sábado, maio 24, 2008

O Exemplo


Já estou farto desta macacada do cigarro do primeiro-ministro que faz do jogging aquilo que o João Paulo II fazia do beija-chão.
Lamento, caro PM, mas estou-me perfeitamente nas tintas se o senhor sabia, não sabia, se vai deixar de fumar ou vai morrer de metásteses neocorticais.
Deixe-se de pantominices e pague a multa, se for caso disso. É o único exemplo que o país precisa.

Teoria e prática

No mundo da teoria, nada funciona e toda a gente sabe porquê. No mundo prático, tudo funciona e ninguém sabe porquê.
Por vezes, a prática e a teoria convergem numa situação em que nada funciona e ninguém sabe porquê.
Da mesma forma convergem, no espaço da Direita, o liberalismo e o conservadorismo. A procura de liberdade e segurança convergem para uma situação em que acaba por não haver nem liberdade nem segurança.
O liberalismo, ao destruir o Estado, substitui as relações de cidadania por relações de homenagem e dependência de tipo feudal que rapidamente destroem a Liberdade, proporcionando segurança apenas a quem é rico.
O conservadorismo valoriza a segurança sacrificando a Liberdade e acaba por criar um sistema repressivo que acaba por não proporcionar segurança a ninguém.
O liberalismo conservador é um meio termo que não resolve nada nem aponta solução nenhuma.
Apenas a intervenção do Estado na economia lhe poderá garantir o poder necessário para regular os mercados e consequentemente preservar os direitos de cidadania.
Regulação económica e liberdade política são a alternativa à regulação política com liberdade económica.
No espaço da Direita isso talvez se chame de Democracia Cristã.

O candidato dos Direitalhaços

Pedro Passos Coelho é sem dúvida o candidato dos Direitalhaços.
As propostas de privatização da Caixa e de redução do peso do Estado, feitas nesta altura do campeonato, só podem ser originadas num fanatismo ideológico cego, surdo e mudo ou numa grande vontade de arranjar negócios com o dinheiro dos impostos do Tuga: a compra de um Banco lucrativo cuja alienação não se consegue justificar, a privatização da Saúde e da Educação, etc.
Por isso ele aí está, político profissional, bem financiado, à procura dos votos dos liberais do PSD.

A festa de Maio de 68

O Maio de 68 em Paris foi, acima de tudo, uma festa. Por isso dizem que o Maio de 68 nunca poderia ter sido em Inglaterra.
Percebe-se porquê. As festas inglesas são péssimas: ao fim de uma hora já está tudo bêbedo e a molestar os convidados do sexo oposto (na melhor das hipóteses). As bebidas são más (safa-se a cerveja) e às onze horas ou se está na cama, sozinho ou acompanhado, ou sai-se numa caçada ao Pakhi (de preferência a ir-se sozinho para a cama ou com um parceiro do mesmo sexo).
As festas francesas são óptimas, toda a gente é convidada, as bebidas são excelentes e abundantes (a começar pelo vinho) e pratica-se o sexo na própria festa, aproveitando-se para se marcar uma internacionalização alter-mundialista, com a tahitiana ou o marroquino mais próximos.
Por isso, o Maio de 68 só poderia ter acontecido em França.

quinta-feira, maio 22, 2008

Dave Douglas

Nenhuma efeméride, nada de especial. Nem sei se terá algum disco novo, mas o Dave Douglas é um músico impressionante. Aqui está ele (porque este blogue estava a precisar de um bocadinho de Bop :-)

quarta-feira, maio 21, 2008

Só eu sei porque não fico em casa

O Diário Digital exulta, nacionalista: apenas 17% dos portugueses trocaria uma noite de sexo por um jogo de futebol, contra 72% de maluquinhos da bola espanhóis. Eis algo para fazer pensar as direcções artísticas dos média nacionais, sem dúvida.

Por outro lado, 72 por cento é muita espanhola a sofrer, homens de deus.
Pois é.

E na volta ainda se pode aproveitar para encher o depósito.

Thabo Mbeki

Quando o sr. Mugabe atrasou a divulgação da sua derrota eleitoral em mais de um mês, o presidente sul-africano disse ao mundo para ter paciência.
Quando os olímpicos enviaram um cargueiro de armas e munições para o ditador usar sobre a sua população desobediente, Thabo Mbeki disse que era sem querer.

Ao contrário do führer de Harare, Mbeki foi livremente eleito pelos seus compatriotas, caso raro no continente. Parece por isso estranho que este homem esteja claramente a proteger um ditador.

Mas a amizade entre os dois vem dos tempos da resistência ao apartheid. Mugabe tomou o poder à minoria branca nos anos oitenta e não tardou a expropriar terras aos herdeiros de Rhodes. A idéia de que em ambos os lados da fronteira se combateu a hegemonia branca poderá ter levado Mbeki, do então ainda clandestino ANC, a irmanar-se com Mugabe.
Contudo e contra esse argumento, nenhum resistente sul-africano de respeito, de Tutu a Mandela, se misturou no passado com aquele personagem.

Mbeki, apesar da legitimidade das urnas, é hoje conhecido pela sua incompetência e vê-se constantemente confrontado com suspeitas de corrupção e nepotismo. Um exemplo entre muitos, é o emaranhado de interesses à volta de Jackie Selebi, o comissário nacional de Polícia, num caso que envolve este antigo chefe da Interpol e o crime organizado. A lei é assim mostrada a um povo cansado de injustiças como não passando de letra-morta, e logo pelo próprio presidente.

Por causa de Mugabe, a estas acusações ao presidente sul-africano vem agora juntar-se outra. Os tumultos racistas em Alexandra e noutras townships são claramente o resultado directo de uma conduta irresponsável tanto na política interna como na externa.

Se, por um lado, o desleixo da presidência permitiu a pobreza crescer desmesuradamente, por outro, Mbeki criou as condições para que milhares de refugiados atravessassem a fronteira ao abençoar os desmandos de Mugabe,. Este influxo de estrangeiros foi o pretexto suficiente para as franjas mais miseráveis da sociedade imitarem o presidente e declararem-se elas próprias fora-da-lei.

Assim, a pilhagem, as violações e as mortes recentes de zimbabuenses, moçambicanos, nigerianos e malauitas na África do Sul podem ter muitos autores materiais anónimos mas a responsabilidade do caos que o permitiu é toda de um homem sem carácter nem capacidade para exercer o cargo para o qual foi eleito.

Deus escreve direito por linhas tortas, em boa verdade vos digo



The new logo features a bare-chested mermaid with her tail fin split in half -- actually, the original logo for the company. The previous green logo showed less of the mermaid.

A Christian group in San Diego called The Resistance is offended by the new logo saying that "looks like a naked woman with her legs spread like a prostitute" (sic) and wants consumers to boycott or complain to the Seattle-based coffee house.


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No St.Louis Business Journal e no Irish Independent mas por via do Quionga6

terça-feira, maio 20, 2008

Onde se constata, numa pequena e circunstancial consulta ao painel de audiências, que a pátria deste blogue é a Língua Portuguesa

O nosso leitor em Gaillard ou está de férias ou abandonou-nos.
Depois dos representantes das megapólis brasileiras (de São Paulo a Blumenau), mantém-se visivelmente fiéis a este pasquim, e pelo lado nacional, um compadre de Álvaro e outro de Campos.
Não estou a inventar, juro.

O ticket

Obama poderá estar convencido que vai ganhar as primárias mas estas mostraram-lhe que, se o eleitorado branco da classe baixa nem sempre lhe é favorável, desprezar o voto hispânico poderá ser-lhe fatal.
O objectivo, convém não esquecer, é a presidência. Ao candidato-preto, chamemos-lhe assim, interessa pois ganhar sem derrotar a candidata-branca.

Por isto, a decisão de Clinton de ir até ao fim sugere ser menos um acto de coragem política e mais uma antecipação concertada da verdadeira campanha que se aproxima. A indicá-lo, os ataques mútuos já diminuiram de intensidade e o alvo de ambas as candidaturas é agora McCain. Claro que há pressões internas também nesse sentido pois o partido quer, e bem, cerrar fileiras.
E não é difícil imaginar conversações de bastidor entre os dois proponentes e o que se discutirá nas mesmas. Isto é, ou muito me engano ou o ticket democrata está à vista.

quinta-feira, maio 15, 2008

A culpa do desacordo ortográfico é nossa, 2

A posta anterior, claro, não passa de uma opinião inútil, por mais acertada ou errada que seja. A língua é de quem a fala e escreve e eles falam e escrevem mais que nós.

Por isso, temos de ser sensatos. Poucas línguas no mundo sobreviverão no futuro: a economia, entre outras coisas, assim o dita.
Sem unidade com o Brasil, o Português de Portugal ou tornar-se-á uma curiosidade ibérica, assim como o Catalão ou o Galego (aliás, já é mais fácil encontrar pela Europa fora guias turísticos em catalão que em português), ou, dada a diferença de carácteres, dilui-se no Castelhano.

Já agora, o Galego, curiosamente, é aceite para discurso no Parlamento Europeu porque é considerado... "Português". Mas nem assim alguém se lembrou de estender o plesbicito electrónico aos 4 milhões de galegos que moram aqui ao lado, pois não?

A culpa do desacordo ortográfico é nossa

Em 1911, os proto-fascistas da república mudaram a norma ortográfica sem consultar a vasta maioria dos utilizadores da língua. Mesmo os seus compatriotas não tiveram direito a petições na net ou coisa parecida. Os senhores que mandavam decidiam que se passava a escrever segundo a fonética e não a origem da palavra. Revolucionários e cheios de boas intenções, julgavam simplificar (?) a escrita e facilitar a alfabetização da plebe ignara. Os resultados ficaram à vista: nem a malta aprendeu a ler (72% de analfabetismo ainda em 1920) nem a língua voltou a ser a mesma em lado algum.

O primeiro demonstrou a pouca importância que a "simplicidade" da escrita tinha na sua instrução. O segundo, a leviandade dos autores da reforma. A nenhum curador de uma língua culta e universal havia ocorrido semelhante estupidez. Pelo formalismo, sobranceiro para com outros falantes, e pelo método escolhido, permitindo reproduzir as variadíssimas vocalizações do falar lusófono, a atitude extinguia, irreversivelmente, a unidade da língua e condenava-nos a todos a cem anos de tentativas de acordo ortográfico (*), coisa única no mundo.

É este o erro que alguns tentam agora apagar.
Por isto, quando alguém defende uma grafia baseada na etimologia, "científicamente correcta", não posso deixar de concordar. Afinal foi isso que o Brasil conservou em 1911, à revelia dos tontos de Lisboa. Se hoje em dia eles, brasileiros, se aperceberam da própria força e vêm defendendo a transcrição directa da fala à escrita mais não estarão que a concordar com a brilhante idéia dos republicanos d'antanho.

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(*) E foi isso mesmo que aconteceu. Com a indiferença própria aos gigantes, é muito provável que a Academia Brasileira de Letras só tenha dado pela mudança portuguesa uns 20 anos depois. A contrapor ao arrivismo português, a primeira tentativa de reaproximação da norma escrita até veio, pois, do outro lado do Atlântico, em 1931.

quarta-feira, maio 14, 2008

Rejected but loved


Contou-me que, quando crianças, tinham uma caixa de cartão no sotão onde ela e a irmã costumavam guardar aqueles bonecos ou bonecas com os quais já não brincavam. Convenciam-se que assim fariam companhia uns aos outros e talvez não sentissem falta das antigas donas.
Do lado de fora haviam escrito com marcador grosso: "R.B.L.", isto é, "Rejected But Loved". Assim, podiam esquecer-se sem maldade e passar, com entusiasmo, a brincar com o boneco novo.

É isto que algumas mulheres nos fazem em adultas: enfiam-nos na caixa R.B.L. que lá terão arranjado em tempos; nós, confundidos, insistimos. Sem perceber que aquelas visitas curtas ao sotão não passam, no fundo, de remorsos de pequenita.

segunda-feira, maio 12, 2008

Separados à nascença?



Hizbollah libanês / Guarda Revolucionária iraniana.

sexta-feira, maio 09, 2008

Indagandis et sedibus causas morborum


Chego e sou instalado numa espécie de aparthotel, construido nos anos 80, para artistas convidados. A renda é quase simbólica mas, como que para prevenir tentações meridionais de permanência, impõem-se regras e decoração espartanas.

A ménage das cuecas, por exemplo, faz-se por meio de marcação antecipada. No dia atribuído, recebo a chave (mais uma de uma série de cinco) e um rol de indicações. Mas a exiguidade do meu Hochdeutsch não é páreo para a dinâmica do sotaque local e, durante as minhas buscas pela sala das máquinas, acabo por me perder.

Salva-me a simpatia de uma nativa, a qual, ao ver-me aflito de trouxa e detergente nas mãos, se dispõe a conduzir-me escadas abaixo, por portas travessas, até à cave. Nesta, estende-se diante de mim um corredor ladeado por inúmeras portas de ferro. Olho para a etiqueta da chave e avanço, perscrutando pela correspondência.

Destranca, destranca, puxa alavanca. A sala, com 7 metros de pé-direito, é maior que o apartamento em todas as coordenadas. Sentam-se, lado a lado e insignificantes, a lavadora e a secadora, minguadas que estão pelo espaço vazio. Abandono-as à sua ruidosa tarefa e fecho a sólida porta atrás de mim. Nisto, deixo de ouvir um sussurro que seja.
Cá fora, consigo ver o sorriso da nativa, ao fundo do corredor, com a satisfação de dever cumprido. Isto permite desviar-me de um calafrio mas não consigo apagar a imagem surgida segundos antes na minha cabeça.
Não há dúvida que estes austríacos sempre foram obcecados pelo casario subterrâneo.

Levem lá a água, pués que a terra há-de ser nossa

Sempre desconfiei que o resultado à vista, mais do que uma ironia do destino, já era água levada no bico durante as negociações para o caudal do Alqueva.
Fintam-nos à distância, aqueles ciganos.

quinta-feira, maio 08, 2008

quarta-feira, maio 07, 2008

As casas de Luanda

O 25 de Abril tornou-se consensual. Alguma direita com mais uns dedos de testa sabe que o fim das revoluções, seja ele qual for, entrega-lhe a vitória. A prova é que, há menos de duas semanas, poucos eram aqueles que não enchiam a boca com liberdade e democracia, independentemente da sua orientação eleitoral.

Ora, ele há sítios onde raramente eclodem revoluções. Nessas paragens, as gentes têm não menos carinho pela liberdade e pela democracia mas, em lugar de as celebrarem uma vez por ano, exercem-nas todos os dias.

E não são egoístas com o seu privilégio. Por exemplo, se um governo, seu representante, se porta mal e negoceia com ditadores, irá ter sérias dificuldades em governar os seus representados.
Muito menos uma instituição financeira privada se arroga a alinhar publicamente com governos mafiosos estrangeiros e contra a sociedade civil: era o fim da sua credibilidade e também do seu negócio.

Aqui, não: somos revolucionários em pasto de café. Conquistámos o direito a ruminar enquanto nada se passar connosco. Mas sempre com aquele sentimento de superioridade de quem, "se for preciso", vai lá e parte a loiça toda ao patrão.

E são mais três imperiais, s.f.f..

terça-feira, maio 06, 2008

Acerca das dúvidas sobre a imputabilidade do sr.Fritzl

Imagens de uma prisão na Estíria, Áustria, o Justizzentrum Leoben (página do projectista aqui).

Vista exterior nocturna.


Escadaria interior


Área de convívio social


Área de convívio conjugal


Espaço de reflexão

Eu queria mesmo era o Cartola



Estragam tudo. Marisa Monte? Tá bem, siga. Mas com legendazinhas? Valha-me deus...
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Obrigado ao Origem das Espécies pela lembrança.

sábado, maio 03, 2008

Cara Manuela

A minha Cara Amiga é sem dúvida a melhor entre os candidatos que se apresentaram na corrida à liderança do PSD.

É quem tem a maior possibilidade de derrotar Sócrates.

Mas, para convencer os filiados e os futuros eleitores, por favor apresente alguma idéia.

Não passe a mensagem de que qualquer proposta apresentada nos média actuais é um mero sound-bite. Não entre no jogo deles. Não evite transmitir as suas idéias apenas porque quer evitar a transmissão de sound-bites.

Não faça como Durão Barroso, que nunca transmitiu nenhuma idéia nas suas campanhas mas que acabou por transmitir vários sound-bites. Essa estratégia levou Barroso à presidência da Comissão Europeia mas não levou o país a lado nenhum.

Os meus cumprimentos e desejos de Boa Sorte.

Direitalhaços

José de Pina inventou o conceito de Esquerdalho para designar aqueles indivíduos que se usam na política para se poder dizer que se é de esquerda.

O PS é especialista, claro, na utilização de esquerdalhos: José Sá Fernandes é o Esquerdalho de António Costa, Manuel Alegre é o Esquerdalho do PS, Mário Soares foi o Esquerdalho de Sócrates nas presidenciais e Freitas do Amaral foi o Esquerdalho de Sócrates no Governo.

Mas José de Pina ainda não reparou no reflexo de direita do Esquerdalho. Este pode ser chamado de Direitalhaço.

O que é um Direitalhaço? Ao contrário do Esquerdalho, que já é uma figura conhecida antes de ser Esquerdalho, o Direitalhaço é desconhecido antes de o ser. Às vezes continua desconhecido depois de o ser.

Para que serve o Direitalhaço? Enquanto que o Esquerdalho serve para fazer os eleitores distraídos pensarem que o PS é de esquerda, o Direitalhaço serve para fazer os eleitores distraídos pensarem que o PSD não é verdadeiramente de direita.

O Esquerdalho permite apodar de esquerda, políticas que são de direita.

O Direitalhaço tem uma missão mais ambiciosa: pretende convencer os basbaques que as políticas que defende são as únicas políticas verdadeiramente de direita e, mais ainda, as únicas políticas que poderão tirar a pátria do fétido buraco onde se encontra.

Por onde anda o Direitalhaço? No passado, os primeiros Direitalhaços apareciam e desapareciam em colunas de opinião nos jornais de maior circulação, como fogos-fátuos: uma coluna de um MBA desconhecido a favor da livre iniciativa num jornal semanário aqui, uma página de um jovem prof. da Universidade do Porto denunciando os gastos do SNS e a sua vantajosa substituição pelos seguros privados, escrita desta vez num jornal diário de circulação nacional, etc.

Mas entretanto surgiu a Internet e os Direitalhaços infestam a blogosfera. Há dezenas de blogs, todos eles se ligam uns aos outros e parece que todos os Direitalhaços se conhecem.

Quem são os Direitalhaços típicos hoje em dia?

Apesar de denunciarem a preguiça dos portugueses ( «trabalham como marroquinos» ), os Direitalhaços têm muitas vezes empregos no Estado ou são professores em universidades privadas. De qualquer forma, os seus empregos permitem-lhe passar horas a escrever nos seus blogs e a passear pelas caixas de comentários dos blogs de outros, o que significa que não parece ser necessário que os portugueses deixem de trabalhar como marroquinos para ajudarem à salvação da pátria.

Outra característica que os parece unir é serem quase todos adeptos do F.C. Porto e festejarem as suas vitórias com um permanente e, já inexplicável, espírito revanchista, sempre a lembrar aquele árbitro com nome esquisito (Calabote? Zagalote?) que não quis parar um jogo do Benfica num ano em que o Porto até acabou por ser campeão.

Finalmente, os Direitalhaços são adeptos de uma polícia firme e autoritária, que prenda os malfeitores que infestam este país e o tornam inseguro quando fazem arrastões em Carcavelos ou nos comboios da linha de Sintra. São adeptos de uma lei e de juízes que não libertem os malfeitores que aterrorizam o país.

Assim são os Direitalhaços: entusiastas do trabalho, do respeito e cumprimento da lei, de Pinto da Costa e de Alberto João.

P.S. Quem é o Esquerdalho dos Diretalhaços? É Vasco Pulido Valente, velho e ainda a querer pagar os almoços no Gambrinus, serve para fazer passar a ideia que os Direitalhaços respeitam o regime democrático, as liberdades individuais e a igualdade dos cidadãos perante a lei.

quinta-feira, maio 01, 2008

Há por aí alguma alma caridosa me possa esclarecer?

Os 'k' eu dou de barato, porque poupam-se caracteres e tempo.
K isto depois akabe por se propagar sem proveito é konsekuencia de preguiça mental. Mas esse é o lado para o kual eu durmo melhor.

Agora, o k nunka percebi são os 'x'. Parecem kerer substituir tudo o k tenha memória de 's', seja ele sibilante ou não, dando à konverxa um travoxinho pueril.

Ká pra mim, kotax ou pitax, ixto é elax a faxerm-x ao pixo de uma forma perfeitamente konxtranxedora. Até pk xoa a kumberxa de padre beirão e homoxexual.

Voxês k axam?

Para inglês ver e rir

A denunciar a pressa do provinciano em imitar os civilizados, só cá faltava a tradução à moda de tasca do Algarve:



Dir-me-ão alguns que o que interessa é a qualidade de vida e tal. Muito bem, se é assim, proponho a aposição em todos os passeios de Lisboa, e de outras cidades turísticas, de dísticos vermelhuscos com a advertência "NON CARS".
Também é erro de sintaxe - um carro não pode optar pela sua essência - e perfeitamente inútil, pois a nenhum visitante anglo passa pela cabeça tal barbaridade. Mas pode ser que, imbuídos do mesmo espírito arrivista, os nativos permitissem a entrada nas suas espessas cornaduras de algum conceito vago de vergonha e respeito ao próximo.

É uma idéia, até costumamos ser bons a escrever certo por linhas tortas. A lei, por si só, não funciona.

Porque hoje é dia da Espiga

terça-feira, abril 29, 2008

Não se apanha um vídeo de jeito no youtube, pá



Pelo sr. Hank Williams, Sr.

segunda-feira, abril 28, 2008

Quem é vivo sempre aparece



(ao decalcar o filme tornaram o vídeo fracote. hélas)

sábado, abril 26, 2008

A diferença esteve no "D"

O que têm José Lello (PS) e Valentim Loureiro (PSD) tinham em comum?

sexta-feira, abril 25, 2008

Na Feira, era este o resultado ao intervalo

Betão 1, Natureza 1

Pela boçalidade dos primeiros, pressinto que ainda vai a prolongamento.

quinta-feira, abril 24, 2008

Já alguém os viu ao mesmo tempo e sem um deles estar de costas?





(a propósito deste outro do Esquerda republicana)

segunda-feira, abril 21, 2008

A leste nada de novo

Hoje passei os olhos pelo Blasfémias e só vi falar do PSD e de futebol. Lamento, pois, mas assim não há nada de jeito para gozar.

sábado, abril 19, 2008

Surpreendente

O papa Bento XVI. Rodeado por uma auréola de conservador, a sua atenção aos ritos e ao credo não se resume a uma mera questão formal. Ele quer dar mais verdade à relação entre a Igreja e os Católicos.

De rir à gargalhada

Durão Barroso vai à China, encabeçando um delegeção de 9 comissários, para discutir a actual situação dos direitos humanos no Tibete.

Que não haja ilusões sobre o verdadeiro propósito da viagem. Durão vai aproveitar a situação para extorquir uma série de concessões económicas aos Chineses em troca da conivência e silêncio da União Europeia em relação aos acontecimentos do Tibete.

Que não haja ilusões. Durão vai ser enganado pelos Chineses, mais espertos do que ele.

Para sacana, Santana e meio.

Não deu para resistir - Black Francis

Black Francis precore @ Blytheswood Square Glasgow

A 2ª música é Bird Dream - Pixies ao Vivo

E porque choveu

Mesmo assim, não pioraram muito.

Dose repetida.

Hoje lembrei-me deles

Cher

Porque me apetece.

Porque choveu

A melhor música da Madonna

Independência nacional, liberdade, democracia?

Numa interessante entrevista ao Diário Económico, José Maria Ricciardi, analisa a situação actual.
A entrevista é interessnate, não só pelo que ele diz mas também pelo que não diz.
Sobre a reacção dos Bancos Centrais à crise, elogia a Reserva Federal Americana e critica o BCE. Como se a Reserva Federal não estivesse apenas a repetir a receita que levou à crise actual.
Sobre os produtos financeiros criativos, aponta também o dedo aos bancos centrais por não terem as ferramentas para os controlar. E que tal proibí-los, como muita gente agora advoga? Esses produtos não são desenhados exactamente para escapar à supervisão desses bancos e para esconder dos investidores incautos o verdadeiro risco subjacente?
Não está preocupado com as tomadas de posição dos fundos soberanos. Acha essa tomada de posições legítima e consequente com a evolução da economia. Afinal, as economias Europeia e Americana são economias submergentes. Haverá uma ordem económica diferente.
E a ordem política? Esses fundos, detidos geralmente por estados totalitários, não vão influenciar as condições políticas e as garantias de liberdade dos cidadãos na Europa e Estados Unidos? São esses países tão abertos ao investimentos estrangeiro e ás importações como a Europa eos UUSS? A minha experiência pessoal diz-me que não. O jogo não me parece ser jogado em condições equivalentes.
Gostava de saber a opinião de José Maria Ricciardi sobre estas variantes dos temas que abordou.

sexta-feira, abril 18, 2008

... e a ferradura

Parece que Menezes se demitiu na sequência de uma entrevista de António Borges na RTP1.
Confesso que não acompanhei o processo.
Se foi assim penso que António Borges se devia candidatar á liderança do PSD.
Consciência crítica do partido, gestor de grande reputação, tem agora a oportunidade de aplicar na prática todas as teorias que defende.
Tem a oportunidade de mostrar que a preparação superior que justifica os elevados salários dos gestores do sector privado também pode, com facilidade, trazer melhorias significativas na forma de fazer política.
Como poucos, pode abdicar, por uns anos, do seu salário e contribuir para o bem público, usufruindo dos relativamente modestos salários da classe política.
Pode mostrar que os super-homens modernos que são os gestores de topo lidam com eficácia com a pressão dos media.
Pode mostrar que é possível melhorar as condições de vida dos Portugueses.
Pode mostrar que lida de forma superior com os autarcas e com os líderes de secção do partido.
O mesmo repto é lançado a outros Antónios: Carrapatoso e Mexia e a todos aqueles que se chegaram à frente subscrevendo o Compromisso Portugal.
Carrapatoso pode mostrar, de forma concreta, como aplica as suas teorias de gestão por objectivos no funcionalismo público. ( Quando uma vez inquirido sobre que objectivos se podem atribuir à polícia, atrapalhou-se e respondeu que a polícia não é o sector ideal para definir uma gestão de recursos humanos baseada em objectivos, ignorando que uma das primeiras áreas onde se aplicou essa política foi exactamente na polícia e nas Forças Armadas dos EEUU ).
Tenho a certeza que os funcionários públicos, se devidamente motivados, vão, na sua maioria, responder positivamente ao desafio.
Para assessores podem trazer os jovens, e competentíssimos Turcos, que têm apadrinhado na sua gestão privada.
Se se chegarem à frente tenho a certeza que terão o apoio de muitos Portugueses vulgares, como eu, que anseiam pelo aparecimento de uma nova classe política, competente e capaz de inverter o rumo decadente do nosso país.
Pessoalmente, apoio-os. Juro!

Se não se chegam à frente, ao menos reconheçam que não acreditam na democracia representativa ( ou outra ) e que desdenham a liberdade de expressão.

São nefastas para os negócios.

O cravo...

Luis Filipe Menezes demitiu-se e convocou eleições, agastado com a oposição interna.
Dizem alguns que, independentemente da qualidade do homem, ele deveria ter tido um período de graça para afirmar a sua liderança.
Não concordo.
A democracia não se faz de eleições/plebiscitos que elegem periodicamente ditadores. É um combate diário em que um líder se afirma pela sua autoridade, pela credibilidade e pela capacidade de convencer os outros que a oposição à sua liderança só os prejudicará.
Falando em termos modernos, um líder político democrático afirma-se pela capacidade de retirar incentivos ás atitudes oposicionistas. Um líder democrático convence os outros de que é melhor para eles apoiá-lo do que combatê-lo.
Pela força (do apoio dos pares) e pela persuasão.
Menezes não foi capaz de o fazer, pelo menos com uma única vitória, e tenta reforçar-se com uma segunda.
A atitude é compreensível.
Mas não é legítimo criticar uma opsição interna que se movimentou à vontade e sem receio de eventuais consequências nefastas em termos eleitorais.
É preciso que se perceba isto.

quinta-feira, abril 17, 2008

domingo, abril 13, 2008

F. amazing...

Esta versão fantástica de Timeless Melody dos La's.

A entrevista também merece a pena ser ouvida, pela sua estranheza.

sábado, abril 12, 2008

sexta-feira, abril 11, 2008

quinta-feira, abril 10, 2008

Viva o patrão!

Numa das suas melhores canções.



Quiz: Em que outro lugar encontram o baterista?

Linda!

segunda-feira, abril 07, 2008

Formas de luta

Os governos pouco podem fazer.

As empresas vão ficar quietinhas.

Os atletas podem tomar atitudes passivas mas serão prejudicados e, máquinas como são, não ousarão nada.

Só o público pode fazer alguma coisa. Não ver, levar os shares ao mínimo. Os meios de comunicação podem ajudar: não transmitir, não noticiar, não pagar. Afinal, dependem acima de tudo do público.

As empresas e os governos não poderão ser responsabilizados.

A maior potência do mundo tem de ser uma democracia. O público ficará satisfeito.

É a civilização que está em jogo.

É só para limpar

Foi organizada uma provocação. Os descontentes revoltaram-se e foram mortos ou presos.

O campo está livre para que, na altura certa, os turistas possam visitar a zona sem que as autoridades receiem quaisquer veleidades dos nativos.

Nem verdade nem consequência

Acho piada à amnésia que atingiu os comentadores de direita nos últimos tempos.

As vociferações a favor da liberdade e democracia proferidas durante a crise do Iraque estão agora esquecidas.

Percebo o seu medo mas parece-me ver uma atitude tipo Neville Chamberlain (escreverei sobre ele numa posta futura).

As racionalizações são pífias. Irão acordar tarde demais, como Chamberlain?

Ou vão persistir na cobardia e na hipocrisia?

Eu penso duas vezes antes de escrever algumas coisas neste blogue e não as escrevo.

Afinal o anonimato também tem as suas desvantagens. O anonimato relativo não oferece defesas contra eventuais retaliações que provavelmente pertencem ao campo da paranóia.

Mas esses senhores não escrevem sob a capa do anonimato e as represálias públicas são ainda menos prováveis.

Valha-nos a Inês Pedrosa. Bem haja!

domingo, abril 06, 2008

Do poder

Tropa de Elite

Rio de Janeiro.
Uma Polícia Militar corrupta e extorsionária.
Traficantes de droga armados até aos dentes a dominar as favelas dos morros adjacentes ás zonas turísticas da cidade maravilhosa.
Um grupo de membros da classe média com "consciência social", que fuma erva e se passeia pelas favelas a fazer o bem, com a cumplicidade, retribuída, dos traficantes.
E o BOPE, Batalhão de Operações Policiais Especiais. Uma Tropa de Elite da Polícia Militar, incorrupta, imaculada, que entra pelas favelas adentro para torturar e matar os maus.
O cansaço do Capitão Nascimento, farto de missões violentas e sem sentido.

Este filme fez furor no Brasil durante o ano passado. A classe média (alta) minoritária adorou-o. Os adolescentes correram ás lojas da moda para comprar a réplica das fardas negras do BOPE.

A receita propagandista, já sobejamente conhecida e experimentada com sucesso nos EEUU, teve um sucesso estrondoso.

Na verdade, não há esperança nem gente boa naquele filme: os traficantes, brutais e armados até aos dentes; a Polícia Militar vergonhosamente corrupta; a classe média de esquerda, hipócrita e covarde; os assassinos e torturadores do GOPE.

O filme foi acusado de ser fascista e é injustamente classificado como uma espécie de alter ego da "Cidade de Deus".

Na verdade, o filme realmente foge da solução do problema logo no início. A corrupção na Polícia Militar é apresentada como inevitável. Mal pagos e recrutados à toa, os PMs do Rio não são de fiar.

Pagar melhor à Polícia e aumentar a exigência no recrutamento e formação não cabem no formato propagandista da película. Mas ninguém me convence que, num país de 180 milhões de habitantes, não é possível recrutar e formar 30000 polícias bem pagos e competentes para pôr ordem no Rio.

Agora nem sequer há a desculpa da crise! Mas há quem me diga (um Brasileiro) que não é mesmo possível recrutar 30000 Brasileiros honestos para servir na PM do Rio.

Eu acho que o problema é outro. Uma PM competente e eficaz não se limitaria a prender e pôr na ordem os bandidos, traficantes de droga, que dominam as favelas.

Sairia também para os bairros da classe média e alta para prender os outros bandidos que, sem correr grandes riscos e muitas vezes protegidos pela lei, roubam em grande a riqueza do país e os seus impostos.

E isso aí seria inaceitável! No mínimo, são gente conhecida e amiga, a quem devemos favores ou com quem temos negócios ou relações familiares ou partidárias.

É por isso preferível manter o status quo e enganar a classe média com as acções espectaculares e contra-producentes do BOPE.

Os problemas e a forma de os encarar são essencialmente a mesma coisa no Brasil e em Portugal. As diferenças são a gigantesca dimensão do 1º e o enorme kinship existente numa nação antiga e relativamente homogénea como Portugal.

Mas as semelhanças, dentro das condicionantes acima, são evidentes.

sábado, abril 05, 2008

quinta-feira, abril 03, 2008

Com letra do sr. García Lorca e música do sr. Cohen



Vou para ali e sabe deus quando volto.

quarta-feira, abril 02, 2008

terça-feira, abril 01, 2008