio 26, 2008

Alfredo Saramago, 1938-2008

Tinha gozo em investigar aquilo que lhe dava gozo. Quantos se podem gabar do mesmo?

Adeus, compadre. Com alguma sorte, ainda havemos de nos encontrar para uma patuscada sei lá onde. Mas o vinho trás-lo tu.

domingo, maio 25, 2008

O futuro de Obama

Se Obama for eleito, há que esperar o pior. E o pior é ele ser assassinado e substituído pela Vice-Presidente Clinton (ou algo parecido). Será uma oportunidade perdida.
Ele há uma América ultramontana que não quererá aceitar nem Obama, a pessoa, nem Obama, o político.

sábado, maio 24, 2008

As reformas

Sobre a Segurança Social e as reformas existe em Portugal um factor de desequilíbrio e injustiça de que ninguém fala.
Refiro-me a todas aquelas pessoas que, recebendo uma pensão ou reforma, continuam a trabalhar activamente.
Não me refiro aos beneficiários das pensões de miséria de que o PCP tanto fala. Refiro-me aos outros, à classe média e alta.
É louvável e importante que essas pessoas se mantenham activas. Mas é extremamente injusto que essas pessoas putativamente tirem trabalho a um jovem desempregado, ao mesmo tempo que beneficiam dos descontos dos jovens trabalhadores.
Se há situação em que o contrato social entre gerações não é respeitado, ela é esta.
Porque é que essas pessoas beneficiam de uma reforma se continuam activas no mercado de trabalho?
Porque é que se fala das acumulações nos cargos políticos mas não se fala destas situações? (O que interessa é se o ex-Presidente Eanes tem direito a duas reformas)
Porque é que essas pessoas não são obrigadas a escolher entre a sua (boa) reforma e o seu rendimento de trabalho?
(Já agora, porque é que os gestores, quando recebem compensações milionárias das empresas que geriram, não são obrigados a ficar fora da actividade durante cinco ou dez anos?)
Quanto é que a Segurança Social poupava se essas pessoas fossem obrigadas a escolher?
Quantos empregos se criavam?
Eu sei. Com a pirâmide de idades invertida, essas pessoas formam uma parte significativa dos eleitores.
Para além disso, são os nossos pais, tios, etc, que nos ajudam nas horas de dificuldade, para comprar casas, carros, etc.
Quando os temos. Quando não os temos, putz!, como dizem os Brasileiros.

A saúde

Existe em Portugal um mito relacionado com a Saúde que vale a pena tentar desmistificar.
É o mito de que o sector privado proporciona melhor tratamentos aos doentes e é uma alternativa ao SNS.
A verdade é que os sistemas privados funcionam melhor porque pouca gente tem beneficiado deles até agora.
Mas basta tentar usar alguns hospitais privados que abusaram nos contratos das seguradoras para constatar que, se o sector privado passar a tratar muita gente então fica tão caótico como o público.
Também por isso alguns novos hospitais privados limitaram enormemente os contratos firmados com as seguradoras. Para garantir a qualidade do serviço.
Entretanto, com ou sem o desmantelamento do SNS feito pelo Estado, a iniciativa privada encarrega-se de o fazer.
Vão abrir dezenas de hospitais e para preencher o quadro médico vai-se recrutar ao Estado. Os médicos que transitam para o privado já não o fazem em regime de acumulação massim em regime de exclusividade.
É de esperar que a qualidade do serviço no SNS diminua (Salvam-se os hospitais universitários mas estes são aqueles que têm a seu cargo as situações mais desesperadas).
É verdade que já boa parte dos Portugueses usufrui de seguros de saúde. Mas também é verdade que uma boa parte não usufrui. Por outro lado, os pacotes de seguros mais populares não cobrem as despesas em casos de doenças mais críticas, como muitos tipos de cancro.
O Estado fica assim com o encargo de cobrir as situações mais graves e financeiramente onerosas.
Fica assim posto em causa o acesso á saúde, universal e tendencialmente gratuito consagrado na Constituição da República.
A consequência a prazo será a diminuição da esperança média de vida, pelo menos entre as pessoas com menos posses.
Tudo isto, pelo mesmo preço.
É por isso que alguns bons países liberais por essa Europa afora não permitem e existência do sector privado na área da saúde.
Noutros países, de boa cepa Social Democrata, não existe SNS e o Estado assegura um seguro de saúde universal que permite a toda a gente o acesso à medicina privada.
Aparentemente, caminhamos para o pior dos mundos.

Com a devida vénia

"(...) Aqui chegada, e não me encontro disponível, o que me soa a desperdício ou, então, a grande ironia. Às vezes, sinto-me forte, capaz de enfrentar o mundo nesta minha nova condição de amputada; outras, em especial quando a noite cai demasiado depressa, cedo ao pânico, como se num elevador parado entre andares. Nessas alturas, enrosco-me como um feto e só quero agarrar-me à barriga das tuas pernas e pedir-te que seja ainda a semana passada, quando chegavas a casa calado e o pior que acontecia era o tédio correr-nos nas veias. Há momentos em que dava tudo para que os teus pés frios, que sempre me desagradaram, arrefecessem este medo que me tolhe."


Por Sofia Vieira, no Um amor atrevido.

Baixar o ISP, deixe-me rir, sr. FO

O sr. FO, presidente da Galp, apelou ao governo para que baixasse o ISP.
A ideia é a de que, se o ISP baixar, o preço da gasolina baixa.
Ele há quem nunca desista.
O preço de venda dos combustíveis é ditado pela oferta e pela procura, devendo por isso considerar-se que está adequado à situação do mercado.
A redução do ISP não concorre para a redução do preço de venda dos combustíveis. Mas concorre para o aumento das margens da Galp e para a redução da receita pública.
Foi isso que aconteceu com a descida do IVA ou com a descida do IA.
Será que não repararam?
Mas ainda há quem insista na vigarice.

A ASAE o quê?

A ira contra a ASAE é bem característica dos Portugueses.
As leis estúpidas que condicionam a sua actuação, são emanadas das directivas ridículas de ignaros burocratas em Bruxelas.
A multidão critica a ASAE por tentar fazer cumprir a lei, claro.
Cumprir a lei não é de Português. E a culpa de uma lei ridícula não é nunca de quem a fez mas de quem a tenta fazer cumprir. Porque não se espera que as leis sejam cumpridas.
Portugal é a Sicília, independente da Espanha.

A Trombeta de Patrick


Volta-e-meia lá vem o DN a "introduzir o debate" do nuclear. Desta feita por meio de editorial do director.
Estão lá os elementos todos da encomenda: como einsatz pertinente e populista, a subida do preço dos combustíveis e a ameaça que se avizinha crise ainda pior que o subprime (!). Passa-se à citação costumeira daqueles especialistas para quem a tecnologia é 'segura' e 'amiga do ambiente'. Depois, fica sempre bem dar exemplos de países desenvolvidos que voltam a apostar no nuclear (um dos quais ainda não conseguiu resolver o problema do lixo doméstico, quanto mais o radioactivo). Pelo meio, a inevitável referência à personagem de Patrick Monteiro de Barros.

Caro João Marcelino,
A energia nuclear serve para produzir electricidade, e não gasosa. Logo, e enquanto os carros se moverem à força de combustíveis fósseis, esses argumentos de medo não servem para introduzir coisíssima nenhuma.

Dando de barato que a operação de combustíveis nucleares é segura (?), as centrais de fissão são alvos preferenciais para o terrorismo e os custos de segurança seriam sempre elevadíssimos. Mais: os resíduos que produzem são mais nefastos ao ambiente que todas as toneladas de CO2 que quiser ir buscar. A radioactividade mata, sabia? Contamina tudo, ar, água e solo. É custosa de aterrar e virtualmente eterna.

Também lhe vale de pouco comparar-se com os grandes países: a competitividade da indústria portuguesa, lamentavelmente, é pouco sensível ao custo da energia. Mais ainda se nos lembrarmos que na China se planejam dezenas de centrais a carvão para alimentar a bolha.

Só mais uma coisinha: uma central de fissão nuclear não é viável economicamente. Por isso, todas as centrais do mundo são sustentadas pelos estados, como os que deu como exemplo. Acontece que o deles é rico, o nosso é pobre. Mas compreendo que, mesmo a esta escala, o bolo dos impostos ainda seja um alvo apetecível para empresários de algibeira como o benevolente Patrick Monteiro de Barros.