sexta-feira, abril 06, 2007

O engenheiro fumegante

1.
Não, o cavalheiro que me levou a escrever esta posta, embora também empreste o putativo prestígio da licenciatura à sua campanha, é outro: Paulo Carmo, 33 anos, informático, contra o "fumo passivo".

Convém agora fazer uma ou duas ressalvas quanto a esta verdadeira calamidade pública: evito sempre incomodar os outros com o meu fumo e também não gosto que fumem para cima de mim. Repito: para cima de mim.

Ora, ao contrário de mim, o eng.º Paulo Carmo não fuma e faz-lhe mesmo impressão que os outros fumem. O último, ao que defende, por causa dos tenebrosos efeitos da inalação involuntária da expiração alheia. Assim, assustado com o que terá numa revista do El País (sei lá!), resolveu participar na democracia fazendo ouvir seu desagrado através da internete. Como está na moda toda a inconsequência que alimente polémicas, passou à estampa nos jornais. Este engenheiro é de armas e um caso sério de Homem Novo socrático.

2.

O artigo do qual reproduzo o cabeçalho acima, da autoria do doutor James Enstrom e do doutor Geoffrey Kabat foi publicado em 2003 no British Medical Journal e vem provar exactamente o oposto daquilo em que o Paulo acredita.
Eu sei, eu sei, estas revistas de investigação clínica nem sempre são fiáveis, basta ver o caso da Lancet e dos imbróglios em que se mete por vezes. Mas isso não é razão para rejeitar o que lá é exposto em favorecimento da ciência de café.
Até porque o estudo em questão, apesar de polémico, defende-se bem: durante quase quarenta anos, (de 1960 a 1998) 35 561 indivíduos fumadores e os respectivos cônjuges não-fumadores foram analisados periodicamente pela equipa de médicos chefiada por Enstrom e Kabat: os resultados sugerem que os efeitos do "fumo passivo" no cônjuge não-fumador, em particular o risco de desenvolvimento de doença coronária, são substancialmente mais reduzidos do que vulgarmente se pensa.

Por outro lado, e como que a confirmar a diferença, existe sim uma forte correlação entre a quantidade de cigarros fumados e o aumento no risco de cancro pulmonar, doença coronária e obstrução pulmonar crónica.

3.
Obviamente, não quero dizer com isto que se deva fumar no local de trabalho ou que os não-fumadores não têm direito a recusar o fumo dos outros, pelo contrário. Mas a proibição do fumo em todos os locais públicos com menos de cem metros quadrados (80% dos estabelecimentos de restauração do país) já foi aprovada pela A.R.. Só que isso não chega para contentar este fascista higiénico: o mesmo acha que não se deveria poder fumar nem no restante. Tudo por causa do "fumo passivo" dos empregados. Enfim, outro que se descobriu mais "moderno" que o resto do país.

Tanto entusiasmo pela saúde dos outros só merece uma pergunta ao engenheiro: quando vai ao tal restaurante ou diariamente se desloca à empresa onde trabalha, vai de bicicleta verde ou de cú tremido a debitar monóxido de carbono?

Nacionalismo

O Nacionalismo é o último refúgio dos oportunistas.

Já dizia Samuel Johnson, nos tempos iluminados do século XVIII.

terça-feira, abril 03, 2007

Pois, era aqui que a certa altura eu queria chegar mas fui antecipado com muito mais talento

"(...) Nos anos 1930, Salazar manipulou e ampliou o papel de um PC débil e quase inerte. O PC servia-se desta propaganda gratuita para mascarar a sua impotência. Salazar escolheu o "papão" comunista não pelo seu potencial de ameaça interna, que era nulo, mas em nome do anticomunismo e do inimigo soviético, que eram reais e pagavam dividendos políticos. Quase até ao fim, o regime tentou apresentar toda a oposição como manipulada pelo PCP. Hoje, é o PCP que devolve o favor, restaurando "objectivamente" a figura de Salazar. A demonização redunda em propaganda do objecto diabolizado."

"As botas de Salazar", de Jorge Almeida Fernandes no Público de 30III2007, via Hoje há conquilhas. O negrinho é meu.

domingo, abril 01, 2007

Dois feitos de digníssima nota

Consegui opinar acerca daquele concurso parvo sem nomear nenhum grupelho proto-fascista ou fazer uso da horrorosa palavra "pantalha". "Sem embargo".

Grandes histriónicos

Alvoroço, confusão, estupefacção.
Trinta anos de doutrinação democrática e o povo ingrato cospe na mão que lhe deu de comer: Salazar escolhido como o maior português de todos os tempos. Mas que grande estucha!

Ou será?

O terreno escolhido para a disputa foi um programa de televisão e é precisamente na televisão que mais se fala e mostra Salazar. Não vale a pena entrar em marginais tipologias de audiência ou militâncias da mesma porque, para o efeito, simplesmente bastou-lhe estar definida como audiência.
Nos últimos trinta anos, nenhum outro governante português ou o seu regime foi mais analisado, documentado ou ficcionado pela estações televisivas. Nenhum político português foi tão invocado por outros, com propósitos variáveis, ou se tornou universal alvo de continuada exposição pública (Salazar, recorde-se, é por cá o primeiro governante da era deste meio de massas e, como tal, uma das primeiras estrelas mediáticas que o aparelho criou). Porque, como toda a gente sabe, nos meios de comunicação que vivem da imagem parecer mal ou parecer bem tanto faz, o importante é aparecer.

Apesar de morto, o homem continuou a pairar na sombra como anti-figura tutelar de um sistema político que o diabolizou sem ter conseguido desencantar um democrata que se afirmasse em alternativa credível; o regime democrático não se quis livrar da memória do ditador para melhor poder usá-la em seu proveito. Claro está que o mediatismo da criatura só pode ganhar quando a caricatura é usada para definir algo pela negativa. Mas aqui há uma lição a aprender: quem insiste que a legitimação das atitudes dos vivos parte de uma oposição às judiarias do morto, reafirma a presença do ditador e reconhece logo à partida que a sua influência se mantém. E só por isto já justificam eles mesmos a sua vitória.

Conclusão: mal o nome fosse proposto a concurso, já teria um enorme avanço sobre todos os demais candidatos antes de qualquer documentário de circunstância pois o seu tempo de antena começou há setenta anos atrás e nunca chegou a acabar de verdade.

Do outro lado do espectro político (ou talvez não), as personagens vitoriosas nas versões britânica e francesa desse programa foram Churchill e De Gaulle. Não será difícil de verificar que ali também a exposição pública permanente pelo próprio sistema onde que é feita a escolha contribuiu fortemente para as respectivas "eleições".

Depois há questão geracional dado que as coincidências daqueles líderes com Salazar não se limitam ao modelo do concurso.

Ambos os políticos estrangeiros se tornaram dirigentes das suas respectivas nações nos anos trinta e o que o regime por cá fez para enaltecimento da neutralidade do nosso ditador, fizeram em tempo de guerra os serviços de propaganda de todas as potências aliadas para glorificação dos líderes britânico e francês. A geração de portugueses, franceses ou ingleses que hoje perfaz mais de dois terços da população cresceu necessariamente com a noção de um chefe-guerreiro, forte, defensor da pátria e dos seus valores (e nem a adaptação aos tempos de paz trouxe maiores diferenças: ainda demoraram vinte anos para De Gaulle e os seus se aperceberem que a França não lhe pertencia por direito divino).

De Gaulle e Churchill acabaram em virtude da sua vitória na guerra por se tornar aqueles que definiram a idade moderna da Europa. Os povos do lado de cá da cortina de ferro viveriam décadas segundo as fronteiras e as leis por eles desenhadas. Da mesma forma, se o país que nos foi devolvido em 1974 era ainda aquele da neutralidade para o mundo e do isolamento em nós mesmos foi porque nas duas gerações formadas sob Salazar foi passado à pedra o atavismo onde ainda nos afundamos.

Os tempos são de incerteza, como intitulou António Barreto o livro que serve de base à série televisiva. E em tempos destes, os europeus perdidos voltam-se para a segurança das definições do passado com que foram educados e que são as últimas que acreditaram ser imutáveis.

Diria mesmo, rotunda

O Dolo eventual fez dois anos. Parabéns pela escrita portuguesa mas multi-citadina e sem complexos neo-regionalistas.

sábado, março 31, 2007

Carla Bruni disse If you were coming in the Fall, de Dickinson

Domingo, 25 Março de 2007

14h00 Poétique / Carla Bruni

Auteure compositeur interprète, Carla Bruni publie au mois de mars un ouvrage dédié aux poètes dont elle s'est inspirée pour son récent cd "No Promises" (Naïve). Audacieuse dans ses choix et intelligible dans ses raisonnements, Carla Bruni passionne tous les publics.


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Obrigado ao Estado Civil pela lembrança.

segunda-feira, março 26, 2007

Há 15 anos atrás Cavaco não se lembraria desta

Como diz Miguel Madeira no seu Vento Sueste, os empresários que gostam de acordar de noite no inverno e ver aumentada a sua factura de consumo energético que mudem lá o horário deles.

Nenhum grupo de interesses tem o direito de nos privar do natural ciclo circadiano e não é a sua ilusão de lucros fabulosos sacados nessa horita mágica que me vai convencer do contrário.

domingo, março 25, 2007

Spin doctors



"This spin is responsible for many fundamental properties of matter, including the proton's magnetic moment, the different phases of matter in low-temperature physics, the properties of neutron stars, and the stability of the known universe."

Steven D. Bass
Science, 23III2007

sábado, março 24, 2007

Coisas que um gajo aprende na coluna de opinião da edição de sexta-feira do DN

Jacinto Lucas Pires leu a coluna de opinião da edição de quinta-feira do Guardian.

sexta-feira, março 23, 2007

Porque o novo aeroporto deveria ser em Rio Frio

Ter se tornado cada vez mais insuportável ver escrito o nome curto de Vila Franca da Ota como se fosse um acrónimo de qualquer componente do complexo militar-industrial.
Otários.

sexta-feira, março 16, 2007

A vantagem da reacção do governo iraniano ao filme "300"...

É que agora toda a gente já sabe um pouco mais de história antiga. O resto é lana caprina.

Pessoalmente, ó Ahmadinejad, quando ontem saí da ante-estréia (privilégios...) sentia-me mais atraido pela sensualíssima "decadência" persa - monstrinhos incluidos - que pela "virtude" homoerótica dos espartanos.

Quanto ao filme propriamente dito, se se tapar os ouvidos quando algum personagem começa a botar discurso, até nos convencemos que Frank Miller lá conseguiu desencantar mais uma obra-prima.

O amor ou o ouro?

"Três Ninfas, guardiãs do ouro, brincam com o astucioso anão Alberich que tenta seduzi-las. Durante a brincadeira, as Ninfas revelam um segredo: aquele que se apoderar do ouro do rio, e com ele forjar um anel, dominará o Mundo. Para que tal aconteça deve, porém, renunciar ao amor."(*)

Pois, essa é que é essa.


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(*) De Das Rheingold, primeiro quadro de O Anel dos Nibelungos.

segunda-feira, março 12, 2007

Sem palavras

Enquanto se discute o sexo do Cartão do Cidadão

(esta vai à moda de Ricardo qualquer-coisa Araújo)

Por Paulo Querido, no Mas certamente que sim!

"Mais uma informação sobre o Google (sem fonte)

A pedido de várias famílias de anónimos, aqui ficam mais alguns dados sem link para a fonte.
A Google Inc. está a vender a empresas (a quem quiser comprar) serviços de informação geo-referenciada com implicações óbvias em matéria de direitos individuais. As consequências disto só virão a ser conhecidas dentro de algum tempo (meses, anos?).
Entre esses serviços está o vulgar tracking de encomendas de algumas transportadoras — mas também o tracking em tempo real, em cima dos mapas, de viaturas de frotas (tudo bem) e de transportes públicos (julgue você mesmo se é bom ou mau). Basicamente, conforme referiu a minha fonte, qualquer coisa que leve um GPS. A demonstração (lamento: foi ao vivo, não há link para ela) foi eloquente. Elucidativa. Ah, e não foi nem uma simulação, nem um “powerpoint“: aqueles bonequinhos que pareciam autocarros a mexerem-se nas artérias de (omitido) representavam as carreiras públicas xis e o aviãozinhe tam linde em cima do Atlântico representava o voo (omitido) da companhia (omitido), os dados vinham pelo gateway da empresa (omitido)."

quinta-feira, março 08, 2007

Museu Salazar em Santa Comba

Acontece que com a normalização democrática e o passar dos anos, a memória de Salazar, da ditadura e da resistência àqueles saiu da rua e refugiou-se nas coutadas particulares da extrema-esquerda ou da extrema-direita (chamemos-lhes assim).

O problema dessa gentalha, principalmente a primeira, é não suportar que a plebe queira agora tomar-lhe o bichinho de estimação de volta, ainda por cima sem certificado de pureza ideológica e sem pedir licença.

E por causa da afronta agora materializada em colecção de retratos e bugigangas, irão espernear e fazer muito barulho, atafulhando crónicas e reportagens audiovisuais com as birras de uma criança mimada a quem obrigam a emprestar o brinquedo. E ainda se vai filosofar imenso à custa deste fait-divers de província, como se os amanhãs risonhos dependessem directamente de quem dá guarida ao cinzento passado que nos tornou os mesquinhos de hoje.
O cómico está em desde já prever-se que, caso o tal museu siga avante (perdão) e apesar do consequente ressaibo, estes snobs de cátedra evitarão qualquer visita contra a sua própria vontade e apenas pelo risco de apostasia.

Mais valia que fossem chatear o Camões.

terça-feira, março 06, 2007

A psicologia de uma Nação inteira

O técnico lembrou que o FC Porto "tem que marcar para passar", mas que até "pode passar sem ganhar" (...).

No Público On-line de hoje.

domingo, março 04, 2007

Viva a EMEL!

A mim revolta-me esta revolta generalizada contra a EMEL. Revolta-me que gente que gosta de se apresentar vestida de inteligência-crítica me venha com a treta da transferência de competências exclusivas da polícia para uma entidade "privada". Não vivem nem querem viver, concerteza, em Lisboa.

A prioridade, aparentemente para aqueles, não está no fim dos milhares de carros em segunda fila, em cima do passeio, nas passadeiras, em cima dos jardins, em cima das esplanadas, em cima de todo o metro quadrado desimpedido e à borla de parquímetro. Está na lei, ou na sua bafienta interpretação. Essas são intocáveis mesmo que estupidamente inúteis.

ao contrário do caso anterior, parece já ninguém liga se "a clientela estrangeira" se incomodar mesmo com o fumo

Fez bem a CML e ainda acho pouco: para quando a EMEL às portas de Lisboa a cobrar portagens? Já faz tempo que se deveria encorajar os municípios circundantes a aplicar o lucro das licenças de construção na criação de parques de estacionamento gratuitos para os seus dormitentes. E sempre nos livrávamos de mais umas toneladas de monóxido de carbono.

sexta-feira, março 02, 2007

É só para inglês viver

"A notícia da proibição espalhou-se depressa, pela rádio e pela televisão. E, surpreendentemente, colheu mais aplausos do que apupos. Os proprietários explicam-se: muita clientela é estrangeira e incomoda-se mesmo com o fumo."

DN, hoje.

domingo, fevereiro 25, 2007

Heróis do mar

Também não tenho televisão em casa há cerca de 6 anos. Só que já nem me lembrava disso.

A experiência foi um sucesso

Após a publicação da série de ontem (*), o número de visitas deu um salto considerável. Mas não estou a ser ambicioso o suficiente... Ora com licença:

Scarlett Johansson toda nua


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(*) tecnicamente já foi hoje

Agora a sério, duas coisas importantes que tenho para vos dizer

Primeiro, em completa ruptura com a cegueira bushista, Howard da Austrália, o tal que mete o dente nas ilhotas à sua volta (Fidji, Salomão, Timor), lá se vai safando quando o assunto é a atmosfera. Pois não é que na semana que passou fez aprovar lei que levará à proibição total de venda de lâmpadas incandescentes até 2010?
Mesquinhice? Bem, estima-se que assim o corte atinja os 30% do total das emissões de gases de estufa... Aqui.

E a outra coisa é... Façam favor de vêr este documentário do Libération no interior de Guantánamo Bay (agradecimentos ao Blasfémias o qual, quer queira quer não, vai prestando algum serviço público).

E o Benfica, pá! Competições europeias

Já chegará?

Salvaterra de Magos e tal, e Anita

Outro a caminho do Google.

Zeca Afonso

Pronto, já está.

sábado, fevereiro 24, 2007

O mestre do pesadelo está de volta.


Jeremy Irons Laura Dern Harry Dean Stanton

(trailer aqui)

Expliquem-me assim como se eu fosse muito burro

Por que diabo os "liberais" se assanham tanto com a teoria do aquecimento global?

Quando ele até há gente com formação que se bate com alguma inteligência pela análise alternativa, como é o caso do Mitos Climáticos, servirá a quem este tipo de tirinho sarcástico?

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Separados à nascença? (3)


A análise, o estilo, a barba!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O 31 da Armada

Fui lá pela primeira vez.
No meio dos entusiasmos de balneário perdi o fio à meada e fiquei sem perceber o porquê da fama.
E fico-me por aqui porque, se calhar, foi mal escolhido o dia.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Blogosfera: uma dúzia de impressões de um novato passado um ano

Apesar de agora sabermos que temos tido leitores de Mato Grosso ao Rio Amarelo, notar-se-á algum ressaibo nesta análise. Haja paciência e critique quem quiser. Mesmo que seja em grego.

1. Blogues de jornalistas, devidamente identificados ou não, têm visitas e ligação garantida.

2. Blogues de dirigentes políticos, não.

3. Ainda assim, honrados são aqueles jornalistas que dizem na blogosfera o que não diriam nos média sociais.

4. Ao contrário do esperado, também os média sociais vão atrás do que se escreve na blogosfera e não apenas o oposto. Por culpa dos honrados.

5. O número de visitas diárias de um leitor qualquer é, naturalmente, proporcional às postas por minuto (ppm) do blogue.

6. Blogues colectivos (bc) produzem mais ppm que blogues individuais (bi). A influência em Portugal sempre se jogou assim: safety in numbers.

7. Há muitos bi que se repetem depois em bc. E assim se multiplica os ppm e o contador do Technorati.

comentário avulso e à atenção especial de João Miranda: mas esta gente trabalha quando???

8. Um blogueiro de primeira classe (bpc), lê sempre o que os outros bpc's escrevem mas responde no seu próprio blogue, com ligação permanente a piscar o olho.

9. O bpc também lê o que os bsc (blogueiros de segunda classe) escrevem; mas nunca deixa comentário, sendo rara a ligação permanente.

10. O número de blogues da dita extrema-direita é bastante superior aos de extrema-esquerda. Ou então, são muito mais fáceis de identificar.

11. Há mais bi da dita extrema-direita que bi da extrema-esquerda. Confirma-se a auto-imagem do herói solitário, a la de Paiva Couceiro.

12. Apesar de tudo, o bicho mordeu e mordido fiquei.

E se...

Alberto Jardim depois perdesse?

Fugas

No Esquerda Republicana, estivemos muito tempo engavetados na lista "Blogues de esquerda entre o moderado e o radical" (O avesso do avesso, Cinco dias, SOS Racismo, ...).

Hoje, quando dei por isso, o Verdade ou Consequência tinha deixado a companhia de tão nobres sítios e passado às margens do Mar salgado, Revista Atlântico, A arte da fuga, ..., i.e., descrita ali como "Direita democrática".

Queria dizer ao Ricardo Alves aqui em público que, embora adore vêr-me ao lado das bravas gentes talassas (quem me tira o mar, tira-me tudo), o pleno foi mesmo atingido com essa prova de indefinição que acabou por nos dar.

Com apenas um ano de existência a missão mostra-se cumprida nesse departamento, diria eu: se não é possível fugir a rótulos, que eles mudem ao sabor das discussões ou dos interlocutores. Não sendo essencial, pelo menos dá um gozo tremendo.

E agora deixo a palavra ao Aardvark, se ele a quiser usar.

As minhas três questões fracturantes

1. A emigração massiva
2. A emigração massiva
3. A emigração massiva

Há alguma coisa que valha mais a pena discutir neste país?

terça-feira, fevereiro 20, 2007

A tradição nunca foi o que era

Ovar, Cantanhede, Olhão... O Carnaval é uma festa trazida pelos "brasileiros" ricos do séc. XIX que tentavam mudar o cinzentismo da terrinha com brilhos impertinentes. O dinheiro, por ser novo, subia-lhes à cabeça e toldava-lhes a noção de hemisfério.

O Entrudo é outra conversa.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Reciclando uma com barbas

Um sujeito arruma o carro ao lado da Câmara Municipal de Lisboa. Logo aparece um polícia a correr que o avisa: "O sr. não pode deixar aí a viatura; esse é o lugar onde estaciona o vereador Fontão de Carvalho!"

O cidadão agradece a chamada de atenção dizendo: "Não se preocupe, sr. agente; já vi que o sr. anda sempre por perto mas ainda que não, o carro tem alarme."

(xaram!)

domingo, fevereiro 18, 2007

...

La la la la

Born to multiply or
Born to gaze into night skies
When all you want’s one more Saturday
Well look here until then
They gonna buy your life's time
So keep your wick in the air
And your feet in the fetters 'till the day...
We come in doing cartwheels
We all crawl out by ourselves
And your shape on the dance floor
Will have me thinking such filth
I'll gouge my eyes

You’ll be damned to be one of us girl
Faced with a dodo’s conundrum
I felt like I could just fly
But nothing happend every time I tried

Oh duotone on the wall
The selfless fool who hoped he’d save us all
He never dreamt of such sterile hands
You keep them folded in your lap
Or raise them up to beg for scraps
You know he's holding you down
With the tips of his fingers just the same

Will you be pulled from the ocean
But just a minute too late
Or changed by a potion
And find a handsome young mate for you to love

You'll be damned to pining through the windowpanes
You know you'd trade your life for any ordinary Joe's
Well do it now or grow old
'Cause your nightmares only need a year or two to unfold

Been alone since you were 21
You haven't laughed since January
You try and make like this is so much fun
But we know it to be quite contrary

La la la la la la la

Dare to be one of us girl
Facing the android's conundrum
You see I felt like I should just cry
But nothing happens every time I take one on the chin
Yeah Himmler in your coat
You don't know how long I have been watching
The lantern dim starved of oxygen
So give me your hand and let's jump out the window

la la la la la

sábado, fevereiro 17, 2007

"Empoderamento" comunitário (*)

Outro blogue de respeito, este Ultras Erra. Se o mote é a divulgação de resultados da bola, o blogue acaba por ultrapassar qualquer expectativa de um pinoca sobranceiro como eu.

Para quem não sabe, a vila (**) da Erra é sede de freguesia no concelho de Coruche. Ribatejo profundíssimo, portanto, e gente mais castiça para aquelas bandas não há.

Atenção especial à votação "Grandes Errenses"...
E tenham paciência com a plataforma: a culpa não é dos rapazes mas sim do SAPO.

________________________________________________
(*) Título roubado a uma tradução amiga [ligação retirada]
(**) Corrigido de "aldeia". Com as minhas desculpas.

Informação na blogosféria (*)

Foi com prazer que reparei (coisa rara) que havia um blogue de primeiríssima qualidade com ligação permanente (coisa ainda mais rara) ao Verdade ou Consequência. O estilo, sóbrio, parece concentrar-se na informação que nos falta, e análise da mesma, e não tanto na opinião apaixonada sobre o acessório (coisa raríssima).

A'O Diplomata os meus agradecimentos por essa postura pois se o continente não escasseia, o que falta nesta esfera muitas vezes é conteúdo original.

Já lá estava como Sabor da Semana, ainda que só agora o anuncie. Entretanto, deixo aqui uma amostra:

"Julgamento de Libby marca tendência na blogosfera

(...)
A meses da próxima sessão do julgamento do caso "Saco Azul", esta é uma ideia que ainda pode ser posta em prática, sendo necessário, no entanto, assegurar uma fonte de rendimento para os custos de permanência no local. Caso haja algum blogger ou bloggers interessados, o Diplomata aconselha a visita ao Firedoglake.

Trata-se de um blog composto por seis pessoas que tem tido como função relatar exaustivamente o mediático julgamento de Lewis Libby Junior, antigo chefe de gabinente do vice-Presidente Dick Cheney. De acordo com o New York Times, os autores do Firedoglake são "bloggers liberais" e "fanáticos devotos" por este caso, que ficou conhecido por "Valeriegate". Têm vivido num apartamento em Washington e suportado os custos com donativos on line.

Este projecto assumiu tanta importância principalmente por duas razões: A primeira, é que à semelhança do que acontece com o julgamento de Felgueiras, não é permitido gravar imagens ou áudio na sala de julgamento; A segunda razão, prende-se com o acompanhamento ininterrupto por parte dos bloggers do julgamento. O Firedoglake tornou-se, deste modo, uma fonte de informação para os próprios jornalistas.
(...)"


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(*) Estava "blogósfera". O Aardvark fez-me vêr o erro e, para ser rigoroso, esta é a única forma correcta.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Um mote de vida

Honestidade,
Boa Reputação,
Humanidade,
Amizade.

Pode não ser o mote de uma pessoa de grande sucesso mas é o mote de uma pessoa exemplar.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

"Diz que é uma espécie de Não"

A melhor teoria sobre a abstenção é aquela que a imagina como uma organização anarquista instantânea: no dia do voto, aquele grupo de eleitores (?) ilumina-se da mesma razão do lado negacionista e, em simultâneo e com uma coordenação miliciana, evita a urna em bloco.

O inefável Luís Delgado ao melhor estilo fedorento. No DN de hoje.

Os nossos leitores

Temos um crescente número de leitores na China, apesar do blog não ser acessível a partir de ligações feitas em território Chinês.

Também somos lidos no Mato Grosso e, aparentemente, em Copenhaga e na Grécia.

Não somos lidos na Índia.

O resto é o normal.

Para aqueles que ainda confundem as coisas

Amanhã janto mais tarde:



Para aqueles que não forem a tempo de marcar o vôo, aconselho a leitura do seu último livro

Rescaldo

O Sim ganhou, o Não perdeu e a instituição Referendo, para variar, parece merecer apenas a indiferença daqueles a quem se dirige.

Se a abstenção prova constantemente que a consulta directa é vista pelos cidadãos como um elemento dispensável à nossa democracia, não se poderá finá-la?

Só que isso, queixam-se os participativos, significaria calar vozes activas da sociedade apartidária e inibir a cidadania. O que, convenhamos, também é mau.

Como resolver o problema? Colocando questões mais interessantes às crianças? Introduzindo diagramas de fluxo na sua formulação? Como sabemos, até as novas terminologias sintácticas, embora podendo fazer fazer milagres, têm entrada difícil no neocortex dos pós-adolescentes.

Mas não desespereis. Eis que vos trago solução para o dilema: que se referende o Referendo.

Eu sei, parece esdrúxulo, mas lede mais. Não haveria qualquer pergunta a formular em boletim de voto: em lugar de Sim ou Não, tudo o que existiria seria um papelinho (que até pode ser branco). Dobrado em quatro e depositado na urna.

Contam-se os papelinhos, contam-se os cidadãos eleitores dedicados e interessados.

Quando depois a abstenção ganhar, acaba-se com a fantochada e obriga-se os partidos políticos a sair de cima do muro.

Que tal?

domingo, fevereiro 11, 2007

Felicidade

A felicidade não é um período, nem mesmo um momento, em que baixamos as nossas defesas e nos entregamos a outra pessoa.

A felicidade é saber que somos aquilo que profetizámos para nós próprios e que aquilo que profetizámos é bom.

Self-fulfilling prophecies

Nós tornamo-nos naquilo que profetizamos para nós próprios.

Verdade ou Consequência lido na China

O nosso blogue é lido em quatro cidades diferentes da China.

O mais extraordinário é o facto de o blog não estar acessível a quem se liga à Internet a partir do território Chinês.

Há oitenta anos...

O principal objectivo dos defensores do "Não" à despenalização do aborto era dissuadir os cidadãos de se expressarem nas urnas. Era a sua melhor hipótese.

E é algo que fazem muito bem. Há oitenta anos que o fazem, de uma maneira ou de outra.

O meu Não

À pergunta "Acha que uma mulher que aborta deve ir para a prisão?" respondi Não.

À pergunta "Acha que o aborto deve ser punido por lei?" respondi Não.

Este foi o meu Não.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

A resposta é: Centros de Decisão

Porque os Centros de Decisão são clientes dos Centros de Competência. Onde há uns, há os outros.

Porque, normalmente, os Centros de Decisão só se deslocalizam por venda.

Parabéns! Caganda blog!

Até na China é lido!

Economia do conhecimento

Eu conheço o presidente do banco
Tu conheces o director geral
Ele conhece o porteiro da discoteca

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Um ano depois...


Amanhã, às 20 horas e 34 minutos, os autores deste blogue celebram exactamente um ano desde a primeira posta de pescada arrotada ao público aqui, na internete e tudo. Não vai haver bolo mas gins tónicos e dry martinis concerteza que sim!

Ah!, e domingo não se esqueça de ir votar no referendo, s.f.f.. Obrigados.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O feto e a dor: comentário à dr.ª Jerónima Teixeira

Cara dr. ª Jerónima,

A senhora apresentou-se recentemente ao público português como autoridade na matéria e garantiu que as suas experiências mostraram que um feto com 10 semanas sente dor.

Ora, o feto para sentir dor precisa de uma coisa: sistema nociceptores-cortex cerebral(*) ligado e responsivo antes das ou às 10 semanas.

Acontece que o estudo que eu li não prova nada disto. A senhora mentiu.

Na tal experiência, a senhora, ou um dos outros cinco autores, espeta uma agulha (estímulo mecânico) numa veia do feto e vê se esse organismo produz mais ou menos endorfinas, caso a mesma agulha injecte uma dada droga ou não.

O que a senhora prova, se tanto, é a resposta do organismo a um dado estímulo químico, a droga. Mais nada.

Mas a maior mentira vem logo no início do próprio texto da sua comunicação à... ai, como se chama o jornal?... Anesthesiology, 2001 (não é a Lancet...): a experiência é feita em fetos com 20-35 semanas.

Eu repito: a experiência é feita em fetos com 20-35 semanas. Nem poderia ser de outra maneira pois o cortex não existe às 10 semanas.

Penso que isto seria suficiente para passar um raspanete a um estudante de doutoramento. Mas para alguém na sua posição vir a público resultados científicos inexistentes, o castigo costuma ser bastante pior. E se a senhora cometer o erro de começar a falsear os seus resultados de forma a coincidirem com as suas convicções, então pode correr o risco de vêr barrada a sua actividade de investigação.

Vá lá.

Cumprimentos, juízinho e cabeça fresca.

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(*) os nociceptores são os receptores de dor para os estímulos mecânico, térmico, químico ou eléctrico.

Garden State: Sleeping Lessons

Grande filme, grande canção. The Shins outra vez.

Off with their heads!

(pausa)


The Shins, Australia

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Obviamente

Do Sim no referendo, por Vasco Barreto:

'o "Sim" pretende chegar lá chegar [proteger aqueles embriões de dez semanas] retirando a IVG da clandestinidade e aumentando o aconselhamento, o que se pode traduzir numa diminuição efectiva do números de abortos e/ou em interrupções voluntárias de gravidez mais precoces.'

Ao que eu acrescento que se também se traduziria numa diminuição de complicações para a grávida, salvando muitas vezes essa vida.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Sánchez Dragó e Espanha

O Bernard Pivot dos espanhóis, sem papas na língua.

Fácil de entender, mesmo sem legendas, pois a queixa é-nos familiar...
Aqui fica, à atenção dos murchos do meu país.

domingo, fevereiro 04, 2007

A pergunta a seguir à pergunta do momento


E quanto é que ganha o Wolfowitz? (*)


















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(*) Com a devida vénia ao Grande Loja do Queijo Limiano.
Para quem não sabe, Paul Wolfowitz é o presidente do Banco Mundial.

A pergunta do momento

Quanto é que o Pinho ganha?

O Windows do blogueiro

Já repararam que desde que este Blogger tem nova versão toda a gente começou a mandar postas corridas a pelo menos 3 ou 4 marcadores?