quarta-feira, março 31, 2010

Queria perdoar-lhe o Rei benigno, Movido das palavras que o magoam; Mas o pertinaz povo e seu destino (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam

Inês de Medeiros e o partido socialista consideraram que a primeira teria condições para ser deputada por Lisboa mesmo vivendo em Paris.

É de 'Homem', por ambas as partes. Por exemplo, eu não teria condições para ser deputado de todo, nem que vivesse no telhado de S.Bento. Mas também tenho a certeza que, caso o PS tivesse conhecimento da minha existência, e pelo menos neste aspeto, estaria de acordo comigo.

Dado que o parlamento ainda não é itinerante, a lei concede aos deputados da Nação - claramente e sem excepção - o direito a viagens pagas ao domicílio de cada um.
Nada do outro mundo quando até empresas privadas dão ajudas de custo em casos semelhantes. Não só é legal como é legítimo.

Mas depois de eleita a senhora, dá ideia que toda a gente se esqueceu disto e questiona-se a ética da própria e a do partido (está na moda).
Ora bem, se não queriam uma deputada por Lisboa a passar fins-de-semana em Paris, não votavam nela. Se não votaram por este motivo mas mesmo assim ela foi eleita, aguentem-se à bronca: chama-se a isso 'democracia'.

Desculpam-se dizendo que não é possível separar os deputados de acordo com as nossas objecções ou preferências, que se vota numa lista e não em pessoas.

Ah, pois. Isso sei eu. Neste sistema eleitoral apenas temos o poder de dar carta branca ao diretório de um partido.
Obviamente que quem aceita esta situação, nada mais tem a dizer. De acordo com toda a legalidade e legitimidade.

terça-feira, março 23, 2010

Risque o que não interessar

Na América do Sul/Norte, uma lei que obriga os cidadãos a comprar um seguro a companhias privadas é considerada capitalista/socialista.

Those were the days

Hollywood (e Maureen O'Sullivan) antes do Código de Hays...

Tarzan and his mate, 1934




... E depois...

Tarzan finds a son!, 1939




Nota de rodapé: Lembro-me de ter visto algures imagens da cena final de um filme extraordinário, ainda mudo, onde uma centena de figurantes foi sentada à mesa de um banquete sumptuoso. Depois de comidos e bebidos, receberam instruções da produção para se comportarem exatamente como se o fim do mundo fosse mesmo amanhã. O bacanal foi tamanho que alguns destes "atores" e "atrizes", por serem menores na altura, nem puderam assistir à exibição nos cinemas.

No ponto



No dia em que o comprei guardei-o numa mochila. À noite, no regresso a casa, o táxi teve um furo. Não sei porquê, tirámos as mochilas do banco de trás enquanto o taxista mudava o pneu. Chovia.
No dia seguinte reparámos que o livro estava encharcado. Demorou quase uma semana a secar no chão do escritório, à frente do ventilador. As páginas ficaram enrugadas e amareladas.
A princípio fiquei contrariado, mas agora parece que o aspecto do livro está mais de acordo com o seu conteúdo do que quando o tirei da prateleira na livraria.

Hoje termino-o. Por coincidência, no dia em que Akira Kurosawa faria 100 anos.

domingo, março 21, 2010

A intifada dos atrasados mentais

Parece que duas excursões de trogloditas desataram à pedrada uma à outra e aos carros de pessoas que passavam na autoestrada.

Com a polícia portuguesa é sempre a mesma coisa: quando era mesmo útil ter um ou dois de gatilho fácil por perto, ninguém se chega à frente.

sábado, março 20, 2010

Os trombones de piston...



...são outra coisa que também me faz feliz.

Estas coisas...



...fazem-me feliz.

sexta-feira, março 19, 2010

terça-feira, março 16, 2010

Morreu o pai do Geraldão

Glauco Villas Boas e seu filho foram mortos a tiro em sua casa, na passada sexta-feira.

Glauco, juntamente com os companheiros de subversão Arnaldo Angeli e Laerte Coutinho (com os quais colaborou na Chiclete com Banana), fazia parte de uma geração fantástica de cartunistas brasileiros 'nascida' após a queda da ditadura militar.



Apesar da distribuição errática em território português, li muito na adolescência o seu fanzine Geraldão, centrado no onanista do mesmo nome - trinta anos, cheio de vícios e que ainda vive com a mãe. Mas os meus preferidos sempre foram o casal Neuras, o melhor retrato em 'quadrinhos' do pior que as relações têm.
Fica uma tirinha para exemplo, dentro do que pude encontrar na net:



Este é daqueles que me vai deixar com saudades.

domingo, março 14, 2010

Deprimente

Desde 1998 que morreram 5.4 millhões de pessoas no Congo em resultado da guerra.

Eu quero é o "conflito israelo-árabe", os média, os americanistas de cátedra e os imbecis de lencinho à iasser arafate vão todos para a puta que os pariu.

Já a propósito de uma conversa matinal, lembrei-me de um outro pormenor não menos construtivo

O primeiro-ministro do Reino Unido tem um doutoramento em ciências políticas mas ninguém lhe chama "doutor".

sábado, março 13, 2010

Assim de repente, lembrei-me de um pormenor ainda mais edificante

Durante mais de vinte anos, a Alemanha tem conseguido manter a sua taxa de desemprego nos 10%.

sexta-feira, março 12, 2010

Assim de repente, lembrei-me de um pormenor edificante

Estas agências de rateio são as mesmas que davam AAA+ a todo o santo subprime que viam à frente.

Não gosto de bullying

Prefiro "judiar".

Já agora, meus grandes parolos, shotgun escreve-se "caçadeira".

quarta-feira, março 10, 2010

Desiderato



Noite ociosa. Está um frio desgraçado lá fora e há horas que só dão saltos olímpicos na Fernseher.

Ligo o skype. O R. não falha.
Desterrado em Bournemouth, onde partilha casa com outro académico, espera todas as noites pelo online da namorada nova, jornalista anglo-italiana, recém-divorciada, que conheceu durante um fim-de-semana em Londres. Aproveitando o atraso costumeiro, trocamos comentários sobre os current world affairs, como se ainda estivessemos no bar do college, fazendo-nos ouvir por outros, fígado fresco e presunção a condizer.

A conversa acaba por voltar às idiossincrasias da freelancer londrina e, naturalmente, a assuntos de saias em geral. Daqui, chegar ao flatmate seria inevitável. Acontece que está deveras impressionado com a capacidade assustadora que o mesmo tem para arrebanhar mulheres. "Cada noite dorme com outra, seja solteira, casada, ou assim-assim". Faz uma pequena pausa e acrescenta "a semana inteira!".

Dado que nos conhecemos há já alguns anos, não consegui evitar sentir uma pequena picada no ego. Tentei disfarçar (mal) o desconforto, tendo-me saído com qualquer coisa como "De facto, impressionante. Com certeza, pensar em variantes diárias à meia dúzia de rotinas que uma sedução implica deve obrigar a um esforço admirável..."
"Oh, percebeste mal", interrompeu, "o J. não se maça com conquistas. Nem tem absolutamente critério algum para escolher com quem se deita. O truque que revela, orgulhoso, quando insiste em dispensar conselhos, é terrivelmente simples: lower your standards".

Я очень рад, ведь я, наконец, возвращаюсь домой

terça-feira, março 09, 2010

Pedro encontra Inês



Mas afinal era Katyia.
Daqui.


Dedicado aos irredutíveis que nos leem e em comemoração do quarto aniversário deste blogue, há um mês atrás.

quinta-feira, março 04, 2010

Parabéns, Mrs. Gobley



Uns whiskeys, umas guinesses e um maço por dia. E 100 anos de vida.

quarta-feira, março 03, 2010

A mediocridade de Henrique Raposo

Escreve o inefável cronista no Expresso online (2 de Março):

I. Numa entrevista ao i, Christopher Hitchens mostra, mais uma vez, que não consegue ou não quer compreender a pulsão religiosa dos homens. Isto porque Hitchens vê na religião uma espécie de fascismo travestido (que bela palavra, dr. Sócrates). Hitchens é daquela família de esquerdistas que deixou de pensar quando o fascismo e o nacionalismo acabaram na Europa. Sem o velho "inimigo" contra quem lutar, este esquerdismo não consegue pensar. Donde nasce a necessidade de transformar a religião numa espécie de fascismo que engana as pessoas com promessas divinas.

Hitchens tem sessenta anos. Quando tinha vinte e cinco, idade de alguma razão, já os fascismos de paixão católica (Franco ou Salazar) tinham morrido. Pelas minhas contas, resta o comunismo.
Por miúdos, o escritor esquerdista é hoje ateísta porque não tem aquela ideologia ateísta contra a qual lutar.
Tudo lógico no pequeno mundo de Henrique Raposo.

II. Além desta ira irracional que lhe tolda o pensamento, Hitchens revela o pecado da preguiça. Quando compara, de forma leviana, a religião ao fascismo, este nosso esquerdista esquece o papel essencial da religião na luta contra os totalitarismos do século XX (quer fascismo, quer comunismo).

Com esta prova da treta, e presumindo que admite a distinção, Raposo esquece o papel essencial do comunismo na luta contra o fascismo e vice-versa... Decerto, estará toldado com alguma falta de racionalidade. Com ou sem ira.

Depois, a suposta "novidade" de Hitchens tem, na verdade, cerca de dois séculos. No século XIX, já havia gente a fazer carreira intelectual através de frases como "a religião envenena tudo". É por isso que mais vale ler os originais, que estão nas bibliotecas sobre o século XIX.

Depois, vem o argumento à café, o "isto já tem barbas" que geralmente serve para insinuar cultura ante a plebe deslumbrada. Sine ratio (eheh), não passa de escatologia.
Segundo Henrique Raposo, Nietzsche, Heidegger, ou Marx vendiam banha-da-cobra mas era da boa porque na altura era original. O próprio, por outro lado, presumo que se liberte do fardo das suas excelsas meditações por necessidade puramente higiénica.

III. Hitchens deve tudo a Deus. Sem Ele, Hitchens não existia intelectualmente. E é por causa deste ateísmo "cool" e preguiçoso que nunca digo que sou ateu. Sou agnóstico. E, como agnóstico, digo que é mais fácil falar com um crente do que com um ateu. Aliás, é impossível dialogar com um ateu. A intolerância, no início do século XXI, aqui na Europa, está do lado dos ateus.


Uma alteração biológica, algures no passado das espécies que nos antecederam, trouxe-nos vantagens determinantes para a nossa propagação. Ao mesmo tempo, tornou-nos, por defeito, em animais capazes de imaginar o sobrenatural. Discutir o que seja desistindo da razão, como faz um crente, é voltar a tempos de sobrevivência incerta e temor dos céus.
Tempos aqueles quando, pelas mesmas razões, pouca tolerância decerto haveria para com intelectuais que pusessem em causa a crença maioritária.

Pelo contrário, quando se trata de identificar uma causa de injustiça e violência - como o é tantas vezes a religião -, e combatê-la sem bombas ou inquisição, a tolerância mora em pouco mais lugares que aqui, na Europa do séc. XXI.

A prova está em um comentador tão medíocre como Henrique Raposo conseguir escrever para um jornal sem que este facto perturbante faça o mesmo descer a pique nas tiragens.

domingo, fevereiro 28, 2010

Haverá questões mais prementes para um chefe de Estado? Há, mas não seria a mesma coisa



Lista completa aqui (onde os EUA e o friendly neighbour to the north têm direito a lista destacada).

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Declaração de interesses: para o caso de ainda ninguém ter dado por isso, sou monárquico e, como tal, NÃO apoio nem simpatizo com qualquer candidato ou futuro candidato à presidência da república portuguesa).

Para confirmação da análise frenológica prévia



Nem de rir conter me posso.
Tenham medo, tenham muito medo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ele há cientistas sem noção de marquetingue

"I don't believe the killer whale purposely intended to kill the woman"

Nancy Black, bióloga marinha.

domingo, fevereiro 21, 2010

Em tempos de crise, negócios seguros

Paladinos da democracia

O Sol é um jornal que "luta" pela liberdade de imprensa em Portugal ao mesmo tempo que prefere censurar a sua edição angolana.

Outra coisa não se esperava de JAS. Também no passado e sempre que necessário, a distribuição do Expresso na Madeira apresentava-se com frequência numa versão convenientemente menos espessa.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Coisas realmente importantes

A hifenização em "Aguiar-Branco" é da autoria do próprio ou da imprensa?
Não de propósito, lembra-me os bons velhos tempos do "Cavaco e Silva".

C'est ci n'est pas sur la politique



A pose, o excesso de melena a compensar feições oligofrénicas. O sorriso escarninho, os olhos afastados, heterotrópicos, o queixo retraído. O casaco indiferente ao baixo abdómen apesar do esforço dos botões de punho. A "consolidação de carreira" aos 36 anos (sic) sonhada na revalorização patética do nome.

Tudo nele me recorda os muitos maridos que igualmente conheci apenas por retrato ou por telefone.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Off-shore* tax heavens: Portugal

Excusam os liberalinhos ultramontanos de estrebuchar que quem fala assim é o Telegraph. Mais idóneo é difícil.

«Case study

You can save €60,000 by careful tax planning. George, 60 and a widower, is about to become a Portuguese resident but remains UK domiciled for now.

The calculations below show how much tax George would pay were he to be taxed at the standard rates, and also how much tax he could save by investing tax-efficiently. If George were to be taxed on his income under the standard position his liability would be €87,244.72.

However, only 15 per cent of pension income is taxable 85pc is tax free (annuity treatment). Investment income: place investments in a tax wrapper - George can draw £800,000 tax-free, all gains and income roll up tax-free.

On this basis, he will have no tax on this income in Portugal for 20 years. Sell the UK house whilst Portuguese resident and in the UK tax year after departure – no Portuguese capital gains tax and no UK capital gains tax.

Invest in a tax wrapper, and extract original capital tax free, as above. Gift shares in the company to Discretionary Trust with no UK IHT (100 per cent exempt…Business Property Relief). The dividends can be paid tax free to Trustees, and tax free from Trustees to George.

With these changes his total total tax charges amount to €429.73 – a saving of €67,593.69.»


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*Não, a Madeira não é para ali chamada.

ADENDA...

"The reports of my death are greatly exaggerated"

A maior parte da dívida grega repousa em bancos europeus.

Javier Krahe



... um verdadeiro "grande de Espanha".

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Agora mais a sério

Paranóico, pois. E em excelente companhia.


Perigos próximos

"Leio que« elementos do Centro Nacional de Inteligência, a secreta espanhola», estiveram em território português sem referir à sua congénere.É mais do que uma descortesia.É uma desconfiança que se instala dos dois lados da fronteira."


Medeiros Ferreira, no Córtex frontal.

E quando parecia que a escatologia nacional se tinha esgotado, eis que...



Ou então, Bere ke Aravexun Trebadeń di Leukitanea!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Assim, tipo fé-divére de telejornal


'O' Gladiador (por antonomásia) era... Português!

Explicamos já: a certa altura, Maximus Decimus Meridius, o personagem de Russell Crowe, revela querer voltar para sua casa, em Trujillo... Acontece que Trujillo fica 160km a leste do Marvão, ainda em território da província romana da Lusitânia!!

A mim, nunca enganaram. Com aquele mau-feitio, como podia ser espanhol?
Nem calculam o meu ressaibo quando no filme gritam por 'Spaniard', pás.

A propósito das quantidades de explosivos e tal

A GNR agora reporta ao governo espanhol e este corrige-a ou como é que é?

domingo, fevereiro 07, 2010

Canadá em ditadura

Desde 3 de Dezembro de 2009 que o parlamento canadiano se encontra fechado por ordem do primeiro-ministro Stephen Harper e com beneplácito da rainha, Isabel II.
Dada a minoria parlamentar do seu partido, Harper pretende governar por decreto até, pelo menos, Março de 2010.

Espera-se, a qualquer momento, que ecloda a revolução que libertará o povo canadiano da tirania monárquica e o traga, finalmente, para o convívio civilizado entre as modernas nações republicanas.

Dos historiadores

Dividem-se entre bons e maus, enviesados ou exaustivos, de esquerda ou de direita, monárquicos ou republicanos.

Para além disto, é ainda possível encontrar no mesmo historiador relatos, referências e opiniões que são fidedignos, outros que são falsos, e outros que são assim-assim.

Como disse Montesquieu (mais ou menos, que a memória é fraca),
«Preferimos ler aquilo que suspeitamos confirmar as ideias que já temos formadas».

Do pluralismo republicano

Por Fernando Rosas, um conhecido historiador de extrema-direita:

«[A República é] Colonial, patriota. Daí a matriz colonialista da República. O primeiro ensaio revolucionário para derrubar a monarquia é o 31 de Janeiro de 1891, precisamente um ano depois do Ultimato.»

«Os carbonários não desaparecem em 1910, transformam-se numa espécie de milícia informal do Partido Republicano, da ala de Afonso Costa, a ala mais jacobina.»

«O Afonso Costa é o homem do equilíbrio orçamental em moldes conservadores, equilibrou o orçamento com a mesma técnica do Salazar.»

«É preciso perceber que nem tudo foi a ditadura militar que começou. A ditadura militar refinou instrumentos que é a República que inaugura, como as deportações sem julgamento para África dos suspeitos de pertencerem à Legião Vermelha, uma organização que não se conhece bem hoje. Alguns são executados sumariamente na rua pela polícia. Apesar de a greve ser teoricamente permitida, houve muita gente morta, sindicatos encerrados, jornais apreendidos.»

Na entrevista do dia 2, este grande talassa ainda tem o desplante de afirmar que o melhor livro que se escreveu sobre o 5 de de Outubro foi o "O poder e o povo" (tese de doutoramento de V.P. Valente).

Posta humildemente dedicada ao Ricardo Alves, com quem me é impossível competir em matéria de leituras sobre a primeira república.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

"Em lances de amor a mentira é um dever."*

"Afonso Costa forçou ainda a entrada de Portugal na I Guerra Mundial (1914-1918). Em dois anos, houve quase tantos mortos como nos treze anos de guerras coloniais entre 1961 e 1974. É com este regime que a nova democracia portuguesa se quer identificar em 2010?"

É o que escreve o historiador Rui Ramos aqui.

Citei-o recentemente numa troca de comentários com o Dorean. Agora arrependo-me.
Ao acusar Afonso Costa de forçar a entrada de Portugal na 1ª Grande Guerra, Rui Ramos ou é ignorante ou está de má fé (enquanto historiador nenhuma das hipóteses lhe fica bem).

Uma das razões para a entrada da Alemanha na guerra foi a tentativa de aumentar a sua influência colonial em África, retirando-a à França, à Bélgica e a Portugal.
O governo português "ignorou" o ataque alemão ao posto fronteiriço de Maziúa, em Agosto de 1914. "Ignorou" entre aspas porque tentou responder (de forma desastrosa, é verdade) aos ataques em solo moçambicano e angolano.
O governo português ignorou, enquanto pôde, a pressão inglesa para que Portugal abandonasse a neutralidade.

Mas o que é que Rui Ramos acha que o governo da República devia fazer quando, em Março de 1916, a Alemanha declarou oficialmente guerra a Portugal? Será que ele acha que a solução teria sido outra caso o regime não tivesse mudado? Ou está só a ser demagogo?


* Ramon de Campoosorio

No comment

Os títulos da república

Após a queda da monarquia nos dois países germânicos, os títulos de nobreza ou fidalguia foram coerentemente proibidos. Contudo, a malta não achou piada e tratou de mudar legalmente o seu apelido por forma a incluir neste o antigo qualificativo nobiliárquico.
Por exemplo, Claus Graf von Stauffenberg (Tom Cruise em Valkyrie), era no tempo da outra senhora simplesmente Claus von Stauffenberg.
Toma lá e vai buscar.

Os burgueses, estranhamente, não foram tão coerentes consigo próprios. Apesar da proibição que impuseram aos outros, os republicanos austríacos* garantiram desde logo a manutenção dos títulos académicos no nome do respectivo cidadão. E assim, o primeiro chefe de governo em 1918 é desde o início introduzido como Dr. Karl Renner.
Quer por arrivismo de uns ou provincianismo de outros, manteve-se a tradição e, hoje em dia, é habitual encontrar nas portas dos domicílios verdadeiros comboios onomásticos, transpirando exclusividade, como "Univ. Prof. Dr. Dipl.-Ing.". Ou tratar a mulher de um médico por "Frau Doktor". Ou, inclusivé, requerer o mestrado para uma carta de condução.

Só quem não conhece as nossas sociedades dirá que desta vaidade mal não vem ao mundo. Entre outros preconceitos que se mantêm, não me parece nada republicano que seja improvável a eleição de um primeiro-ministro em Portugal sem que este se apresente dotado de algum prefixo universitário.

Spot on, caro Vital Moreira, spot on...

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*Sobre o equivalente português, as comemorações deste ano serão prolíferas em exemplos...

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

FPÖ chega a 32% de intenções de voto



A verdade é que os austríacos têm um talento especial para fazer de nazis.

Para trabalhar no ionline, nem sequer é preciso saber inglês

A notícia propriamente dita: um biólogo da universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, acaba de descobrir como produzir artificialmente tecido para reconstrução do corpo penial (enxerto).

A língua macaca: A publicação semanal Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), como não tem tradução no google, passa a ser uma tal de «Academia Nacional de Procedimentos Científicos dos Estados Unidos».

O título escolhido para associar à vetusta mas imaginária instituição: «"Enlarge your penis" deixou de ser Spam»

Lindo.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Celebração cor-de-rosa


Deixa ver...

Quando, dezanove* anos mais tarde, os patriotas da bandeira ibérica tomaram o poder, atiraram-se aos ingleses como leões, certo?

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*que desatenção!

sexta-feira, janeiro 29, 2010



One of these nights I may just
Jump down that rainbow way, be with my baby, then
We'll spend some time together
So hologramic, oh my T V C one five
My baby's in there someplace
Love's rating in the sky
So hologramic,
oh my T V C one five

terça-feira, janeiro 26, 2010

As comemorações do centenário da república já começaram


Na passada quinta-feira, dia 21, o partido no poder em Angola fez aprovar um novo projecto de constituição que prevê a eleição do Presidente da República pela Assembleia Nacional (...)

(José Eduardo Agualusa, i, 25I10)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

À atenção do Público*

Guardian editor hits back at paywalls

*Não é a copiar grafismos que chegam lá.

Pedro e o lobo

Nem vos passa pela cabeça como estou, para variar, siderado.

E agora, OMS?

Os cães ladram e a caravana continua atolada

Cavaco ou Alegre?
Centenário ou Papa?
Lino ou Mendonça?
Leite ou Coelho ou Rangel ou Aguiar ou Marcelo ou Pereira?
Pinto da Costa ou João Jardim?

quinta-feira, janeiro 21, 2010

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Não aprendemos nunca, 2

Através do Claro, tomei conhecimento que Ferreira Leite também é capaz de falar no que não deve e decidir o que não pode. Poupo-a a mais pois não é governante ainda.

Mas consta que, como o outro, terá conhecimentos de economia e não há explicação honesta para a barbaridade que saiu na sua crónica de Natal no Expresso (24XII09, sem linque).

Resumindo, o economista (um professor de Lisboa, meu deus!) que é ministro das Obras Públicas acha que um comboio de alta velocidade serve para trazer banhistas para a deprimida Lisboa (na prova por absurdo, bastava verificar que Madrid está equidistante de toda a costa ibérica).

Para não ficar atrás, a economista que é líder da oposição acha que o superdesenvolvido Alentejo não tem precisão de aeroporto, presumindo nós que será por nada valer como destino turístico europeu (para além das outras mil-e-uma outras potencialidades, vidé exemplo dado por José Mateus).

Como curiosidade, e tal como Cavaco, ambos estes iluminados são obra do ISEG (honra seja feita, ao menos Ferreira Leite aventurou-se um bocadinho para fora da alma mater).

São as elites que merecemos.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Das metáforas 2

A ligação do TGV a Madrid (quer queiram quer não) é tão boa que obrigará o Le Monde a colocar rapidamente um correspondente em Lisboa.

Das metáforas

Alguns anos atrás, fui ter com uns amigos ao "bar das palmeiras". Vinha diretamente do norte, onde havia passado a semana em trabalho e, como não tive tempo de ir a casa antes, entrei pelo antigo reduto do PSR adentro de gravata e fato de três peças e botões de punho e tudo.

Lá olhar, olharam muito. Mas, a bem dizer, também ninguém me chateou ou barrou a entrada.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

The different terror threat levels around the world

chegou-me por email; desconheço o autor mas suspeito que seja australiano...

The English are feeling the pinch in relation to recent terrorist threats and have raised their security level from "Miffed" to "Peeved." Soon, though, security levels may be raised yet again to "Irritated" or even "A Bit Cross."
The English have not been "A Bit Cross" since the blitz in 1940 when tea
supplies all but ran out. Terrorists have been re-categorized from "Tiresome"
to a "Bloody Nuisance." The last time the British issued a "Bloody Nuisance"
warning level was in 1588 when threatened by the Spanish Armada.

The Scots raised their threat level from "Pissed Off" to "Let's get the Bastards" They don't have any other levels. This is the reason they have been used on the front line of the British army for the last 300 years.

The French government announced yesterday that it has raised its terror alert level from "Run" to "Hide". The only two higher levels in France are "Collaborate" and "Surrender." The rise was precipitated by a recent fire
that destroyed France 's white flag factory, effectively paralyzing the country's military capability. It's not only the French who are on a heightened level of alert.

Italy has increased the alert level from "Shout loudly and excitedly" to "Elaborate Military Posturing." Two more levels remain: "Ineffective Combat Operations" and "Change Sides."

The Germans also increased their alert state from "Disdainful Arrogance" to "Dress in Uniform and Sing Marching Songs." They also have two higher levels: "Invade a Neighbor" and "Lose".

Belgians, on the other hand, are all on holiday as usual, and the only threat they are worried about is NATO pulling out of Brussels.

The Spanish are all excited to see their new submarines ready to deploy. These beautifully designed subs have glass bottoms so the new Spanish navy can get a really good look at the old Spanish navy.

Americans meanwhile and as usual are carrying out pre-emptive strikes, on all of their allies, just in case.

And in the southern hemisphere...

New Zealand has also raised its security levels - from "baaa" to "BAAAA!".
Due to continuing defense cutbacks (the air force being a squadron of spotty teenagers flying paper aeroplanes and the navy some toy boats in the Prime Minister's bath), New Zealand only has one more level of escalation, which is "Let's hope Australia will come and rescue us".

Australia, meanwhile, has raised its security level from "No worries" to "She'll be right, mate". Three more escalation levels remain: "Crikey!', "I think we'll need to cancel the barbie this weekend" and "The barbie is canceled". So far no situation has ever warranted use of the final escalation level.

...

The Portuguese, acrescento eu, passaram para "alerta laranja" mas a população divide-se entre aqueles que acham que é tudo uma artimanha do Benfica contra o Pinto da Costa, aqueles que defendem o exacto oposto e aqueles que já não se lembram de ter tido outra cor de alerta desde os fogos do verão passado.

domingo, janeiro 17, 2010

sábado, janeiro 16, 2010

Não aprendemos nunca

Acerca de um trajecto mais que imposto por quem se deve rir muito com as querelas dos autóctones, um ministro da república invoca a glória tunisina de se transformar Lisboa na estância balnear dos outros.

Parolo vulgaríssimo, o homem é a perfeita negação de um estadista: decide quando não pode, fala no que não deve. E toma, ufano, a ordenação de território por estratégia de centro comercial.

Uma coisa, porém, é certa. Se entretanto esta espécie de pato-bravo algarvio não for convidada a seguir para o olho da rua, areia é coisa que não faltará para as praias da capital portuguesa. E ao ritmo desta produção, é capaz mesmo de dar para cobrir o país até à fronteira com Olivença.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Reino de Redonda


Marías's novel, Todas las almas (All Souls), included a portrayal of the poet John Gawsworth, who was also the third King of Redonda. Although the fate of this monarchy after the death of Gawsworth is contested, the portrayal by Marías so touched the "reigning" king, Jon Wynne-Tyson, that he abdicated and left the throne to Marías in 1997. This course of events was chronicled in his "false novel," Dark Back of Time. The book was inspired by the reception of Todas las almas by many people who, falsely according to Marías, believed they were the source of the characters in Todas las almas. Since "taking the throne" of Redonda, Marías has begun a publishing imprint named Reino de Redonda ("Kingdom of Redonda").

Marías has conferred titles during his reign, including upon Pedro Almodóvar (Duke of Trémula), António Lobo Antunes (Duke of Cocodrilos), John Ashbery (Duke of Convexo), Pierre Bourdieu (Duke of Desarraigo), William Boyd (Duke of Brazzaville), Michel Braudeau (Duke of Miranda), A. S. Byatt (Duchess of Morpho Eugenia), Guillermo Cabrera Infante (Duke of Tigres), Pietro Citati (Duke of Remonstranza), Francis Ford Coppola (Duke of Megalópolis), Agustín Díaz Yanes (Duke of Michelín), Roger Dobson (Duke of Bridaespuela), Frank Gehry (Duke of Nervión), Francis Haskell (Duke of Sommariva), Eduardo Mendoza (Duke of Isla Larga), Ian Michael (Duke of Bernal), Orhan Pamuk (Duke of Colores), Arturo Pérez-Reverte (Duke of Corso), Francisco Rico (Duke of Parezzo), Sir Peter Russell (Duke of Plazatoro), Fernando Savater (Duke of Caronte), W. G. Sebald (Duke of Vértigo), Luis Antonio de Villena (Duke of Malmundo), and upon Juan Villoro (Duke of Nochevieja).

In addition, Marías created a literary prize, to be judged by the dukes and duchesses. In addition to prize money, the winner receives a duchy. Winners: 2001 John Maxwell Coetzee (Duke of Deshonra); 2002 John H. Elliott (Duke of Simancas); 2003 Claudio Magris (Duke of Segunda Mano); 2004 Eric Rohmer (Duke of Olalla); 2005 Alice Munro (Duchess of Ontario); 2006 Ray Bradbury (Duke of Diente de León); 2007 George Steiner (Duke of Girona); 2008 Umberto Eco (Duke of la Isla del Día de Antes); 2009 Marc Fumaroli (Duke of Houyhnhnms).


Alguém sabe se o Tu rostro mañana, a trilogia policial menos Larssen do mundo, está ou irá ser traduzida para português? Pode ser a 60 euros o quilo (eu quero lá saber!), desde que não que seja via inglês (a edição que já percorri e olhem que, francamente...).

P.S.: Soube agora que hoje morreu o duque de Olalla. RIP.

Pride goeth before destruction, and a haughty spirit before a fall*

Se a Liga dos últimos fosse um blogue era assim.

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* tanto, tanto que haveria para dizer sobre isto mas não tenho tempo

domingo, janeiro 10, 2010

O que está a dar é jovens nórdicas em cima de bicicletas

The hard sell

Mariconera para machos:


(daqui)