quinta-feira, janeiro 15, 2009

Bom vento?

Segundo Isabel Coutinho, espera-se em 2009 pela entrada de duas grandes editoras espanholas no mercado português.

Espero eu, também, para ver se finalmente alguém irá esfregar as edições de bolso na fronha do(s) grupo(s) nacional(is) ou se o exercício não passará de um burladero de direitos de tradução ou reciclagem das aculturações de lá.

A pedância de oferecer qualquer coisinha de acessível

terça-feira, janeiro 13, 2009

Hoje adormeci assim

(...) at twenty he thought time would solve all of his problems, at fifty he realized time itself had become the problem.


(António Lobo Antunes)

domingo, janeiro 11, 2009

À atenção da ministra Ana Jorge, da SIC, do José Rodrigues dos Santos e daqueles da Teoria do Arrefecimento Global

Estão -10ºC do outro lado da janela (i.e., dez graus negativos na escala de Celsius). Daqui a pouco tenho de ir comprar tomates para fazer o jantar (arroz de gambas, salada, pão, manteiga, um par de zwickles e laranjas para sobremesa).

Como o único supermercado aberto ao domingo fica para aí a uns 2.5 km daqui de casa e não me apetece apanhar o eléctrico, levo vestido (de baixo para cima):
-sapatos de ténis com couro castanho/encarnado/branco e sola de borracha natural;
-meias de lã, até ao joelho, castanhas, dadas no Natal pela avó quase centenária;
-cuecas de algodão, formato trunks, às riscas horizontais;
-calças em corduroy, também castanhas;
-t-shirt com a efígie do Michael Cain a segurar uma canos-serrados, tirada do Get Carter (1971);
-camisola de lã, corte de marinheiro, em azul-turquês;
-sobretudo curto de lã, double-breasted, preto;
-luvas de cilcista pretas em poliamida, ou lá o que é (não sei onde estão as outras e as esqui já era exagero);
-cachecol de lã merino (ainda não decidi a cor);
-barba.

Espero não me constipar.

VoC, um blogue de serviço público

Está tudo imbecil, parte 2

O território português tem passado os últimos dias com temperaturas máximas à volta do 10ºC na quase totalidade das regiões, e mínimas à volta de zero.

Dadas estas condições meteorológicas extremas, o pânico generalizou-se aos média, com José Rodrigues dos Santos aconselhando o uso de "várias peças de roupa" enquanto que, na SIC, um senhor popular de Lamego descrevia como "muita neve" a polegada e meia de brancas que raspava da berma da estrada.

Valha-nos isso, desta vez os cidadãos preocupados não acorreram em boiada aos serviços de urgência dos hospitais.

Estão cerca de -30ºC na Bulgária, país que tem estado sem aquecimento doméstico durante as últimas duas semanas devidos a corte no fornecimento de gás pelo megapólio russo. Entrevistados na rua pela SIC, alguns cidadãos búlgaros confessaram "estar com bastante frio".

A minha candidatura conjunta preferida ao mundial de futebol de 2018



Os outros deviam mas é ir trabalhar.

A 'rua árabe' e o 'palácio árabe'

"Hamas and the arab states"

Despite the much-hyped Arab nationalist solidarity often cited in the name of Palestine, most Arab regimes actually have little love for the Palestinians. While these countries like keeping the Palestinian issue alive for domestic consumption and as a tool to pressure Israel and the West when the need arises, in actuality, they tend to view Palestinian refugees — and more Palestinian radical groups like Hamas — as a threat to the stability of their regimes.


A análise da Stratfor, via Claro.

sábado, janeiro 10, 2009

R.I.P. Ron Asheton

Ouvi Adolfo Luxúria Canibal dizer uma vez num programa de televisão que só ouvia jazz até ao dia em que lhe chegou às mãos um disco de Iggy Pop and The Stooges.
O impacto da audição foi tão grande que nesse mesmo instante o jazz perdeu um adepto e o rock ganhou um militante.
Antes de Adolfo Luxúria Canibal, Asheton já havia influenciado toda uma geração a que se convencionou chamar "Punk".
Para ambos factos contribuiu em grande medida o poder sónico da guitarra eléctrica de Ron Asheton: minimal e corrosiva como o(s) ácido(s). O feed-back e a distorção como uma arte.
Consta que, para ensaiar e gravar o primeiro disco, Iggy Pop tinha que "comprar" os restantes elementos da banda com drogas. Asheton talvez fosse um artista reticente, mas pelo preço certo deu forma a (pelo menos) duas obras primas do rock'n'roll: "The Stooges" e "Fun House".

Eu, ajoelho-me no tapete do escritório e curvo-me na direcção de Detroit.

Ladrão que rouba ladrão...

Semibold

Deixaram-me na caixa de correio um pequeno quadrado de papel com «Jesus ama-te», simplesmente, em Adobe Caslon Pro (semibold). Durante vários dias pensei que fosse a forma inesperadamente sofisticada de aquele moço espanhol do terceiro direito, que me sorri muito quando nos encontramos à porta do prédio a despejar o lixo, procurar a minha assistência para o desenvolvimento de actividades extra-curriculares. Mas, pelo que me disse a velha do quinto frente, parece que esse se chama Pablo ou Ramón ou uma coisa dessas.


Roubado ao Cinquenta e três, que roubou ao Agrafopontonet.

Entretanto, cresce o amor da juventude grega pela "resposta proporcionada"

Agente da polícia abatido a tiros de kalashnikov.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O blogue mais importante do mundo.

Neste momento, este é o blogue mais importante do mundo. Está parado porque a autora, que conta a sua história aqui, não tem electricidade para aceder à internet. Mas essa é seguramente a menor das suas preocupações.

Razões profundas da mortandade rodoviária

Foi qualquer coisa como isto, ouvido a uma repórter-narradora da RTP durante o Natal:

"(...) as operações stop, embora sejam um incómodo para os automobilistas, (...)".

Realmente, é um incómodo. Para além do atraso de vida de, para aí, vinte minutos, o cidadão ainda tem de ter o carro em condições de circulação, os documentos em ordem, a alcoolémia baixa, e uma condução segura e civilizada.

O mínimo que uma pessoa pode fazer contra isto é sentir-se incomodado. E, de novo na estrada, correr a avisar os outros com máximos, não vá dar-se o caso de algum não ter o luzes de travão, ou o carro ser roubado, não ter carta, estar com os copos ou, mesmo sem eles, a sua condução ser perigosa e pouco civilizada.

Com o alto patrocínio da televisão estatal, eis que a moral de troglodita chega ao estatuto de cânone.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

bokhim ve-yorim

É uma expressão hebraica que significa "chorando e disparando" e que traduz em duas palavras a táctica de vitimização a que Israel nos habituou sempre que parte para a guerra. É a mesma táctica que vejo ser usada em vários blogues, nos comentários aos posts contra a guerra: "lá está você a ser anti-semita..."

Israel afirma que a actual ofensiva visa defender o seu território contra os ataques de rockets do Hamas, mas em direito a legitima defesa deve obedecer à regra da proporcionalidade. Não podemos responder a uma chapada com um esfaqueamento, a um murro com um tiro.

Israel nem sequer usa a táctica do "olho por olho, dente por dente", no caso da ofensiva em Gaza modificou-se a expressão para "olho por ambos-olhos, dente por dentadura/boca/e-todo-o-sistema-digestivo".
Entre 2005 e 2007, os rockets do Hamas mataram 11 israelitas. No mesmo período, as bombas de Israel mataram 1290 palestinianos (destes 222 eram crianças).

Mas Israel está a fazer todos os possíveis para que esta seja a última ofensiva militar na Palestina.
Sim. É provavelmente o fim da história para a Palestina. Estamos a um passo da solução prevista pela Mossad nos planos da "Operação Cast Lead" elaborada por Meir Dagan , actual chefe da Mossad (Barak Ravid - Operation Cast Lead ": Israeli Air Force strike followed months of planning , Haaretz , 27 de Dezembro, 2008).

O plano, criado antes de 2001 com o objectivo de afastar Arafat, mantêm-se em vigor. Alguns dos passos intermédios já foram dados (separação da Palestina em duas zonas distintas, com governos diferentes e negociações separadas com ambos - Le Monde, 17 de Dezembro, 2001).

A retirada dos judeus dos colonatos de Gaza antecipou a construção do muro à volta da faixa, transformando-a naquilo que é hoje: um campo de concentração. Teria Israel construído o muro com colonatos dentro?
Seguiu-se o bloqueio a Gaza, impedindo o comércio, impossibilitando o funcionamento de todas as infra-estruturas, enfim, tornando a vida no gueto num inferno.

A "trégua" (coloco a palavra entre aspas porque não havia nenhuma trégua oficial uma vez que o governo do Hamas nunca foi reconhecido oficialmente quer por Israel quer pelos EUA) foi quebrada no dia 4 de Novembro, dia das eleições americanas. Israel bombardeou a faixa de Gaza declarando que o fazia para impedir a construção de túneis.
No dia 5 começou o cerco e o corte no abastecimento de alimentos e medicamentos. Simultaneamente ocorreram incursões armadas (Gaza truce broken as Israeli raid kills six Hamas gunmen - The Guardian , 5 de Novembro 2008).

Aos palestinianos restará, por fim, o êxodo. Quando a vida se tornar absolutamente inviável em Gaza, Israel abrirá o cerco e deixará sair o que restar da população civil. Uma limpeza étnica, portanto. Há algum outro nome a dar-lhe?

Resta dizer que na Cijordânia as negociações não têm trazido nada de novo aos Palestinianos, embora o Governo de Habbas seja da simpatia de Israel e dos EUA. Os colonatos continuam a ser construídos (doze mil israelitas na margem esquerda substituíram os oito mil que saíram de Gaza) e os postos de controle do exército não foram desmantelados, cortando em pedaços o território e retirando qualquer autonomia aos seus habitantes.
Mahmud Habbas tem sofrido humilhação sobre humilhação e já não lhe resta nenhuma credibilidade junto dos seus.

Acaba assim a história de um povo traído pelos seus líderes (corruptos ou fanáticos religiosos), pelo mundo árabe em geral: os que se manifestam hoje no Líbano esqueceram por certo que foram as milícias cristãs que executaram os massacres de Sabra e Shatila e ninguém foi julgado, e que os Palestinianos refugiados no Líbano vivem virtualmente presos em campos.
Traídos, por fim, pelo Ocidente dos Direitos Humanos.

terça-feira, janeiro 06, 2009

The noise betwen stations, pilar da ponte de tédio


“O destino do emigrante é que o país estrangeiro não se torna a sua pátria: a sua pátria é que se lhe torna estrangeira.”

Alfred Polgar (1873-1975), citado por J. Rentes de Carvalho.

domingo, janeiro 04, 2009

Rojo, amarillo y morado

É um excerto do filme "Caudillo" de Basilio Martín Patino, que encontrei no Abnóxio. Não lhe vou chamar documentário porque me parece curta a classificação para um filme que representa um ajuste de contas com a memória. O possível, porque outro mais sério está adiado sine die. É o exemplo máximo, ainda que não o mais popular, de uma época em que a arte substituiu a política na catarse de um povo acabava de viver anos sombrios.
É uma obra impressionante se tivermos em conta que Patino tinha todas as portas fechadas e não pode usar imagens de arquivos espanhóis.
Do mesmo realizador há que ver também o "Canciones para Después de Una Guerra". Um retrato dos primeiros anos do franquismo feito através de fotografias da época, sem narrador e com coplas como banda sonora.

E mais dois

Esquerda Republicana - Para contrastar com este nosso blogue, em que dois terços dos escribas são da Esquerda Monárquica.

Abnóxio - E recomendo vivamente o post com o texto de Miguel de Unamuno.

Também me tinha esquecido desta coisa dos blogues-de-que-a-gente-gosta...

Confesso, sem querer engraxar os colegas, que este é o único blogue que leio regularmente. Nem sei se sou capaz de encontrar cinco preferidos. Encontrar simplesmente cinco já será uma sorte, mas vamos lá:

O mundo de Cláudia - Há muito que não visito este diário mas imagino que continuará a ser uma leitura interessante. Quando for grande quero ter um blogue assim. Não é escrito em português. Vale?

O Estado Civil - descobri-o por uma referência do Dorean aqui no VouC. Vou lá de vez em quando cultivar-me.


Hoje há conquilhas. Amanhã não sabemos
- Prémio para o melhor título de blogue com referência culinária.

agora preciso de tomar fôlego... volto daqui a nada com os que faltam...

Os dardos do Claro

Tarde e a más horas, agradeço ao José Mateus a atenção que nos prestou.

Fui eu que, no VouC, descobri o Claro, já não faço a minima ideia como.

Também não fazia a mínima ideia de quem era o José Mateus mas o blog pareceu-me interessante e recomendei-o ao Dorean.

Aqui vão os meus dardos:

O Insurgente, porque me alimento das ideias de que discordo (como se vê facilmente)

O Esquerda Republicana, porque alguns dos melhores miolos do país estão ali.

O Sorumbático, pelo peso que têm na vida Portuguesa todos aqueles que lá escrevem.

O Estado Civil, o Pedro Mexia é um dos melhores escritores Portugueses da actualidade.

A Câmara Corporativa, uma escolha ao calhas.

E a parte da macacada

Para impôr a ordem, como comandante das Forças Armadas, mandava a Brigada Aerotransportada para os Açores e a Brigada da Abstémia para a Madeira.

Se Cavaco fosse realmente um grande estadista...

Fazia uma de duas coisas (ou ambas):

1. Dissolvia o parlamento, independentemente das circunstâncias actuais de crise, que não servem de desculpa.

2. Fundava um novo partido à direita, longe do PSD, que está morto e entregue ao verdugo, e do CDS-PP que, acima de tudo, pretende assaltar o orçamento de estado. Como presidente e tudo. E sem romper a solidariedade institucional nem comprometer a sua isenção.

Sem queixinhas.

Mais uma paranóica

Dorean, apreciei a tua referência nesta posta ás famílias que vivem em casas com radiadores a óleo e caixilharia ordinária.

Paranoicamente, enfio a carapuça.

Sinto-me culpado por viver numa casa com caixilharia ordinária e radiadores a óleo.

Prometo que me vou passar a preocupar mais com a Ucrânia.

Se puder, retiro também a caixilharia ordinária da janelas e os radiadores a óleo que infestam a minha casa.

Mas talvez lá mais para Agosto, não sei.

Tenho no entanto já a certeza que, depois disso, me tornarei numa pessoa muito melhor.

Como eu ando...

Dorean,

como eu ando, só com provocações me convences a escrever.

Países periféricos

Dorean, nesta posta, omites que a Austrália tem o tamanho de um continente e os recursos naturais equivalentes (para uma população que é metade da população de Espanha), sendo ainda o último continente a começar a ser explorado pelo homem.
Adiante.

Também não concordo com o artigo do João Miranda, claro.
É verdade que a forma preguiçosa de atrair capital se baseia em mão de obra barata. Mas esse plano só convém ao Estado e aos 5 ou 10% por cento que beneficiam.

Por outro lado, assenta numa visão da economia que é pouco inteligente e está agora completamente ultrapassada: a de que o desenvolvimento da economia só se consegue atraindo capital estrangeiro.

Ora a tendência para atrair capital estrangeiro resulta acima de tudo de uma tentativa para compensar uma balança de transações deficitária. O objectivo da política económica deve ser pelo contrário inverter o défice na balança de transações através do aumento das exportações.

Como o nosso único recurso é practicamente o material humano e como este não é lá grande coisa, a solução para este país periférico é atrair os melhores recursos humanos que consiga encontrar e que se mostrem dispostos a vir.

Isto é, Portugal precisa de uma política activa e deliberada de imigração e de atracção dos melhores (aliás, como a Austrália fez no passado, e não me venham com a história dos degredos de Inglaterra).

Para tal, há que os convencer a vir para cá e uma das formas para o fazer é, naturalmente, oferecendo bons salários, ou muito bons salários, o que, a prazo, se a política funcionar, claro, implica um aumento generalizado do nível salarial em Portugal.

Aliás, foi exactamente uma política deste género que se praticou no início dos Descobrimentos. ( Ou pelo menos, os livros de história assim o dizem, lembram-se? )

So much para a política de desenvolvimento à empresário do Norte, que já está morta e enterrada há muito tempo.

Dah!!

Mais um brinde ao Freddie!

E à sua "malha" mais famosa. Aqui ao lado de outros pesos pesados: Herbie Hancock, Ron Carter, Joe Henderson e Tony Williams

Freddie Hubbard R.I.P.

Tive o privilégio de vê-lo no Hot Club, em noventa e tal. Se bem me lembro (porque raios não escrevo um diário?!) acabava de recuperar de uma doença que o havia impossibilitado de tocar durante um par de anos. Quando toda a gente (Jamiroquay, Brand New Heavies, etc...) estava a tocar o som que ele ajudou a inventar nos anos 70, ele voltou a tocar Hard Bop, como quem diz "agora imitem lá isto, hehehe..." Eu gosto de gente assim. Que não concede. Lembro-me da surpresa e do prazer que me deu ouvi-lo ao vivo. Tinha um som potente, vibrante, mas melodioso e por vezes até lírico.
Não chegou a ver 2009. Foi participar na grande jam session eterna e nós perdemos mais uma lenda viva.

A luta e os seus problemas


"CONFRANGEDOR, neste processo, foi o Parlamento. E, com ele, evidentemente, os grupos parlamentares e os partidos. Foram incompetentes e fizeram tolices. Foi possível, por exemplo, aprovar uma lei que continha oito disposições inconstitucionais! Mostraram um comportamento contraditório e arrogante: vários partidos diziam uma coisa na televisão e votavam de modo diferente. Foram covardes e cederam à chantagem regionalista. Finalmente, cometeram acto impensável: automutilaram-se, isto é, abdicaram de competências e desistiram de funções de Estado."

António Barreto, artigo no Público por via do seu blogue Jacarandá.

Para não dizerem que ele fala, fala mas não faz nada

Esta terapia foi desenvolvida em conjunto por engenheiros da NASA e cientistas laureados e tem sido usada, com grandes resultados, até pelo Cristiano Ronaldo:

-antipirético para baixar a febre + analgésico para o incómodo das mialgias (mande alguém ir à farmácia buscar);
-leitinho ou chazinho quente para desinflamar a garganta;

(adenda para os pós-modernos: bombada de spray de água do mar em cada narina para desentupir o nariz)

-ficar de cama até sentir-se melhor (logo aqui implica, obviamente, deixar os serviços de urgência em paz).


VoC, um blogue de serviço público.

Está tudo imbecil

Qual o grau de autonomia pessoal de alguém que vai a caminho das urgências por causa de uma gripe?

Mais um ano que passou...

... Sem ter visto o Música no Coração.

(inspirado aqui)

O fim de uma farsa

Após três votações, dois vetos e declarações ao país, o presidente da república acabou por promulgar uma lei com a qual não concorda.

A um ano do seu centenário, a "República" idealizada pela junta revolucionária que tomou o poder em 1910 morreu definitivamente: o regime volta a sediar-se num parlamento todo-poderoso diante do qual o chefe de estado tem apenas consentida a autoridade de fazer ouvir a sua augusta voz.

sábado, janeiro 03, 2009

Exemplos de países periféricos (*)

Austrália

População: 21 milhões
PIB: USD 908.8 mil milhões
Crescimento PIB (2007): 4.3%
Desemprego: 4.4%
Literacia: 99%

Restrições ao crescimento: seca, importações, moeda forte; deficiências em infrastruturas e um mercado laboral pouco flexível também dificultam o crescimento das exportações.

Dadas as suas reservas de petróleo e gás natural, a Austrália não importa electricidade.

_____________________________________________________
(*) a propósito disto.

Pérolas na colecção Berardo


Autor desconhecido (Portugal)
Legenda de quadro, 2008

A boa tradução obriga à conversão de conceitos. Aquilo que seria considerado 'imobilismo' noutras línguas é, para o português, a tão desejada 'tranquilidade' (só não é 'sossego' porque seria termo demasiado saloio para uma galeria de arte).

Em Portugal os europeus constipam-se

Ao contrário do programado, não houve eleições antecipadas em Dezembro na Ucrânia e não foi desta que os pró-russos conseguiram mandar o presidente Yushchenko para melhor.

E que faz a Rússia quando não lhe fazem a vontade? Corta-lhes o gás.

Claro que nos lares da caixilharia ordinária e radiadores a óleo, vestiu-se mais um casaquinho e o assunto passou ao lado.


Bom dia, bom ano.

domingo, dezembro 21, 2008

quarta-feira, dezembro 17, 2008

A leste nada de novo

O russo, apesar da carreira e casamento, ainda era novo (25? 26?) e acredito que foi com inocência que se exprimiu.
Comparava ele as línguas ucraniana, a falada na Bielorrússia e o russo, sendo a segunda quase indistinta do russo próprio. "De modo geral, também há quase nenhuma diferença entre russos e bielorrussos", acrescentou.
"E com os ucranianos?", perguntei .
"Bom, não tanto, pois ali existe alguma influência dos nacionalistas".

Quem aguentar este vídeo até ao fim que me escreva que eu compro-lhe o livro



-E música, que se põe?
-Sei lá! Olha, mete uma clássica qualquer que isso não paga direitos de autor.


Vai haver umas alminhas retorquindo que há amadores no "tube" sabendo ler melhor que isto. Por favor, tenham dó da piquena: com textos destes qualquer um perde o tino, quanto mais o timbre.

Série Grandes Momentos Mediáticos

E a gripe das aves? Já acabou?

Marquetingue 2



O mercado-alvo aqui é outro e não há cá confusões: há três referências à proveniência do produto só nesta face da embalagem. O produtor é dos rijos e, como se pode ver pelo design neo-realista, está-se nas tintas para mariquices de computadores: quando o sr. Pinhais enlatou a primeira sardinha, os espanhóis eram uns matarruanos que se andavam a degolar uns aos outros e ainda haviam de passar uns bons quarenta anos de fome até terem dinheiro para uma lata de conserva portuguesa.

O uso exclusivo do inglês na rotulagem acaba por explicar por que razão nunca vi tal coisa à venda nas grandes superfícies nacionais.
O que não explica é como este e outros possíveis distribuidores conseguiram desencantá-la.

Marquetingue


Era uma vez três: um espanhol (à esquerda, sem direito a bandeira); um português; e um francês.

Reparem nas embalagens. Reparem na forma como cada produto procura diferenciar-se dos demais, numa área de mercado onde a origem é uma mais-valia a evidenciar (*).
E, depois, reparem nos preços.

(*) Julius Meinl.

ADENDA: pior do que eu pensava, o conteúdo é português mas o continente é espanhol.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Sabedoria popular

Não há cagança sem mijança, lá diz a sabedoria popular.

A não ser que se sofra de verborreia.

Os partidos novos

O Movimento da Esperança, o Movimento Alegre, o outro Movimento-que-não-me-lembro-agora...

Uma nomenclatura a transpirar optimismo.
Obviamente, não tenho favoritos e parece-me que, à excepção do segundo, vão acabar em águas de bacalhau.
Mas quando há quem responda com movimentos políticos alternativos ao panorama desolador com que a partidocracia tradicional nos presenteia, só posso agradecer. Ainda que tenham origem naqueles e venham, no fim, apenas servir de espora para regenerações internas...

Em todo o caso, na minha humilde opinião - cinismo devidamente sacudido - a superioridade da democracia representativa está na possibilidade dos descontentamentos irem a votos. Assim não fora (aí vem a piadinha) e ainda eramos capazes de nos ver gregos.

domingo, dezembro 14, 2008

Pessoa pop

A origem dos protestos está nos protestos (3)

Dado o estado a que chegou a revolta popular nas principais cidades gregas (essencialmente, aquelas com universidades), o PASOK, o PC grego e as duas centrais sindicais acharam que a solução para o fim da destruição e do descontentamento era, respectiva e independentemente, a queda do governo, a queda do governo e uma greve geral.

A origem dos protestos está nos protestos (2)

Há réplicas no resto da Europa, embora em menor escala, dos tumultos gregos. Estas levam a crer que, ao contrário do descrito pelos indicadores económicos, os jovens de Copenhaga vivem tão mal como os jovens de Atenas.

A origem dos protestos está nos protestos

Alexis Grigoropoulos foi morto por um polícia depois de atirar pedras ao carro-patrulha onde este seguia.

sábado, dezembro 13, 2008

Não tarde nada temos também que arranjar fitinha

Enquanto em Braga alguns grupos começam a querer extender a proibição de fumo a toda a restauração (aquela gente é, de facto, puritana), no Reino Unido a discriminação sobre a minoria vai de vento em popa e o fumador, já tratado em público como um leproso de outros tempos, cada vez mais sofre pela lei.

Como a ilegalização objectiva do tabaco é complicada, o fascismo higiénico opta pela criminalização do fumador. Não é apenas em locais públicos que este se sente a opressão e a planeada proibição de exposição de cigarros no local de venda - associando clandestinidade à compra de cigarros, é a ponta do iceberg. A propaganda e pressão social entrou pela privacidade adentro e, por exemplo, o aluguer de casas está, na prática, vedado a fumadores.

Mas o cúmulo do ridículo surgiu agora: enquanto nesse e noutros países se avança no sentido de conceder direitos iguais a qualquer minoria, há vereadores de subúrbio que, em pleno delírio de nicotinofobia, decidiram proibir os casais de fumadores de adoptar crianças.

Acho que está a começar a altura de escolher a cor da fita.

ADENDA: a proposta do vereador de Redbridge, Michael Stark, já foi votada e aprovada, extendendo esta proibição às crianças maiores de 5 anos.

Tendo em conta o número de crianças de qualquer idade havia, na altura da votação, uma falta de 10 000 famílias de acolhimento no Reino Unido
.

Temos praças de jorna outra vez

As velhas praças de jorna não foram uma criação literária do neo-realismo. Existiram nos anos 30 e 40 do século passado, em pleno fascismo, às portas de Lisboa, no Ribatejo e Alentejo e pensar-se-ia que a evolução social da Humanidade e até mesmo do país tivesse acabado com tal aviltamento. Mas não. Há novas praças de jorna, com essa ou outra designação, e com tanta pobreza e desemprego é pegar ou largar.

Estes homens, que viajam como gado e morrem como tordos, só chegam às páginas dos jornais cobertos por um lençol na berma de estrada. Toda a gente sabe que existe essa modalidade de arrebanhar e transportar mão-de-obra. Mas a classe política e os pregadores situacionistas têm coisas mais nobres com que se preocuparem.


João Paulo Guerra, no Sorumbático

sexta-feira, dezembro 12, 2008

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Blood Red Shoes - I Wish I Was Someone Better (Pinkpop 2008)

São só dois.

Mas parecem quatro.

Agora, ao vivo.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Se isto acontece no paraíso irlandês, imaginem o resto

O meu "Ensaio sobre a cegueira" preferido

"O amor é cego", conto de Boris Vian (L'Amour est aveugle, primeiro publicado na Paris-Tabou, n°1, 1949, e depois na compilação Le Loup-garoup, 1970).

Oh-oh

Pakistan’s Spies Aided Group Tied to Mumbai Siege

Direitos humanos no Reino Unido

Enquanto o ministro-sombra era preso e interrogado, e a sua casa vaculhada ao abrigo dos decretos anti-terrorismo, o Foreign Office celebrou a Declaração Universal dos Direitos do Homem botando discurso e atribuindo prémios.

Edificante. Ainda para mais por se ter esquecido de convidar para a cerimónia os súbditos de Chagos, arrancados à força do seu arquipélago natal por razões de superior interesse nacional, e aos quais ainda hoje recusa compensações de maior.

Tanto barulho para nada


Como já no Claro foi feita referência, o Congresso do PC acabou, Carvalho da Silva irá continuar à frente da CGTP e o senhor que se lhe segue não será o retratado.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

A Madeira é o Jardim

A emissão da assembleia regional online foi atrasada 5 minutos para corte editorial. Isto é possível porque o sinal televisivo apenas pode ser acedido a partir dos gabinetes do PSD, só depois seguindo dali para a régie.

Fiquei a saber ainda pelo Público que a disposição das câmaras de televisão na sala de debate também tem a sua lógica:

"Para captarem imagens das sessões, as câmaras da RTP-Madeira e de outras televisões têm espaço obrigatório junto à bancada de imprensa, atrás das bancadas dos partidos da oposição, onde antes ficavam os deputados da maioria. Contrariando a tradição parlamentar que distribui os partidos consoante o seu posicionamento ideológico, o PSD decidiu, em anterior legislatura, passar da direita para a esquerda do hemiciclo para que os seus deputados sejam filmados de frente e os da oposição de costas.".

Há muitos anos, quando passava uns dias com amigos em Porto Santo, um cavalheiro local fez questão de nos dizer, enquanto realçava a latitude e a distância entre continentes, que eles, do arquipélago, não eram europeus mas sim africanos.

Honestamente, acho a distinção irrelevante. A não ser que esse senhor tivesse querido de alguma forma explicar as razões da especificidade da democracia madeirense e o porquê da sua região se parecer cada vez mais com um Zimbabué em miniatura.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Jumpin' In

Kenny Wheeler (trompete), John Abercrombie (guitarra), Dave Holland (contrabaixo), John Taylor (piano), Peter Erskine (bateria)

Parte 1



Parte 2

Em 1640 havia castelhanos mas não havia SIDA

Agora, em 2008, não só voltou a haver castelhanos como também há SIDA.

Nenhum deles tem remédio mas a prevenção ajuda. Com patriotas ou filipinos, use sempre camisinha.


VoC, um blogue de serviço público.

Para compreender o que se está a passar na Tailândia (3)


Visto de Bangkok, o in loco de Nuno Caldeira da Silva