terça-feira, abril 01, 2008

sexta-feira, março 28, 2008

I believe

Acredito que a idade não nos melhora nem a inteligência nem a criatividade.

Eis aqui um exemplo. Como eles eram tão melhores quando eram mais novos.

Eu não sei quem é mais maluco

O JoaoMiranda ou os seus comentadores.

quinta-feira, março 27, 2008

quarta-feira, março 26, 2008

Dorean, toma lá esta resposta

Sem letras...

Eu até percebo que se queira fazer uma pedagogia disto mas...

O caso está a tomar proporções pythonianas.

Do 5 dias:

A Escola, a Professora, a sua Aluna e do Telemóvel dela
26 Março 2008 | por Paulo Pinto

A novela acaba de conhecer mais um desenvolvimento. Agora é o Ministério Público que quer apurar se houve ilícito penal, indo mover-lhe um processo no Tribunal de Menores. Prevejo que amanhã o assunto seja debatido na Assembleia da República e que, depois de amanhã, conste na agenda do Conselho de Estado.


Há uma coisa de que tenho a certeza: a partir de agora, sempre que algum espertinho filmar cenas na escola, arrisca-se a fazerem-lhe uma espera no recreio. E se só lhe partirem o telmóvel, já vai com sorte.

De uma conversa em volta do tema "felicidade"


- Pretty much bread-and-butter, I would say. Unfortunately, common-sense is not that common.

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"Nude with a yellow pillow", R. Liechenstein (1994)

segunda-feira, março 24, 2008

I've got a bad liver, and a broken heart



"Well I got a bad liver and broken heart, yeah,
I drunk me a river since you
tore me apart
And I don't have a drinking problem, 'cept when I can't get a
drink
And I wish you'd a-known her, we were quite a pair,
She was
sharp as a razor and soft as a prayer

So welcome to the continuing saga, she was
my better half, and I was just a dog
And so here am I slumped, I've been
chipped and I've been chumped on my stool
So buy this fool some spirits and
libations, it's these railroad station bars

And all these conductors and
porters, and I'm all out of quarters
And this epitaph is the aftermath, yeah
I choose my path, hey, come on, Kath,
He's a lawyer, he ain't the one for ya

No, the moon ain't romantic, it's intimidating as hell,
And some guy's
trying to sell me a watch
And so I'll meet you at the bottom of a bottle of
bargain Scotch
I got me a bottle and a dream, it's so maudlin it
seems,
You can name your poison, go on ahead and make some noise
I ain't
sentimental, this ain't a purchase, it's a rental, and it's purgatory,
And
hey, what's your story, well I don't even care
Cause I got my own
double-cross to bear

And I'll see your Red Label, and I'll raise you
one more,
And you can pour me a cab, I just can't drink no more,
Cause it
don't douse the flames that are started by dames,
It ain't like
asbestos
It don't do nothing but rest us assured,
And substantiate the
rumors that you've heard"...

domingo, março 23, 2008

Apesar de isto não passar de uma grandessíssima antonomásia

À atenção dos directores do jornal “Expresso”

O Sindicato dos Trabalhadores Humorístico-Circenses (STHC) vem por este meio deixar claro o seu mais veemente repúdio à publicação de uma crónica do vosso colaborador Daniel Oliveira. Este senhor teve o topete de escrever “Alberto João Jardim é um palhaço” e ainda esclareceu a sua ideia do que é um “palhaço”: alguém que “envergonha, de cada vez que abre a boca, a nossa democracia".

Isto é claramente uma ofensa à nobre e industriosa classe profissional dos Palhaços, que o STHC tem a honra de representar. Que fique claro que estes trabalhadores não têm o hábito de envergonhar alguém. Mais importante ainda, não é Palhaço quem quer.


Recolha de assinaturas online em repúdio pela comparação feita aqui.

Num restaurante perto de si (*)




Anda mergulhar e nadar aqui comigo
Dá-me a oportunidade de eu estava à espera:
Mostrar os meus atributos
Ante olhar apreciador.

O meu fato de banho de melhor material,
De tecido puro,
Agora que ficou molhado
Vê-lhe a transparência,
Como está colado ao meu corpo.

Tenho de admitir que te acho atraente.
Afasto-me a nadar mas logo venho para trás,
A chapinhar, com conversas,
Só desculpas para ter a tua companhia.

Olha!, um peixe dourado a brilhar entre os meus dedos!
Vê-lo-ás melhor se te chegares para aqui, para o pé de mim.


"Os Doces versos: poemas de amor no Antigo Egipto" (séc. XII a.C.), trad. de Hélder Moura Pereira.

Imagem: "The Two-timer", por Amy Crehore
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(*) O prometido é devido.

sexta-feira, março 21, 2008

Também há uma Igreja Católica Oficial mas não sei se um representante do governo provincial estará presente durante a transubstanciação


«The China Buddhist Association will issue living-Buddha permits. When the reincarnated living Buddha has been installed, the management at his monastery shall submit a training plan to the local Buddhist Association, which shall report to the provincial people's government for approval.

(...)

Once a reincarnated living Buddha soul-child has been recognized, it shall be reported to the provincial people's government for approval; those with a great impact shall be reported to the State Administration of Religious Affairs for approval; those with a particularly great impact shall be reported to the State Council for Approval.
When there is debate over the size of a living Buddha's impact, the China Buddhist Association shall officiate.

(...)

Applicants to be reincarnated living Buddhas may not be reincarnated if the provincial people's government does not allow reincarnations.»

Na Harper's, via Pastoral portuguesa

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Fotograma de "Life of Brian", onde Pôncio Pilatos e o centurião discutem o destino a dar ao putativo messias. Biggus Dickus ausente da imagem.

quinta-feira, março 20, 2008

A propósito daquele vídeo que anda de blogue em blogue

Muitos houve que se deixaram horrorizar com uma suposta situação de violência.

Fui à procura, pixograma a pixograma, de indícios de agressão. Apesar do aparato, nada naquelas imagens sugere algo mais que o histerismo de uma adolescente indisciplinada. E é precisamente a falta de balizas de comportamento e a imaturidade da sua escala de valores o que, perante os seus pares, a encurralam nessa disputa com a professora por um telemóvel. O contacto físico é uma extensão dessa teimosia parva de ambas, não indicando qualquer intenção de agredir. Concerteza que a aluna merece um processo disciplinar (toda a turma!) mas imaginar que este vídeo pode representar o caos do quotidiano no ensino secundário é de santo.

Nota negativa para a professora também. Como sugere o Daniel Oliveira (e como eu próprio me lembro dos meus bons velhos tempos), um professor que reage com a mesmíssima imaturidade dos seus alunos tem a turma perdida. A atitude dos outros no vídeo bem o demonstra. E, infelizmente, destes setôres há muitos por aí.

quarta-feira, março 12, 2008

A Lista de Ratzinger


Confesso que já frequentemente cometia os anteriores e, quase sempre, sem espécie de arrependimento. Do alto da minha experiência, posso afiançar que, em matéria de maldade, nem se poderia chamar-lhes pecados. Arrisco mais: talvez não fora o espalhafato holywoodesco dado pelo poeta toscano e é provável que a Igreja não se tivesse dado ao trabalho de arengar com os pobres por tão pouco.

Assim, não desgostei deste upgrade papal.

Para já, as novas proibições não me afectam pois não tenho carro e não pretendo matar células embrionárias/bebés (riscar o que não interessa) num futuro próximo. Depois, fica tudo muito mais bem definido sem prejuízo de imparcialidade: constam lá dos requisitos para a danação eterna a pedofilia e a criação obscena de riqueza, as duas grandes actividades menos católicas (depois da Inquisição) da Igreja. Vamos a ver se é desta que aprendem.
Mais: como bem vi aqui escrito, ao ameaçar com o fogo infernal os apóstatas neo-liberais do arrefecimento global, retira-lhes o apoio dos negacionistas conservadores. E isto, pelo menos em Portugal, olha que é opus, pá.

Por último, o novo catálogo vai fornecer aos produtores americanos uma excelente base para o argumento de mais um filmaço, na senda do "Sete" e do "Dez" (mandamentos): o "Treze". E esta, parece-me, ainda é a melhor razão que consigo encontrar para regozijo geral pela Lista de Ratzinger.

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Painel direito do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas", de Jerónimo Bosque, 1503-4

sábado, março 08, 2008

Reviver o passado na Basileia


À saída do avião em Basel-Mulhouse tinha uma bifurcação: para a esquerda, cubículo com polícia francês; à direita, a guarda era suiça. A côr tinta do passaporte foi quanto bastou para a loura me convidar a entrar no seu país.

Deambulava pelo centro da "cidade das exposições" ("Messestadt"), à procura por sítio para jantar, quando duas raparigas se me dirigem em português pedindo sugestão de sítio para jantar.

Chegados os três ao restaurante, o sr. António-já-aqui-estou-há-37-anos fez questão de trocar de área com o colega para poder ser ele a servir os compatriotas.

Depois de três garrafas de Nero d'Avola e muito piropo da parte do sr. António às minhas comensais, regressei aos meus aposentos.

O dia foi atarefado e, à saída do país, o guarda acenou-me a passagem enquanto olhava displicentemente para o seu romance de bolso. No duty free (tabaco a preços d'outrora!), o jovem afro-tuga da caixa até tinha dois brincos à Cristiano Ronaldo.

O circuito das exposições está a ficar saturado e aos basiléus mais valia esquecerem esse tipo de turismo cultural. Com a continuada imigração massiva de portugueses e a completa ausência de paranóias securatárias, o que parece ser um pulo de 24 horas à Suiça poderia muito bem ser vendido como uma doce viagem à CEE dos anos sessenta.

Ah. E nisso também.


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Foto: "La petite madone du Bidonville de Champigny" por Gérald Bloncourt, 1957

Viva a tourada!

Lembrei-me deles

Ah pois!

Alea Jacta Est

sexta-feira, março 07, 2008

A Decadência



Manchester, actualidade. Seis vintões e vintinhas distintos, moral nenhuma e a busca do prazer sem regras.

Prazer no amplo sentido: o que esta gente, representativa de uma geração, procura não é felicidade (disso serão incapazes) mas a saturação extrema de qualquer receptor neuronal. Da simples obsessão pela moda ao aborto recreativo, o grau de depravação a que os personagens chegam é reminiscente daquele demonstrado na novela-choque de outrora, "A Laranja mecânica", mas ultrapassa-a largamente.
Nem própria linguagem usada, apesar de absolutamente brutal, consegue acompanhar devidamente a descida orgíaca ao vazio daquelas almas desgraçadas.

A história em si até tem moral pois é contada por um jovem do futuro onde a anterior generalização de tais excessos levou à instauração de um estado totalitário. Moral mas sem paninhos-quentes: numa típica perspectiva britânica, onde um americano se despederia redimindo os sobreviventes, Stretch fecha-nos a porta na cara com um "desiste, daqui ninguém sai vivo".

O que mais me interessou nesta leitura foi ver transposto para o papel comportamentos e processos de alienação em adultos de que tenho sido testemunha (graças a deus, não na primeira pessoa) nos últimos anos.

Em resumo, o livro vale muito pela iniciativa dessa transposição. A alguns olhos sensíveis (e felizes), parecerá que Stretch exagerou para chocar e criar polémica que resulte em vendas. Se assim foi nalguns casos, o autor mais não fez que adivinhar a verdade. Como compete ao seu mester, aliás.

Recomendado a menores mas olhem que não é para meninos.
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Friction por Joe Stretch, ed. Vintage, 2008

quarta-feira, março 05, 2008

O secretário da defesa Cheney na 1ª guerra do Golfo

Na sua biografia, Schwarzkopf descreve como Cheney, então secretário da Defesa, exasperado pela enormidade de meios planeados para a libertação do Kuwait, engendrou e tentou fazer aprovar planos alternativos completamente suicidas e irrealistas, como fazer aterrar pára-quedistas directamente em Bagdad, ou tomar uma cidade no Oeste do Iraque (há lá alguma?) e fazê-la trocar pelo Kuwait (risos!).

Schwarzkopf e Powell delicadamente rebateram estas propostas lunáticas e o sensato presidente Bush (pai!) nunca levou muito a sério as propostas do então secretário da defesa.

O brilhante Cheney tem sido o vice-presidente de Bush (filho).

A ilusão das instituições supra-democráticas

Falei aqui num artigo passado na ilusão que se cria à volta de instituições supra-democráticas, como a OMC ou a Comissão Europeia.

Um propagandeador destas ideias é Fareed Zakaria. No seu livro "O Futuro da Liberdade", Fareed, editor da Newsweek, torce os factos para os adequar ás suas teorias.

Prometi que ia apresentar um contra-exemplo das suas teses.

Fareed descreve um projecto de racionalização das bases militares no território Americano ( Project Concise ) como um projecto apolítico que resultou numa decisão racional e acertada, sem a influência nojenta dos decisores políticos.

Fareed está enganado. O general H. Norman Schwarzkopf, vencedor da 1ª guerra do Iraque, foi um dos principais burocratas autores do projecto inicial de racionalização, apresentado após aturado estudo.

Na sua autobiografia, "It doesn't take a hero", o general apresenta esse mesmo projecto como o exemplo de uma decisão 100% política.

Ele chega a descrever a cena de um senador do Alabama que, após ouvir uma detalhada apresentação justificando o fecho de Fort McClellan, na altura a base menos eficiente do exército, se virou para os burocratas e, depois de elogiar o seu trabalho, disse: "You go back and tell your bosses in the Pentagon that as long as I am the senator from the great state of Alabama, you ain't nevuh gonna close Fort McClellan!"

O general avalia a decisão final como sendo 100% política. Fort McClellan ainda é uma base activa do exército Americano.

Obama contra Osama

O melhor candidato democrata é Barak Obama.

Hillary Clinton votou a favor da invasão do Iraque e agora quer retirar as tropas. Erra duas vezes.

Obama votou contra a invasão do Iraque e, consequentemente, quer retirar as tropas.

É consequente com os seus princípios.

Mas, dada a pouca diferença entre os candidatos, talvez não seja má ideia convidar Hillary para a Vice-Presdência.

Movimento Esperança Portugal

Sejamos absolutamente ingénuos. Mas ainda que lhes seja dado o benefício da dúvida, para que havia o país de querer uma boa cópia de dois maus originais?

Estes movimentos endógenos de cidadania são a prova que há para aí muita gente a lamentar a falta de milionários e primárias em Portugal.

segunda-feira, março 03, 2008

Grande Sondagem Verdade ou Consequência

Estamos preocupados com a nossa imagem e, por desinteressadas questões de merchandising, queremos saber de onde nos acorrem os magotes que avidamente sorvem a nossa prosa. Participe! As primeiras respostas certas têm direito a prémio (é só deixar o email na caixa de comentários que depois contactá-lo-emos).

Como tomou conhecimento do V-o-C?
Através da comunicação social
Por link em blogue colectivo, respeitável e de grande tiragem
Por link em blogue com pouca gente e assim-assim
Por link em blogue desprezável de zés-ninguém não-jornalistas
Fiz uma busca por "pitas nuas" mas esqueci-me de tirar o filtro
Por serendipidade
Pela wikipedia
Costumava dormir com (pelo menos) um dos autores
1473
Todas as acima
Através desta sondagem
pollcode.com free polls

domingo, março 02, 2008

O porquê do enigma da Esfinge

O problema da Esfinge era estar destinada a morrer aos pés do homem que a igualasse. Sabendo isto, porque razão não haveria ela de devorar os incapazes?

... Et je vois la vie en rose, 2



Why should one want what one cannot have if one can have what one does not want?

Why should one have what one does not want if what one wants one cannot have?

Why should one want what one cannot have when one can have everything else?


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"Sphinx (Victory)" (bronze pintado), Marc Quinn, 2006.

sábado, março 01, 2008

... Et je vois la vie en rose

Inês, Inês, toma lá uma balla

O Aardvark precisa de amigos

Tristeza e infelicidade

Como todos sabem, a tristeza e a infelicidade são fruto de maus sentimentos como a inveja e outros do género.

De seguida, passo algumas celebrações desses maus sentimentos.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Tiro olímpico



Campo de Al Salaam, no Darfur (foto de Stuart Price, Reuters, via Claro).

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Posta extremamente xomofóbica, teoricamente falando


A terra tremeu uns míseros 5.2 esta madrugada no Reino Unido e os ilhéus entraram em pânico. Sempre me pareceu que a abundância de côr-de-rosa ali não resultava só da falta de melanina.

Entrementes, fui relembrado pelo Daniel Oliveira sobre o que leva o presidente Ahmadinejad a ter tanta confiança que não há homossexuais no Irão: dão às de vila-diogo assim que podem.

Restava discutir se existe alguma correlação entre o aumento de terremotos num sítio e alguma descida significativa no outro mas parece-me que isso já seria paneleirice a mais.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Mais palavras difíceis

Cabeçalho. Por exemplo "Ó menina,leia aí o cabeçalho do livro de texto de Português do 9º ano do ensino onde todos passam, página 39, 2º parágrafo. Com certeza Sr. Professor"

Fartazana. Por exemplo "Ó Peixoto, vamos embora daqui que isto está cheio de fartazanas."

Quem é o Caribou?

I'm watching you

São 18h34 e desde que postei o trelon-tan-tan-tin apareceram aqui, pela primeira vez, um leitor de Manila e outro de Banguecoque.

Isto está a aquecer.

Trelon-tan-tan-tin-ton, trelon-tan-tan-tan



(por Tangy, no b3ta)

Sinal dos tempos

AVISO: as imagens e as palavras no vídeo abaixo poderão ferir algumas susceptibilidades. Eu posso dizer que me encolhi até ao encarquilhar dos dedos dos pés e ainda me doem os dentes. Estou agora a beber um cházinho de erva-cidreira a ver se recupero.



É lindo de ver que, após 30 anos de poder público, esta gente tenha passado a debitar as mesmíssimas atrocidades em versão globalizante. Emigração, que é mau, continua mas agora já sabe inglês.
Tenho a certeza que o eng.º deve estar bastante orgulhoso.

a culpa (pelo vídeo) é toda do Esquerda republicana.

Eu diria mesmo mais: é assim que a Alemanha ganha a guerra

Acerca da reacção agastada do dirigente comunista ao filme Call girl, João Miguel Tavares escreve na sua crónica do DN:

Soraia está nua e Abílio [Fernandes] pensa na militância. É por isso que o Muro de Berlim caiu.

domingo, fevereiro 24, 2008

SMS-manif

Como leio pouco, foi pelos comentadores do Corta-fitas (obrigado, comentadores anónimos e não-anónimos e assim-assim do Corta-fitas) que aprendi que as manifestações da classe profissional do estatuto da carreira são virtualmente espontâneas.

Ora, isto dos ajuntamentos espontâneos tem que se lhe diga. No princípio do milénio, quando a flash-mob foi inventada em Nova Iorque, o fenómeno não passava de uma performance artística; espalhava-se a convocação essencialmente por email mas, pela sua natureza, a aparição da polícia tornava-se irrelevante.

Tal como então, a maioria dos participantes de hoje não se conhece de antemão e é primeiro preciso haver uma motivação comum. Depois, tem de haver sincronismo.

A primeira compreende-se; a aposta é feita na solidariedade de classe profissional do estatuto da carreira, 'trabalhadores de todo o mundo, uni-vos' e tal. Quanto ao segundo obstáculo, parece que o pulo é por smss.
Mas aqui a porca torce o rabo: se a malta não se conhece, como é que arranjam os números de móvel uns dos outros? Uma hipótese que me agrada às meninges é que serão sacados no hi5 ou uma chatroom qualquer.

Deleita-me imaginar um prof de Tomar (ou outro sítio assim) à procura de encontros adolescentes acabar por descobrir que trocou números com uma colega solteirona de Massamá (ou outro sítio assim). "Ah!, pois,", exclama ele quando se apercebe do buraco em que se meteu, "o estatuto da carreira docente e tal, não é? Ó colega, e se fizessemos uma manifestação à porta do primeiro-ministro?"

Daí que não me pareça de admirar que a polícia desça ao terreno e desate a identificar aquela gente toda. Os polícias, lá está, não são parvos; muitos têm namoradas ou filhas em idade escolar e, derivado aos turnos consecutivos, eles sabem que não é raro aquelas perambularem na net à procura de um choquezinho tecnológico.

O Senhor Comentador

Descobri este blogue de Carlos Quevedo hoje. A abertura agarrou-me logo para o andante:

Se for invisual, clique aqui. Se for surdo, continue a ler. Obrigado.

O blogue colecciona os textos do seu autor que são lidos diariamente na Antena 1.
Gostei especialmente deste que transcrevo abaixo.

O Senhor Comentador está feliz com os novos avanços da medicina

Oiçam esta notícia maravilhosa: "Primeiro transplante de rim entre marido e mulher é um 'avanço' na área", diz Eduardo Barroso. Para começar, observemos que quem afirma que o tal transplante é um avanço é o Dr. Barroso, que na semana passada reconheceu ter ganho – e continuar a ganhar – uma pipa de massa por incentivar a realização de transplantes. Suponho que sempre que assiste a um transplante, o Dr. Barroso deve dizer "já cá canta mais um", "o Mercedes já está pago", "Querida, vamos ao Hawai" ou "ainda bem que já estava de olho no Bentley". Mas, pronto, ainda bem para o Barroso o futuro da medicina em geral. Continuemos com a notícia: "Primeiro transplante entre marido e mulher". Eu não sabia que isso não se podia fazer isso com a própria mulher. Não é que eu já o tenha feito. Mas como sempre estamos a experimentar coisa novas, mais cedo ou mais tarde, se calhar, numa noite de Verão, a minha mulher e eu éramos bem capazes de chegar aí. Quando li a notícia mais detalhadamente, percebi que esse tipo de transplante nunca antes tinha sido feito, não por ser pecado, mas por causa das seguradoras. Não queriam cobrir o risco do dador. E agora voltamos ao princípio. O tal grande "avanço" de que falava o Barroso, não era por causa da própria operação. Foi porque agora a seguradoras abriram um novo incentivo para os incentivadores de transplantes. Fico feliz por eles. Como diz aquela publicidade: "há coisas fantásticas, não há?" Fora isso, tudo bem.


Divirtam-se e, se forem invisuais, ouçam-no na rádio.

Já cá o tinha posto?



Não interessa, continua uma cançoneta catita e actual, apesar dos anos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Surpresas de audiência

Tenho constatado que este blogue tem mais leitores no Brasil que em Portugal. Considerando que raramente aqui se fala de assuntos relativos àquele país, primeiramente (como diria o grande Teodorico Odorico) senti-me honrado pelo interesse dos manos tropicais na prosa doméstica. Mas cedo me apercebi que é a natural arrogância dos contribuintes aquilo que levanta a tribuna do chão pátrio e a leva a flutuar por nebulosas discorrências humanistas.

Ora, nem de propósito: qualquer dia ainda faço uma investigação mais aprofundada sobre o perfil geográfico dos frequentadores aqui da xafarica e depois bufo tudo em directo.

Para já, notei que há um(a) freguês(a) em Gaillard, França, que nos visita assiduamente... Ena!, por esta é que ninguém esperava. Já aqui alguém me leu uma referência que fosse à gaja do presidente deles?

Saravá porque hoje é (quase) sábado,
DP

12 palavras

Em resposta atrasada ao pedido do Oito e coisa (estava em trânsito, meninas).

Estucha - gosto de palavras sem tradução possível e esta é uma delas; e rima com 'puxa', a sua gémea tropical.

Carrapatoso - o apelido, ele méme; se a progenitura me tivesse deixado por herança semelhante apodo, o meu primeiro impulso seria orfanar-me; ora, no entanto, todavia e contudo, o procedente é hoje transfiguração da mais altíssima capitania industrialista (ainda que seja por via matrimonial mas desenrascanço é desenrascanço) e, pelo neologismo, merece o meu eco.

Sanefa - que muitas vezes confundo com 'safona', que muitas vezes confundo com 'safada' e, se querem que vos diga, acho que é tudo a mesma coisa.

Manageiro ou managêro - só para mostrar que os alentejanos já dominavam o inglês técnico no tempo do Beresford.

Pérgola - porque me faz sentir como um puto a tentar sair-se com vocabulário de gente grande.

idem para Tanatório

Sofá-cama - parafraseando o La Serna, "sonhos em cima, conversa em baixo" (como se este exercício não fosse ele todo uma grandessíssima gregueria).

Adstringência - uma meta-palavra: ao dizê-la se la sente.

Kaiserschmarrn - com leite directamente fresco da produtora (todo o culinário que nas línguas abusadoras das sibilantes soa a delicioso, é-o); ora, se era bom para a Sissi, é bom para mim e para si.

Punção - porque, no fundo, somos todos uns fanhosos.

Amnésia - mas não ‘amnistia’: esquecer, tudo; perdoar, nada.

Gongórico - e embandeirando em arco.

Para que a cadeia não morra comigo, convido qualquer dos 8 ou 9 leitores desta xafarica a dar-lhe seguimento.

domingo, fevereiro 17, 2008

Sabor da semana

Esta história dos carros dá-me a volta ao estômago e ninguém me convencerá que, com menos gente a entrar na cidade em viatura própria, o panorama não muda.

Taxar pesadamente a entrada de carros na cidade, em jeito de portagem diúrna, é uma solução que já provou dar resultado noutras capitais europeias.

Inebriado com estes belos e justos ideais, segui a sugestão de C. Medina Ribeiro, do Sorumbático, e fui visitar um blogue cívico, O Carmo e a Trindade (uma surpresa agradável foi poder voltar a ler textos do Luís Coimbra).

O Carmo e a Trindade passa já a sabor da semana. Para além de inúmeras denúncias do comportamento subdesenvolvido de alguns autarcas, institutos, condutores e empresas no activo em Lisboa, lá encontrarão também ligações para outros sítios ou blogues lisboetas (ainda mais) bairristas.

Taxa de congestão já!

A propósito do recente aumento na taxa de congestão paga por quem pretende entrar com a viatura em Londres (25-vintecinco-25 libras esterlinas por cabeça de 4x4), o Quionga 6 diz:

E mais nada… agora que o túnel do Rossio vai abrir e que o comboio volta a aterrar no centro de Lisboa… porque não?

Estou a ficar sinceramente farto dos poluidores que entram e saem de cu tremido sem cá deixarem o dinheiro dos seus impostos.

Queres andar de carro no centro? PAGA!


Ó meu herói do Quionga: e que tal começarmos uma campanhazita concertada?

sábado, fevereiro 16, 2008

A Vénus de Metro


Mind the cunt, pelo irmão lúcia

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Ano III

Passou-me ao lado, como todos os aniversários de toda a gente que conheço.

Mais vale tarde: este blogue cumpriu, no passado dia 9, dois anos de existência. Viva nós!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Milhares? Centenas!

Há cerca de cem soldados da GNR em Timor que fazem mais pela segurança do seu povo e estabilidade do Estado que o milhar ou dois de efectivos do exército e polícia australianos.

Se fosse caso de pavonear orgulhinhos saloios até se poderia dizer que um soldado tuga vale por dez ozzies. Infelizmente, a realidade é outra.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Cronologia de um atentado timorense

O grupo de 'golpistas' chegou à residência do presidente de Timor às seis da manhã e viu com surpresa o seu líder, Alfredo Reinado, desarmar os seguranças e entrar. Ouviram disparos vindos do interior das casa mas, como qualquer bom chauffeur, deixaram-se ficar. Passada uma hora, chega o presidente do seu jogging habitual e, assim como quem não quer a coisa, os rapazes dão-lhe dois tiros e vão embora.

Parece que a viatura onde seguia o primeiro-ministro também foi levemente atacada. Hora e meia depois, e fora da capital. Pela fleuma da espera, dir-se-ia que o seu motorista é da mesma escola.

Mais no Timor online.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Timor a ficar Downunder

Alguns factos:

-ainda Reinado se encontrava "em parte incerta", após a primeira rebelião, foi fotografado na companhia de soldados australianos;

-depois de preso, fugiu da cadeia e voltou a refugiar-se nas montanhas; as forças do UNMIT, entretanto constituidas sob comando australiano, nunca deram cumprimento à ordem do tribunal para a sua captura;

-a acção de policiamento da GNR foi constantemente boicotada pelos australianos da UNMIT (prendiam os elementos das gangues mas eram obrigados à sua entrega ao comando australiano; este procedia à sua libertação no momento), o que até levou o contingente malaio a considerar abandonar o país;

-o exército australiano está presente com 2000 soldados num pequeno país cujas próprias forças de ordem ou militares não chegarão a contar tanto (isto não é uma força de paz, é um exército de ocupação);

-o corpo de Reinado já se encontrava morto e no interior da casa de Ramos Horta, uma hora antes do tiroteio que feriu este último (o "segundo" do dia).

Algumas perguntas:

-porque arrisca Reinado a sua presença num atentado contra o presidente se é o primeiro-ministro Xanana Gusmão quem detém o poder?

-se é público que Ramos Horta tem o hábito do jogging matinal, porque ataca Reinado a uma casa vazia e protegida?

-por que razão é o próprio Ramos Horta o único a chamar a GNR, e já depois de ter sido alvejado (às 7h00) se o "primeiro" tiroteio (o que mata Reinado) é às 6h00?

-quem atirou sobre Ramos Horta, ao portão da casa, uma hora depois de Reinado estar morto, dentro da casa?

-qual o país que agora vai ver reforçado, a pedido do PM Xanana Gusmão, o seu contingente de soldados (e não polícia) no território timorense?

-qual o país que irá beneficiar com a divisão do gás natural do mar de Timor?

domingo, fevereiro 10, 2008

E na blogosfera ainda é pior

Passo a vida a confundir os nomes de Medeiros Ferreira e de Medina Carreira, e vice-versa.

(ou será Medina Ribeiro?)

Derrick


(via Pastoral portuguesa)

Há qualquer coisa de pythoniano nesta entrevista de comício.
Aqui fica o registo, dedicado aos fregueses das feiras e mercados nacionais.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Eles andam aí

Este blogue foi hoje visitado por três computadores diferentes com IP de Mountain View, na Califórnia. Como por mais que puxasse pela carapinha não me lembrava de nenhuma relevância pessoal associada à terreola, fui ver.

Ahhhhhh!

Terá isto que ver com o fecho forçado do Blasfémias no Blogger? Juro que não tive nada a ver com tal.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Uma tomada de posição

Com a chegada da China ao estatuto de 1ª potência mundial é importante que a opinião pública ocidental ( dado que os governos Ocidentais muito provavelmente não o farão ) exija do governo Chinês resposta ás seguintes perguntas:

1. Que papel terá a China na manutenção da ordem internacional? Qual o entendimento comum de quais os conflitos que ameaçam a ordem internacional e qual o papel da China na sua resolução? Por exemplo, estará a China disposta a enviar tropas para o Iraque, a convite do novo presidente Americano John McCain, para ajudar os Americanos a consertar aquilo que eles partiram, dados que é imperioso repôr a ordem no Iraque e os Americanos não têm meios para tal?

2. Como vai lidar o governo Chinês com a liberdade e a democracia nos países ocidentais, no seu próprio país e nos países em desenvolvimento? Quanto mais não seja porque é muito bonito estarmos todos juntos na OMC e os países ocidentais estarem com as calças, quero dizer, as barreiras alfandegárias caídas para os produtos dos países membros mas depois não é possível verificar se um país que vende produtos abaixo do preço de custo das mercadorias que os compõem está deliberadamente a praticar o dumping com a intenção de enfraquecer as economias rivais.

Como é? Andamos todos juntos a trocar produtos e a enriquecer e melhorar o mundo, ou não?

Tenho a certeza que o governo Chinês, uma vez posto perante estas questões, lhes saberá dar as respostas mais adequadas, usando a astúcia e sabedoria que sempre caracterizaram o povo Chinês.

Mudanças

Tal como a eleição de Chavez, Morales e Lula na América Latina, os distúrbios que estão a ocorrer em África são essencialmente uma mudança de patrão.

O novo comando África, recentemente criado pelos EEUU já não vem a tempo e provavelmente não terá meios suficientes.

Olhai-vos ao espelho

Este é um país onde há coisa de 1,000,000 - um milhão - 1,000,000 de maiores de 15 anos que não sabe ler ou escrever.

Escusam de procurar comparações com Grécias ou Roménias: é preciso viajar à América latina para encontrar percentagens destas (8%). E, mesmo assim, nem todo o bicho-careta servirá de paliativo.

Quando criticais o PM que tendes esqueceis que ele é mais que o vosso merecido espelho, é um de vós. Tudo nele é vosso, da estética das mésons aos jeitinhos de secretaria.

Só mudam os líderes quando mudam os povos. Até lá, tende vergonha.