quarta-feira, abril 29, 2009

Isto, no fundo, é muito complicado

"Reconversão Urbana
29.04.09 | 1 Comment


As cidades estão desertas… o vento corre nas vielas e assobia… as noites são tenebrosas e assustam… mas os suburdios estão na mesma… e o petroleo a subir… e você, depois de 3 horas de trânsito tem 10 segundos para usufruir da sua sala de estar com lareira e 50 metros quadrados. O tempo ideal para adormecer no caminho antes de chegar ao quarto porque já só tem 3 horas para dormir.

E isto porque tudo, porque você, sua besta, resolveu comprar casa no cu de judas, onde não tem nada, só porque era barato e grande. Grande devia ser o $%&# que o $%&&#$$ no dia dessa decisão. Então não era melhor ter comprado casa na cidade ó estupido?

Vivias perto do emprego, andavas a pé, passeavas na cidade e isto já não era um deserto. E mais, os montes da Amadora e Queluz eram verdes, não tinham predios e não havia cheias em Algés."



Ah, pois. E dinheiro para comprar o autómóvel?
Ainda para mais agora, que Lisboa vai ter catorze pontes e vinte e sete túneis, fica tão conveniente viver no Porcalhota Villla-Park, Regueirão, Sarrabulheira-de-cima.

Anita Ward - "Ring My Bell"

Buum!

Buum!

Buum!

Ah... E eis que começa a estação do bar-be-queue

Pode ser que agora as redes de média mostrem números mais conservadores

A última actualização da WHO já vem em inglês:

"Swine influenza - update 4

28 April 2009--The situation continues to evolve rapidly. As of 19:15 GMT, 28 April 2009, seven countries have officially reported cases of swine influenza A/H1N1 infection. The United States Government has reported 64 laboratory confirmed human cases, with no deaths. Mexico has reported 26 confirmed human cases of infection including seven deaths.

The following countries have reported laboratory confirmed cases with no deaths - Canada (6), New Zealand (3), the United Kingdom (2), Israel (2) and Spain (2)."


São sete mortos. Sete. No mundo inteiro. 7.

terça-feira, abril 28, 2009

Serviço público: www.PauloQuerido.pt

"Os números da gripe suína

Segundo a fonte mais credível que detectei — a Organização Mundial de Saúde, WHO –, os números da gripe suína ao final do dia de ontem eram estes, regulados ainda pelo Emergency Committee, que reuniu precisamente ontem:
EUA - 40 (quarenta) casos confirmados em laboratório, nenhuma morte;
México - 26 (vinte e seis) casos confirmados de infecção em humanos, que incluem 7 (sete) mortes;
Canadá - 6 (seis) casos, nenhuma morte;
Espanha - 1 (um) caso, nenhuma morte.
(fonte: WHO)

Ritmo de menções a “swine flu” ou apenas “flu” no Twitter, ontem: 10.000 por hora. Na mesma rede os portugueses fizeram 25 citações por hora de “gripe” e “flu” (fonte: TwitterPortugal)

O Emergency Comittee da World Health Organization subiu de 3 para 4 o nível de alerta para uma pandemia do vírus H1N1. Esta mudança indica que a probabilidade de uma pandemia aumentou mas não é certa ou inevitável.

Enquanto isto, ontem e apenas ontem morreram em todo o mundo, apenas de diarreia, perto de 50.000 crianças (fonte: Nações Unidas)

Apenas esta semana morreram somente em Portugal e unicamente de cancro na laringe tantas pessoas — 7 (sete) — como as vitimadas em todo o mundo pelo corrente surto de gripe suina.

Talvez este seja um bom momento para respirar."


(negrinhos e itálicos meus)

Daqui.

E, no meio do pânico geral, o calmo delírio do multiculturalismo

In Israel, where there is one suspected case, the deputy health minister, Yakov Litzman, said the disease will not be known as swine flu, because religious Jews do not eat pork. "We will call it Mexico flu. We won't call it swine flu," he said.

domingo, abril 26, 2009

sem título

Andar de carro mata

Mais de 2000 mortes prematuras causadas directamente pela poluição de Londres em 2008. Muitas mais em resultado de combinação com outras doenças.

Em Portugal continental, foram quatro mil em 2004.

Há mais gente a morrer por causas atribuíveis ao cigarrinho? Pois há. Mas estes mataram-se a si próprios.

Os 5 370 000 carros que mandam nas cidades portuguesas matam toda a gente.

Porque hoje é domingo e faz solinho lá fora

E quem não têm pássaro, caça com porco


Mais um pânico, mais uma corrida.

Completamente a despropósito, na sexta-feira, 24, a cotação da Roche Hldg AG (Tamiflu) fechou a USD 30.40 e a GlaxoSmithKline plc (Relenza) a USD 29.34, quase metade dos valores de 2007.
Será que os mercados recuperam amanhã?

Afinal, foi até ontem

Estava no México.

sábado, abril 25, 2009

Creepiest 4 minutes of children's tv ever

Various Artists - Perfect Day

Entretanto, algures na Polónia (creio)



... Embora pudesse passar-se em qualquer zona rural da Europa.

O contraste com a sátira anterior é, obviamente, enorme. E sempre traz alguma justificação civilizacional ao tão nominativo slogan do candidato socialista.

Stormtroopers in the burbs

sexta-feira, abril 24, 2009

Alguém o viu por aí?



Era a maior pandemia desde a peste bubónica. Íamos morrer todos.
O mundo rico monopolizou os anti-virais e mandou metade do planeta vacinar-se. Até as velhinhas olhavam com desconfiança os seus periquitos.

Olha, até hoje.

Home of the rave and land of the bigotry

Do NYT:

While Dr. Frieden suggested that New Yorkers are being exposed primarily through sidewalk contact with smokers, passing through crowds smoking outside doorways or waiting with smokers at bus stops, the tobacco expert Dr. Jonathan P. Winickoff suggested that apartment dwellers might also be exposed to smoke drifting from one unit to another within a building.

“Smoke doesn’t know to stop at a doorway,” said Dr. Winickoff, a professor at Harvard Medical School. “It fills the full capacity of every indoor location in which the cigarette is smoked.”


Isto é, se o seu vizinho fuma em casa, bata à porta e ponha-o na rua. Se ele depois fumar na rua, chame a polícia.

O resto da loucura higiénica, aqui.
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NOTA 1 - O estado de Nova Iorque tem a legislação mais retritiva para o consumo de tabaco do mundo. Não existe qualquer estudo sobre os efeitos do tabaco nos vizinhos, embora existam vários, bastante conclusivos, sobre a eficácia do monóxido de carbono na mortandade de condutores e traseuntes.

NOTA 2 - O tal "especialista em tabaco" é um puto de um pediatra que tem passado os anitos desde a universidade a contar quantas crianças morrem em lares de fumadores e quantas sobrevivem. Uma iniciativa louvável mas não é ciência, é estatística.

quinta-feira, abril 23, 2009

Suede - Saturday Night

Porque hoje é 5ª feira.

terça-feira, abril 21, 2009

Coisas que nós e o resto do universo estamos mesmo a precisar

Mais restaurantes italianos caros ou bar-cafffeeè-launges com trocadilhos em inglês no nome.

segunda-feira, abril 20, 2009

J. G. Ballard, 1930-2009.

Conheço alguns dos argumentos dos amantes da literatura que menosprezam a ficção científica como género. Por exemplo, o argumento de que a f.c. nos dá uma visão optimista do futuro, e uma confiança pouco razoável na tecnologia e na ciência como panaceia para os males da humanidade. É um argumento interessante e aplicável a muita da produção do género. Mas é dificilmente aplicável a muitas das obras e autores mais significativos. Não é aplicável, de todo, a J. G. Ballard, que ontem faleceu vítima de doença prolongada. Porque tal como os melhores autores desse género a que se convencionou chamar ficção científica, Ballard fala sempre do presente, mesmo quando as suas narrativas se situam no futuro. E à semelhança de muitos dos melhores, Ballard descreve um presente/futuro que é mais inquietante do que risonho.

No poema em prosa "What I Believe", publicado em 1984, Ballard sintetizou as suas convicções. E descreveu também muito daquilo que o definiu enquanto escritor:

"I believe in the power of the imagination to remake the world, to release the truth within us, to hold back the night, to transcend death, to charm motorways, to ingratiate ourselves with birds, to enlist the confidences of madmen.

I believe in the non-existence of the past, in the death of the future, and the infinite possibilities of the present."

Era um homem à frente do seu tempo. Melhor dito, e fugindo ao lugar comum, era um homem que conhecia como poucos o seu tempo. Com o surrealismo e a psicanálise como principais fontes de inspiração, Ballard indagou e dissecou o presente com uma lucidez e uma imaginação invulgares. Tentou compreender de que forma os novos espaços (arquitectónicos, tecnológicos, sociais, de consumo, mediáticos e de poder) condicionam e modificam a natureza do Homem contemporâneo. E nisto foi mais audaz, pertinente e visionário que muitos dos filósofos da pós-modernidade.

Como dizia um amigo, num dos sms que trocámos ontem a propósito do desaparecimento de Ballard: morreu "um gigante".

domingo, abril 19, 2009

A ironia

As imagens do ataque da polícia ao homem que morreu durante as manifestações em Londres contra o G20 foram obtidas por um gestor de fundos de investimento de Nova Iorque.

The primary reason for me coming forward is that it was clear the family weren't getting any answers. I saw him wandering around [before he was attacked]. He was just taking a look. He just got too close to the police line. [When he was attacked] it was absolutely horrible. I didn't put two and two together. Then I looked at the footage again and thought 'my God, it's the man they pushed to the ground'. It must be him it was minutes later who collapsed.

sábado, abril 18, 2009

To Know Him Is (not) To Love Him

Phil Spector é um dos nomes míticos da história da música popular. Produziu os Beatles e Lennon a solo, os Ramones, Ike & Tina Turner, os Righteous Brothers, criou as Ronettes, as Crystals e o "Wall of Sound". Fazendo jus à sua veia inovadora, criou também um conceito original de noite romântica: jogar à roleta russa, encharcado em álcool e drogas, com as suas companhias femininas. Em 2003 esta sua última faceta veio a revelar-se muito pouco saudável para a funcionária de uma discoteca, Lana Clarkson, que resolveu aceitar o convite do produtor para uma noite a dois. E pouco saudável também, ainda que não fatal, para o próprio Spector. A primeira acabou morta com um tiro na cabeça, Spector foi esta semana considerado culpado do homicídio e passará provavelmente o resto dos seus dias na prisão (a sentença conhecer-se-há no dia 19 de Maio).
Phil Spector deu assim um novo (e mórbido) significado à expressão "génio louco" que já antes lhe assentava como uma luva.
Depois de lembrar o que o homem é, lembremos o que foi:

O tom e o tema


Depois da posta sobre "Los Girassoles Ciegos" pus-me a pesquisar o título em português e descobri que o livro acaba de ser editado pela "Sextante". Boa notícia. No entanto, a escolha da capa - a reprodução de um cartaz de propaganda republicana da época - parece-me um bocado infeliz. Está muito longe do tom e do tema do livro.
O subtítulo, "4 histórias da guerra de Espanha", aprofunda o mal entendido.
Não são "4 histórias da guerra de Espanha". São quatro histórias sobre o medo, a solidão, o fanatismo e a dignidade. Sobre as consequências do fascismo apostólico que, depois de vitorioso, reclama ainda o sangue do vencido. Sobre a grande, imensa derrota que se abate sobre todos, vencedores e vencidos de uma guerra fratricida.
Este sentimento de derrota colectiva foi abafado pelo ruído breve dos festejos e paradas nacionalistas, apenas para ser recuperado 20 anos mais tarde, ironicamente, pela geração dos filhos dos vencedores. No cinema - Carlos Saura (La Caza), Basilio Martin Patino (Canciones Para Después de Una Guerra) - e na literatura Rafael Sánchez Ferlosio (Jarama).
Não, não são 4 histórias sobre a guerra. São 4 histórias sobre a miséria e o sofrimento do pós-guerra, quando a ausência da adrenalina do combate deixa os indivíduos finalmente a sós com a desgraça.

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via Andrea loves.

sexta-feira, abril 17, 2009

Para além da estatística, a literatura.


O livro de Alberto Méndez, publicado em 2004, reúne quatro contos situados no contexto do pós-guerra civil espanhola. O primeiro narra a história insólita de um capitão do campo nacionalista que resolve render-se ao exército republicano no último dia do cerco de Madrid, apesar da eminente derrota dos lealistas. O segundo conta os últimos dias da vida de um casal de jovens republicanos e do seu filho recém-nascido numa gruta das montanhas da Cantábria onde, devido ao inverno, são obrigados a abortar a fuga para França. O terceiro fala de um médico que espera a sentença de morte num calabouço Franquista, e que tenta ganhar tempo de vida contando ao seu "juiz" - um coronel cujo filho foi fuzilado pelos republicanos - histórias tão heróicas quanto falsas sobre os últimos dias de vida do filho. No quarto conto, que dá título ao livro, um homem vive escondido na sua própria casa três anos depois do final da guerra. Ele, a mulher e o filho, tentam sobreviver ao quotidiano cinzento do pós-guerra e iludir vizinhos e autoridades, até que o diácono que dá aulas ao filho se apaixona pela mulher.
Para além das histórias, impressiona o retrato dos cenários, físicos e psicológicos, das narrativas. O quotidiano das cadeias onde se esperava a morte. As mentalidades de vencedores e vencidos. A atmosfera das cidades no pós-guerra.
Em cada um dos contos, Méndez opta por uma estratégia narrativa diferente: a primeira pessoa do diário, a análise dos arquivos da "guardia civil", as cartas da prisão, conseguindo assim mudar o registo literário ao longo de quatro histórias com personagens distintos mas apenas um protagonista, a derrota.
Os personagens e situações são tão verosímeis, apesar de insólitas, que parece que é a própria História que Méndez nos conta. Como se de uma falsa ficção se tratasse. Diz o editor: "Este livro é o regresso às histórias do pós guerra que contaram em voz baixa narradores que não queriam contar histórias mas sim falar dos seus amigos, dos seus familiares desaparecidos, de ausências irreparáveis. São histórias dos tempos de silêncio, quando dava medo que alguém soubesse que sabias. (...) Tudo o que se narra neste livro é verdade, mas nada do que se conta é certo, porque a certeza necessita aquiescência e a aquiescência necessita da estatística."

Alberto Méndez, nascido em 1941, não chegou a ver o seu livro publicado. Faleceu meses antes. O último dos contos foi adaptado ao cinema (com alguma infelicidade, dizem-me) por José Luis Cuerda.

Deiísmo

Oh, Dianaaa!

quinta-feira, abril 16, 2009

A beleza do Apocalipse

"The Texas-Jerusalem Crossroads" (2001) é fruto do imaginário riquíssimo de Josh Pearson, vocalista, compositor e letrista dos "Lift to Experience". O álbum mistura evocações da Bíblia com um cenário de western. O tema? Bom, daquilo que eu percebi é um álbum conceptual sobre o Apocalipse com epicentro no Texas. Absurdo? Talvez. Mas garanto-vos que a solenidade e a paixão que transborda da maioria dos temas não deixa lugar à comicidade. A música é brilhante e as letras (quase todas) também. Explícitas o bastante para criar imagens fortes, suficientemente ambíguas como para permitir uma multiplicidade de sentidos.

"Didn't you know? The USA is the center of JerUSAlem..."

terça-feira, abril 14, 2009

Singela homenagem

à República Federal Espanhola, que hoje cumpriria 78 anos.

quarta-feira, abril 08, 2009

Depois da falência frente ao Porto...

... Os rapazes do Manchester United talvez façam melhor mudando de patrocinador.

A minha pilhagem é melhor que a tua



A legenda do Guardian diz assim:

This double-headed serpent sculpture, c1400, was plundered by the Spanish and repurposed for use as a baptismal font.

Photograph: The Trustees of the British Museum


Tendo em conta que uma grande parte das peças do British não são propriamente de origem anglo-saxónica, serei eu o único a notar aqui uma valentíssima hipocrisia?

terça-feira, abril 07, 2009

Casamento gay

O Merriam-Webster, muito à frente dos estados da união, já legalizou.

As coisas que eu ouvia quando era pequenino



NOTA: o careca é um cavalheiro chamado Sal Solo e, apesar do nome e da decoração, não era um Jedi master; descobri agora que, depois das bem sucedidas andanças no rock futurista (estava-se no dealbar dos oitenta...), emigrou para os Estado Unidos e tornou-se um "músico cristão" (seja lá o que isso quer dizer).

segunda-feira, abril 06, 2009

Tchan-tchan-tchan-tchan, tcharam! VoC - o inquérito partidário!

Não, não queremos saber em partido pretende votar. Isso é lá consigo e com deus, para além de que as probabilidades não são difíceis de calcular.

Muito mais importante, aquilo que estamos mortinhos por saber é, na sua opinião, quem será que pretendemos atingir ou alimentar quando lançamos postas ao alto, a que diretório partidário nos prostramos, que príncipe se esconde por detrás destas duríssimas testas-de-ferro.

Daí que tenhamos criado mais um VoC inquérito (assim, com a adjetivação primeiro, à cámone) para saber...







Escolha a sua suspeição, cumpra com um dever cívico.


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A informação recolhida destina-se à criação de uma base de dados que servirá de controlo para futuros cálculos ao índice de paranóia nacional.

VoC, um blogue de serviço público.

Fátima, Partido e Futebol

Comecei a notar nos blogues, jornais, et c., uma diferença de atitude. Reparai que não escrevi "um extremar de posições". Isso significaria que as anteriores deambulavam consensuais, moles, enfim, presidenciais.
Não sou assim tão ingénuo. É notório que o credo estava lá, contudo, pelo menos à margem, a fé aceitava disputa e mal não viria se não saisse reforçada.

Mas eis que se aproximam as campanhas eleitorais e, abafador, o espírito de tribo desce até às cabeças pensantes como o sol da tarde sobre um estádio de futebol.

Apesar dos esforços de Queirós, a África do Sul está cada vez mais perto

Arquivado processo por corrupção contra presidente do ANC

(...) o processo-crime contra Zuma foi irreversivelmente manchado por interferências políticas de protagonistas ligados às "facções" Zuma e (Thabo) Mbeki (ex-Presidente da República) e que muitas das decisões tomadas no caso constituiram abusos processuais e manipulações que não servem os interesses da Justiça.

Diz a panela para o tacho

"É um homem inteligente, mas é um rosto do passado"

domingo, abril 05, 2009

Esta tarde senti-me observado

Se o Margarita e o Mestre fosse um livro infantil

[Pouca] vergonha e despudor

Ó José, já que está com a mão na massa mórbida, não quer também perguntar à Constança CS como é que o VPV " actua em concreto"?

sábado, abril 04, 2009

O artigo com tomates

Parafraseando João Gonçalves(*) Tomás Vasques, não preciso de concordar em absoluto com o que está aqui escrito para discordar, por absurdo, da reacção do PM.


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(*) Rousseau ou não, a senescência é toda minha... Com as minhas desculpas a ambos.

Corrida para o parlamento Europeu

O PS joga uma cartada forte nas eleições Europeias, ao apresentar uma lista encabeçada pelo próprio Astérix.

Descubra as diferenças

João Carlos e Chávez
vs.
Isabel II e Berlusconi

Vêm-me duas contradições à cabeça: as pessoas bem-educadas são conhecidas pelo nome próprio; e ele há eleitos muito mais menos democráticos que aqueles que ninguém elegeu

Este douto pensamento estava a meia-dúzia de caracteres de ir para o twitter

O mal não é o país ser pequeno e toda a gente se conhecer; o mal é a pretensa ruling class estar dominada por provincianos os quais, como sabeis, são o tipo de gente que mais frequentemente se leva demasiado a sério.

A propósito do Dia Internacional do Autismo...

... (no passado dia 2) e pensando que mais vale acender uma vela e tal, lembrei-me de aconselhar dois livros bastante bons, ambos de Simon Baron-Cohen (não confundir com o mediático irmão Sacha), que ensinam os pais e professores a compreender melhor e a ajudar ao desenvolvimento das crianças afectadas por esta doença: Autism: The Facts (OUP, 1993) e Teaching children with autism to mind read (Wiley, 1998).

Boa?


sexta-feira, abril 03, 2009

Não há Vera como a primeira

Já posso?

Pôr o preservativo?

Ou não?

Estou à espera.

quinta-feira, abril 02, 2009

"Esculpir o Tempo"

É o nome do livro em que Andrei Tarkovski tenta explicar a sua abordagem ao cinema. É uma expressão rigorosa e bela. Como os seus filmes.

segunda-feira, março 30, 2009

'Bora fazer outra ponte para dinamizar a economia?

Em 2004, morreram 4000 pessoas de doenças causadas pela poluição nas cidades portuguesas.

Eu não tenho blogue no sapo logo sou anónimo, 2

Casar é bonito, pois é.
Mas, e se eu for saudável e tiver o azar das miúdas que se dizem saudáveis só me quererem pr'ó-que-é? Já posso usar o preservativo?

Eu não tenho blogue no sapo logo sou anónimo

Logo, aqui vai o meu comentário "anónimo" a isto e aquilo.

Traduzindo a longuíssima argumentação para miúdos: ou me caso com uma pessoa saudável ou sou promíscuo apenas com pessoas saudáveis. Parece-me do mais elementar bom senso, sim senhor.

Mas, e se eu próprio não for saudável? Já posso usar o preservativo?

domingo, março 29, 2009

O "Magalhães" passa ao largo dos meninos cool de Cabo Verde

No Portugal dos Pequeninos, noticia-se que, to add insult to injury (na óptica de João Gonçalves) à história da mal-fadada versão portuguesa do Classmate, o terceiro mundo despreza o computador que foi inventado para o terceiro mundo .

Fez lembrar-me quando abandonei o país e também tentei impingir meia-dúzia de (bons) electrodomésticos muito pouco usados a pessoas que mal ganham o ordenado mínimo e que não os tinham. Para alguma incredulidade minha, recusaram a oferta.

A minha porteira da altura comentou: "Hoje em dia ninguém quer barato ou em segunda mão. Até parece que andam a nadar em dinheiro".

Talvez. Acabei por propôr a venda ao novo inquilino, mas agora por preço mais próximo do original. Pois o raio do burguês ficou mesmo com tudo.

Para não dizerem que eu não gosto dos Xutos

A sua música seminal

Os 10 melhores guitarristas do mundo

Em ano de várias eleições, é fundamental relançar o debate sobre quais são os dez melhores guitarristas do mundo.

Para além da habitual polémica associada a este tema fracturante, a minha contribuição pretende alargar o horizonte da discussão.

Começo por propôr a minha própria classificação. Mas, ao fazê-lo, vou pôr em causa as quotas normalmente aceites: 80% de guitarristas de Heavy Metal, 10% de Lendas Vivas e 10% de Lendas Mortas.

Penso que, embora as quotas sejam justificáveis nalguns contextos, neste caso elas representam apenas a atenção especial que o debate provoca entre os fãs do vil metal, em comparação com os restantes seres humanos.

Proponho assim a minha própria classificação, enumerada de seguida:

10º Mark Knopfler
9º Um qualquer Escocês, de nome Angus
8º Johnny Marr
7,5º Yngwie Malmsteen (o nome parece piada mas o gajo é mesmo guitarrista)
7º Will Smith
6º Graf von Zepellin
5º Vinni Reily
4º Michael "Olga" Algar
4º Zé Pedro
0º Bruce Springsteen
3º Cabeleira
2º Lêndea Morta
1º Slash
-1º Elton John

Esta classificação, não só contraria as quotas usualmente aceites, como põe em causa mais alguns preconceitos assumidos, a saber:

a) Não podem haver classificações ex-aqueo

b) As classificações têm de ser ordenadas

c) As classificações terminam no 1º classificado

d) As classificações têm de ser inteiras

Finalmente, o próprio critério de classificação é, mais uma vez, altamente discutível.

Nomeadamente, penso que o Slash não fica nada à vontade, ensaduichado entre o Elton John e uma lêndea morta.

Mas ele tem sorte por a lêndea estar morta.

Na verdade, a lêndea morreu na sequência de um choque acidental entre Slash e Cabeleira, quando todos competiam pelo 2º lugar na classificação.

(Explicação alternativa: Isto deve-se ao facto de, num concerto que as respectivas bandas deram juntas, ele ter chocado violentamente com o Cabeleira, na sequência de uma daqueles típicos momentos de efusividade e extroversão do último.)

Está então relançado o debate, e identificados os pontos que irão concerteza causar maior polémica.

A ópera é do Povo, não é de Moscovo

Não sei onde está a culpa. Se numa presumível falta de chá primeiro-ministro português, se num presumível excesso de chá do CCB.

(lembro os anos de Cavaco, quando o empreiteiro da via do infante rebaptizou o "Poço" da terra de origem do então PM com um mais respeitável "Fonte de Boliqueime")

Contudo, uma coisa sei: esta vaia dos mil espectadores da "Crioulo" traz alguns pontos à minha confiança na maturidade cívica dos portugueses.

Bravo e bis.

Rapazes, vão de carro que o Fred agradece

sábado, março 28, 2009

E eu nem gosto de carros



Tesla Model S: 0-100 km/h em 5.9 segundos,
Tesla Roadster: 0-100 km/h em 3.7 segundos

Velocidades máximas de 210 km/h (limitada por electrónica)

Design da carroçaria: Lotus.

Preço: EUR 37000.00 (Model S); EUR 75000.00 (Roadster)

Ah, autonomia: 400 km antes de voltar a ligar à tomada.

Não haverá um subsídiozito para estes?

Palimpsesto

Numa cena de "Madrid", de Basilio Martin Patino, o realizador alemão e o poeta local conversam no terraço de um prédio, olhando a cidade. O poeta representa os locais, o realizador os estrangeiros. A cena revela a fina e repetida ironia de serem os estranhos quem melhor capta a poesia dos lugares, quando muitas vezes nem os poetas locais a entendem:

- Gosto de vir aqui acima porque é de onde melhor se vê como é a cidade: irracional, feita a pinceladas, sempre inacabada. É curioso que seja obra de Filipe II, o Rei das geometrias.
- Eu gosto muito que seja assim, como que sem terminar, feita à medida do Homem.
- O curioso é que esta aldeola mourisca chegasse a ser capital de dois mundos. Isto é um acampamento sujo de trapaceiros, burocratas, sonhadores... O que aqui nunca houve foi uma cultura arquitectónica. Isto não passa de uma acumulação incontrolável de "bons vivants".
- Mas uma cidade também é os seus escritores, os seus artistas, e o seu gosto pela vida, pela comunicação...
- Não sei que encanto vês neste caos de improvisações...
- A mim agrada-me a imperfeição de Madrid. É o que lhe dá o seu encanto.

"Uma cidade é um nome, áspero ou cordial. Que factores humanos o determinam? Que influência tem a sua cenografia?" - reflecte o personagem/realizador mais adiante.

Talvez só os estranhos possam ver, porque os procuram, ecos do passado das cidades. Como se a leitura das palavras meio apagadas do manuscrito fossem imprescindíveis para a compreensão das palavras novas que nele se escrevem. Mas nesta infinidade de camadas, como delimitar o campo da procura e, por fim, compreender? Talvez se afigure impossível. Mas não será essa a fonte inesgotável do fascínio?