domingo, outubro 21, 2007

A política Portuguesa explicada às criancinhas

Tudo começou em Felgueiras, há uns anitos atrás.

Francisco Assis era presidente da distrital do PS do Porto, candidato a substituto de Jorge Coelho e normalmente considerado um político de qualidade, fora do circuito do futebol, rotundas e arguidos em casos que nunca acabam.

Apesar das notórias ilegalidades praticadas pela autarca de Felgueiras, o povão ( poboum-e ) mostrou a Assis o que pensa da legitimidade, da lei e da justiça do estado Português.

Assis quase levou porrada e teve a sua carreira política acabada.

O PS aprendeu a lição que Jorge Coelho lhe deu, ganhou pela primeira vez a maioria absoluta na Assembleia da república e apoiou com sucesso nas últimas autárquicas tudo quanto era autarca arguido e suspeito da prática de crimes.

O PSD, herdeiro da honestidade ditatorial de Salazar, enveredou pela via contrária com Marques Mendes à proa e foi clamorosamente derrotado, principalmente nas eleições contra aqueles arguidos que se recusou a apoiar.

A eleição de Meneses voltou a mostrar o que as "bases" partidárias em Portugal pensam ácerca de coisas como legitimidade, lei e justiça.

A queda


Into dust, Mazzy Star

sábado, outubro 20, 2007

sexta-feira, outubro 19, 2007

Admiração

Cecilia Sarkozy pediu o divórcio. As razões oficiosas falam de abuso e maus-tratos; as oficiais, sem dúvida acordadas para a prossecução tranquila do mandato do (futuro) ex-marido, aqui.

A minha admiração por uma Senhora que não se vergou à hipocrisia dos costumes sociais e se despede de cabeça erguida de um anão furibundo.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Imprensa de referência


Portugal é o único país que eu conheço onde se coloca sistematicamente e sem critério a loucura da bola na primeira página de jornais não-desportivos.
E fica tudo dito quanto à "imprensa de referência".

segunda-feira, outubro 15, 2007

Um petroblogue

Sempre passei o olho ao de leve por aquilo que o Pedro Lomba escreve e não posso dizer que me inspire reacções apaixonadas. Já das das sublimações do Pedro Mexia nunca fui menos que devoto madrugador.

E também porque o filme homónimo está no meu top 2, têm entrada directa para o top 40 e picos ali ao lado: o Gattopardo já está em linha.

domingo, outubro 14, 2007

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio
e as pedras das esquinas em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias:
os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



Eugénio de Andrade, "Poemas 1945-1965"

Ora comentemos

Passei agora pelo Blasfémias. As caixas de comentários desapareceram. Recauchutagem ou renovação? Tomara que não tenham ficado ofendidos com a singela homenagem ali abaixo.

Todos diferentes, todos iguais

Depois das fianças do jovem Bernardino à Coreia do Norte, o Abominável Comentador das Neves faz do Irão exemplo da sua definição de democracia.

P.S: se continuam a dar tribuna pública à opinião de mercearia não se poderão admirar que não haja por cá algum jornal de referência para amostra.

sábado, outubro 13, 2007

A ciência à luz de um juiz biotecnólogo

A notícia caiu como uma bomba de fragmentação enriquecida a urânio empobrecido.
Na blogosfera dita "liberal", os apelos sucedem-se. Contra a ignomínia, chefiados pela voz do porta-voz dos investigadores em biotecnologia, JoaoMiranda, a fúria dos famélicos da terra sem direito a automóvel atira contra o comité internacional o supra-sumo juízo científico de um juíz de um supremo tribunal nacional: parece que o filme de Gore tem 9-nove-9 erros científicos. Não é dez nem é oito, são nove, ó freguesa.

(eu estou acostumado a erros menos exactos, do género +/-0.5 unidades à escolha, mas pelo que li, o aquecimento global não seria determinístico mas aleatório. Ora, como o mesmo não existe, a negação dessa afirmação será "o não aquecimento global é determinístico, não aleatório". E assim encontramos a exactidão dos números)

Mas a blasfémia dos politicamente correctos não se ficou por aqui. Imagine-se que os comunas da academia da sueca ainda por cima tiveram o desplante de premiar um painel científico da ONU. E isto não pelo método da sua actividade mas pelas suas... CONCLUSÕES.

É de ficar de boca aberta. Um prémio Nobel pelas conclusões de um estudo científico? Tudo política, como nos dizem os iluminatos. Se é assim, onde é que isto vai parar?? Qualquer dia ainda nos impingem com, sei lá, o Nobel da Paz a quem se opõe a testes nucleares ou o da Literatura dado a quem fez guerra.

51 ways

«If your lover has put on too much weight, get them to walk three miles in the morning and three miles at night, and by the end of the week the fat fucker will be 42 miles away.» - Jo Brand


(lido no B-site)

quinta-feira, outubro 11, 2007

Há 19 anos atrás...

Entrei numa discoteca e ouvi esta música, de uma banda que eu não conhecia.

Comprei o disco. E nunca mais voltei a ouvir as músicas que ouvia antes.

Pop Australiano passou a ser o meu estilo preferido de música

As certezas num copo de vinho

Som da maquete original

segunda-feira, outubro 08, 2007

Mota Amaral é favorável ao Criacionismo na escola

Aqui, via Esquerda republicana.

Agora resta saber se o cavalheiro confundiu os propósitos da resolução, afirmação institucional de princípio pelo indisputabilidade do método científico, ou se achou que se pretendia remover as aulas de religião e moral das escolas.

A seguir preocupadamente, já que se trata de um recente membro do Conselho de Estado.

E o prémio para a melhor t-shirt Che vai para...

Vi na rua e por isso não tenho imagem. Por baixo da estampilha os dizeres:
"Who the hell is this guy?"

domingo, outubro 07, 2007

Say hello, wave goodbye



You and I
It had to be
The standing joke of the year
You were a sleep around
A lost and found
And not for me I fear


(e quem não corre logo para a pista às primeiras batidas é mariquinhas)

sexta-feira, outubro 05, 2007

Quando?

É que a Madeira se torna independente de Portugal?

E quando é que Portugal se torna independente dos Açores?

Um grande abraço, como diria o Uva, a todos os meus bons amigos Insulares.

Um abraço bastante menos apertado, claro.

Porque é que Menezes ganhou?

Porque está muito bem acompanhado.

A sra. Rice esteve cá há pouco tempo e confessou publicamente que tinha o propósito de compreender a realidade da política Portuguesa.

E compreendeu.

Tortura

Obviamente que esta força policial me pode torturar sempre que quiser.

Do Claro, claro.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Gestão ou liderança

As escolinhas, licenciaturas e mestrados em Gestão que proliferam pelo mundo servem para criar uma nova Aristocracia.

Gente que percebe de números, EBITs e outras sofisticações do género mas que parece saber muito pouco de liderança.

Deixam esse trabalho sujo a sargentos e contramestres enquanto eles se divertem a ver gráficos que demostram por exemplo, que uma taxa elevada de burn-out numa empresa com custos elevados de mão-de-obra contribui para uma saudável contenção dos custos ( pelos salários que não se pagam a quem sai e pelo esforço extra e não pago exigido aos que ficam ).

Ás vezes contratam especialistas em recursos humanos que seleccionam recursos dóceis e se divertem a organizar jantares e a distribuir gadgets.

Depois, a coisa falha, e volta tudo ao início ( os especialistas de recursos humanos é que falharam, claro ).

O capital intelectual perdido não é fácil de medir ( especialmente se compensado pelo esforço extra de quem fica ) para além de que se evita que os sargentos, contramestres e operários ganhem poder negocial e perturbem o poder aumentado dos senhores gestores.

Poder traz sexo e sexo traz poder e aqueles que têm mais poder têm mais sexo e sobrevivem, não fossem as conspirações dos invejosos, tal como o demonstram os mais avançados estudos sobre as sociedades paleolíticas, publicados na Scientific America e noutras publicações Anglo-Saxónicas, altamente abalizadas por elas próprias e pelos Nóbeis que se atribuem a eles mesmos através de Universidades que se avaliam umas ás outras como as melhores, em estudos independentes publicados por elas próprias na Scientific America e noutras publicações Anglo-Saxónicas.

Os sargentos e contramestres lá vão gerindo o possível e sofrendo as consequências dos fracassos, deixando aos outros os proveitos dos sucessos. ( é um espectáculo triste ver um desses gestores tentar forçar o que não é forçável, sem saber o que está a fazer, desmotivando e desmoralizando a cada palavra que lhe sai da boca, dando, enfim, vários tiros no pé, dado que o problema está muitas vezes na sua própria gestão ).

Porque os sargentos e os contramestres são os verdadeiros líderes.

Numa sequência de extrapolações injustificadas, o abismo está mesmo aqui ao lado.

A única ponte sobre esse abismo é a perseverança. Explicar, explicar, explicar, persistir, demonstrar, não ter medo, reagir à intimidação e à pressão com firmeza, contra-atacar, pisar a zona de recuo, ameaçar, dar o lombo, ser competente, Ser Humano.

É neste dia a dia que se combate a globalização da ditadura, do medo e da desumanização, passe os lugares comuns.

É tudo assim? Claro que não!

Por enquanto.

De esquerda, eu? Claro que sim! Ou claro que não?

E os juízes com 26 anos?

Mais uma extrapolação injustificada.

Só para acabar.

Ainda não.

Estou com a pica toda!

Maldita cocaína!

Que infantil que eu sou.

Ainda bem.

Pena não ser o príncipe dos Eternautas.

Hasta!

Comovente!

A crónica de António Lobo Antunes, hoje, na "Visão".

Boa Dorean, dá-lhes!

Mas não te esqueças que as causas perdidas são sempre mais simpáticas e fáceis de abraçar.

Não me leves a mal.

Eu nem sequer caí no lodo suicida da chamada realpolitik.

Os 10 passos para o reestabelecimento da ditadura na Rússia,

segundo o Devaneios desintéricos:

1. Putin estabelece a imagem de líder forte, o único capaz de controlar a Rússia;
2. Ganha o apoio dos demais cargos supremos da política russa e obtém da da poderosa Igreja Ortodoxa a cuidada gestão dos seus silêncios;
3. Suprime a opinião pública afrontando as ONGs e perseguindo a Imprensa crítica;
4. Nomeia um delfim, politicamente irrelevante, para seu sucessor na candidatura à presidência - Victor Zubkov;
5. Abandona a presidência por impossibilidade constitucional de se candidatar a novo mandato:
6. Putin anuncia sua disponibilidade para ser primeiro ministro;
7. Zubkov ganha as eleições presidenciais e, se quiser, tem poderes constitucionais para delegar poderes no Primeiro Ministro (que será, provavelmente, Putin)
8. O partido de Putin - o Rússia Unida - ganha, por via eleitoral, controlo total da presidência, governo e Duma (que conseguirá se mantiver a actual proporção de mais de 300 deputados favoráveis em 450) tendo poder para fazer qualquer alteração à Constituição russa; A actual força principal força opositora só tem, segundo as sondagens, 7% de intenções de voto;
9. Se o presidente ficar incapacitado ou se demitir, será o primeiro ministro - Putin? - que herdará automaticamente o seu cargo como, aliás, aconteceu com Boris Yeltsin, tornando-se novamente presidente da Rússia;
10. A Rússia passa a ser uma ditadura.

O sexto ponto desta caminhada foi hoje anunciado.

Liberdade para a Birmânia


Free Burma!

quarta-feira, outubro 03, 2007

Maddie na ONU

O Conselho de Direitos Humanos da ONU reuniu sobre a situação na Birmânia. Num primeiro texto proposto pela China, os próprios manifestantes eram "condenados" pelos desacatos e aos mesmos era exigida "contenção" nos seus protestos. Posto isto e após a cínica aprovação indiana e russa, o comunicado do CDH "lamenta mas não condena" a brutal repressão do regime militar sobre os democratas do seu país.

"Lamenta mas não condena". Assim como quem olha para uma criança levar uma bofetada do pai e diz: "coitadinho do miúdo... Mas os pais lá sabem".

Este tipo de resolução define aquilo para que este organismo foi (re)criado: institucionalizar aquela visão multicultural de "humanismo" tão cara a regimes não-democráticos e, por tabela, servir de montra ao músculo diplomático dos gigantões, antigos e emergentes.

Quem lixa sempre, lá está, são os miúdos.

"A sucessão de Putin"


do Cinco dias.

Os nomes também contam

Myanmar parece nome de aldeamento em estância balnear para pedófilos.

terça-feira, outubro 02, 2007

Decisões de ano velho


Tindersticks, No more affairs

São duas da manhã de uma noite de insónia, temperada com chuva e regada a meia garrafa de Caol Ila.
Que outra coisa mais seria suportável ouvir?

Myanmar e Yagon

A repressão aos monges budistas teve no politicamente correcto uma vítima ocidental: onde antes a culpa do homem branco recomendava obediência à nomenclatura do complexo neo-colonialista, já a imprensa britânica recuperou o nome do país, "Burma", e da capital, "Rangoon", anteriores ao golpe militar de 1989.

Agora digam lá se Bombaim (literalmente 'baiazinha boa' em português de quinhentos) não será sempre mais bonito que Mumbai?

sábado, setembro 29, 2007

Bichos!

Agora, estamos entregues aos bichos. V V V V.

E esta era para ter sido posta no dia 11

Uma canção de Natal para vós

sexta-feira, setembro 28, 2007

As ditaduras e os monges



Numa sequência de imagens terrível, foi hoje divulgada ao mundo mais uma faceta da barbárie dos militares birmaneses: um fotógrafo japonês abatido à queima-roupa por um macaco vestido de soldado.

O regime ditatorial da Birmânia é tão intolerante que mantém presa há décadas um prémio Nobel da Paz. Tão insuportável que até fez perder a paciência a monges, ainda para mais budistas, ainda por cima orientais.

É daquelas ditaduras de opereta que, sem noção do ridículo mas com uma frustração sexual ultramontana, mudam o nome ao país e à capital sem que alguém perceba para quê.

A reacção da China, o principal parceiro comercial daquele país, está a ser interessante: ufanos, solicitaram à junta no poder em Rangoon (ou Yangon...) e aos manifestantes pró-democracia para que contenham os ímpetos.

Que os chineses têm algum poder de influência sobre os seus vizinhos (i.e., o mundo), já nós sabemos. Agora é óbvio que não se pode acreditar que o regime de Pequim (ou Beijing... Perceberam?) olhe para além da fronteira e tenha a humanidade de constatar que alguma coisa está bastante errada com o que ali acontece.

Afinal de contas, também o Dalai Lama era monge, budista e oriental e isso nunca lhe garantiu qualquer salvaguarda das garras dos ditadores chineses.

A civilização Europeia É superior às outras


Vídeo institucional, da responsabilidade da Comissão.
(via Claro, claro)

terça-feira, setembro 25, 2007

Dia europeu sem carros


Vem atrasado mas só queria dizer aqui que no dia europeu sem carros locomovi-me tal qual na maioria dos restantes dias do ano: de bicicleta e a pé.

O extremismo institucional polaco

Desculpem lá mas... Pá, sem querer ofender ninguém, as reacções de certos sectores da blogosfera espantam-me, não pelo extremismo da solução proposta para a Polónia (uma jactância que na forma está ao nível da dos visados), mas pelo voluntarismo da ignorância demonstrada.

Há milhões de polacos que gostariam de ver os homozigóticos afastados do poder e que, iguaizinhos a "nós", são tão democratas e civilizados quanto os suecos, cultivando um asco refrescante a qualquer género de intolerância.

Voltar-lhes as costas só porque há uns cães 'menores' com direito (legítimo) a um microfone, não seria a melhor estratégia para ajuda-los a expurgar da sociedade polaca esses resquícios de totalitarismo transvestido.

Pegai nos relatos da história, recentes e d'antanho, e mesmo sem ir muito longe vereis que o isolamento de um estado nunca conduziu à emancipação do seu povo. São mesmo precisos exemplos?

segunda-feira, setembro 24, 2007

E depois há os merdosos que as convencem que não, meu caro Pedro Mexia

Completamente mediano e um bocado merdoso

'Chega um momento em que quase todas as mulheres pensam isto dos seus namorados ou maridos: «It’s about being a good guy, Cody. A decent person. And you’re not... in the end, I’m with somebody who’s like all the other guys I grew up around. Not so terrible, but not very good, either. You’re just a guy. Just a normal guy... which means kind of shitty, actually. Completely average and a little bit shitty».(This is How it Goes, 2005, Neil LaBute)'


Cumprimentos,
DP

domingo, setembro 23, 2007

Essa é que é essa

"É que entre esta câzoada e o engenheiro das corridinhas, o país não hesita. Não por o engenheiro ser sublime, extraordinário ou coisa nunca vista. Não. O engenheiro não está a fazer nada de especial e o que está a fazer, faz porque estamos na UE e porque a economia não é gerível daqui. Sócrates navega à vista como corre e corre como navega à vista. Dá uma razoável aparência de mando e, atentas as circunstâncias de vida do homem médio português, sustenta-se no medo que esse homem médio tem de perder o que já tem."


No Portugal dos pequeninos.

E entretanto, cresce o amor da juventude alemã pela aviação sem motor

A gaffezinha do eng.º (sic) Sócrates, como relatada no sítio da Casa Branca:
(...) the question of Kosovo and the Middle West [sic] problem. I had the opportunity to tell the President how Europe can see with good (inaudible) the declaration on Middle East of President Bush, (...)

(via Oito e coisa, por sua vez via Glória fácil...)


E a bacorada do costume do eng.º (sick) Bush, analisada no Think Progress (think-tank americano... de esquerda)
I thought an interesting comment was made — somebody said to me, I heard somebody say, “Now, where’s Mandela?” Well, Mandela’s dead because Saddam Hussein killed all the Mandelas.
Vem com vídeo e tudo.

(também via Oito e coisa)

ADENDA À TOSCA COMPARAÇÃO: Já que falamos em minudências de arregalar os beiços, convém fazer notar que a transcrição das declarações do P.M. feita pelos serviços de imprensa da Casa Branca é profissionalíssima e só pode trazer ofensa a virgens de sacristia viciadas na reverência instituticional. E já todos compreendemos o resultado que esta atitude está a ter...

sábado, setembro 22, 2007

Inglês técnico

Middle West problems e tal...

Citado de memória

Voltou com um copo d'água na mão e um ar contemplativo mas decidido. Pousou o copo no criado-mudo e sentou-se na cama. Olhava com atenção para a frente, onde se diria que as palavras tomavam forma. Sem se virar, disse-me: "depois da paixão, uma relação precisa de ser trabalhada para ser mantida".

Fiz uma careta e preparava-me para reagir de um salto, como alguém a quem espetam um alfinete no rabo. E foi precisamente com esta imagem que acabei por transmutar o esgar em sorriso amarelo. Afinal, aquela mulher não era a minha.


In The Picture of Dr. John Gray, J.T. Barrett

(tradução minha)

Destaque da semana



“em Portugal, ainda se julga que a cultura é dizer asneiras com distinção e que a distinção é o afivelar de um ar afectado”

Parabéns

Ele há coisas que uma pessoa lê e depois pensa: "podia ter sido eu mas não o teria escrito melhor".

Dois anos de leitura diária de Estado civil: parabéns, sim, e obrigado.

quinta-feira, setembro 20, 2007

A Turquia na UE

Defendia que a Turquia deve pertencer à UE.

Mas vendo o comportamento da Polónia, acho melhor não.

O Fernando é gay

Este videoclip foi realizado no âmbito do curso de cinema da Universidade Lusófona. Esta música interpretada pelos Pink Poetry é uma versão da música tradicional ribatejana Fandango e conta a história de um forcado que ao sair do campo para a cidade perde a sua identidade.

Um belo trabalho experimental, que aborda de alguma forma as angústias do homem moderno

Para tentar limpar a minha imagem

Eu não sou nenhuma das senhoras que dançam. Sou o primeiro cantor. A solista é a minha mulher.

Hoje sinto-me assim

Serás que pensam que eu penso que sou gay?
Ou era escusado estar aqui a tentar arruinar a minha reputação?

Um Macabeu que se preze dá conta de dois filisteus ou mais e ainda limpa as mãos à cortina. Capice?


The Maccabees, First love

terça-feira, setembro 18, 2007

Do outro lado do espelho


Humpty Dumpty sat on a wall,

Humpty Dumpty had a great fall.

All the King's horses, And all the King's men

Couldn't put Humpty together again!


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(Masterpiece, Christeas, 2003)

Decifra-me ou te devoram

sábado, setembro 15, 2007

Belle and Sebastian - Sleep the Clock Around Live

Finalmente, uma questão pertinente

O dr. Vital Moreira volta a embirrar no Causa Nossa com as cores das camisolas da selecção nacional de futebol (via O insurgente).

Sr.dr.: por um lado, o sangue-de-boi presente aplica-se muito melhor ao carácter nacional e ainda tem a vantagem de fazer lembrar as barras das casas no Alentejo.

Para além disso, essa da farda dos desportistas ter de combinar com a bandeira é idéia à qual muito boa gente não faz caso.
Quer exemplos? Olhe, o pavilhão holandês não é laranja; o alemão não contém branco; na camisola de Itália sabe-se lá de onde vem o azul e idem para os calções espanhóis; et c, et c...

Um amigo irlandês confessou-me um dia que lhe dava vontade de abrir uma garrafa com verdadeira rolha de cortiça cada vez que via entrar em campo o bordeaux dos portugueses.
Já aquele vermelhão vivo da nossa república, pelo contrário, associa-o aos histriónicos anos oitenta e às lojas de produtos chineses.

(estas últimas são palavras do próprio, juro, que em tamanha polémica liberal-conservadora não meto a colher)

Spleen 2

"Deixei de ler", diz-me L., com uma voz desapaixonada. "Com livros maus não faz sentido perder tempo e os bons são insuportáveis".

quarta-feira, setembro 12, 2007

Momento de alta cultura sul-africana

Há uma empresa na África do Sul a organizar safaris de paintball em que a caça são meninas contratadas para o efeito. O equipamento das mesmas limita-se aos goggles e ténis para corta-mato e, caso o cavalheiro desportista consiga acertar no corpinho da jovem com um tiro que seja, "he can have his way with her".

Segundo me disseram, cada rapariga chega a ganhar o equivalente a 5000 euros por caçada. Nada mau para um dia passado a fugir de um boer sudorento.

(lamento mas não possuo link)

domingo, setembro 09, 2007

O preço das casas explicado às criancinhas (2)

Ana Bela Pereira da Silva, Presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias, afirma que, entre muitas coisas, que a banca em Portugal é uma mentira, que não corre riscos, recusa créditos às empresas e ganha milhões com créditos pessoais totalmente garantidos.

(a entrevista ao Correio da Manhã aqui , via Claro)

Não é de todo verdade. À nossa banca interessa também sustentar as empresas de construção civil, pois a sua mercadoria é o mais custoso e inevitável objecto de consumo dos portugueses.

Idem para o Estado, pois, se a banca não arrisca a investir numa indústria mais produtiva, os ciclos de grandes obras públicas são a única política que os sucessivos governos conseguem imaginar para manter a economia viva. Financiadas pela banca e pagas com os nossos impostos.

Estado, banca e patos-bravos: uma aliança viciada a bem da Nação e onde todos ganham menos a própria, nós.

O preço das casas explicado às criancinhas (1)

Por que razão são as casas coisas tão caras?
A resposta é porque a grande maioria das pessoas não tem dinheiro para comprar uma.

Paradoxo nas leis de oferta e procura?

Vejamos: eu tenho um bem à venda por 1000 que todos querem mas pelo qual só podem humanamente pagar 10. A lógica de mercado diria que eu seria obrigado a baixar o preço até este coincidir com aquilo que a procura pode pagar.
Ou, de outra forma, se todos ou algum puderem pagar 2000, então isso já permite aumentar o preço da mercadoria de forma a acompanhar esse maior poder de compra e maximizar o retorno.

Que a imensa maioria apenas pode pagar 10 é um facto. Que acabem por comprar uma casa que custam 2000 é outro.

A distorção dos mecanismos do mercado, claro está, é feita pela banca.
Com virtual abolição de limites ao crédito, a procura enlouquece no desejo de posse e inflaciona os valores do mercado.

Tanto a própria banca como a oferta agradecem: a ambos interessa que o preço seja o mais alto possível. A maximização do retorno é superior através de um mercado descapitalizado porque este é descapitalizado.

À banca não interessa uma sociedade rica. Ou, por outras palavras, gente rica não alimenta bolsos de usurário.

Nation branding



Wally Olins, o patrão da Saffron Brand Consultants, em parte de uma entrevista para a Monocle acerca de um dos muitos conceitos de que foi pioneiro (*):

M: E que erros é que os países fazem?
WO: Pensarem que pode ser tudo feito em 10 minutos. Não pode. Leva 10 ou 20 anos. Eles pensam que se trata de uma campanha de publicidade; pensam que basta uma frase curta. Eles querem dizer coisas que não são verdade.

M: Então nation branding é um processo contínuo, necessitando de check-ups regulares?
WO: Os países deveriam ter um director criativo. Em 20 anos, será norma a existência de um departamento governamental dedicado ao tratamento da imagem do país: gestão de reputação; turismo; investimento externo directo.

M: Foi algo disso que você fez em Portugal?
WO: Começámos por ajudá-los com o turismo à volta de 1992. Depois passámos ao brand export e ao investimento externo directo. Tudo estava a correr lindamente mas, quando houve eleições, o que é que o novo partido no governo faz? Deitaram fora tudo o que o anterior governo havia feito. Este tipo de projectos não pode ser gerido por pessoas que estão no poder durante cinco minutos.

M: Portugal foi prejudicado por não terem permitido o seguimento de uma linha definida de nation branding?
WO: Sim, a imagem de Portugal sofreu com isto. Eu estive em Lisboa não há muito tempo e eles estavam a discutir nation branding outra vez e que Portugal deveria ser visto como a capital de IT do sul da Europa. Ora, sinceramente: de que raio estão eles a falar?

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(*) tradução minha

sábado, setembro 08, 2007

To be constituted arguido

Há um novo verbo na língua Inglesa: to be constituted arguido.

Em Portugal, toda a gente sabe o que é um arguido: é um autarca ou um dirigente de um clube de futebol, ou ambas as coisas ao mesmo tempo. Agora, o mundo inteiro vai saber que o casal McCann é arguido, tal como os autarcas ou os dirigentes dos clubes de futebol.

Os trâmites tortuosos da justiça Portuguesa chegaram finalmente ás bocas do mundo. Agora sim, a CNN, a SkyNews, a BBC, a ITV, o The Sun, etc. vão saber verdadeiramente o que é um reality show e vão poder transmiti-lo a par e passo. Os enredos do processo McCann irão alimentar horas, dias, de debates intermináveis de especialistas informadíssimos e vão gerar uma inestimável torrente de lixo noticioso.

Finalmente, o entretém noticioso que tanto tempo nos ocupa em Portugal, vai passar a atafulhar os media Ingleses.

Orgulhem-se. Temos mais um produto de exportação, o equivalente Português da novela Brasileira: o enredo complexo da justiça da República em acção.

Pobre miúda...

I Pagliacci

-Doutor, estou deprimido. Sinto-me derrotado e só, à minha volta medra a vulgaridade e a cobardia é recompensada. Temo que não seja possível voltar a ser feliz e já comecei a sonhar com situações de suicídio.

-Homem, então, recomponha-se! Sei exactamente do que você precisa: o grande comediante do nonsense, Pagliaccio, está em tourné e hoje à noite dará um espectáculo na nossa cidade; vá vê-lo e verificará que o segredo de tudo é nunca levar as coisas muito a sério.

-Mas, doutor...

-Sim?

-Eu sou Pagliaccio.

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Roubado e adaptado numa tradução muito livre do The Watchmen, por Alan Moore