quarta-feira, setembro 12, 2007

Momento de alta cultura sul-africana

Há uma empresa na África do Sul a organizar safaris de paintball em que a caça são meninas contratadas para o efeito. O equipamento das mesmas limita-se aos goggles e ténis para corta-mato e, caso o cavalheiro desportista consiga acertar no corpinho da jovem com um tiro que seja, "he can have his way with her".

Segundo me disseram, cada rapariga chega a ganhar o equivalente a 5000 euros por caçada. Nada mau para um dia passado a fugir de um boer sudorento.

(lamento mas não possuo link)

domingo, setembro 09, 2007

O preço das casas explicado às criancinhas (2)

Ana Bela Pereira da Silva, Presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias, afirma que, entre muitas coisas, que a banca em Portugal é uma mentira, que não corre riscos, recusa créditos às empresas e ganha milhões com créditos pessoais totalmente garantidos.

(a entrevista ao Correio da Manhã aqui , via Claro)

Não é de todo verdade. À nossa banca interessa também sustentar as empresas de construção civil, pois a sua mercadoria é o mais custoso e inevitável objecto de consumo dos portugueses.

Idem para o Estado, pois, se a banca não arrisca a investir numa indústria mais produtiva, os ciclos de grandes obras públicas são a única política que os sucessivos governos conseguem imaginar para manter a economia viva. Financiadas pela banca e pagas com os nossos impostos.

Estado, banca e patos-bravos: uma aliança viciada a bem da Nação e onde todos ganham menos a própria, nós.

O preço das casas explicado às criancinhas (1)

Por que razão são as casas coisas tão caras?
A resposta é porque a grande maioria das pessoas não tem dinheiro para comprar uma.

Paradoxo nas leis de oferta e procura?

Vejamos: eu tenho um bem à venda por 1000 que todos querem mas pelo qual só podem humanamente pagar 10. A lógica de mercado diria que eu seria obrigado a baixar o preço até este coincidir com aquilo que a procura pode pagar.
Ou, de outra forma, se todos ou algum puderem pagar 2000, então isso já permite aumentar o preço da mercadoria de forma a acompanhar esse maior poder de compra e maximizar o retorno.

Que a imensa maioria apenas pode pagar 10 é um facto. Que acabem por comprar uma casa que custam 2000 é outro.

A distorção dos mecanismos do mercado, claro está, é feita pela banca.
Com virtual abolição de limites ao crédito, a procura enlouquece no desejo de posse e inflaciona os valores do mercado.

Tanto a própria banca como a oferta agradecem: a ambos interessa que o preço seja o mais alto possível. A maximização do retorno é superior através de um mercado descapitalizado porque este é descapitalizado.

À banca não interessa uma sociedade rica. Ou, por outras palavras, gente rica não alimenta bolsos de usurário.

Nation branding



Wally Olins, o patrão da Saffron Brand Consultants, em parte de uma entrevista para a Monocle acerca de um dos muitos conceitos de que foi pioneiro (*):

M: E que erros é que os países fazem?
WO: Pensarem que pode ser tudo feito em 10 minutos. Não pode. Leva 10 ou 20 anos. Eles pensam que se trata de uma campanha de publicidade; pensam que basta uma frase curta. Eles querem dizer coisas que não são verdade.

M: Então nation branding é um processo contínuo, necessitando de check-ups regulares?
WO: Os países deveriam ter um director criativo. Em 20 anos, será norma a existência de um departamento governamental dedicado ao tratamento da imagem do país: gestão de reputação; turismo; investimento externo directo.

M: Foi algo disso que você fez em Portugal?
WO: Começámos por ajudá-los com o turismo à volta de 1992. Depois passámos ao brand export e ao investimento externo directo. Tudo estava a correr lindamente mas, quando houve eleições, o que é que o novo partido no governo faz? Deitaram fora tudo o que o anterior governo havia feito. Este tipo de projectos não pode ser gerido por pessoas que estão no poder durante cinco minutos.

M: Portugal foi prejudicado por não terem permitido o seguimento de uma linha definida de nation branding?
WO: Sim, a imagem de Portugal sofreu com isto. Eu estive em Lisboa não há muito tempo e eles estavam a discutir nation branding outra vez e que Portugal deveria ser visto como a capital de IT do sul da Europa. Ora, sinceramente: de que raio estão eles a falar?

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(*) tradução minha

sábado, setembro 08, 2007

To be constituted arguido

Há um novo verbo na língua Inglesa: to be constituted arguido.

Em Portugal, toda a gente sabe o que é um arguido: é um autarca ou um dirigente de um clube de futebol, ou ambas as coisas ao mesmo tempo. Agora, o mundo inteiro vai saber que o casal McCann é arguido, tal como os autarcas ou os dirigentes dos clubes de futebol.

Os trâmites tortuosos da justiça Portuguesa chegaram finalmente ás bocas do mundo. Agora sim, a CNN, a SkyNews, a BBC, a ITV, o The Sun, etc. vão saber verdadeiramente o que é um reality show e vão poder transmiti-lo a par e passo. Os enredos do processo McCann irão alimentar horas, dias, de debates intermináveis de especialistas informadíssimos e vão gerar uma inestimável torrente de lixo noticioso.

Finalmente, o entretém noticioso que tanto tempo nos ocupa em Portugal, vai passar a atafulhar os media Ingleses.

Orgulhem-se. Temos mais um produto de exportação, o equivalente Português da novela Brasileira: o enredo complexo da justiça da República em acção.

Pobre miúda...

I Pagliacci

-Doutor, estou deprimido. Sinto-me derrotado e só, à minha volta medra a vulgaridade e a cobardia é recompensada. Temo que não seja possível voltar a ser feliz e já comecei a sonhar com situações de suicídio.

-Homem, então, recomponha-se! Sei exactamente do que você precisa: o grande comediante do nonsense, Pagliaccio, está em tourné e hoje à noite dará um espectáculo na nossa cidade; vá vê-lo e verificará que o segredo de tudo é nunca levar as coisas muito a sério.

-Mas, doutor...

-Sim?

-Eu sou Pagliaccio.

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Roubado e adaptado numa tradução muito livre do The Watchmen, por Alan Moore

A culpa das crianças

O que aconteceu, lembra-me algo que se passou comigo aos 13 anos, e cuja culpa carrego desde esse dia, sentindo ainda uma vergonha estúpida, uma vez que o acontecimento, em si, não teria gravidade alguma se tivesse sido assumido.

Fui passar uma semana a casa de uns tio-avós,muito sérias, muito rigorosas, (...) sentia necessidade de me portar bem.
Havia na casa uma boneca bailarina, um objecto que me chamava a atenção, e que manuseava com cuidado, pois sabia tratar-se de um bibelot de estimação. (...) Sem querer, uma tarde, no quarto de trás,(...) parti ou desloquei um membro à boneca.

(...) Tentei reparar a peça, mas não foi possível. Talvez pudesse ser reparada; creio que sim, mas não por mim. Senti um medo indescritível. Não queria que me ralhassem. Que me desprezassem. Condenassem.

(...) como é que havia de me ver livre daquilo? Olhando à volta, e num curto espaço de tempo, decidi escondê-la num armário embutido na parede, em cima, junto ao tecto, entre colchas e cobertores. Aí deixei a boneca entalada entre panos. Durante o resto das férias vivi assaltada pelo medo de que o meu crime fosse descoberto, e até à morte do meu tio, há uns dez anos, esperei que alguém me falasse na boneca que espatifei.

Tenho a ideia que todos os seres humanos se tornam crianças quando percebem ter cometido falhas muito graves. Têm medo, e o medo torna-os irracionais, maximizando a asneira. Somos todos muito parecidos. Há pessoas más, mas a maior parte de nós é apenas uma pessoa, o que já é demais.


Estranhos bichos, n'O Mundo perfeito
Destacado meu.

Tequila sunrise



A conversa seguia animada e eis que o anfitrião, depois de desaparecer por momentos ("ter-se-á juntado àqueles que insistiam na competição de limbo?", perguntavamos) traz alguns dos côcos que serviam à decoração caribe e, em pleno gozo da sua alegria inebriada, começa a atirá-los repetidamente contra o chão de pedra do jardim.
Partido o primeiro, o grupo entrou em êxtase e, jogando-se aos pedaços de casca espalhados pelo chão, todos devoravam sem cerimónias a polpa branca ainda lá agarrada.

A ocasião não podia ser mais perfeita e cantarolei os acordes iniciais do Also sprach Zarathustra.

Num ripostar amigável, alguém me atirou com um bocado de côco à cara. Olhei para o mesmo e, quase por instinto, agarrei numa lasca de madeira que estava por ali no chão e usei-a como cunha para destacar a polpa da casca e comê-la.

Nisto, B., que havia suspendido a comezaima para ver o que eu fazia, apontou para mim e exclamou: "Look, everyone: he has EVOLVED!"

quinta-feira, setembro 06, 2007

A felicidade a prestações

Ontem recebi um email absolutamente horrendo. O 'assunto' rezava assim:

"Conta Viva até 5.000 EUR, uma boa ajuda para quem quer ser feliz.
Sem perguntas nem burocracias."


No corpo da mensagem, a foto de um rapaz sorridente em pose de sucesso.

Que esta seja a perspectiva que o publicitário - e o usurário que o contratou - tem da vida não deveria despertar mais que um esgar de desprezo.

Mas deprime tomar consciência assim de chofre, e através um meio de comunicação tão pessoal, que se aqueles sebosos recorrem a este tipo de anúncio é porque há por aí circulam desgraçados em número suficiente que são sensíveis ao argumento.

domingo, setembro 02, 2007

Hoje passei o dia assim

À atenção dos desengajados da "Avante"


O PCP gosta de anunciar a "festa do avante" à orbe como se de um festival de rock se tratasse. Correspondendo ao tique, muito boa gente hoje em dia vive desesperada por animação e não se pode dar ao luxo de escrúpulos ideológicos que nem entende.

Pedindo desculpas por realçar o óbvio, a "festa do avante" é organizada por um partido político e é um acontecimento político. Os artistas convidados dedicam-se à música alguns mas ele há outros que mantém actividades menos divertidas.

Nesse segundo conjunto encontramos o braço armado do partido irmão colombiano: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, FARC.

As FARC vivem das plantações de cocaína e da corrupção que impede a erradicação do tráfico de drogas e por isso mesmo sequestraram há cinco anos atrás a senadora e activista anti-corrupção Ingrid Betancourt (na foto, antes do crime).

Aquela que na altura era candidata favorita à presidência do país pelo partido "Os Verdes" (!) tem sido mantida em cativeiro desde então por ser dos poucos políticos com coragem para se opôr ao negócio dos cartéis e das guerrilhas.

Fica a lembrança para quando a boa disposição o/a convencer que aqueles tipos do PC não podem andar a comer criancinhas ao pequeno-almoço.

A comunhão humana



A necessidade mais básica do ser humano não é, como Freud mantinha, a satisfação da líbido mas sim o escapar da sua prisão de solidão e encontrar a união com outros. Só que:

"The unity achieved in productive work is not interpersonal (a razão para a relação é externa à relação); the unity achieved in orgiastic fusion is transitory (espectáculos, comícios, dança); the unity achieved by conformity is only pseudo-unity (e.g., estabilidade matrimonial). Hence they are only partial answers to the problem of existence. The full answer lies in the achievement of interpersonal union, of fusion with another person, in love."”

Erich Fromm, The Art of Loving

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imagem: Um dos muitos O Beijo de Constantin Brancusi (1912)

sábado, setembro 01, 2007

A última fita

domingo, agosto 26, 2007

A cultura sexual portuguesa dominante faz lembrar uma estatística GNR de fim-de-semana prolongado

"Há alguma coisa menos sexy que uma pessoa boazinha? Há: um frigorífico. As mulheres boazinhas irradiam o horroroso perfume da monotonia. Da seca. Do bocejo. Aos olhos masculinos, tornam-se atraentes apenas para algumas coisas: alguns homens, por exemplo, adoram mulheres boazinhas para lhes fazer confidências sobre as maldades que as mulheres mazinhas (por quem ficam sempre irresistivelmente atraídos) lhes fazem - e fazem muito bem feito".

Rapazes, cuidado: vive-se um clima de autêntica guerra civil.
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Tirado ao artigo de uma Ana Sá Lopes muito abaixo da série Vanessa, no DN de hoje. O resto, aqui.

O que é patente na questão dos transgénicos

O Dorean pôs o dedo na ferida do debate sobre os transgénicos.

Mas não foi suficientemente explícito.

As sementes dos produtos transgénicos são protegidas por patentes e essas patentes estão maioritariamente nas mãos de umas quantas multinacionais.

A utilização de sementes patenteadas levanta uma questão de poder e uma questão estratégica.

As patentes são legais e geralmente legítimas mas a União Europeia está atrasada neste domínio e provavelmente quer ganhar tempo até as empresas Europeias começarem a criar as suas próprias sementes patenteadas, protegendo assim a independência da sua agricultura.

Mas há mais alguns pontos curiosos neste debate.

Uma boa teoria conspirativa é a de que o SIS, ao ignorar o perigo lá do acampamento dos eco-turistas, ou lá o que era, acabou por permitir que o debate sobre os transgénicos fosse lançado em Portugal em condições favoráveis aos seus defensores (crime, violação de propriedade privada, bla, bla, bla).

A paranóia pode chegar ao ponto de se pensar que havia agentes provocadores infiltrados lá no meio dos eco-turistas.

É também curioso que os artigos que se escrevem nos jornais Portugueses normalmente ignorem completamente a questão das patentes.

Mas o que suscita mais desconfianças é o calibre dos argumentos de alguns comentadores da praça.

João Miranda, neste artigo, aparenta desconhecer esta diferença entre agricultura com transgénicos e agricultura biológica, o que é estranho, dado o seu background académico.

Helena Matos vai mais longe e, no seu estilo habitual, induz o leitor a pensar que os transgénicos podem ser uma solução alternativa ao petróleo, se usados para produzir biodiesel.

Qualquer especialista no assunto sabe que, com ou sem transgénicos, era preciso cobrir a superfície da terra com girassóis e similares para que o biodiesel pudesse ser mais do que um paliativo para a escassez de petróleo.

E é este tipo de argumentos que faz desconfiar. Principalmente vindos daqueles que defenderam tão agressivamente esse grande negócio sujo que é a destruição do Iraque.

A sua reputação precede-os.

No transblasfémias, claro.

sábado, agosto 25, 2007

Guerrilha ignara, pobre povo


Organismos com modificações no ADN. Artificialmente introduzidas, imagine-se. É o descalabro da ordem Natural das coisas.

Pois. Como diria uma bióloga amiga, ninguém que come um tomate - ADN e tudo - se transforma num tomateiro, pois não?

O problema dos transgénicos é outro e é meramente económico. O resto é palha vã, artificialmente modificada.

P.S.: às vozes que clamam contra a inércia policial, informo que o crime é público e é passível de denúncia; vá, você que sabe bem que é a si que me refiro, cumpra o seu dever cívico.

Um doce

quarta-feira, agosto 22, 2007

Fita da minha vida

Prevêm-se aguaceiros fracos e passageiros seguidos de boas abertas. O céu ficará totalmente limpo antes das próximas 72 horas.

terça-feira, agosto 21, 2007

Lol lol! O Atlântico mete tanta água ( no Mediterrâneo )

Ri à dôr de estômago com este artigo.

Já agora, o V-ou-C é um espaço livre de ideias, com excepção das minhas e das do Dorean.

Ou seja, é um espaço livre de ideias.

Mais uma vez, obrigado à revista Atlântico.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Portugal - Bélgica, golo do Quaresma

Este golo fenomenal do Quaresma levou o seguinte comentário no youtube:

0:20 sounds like the commentator sat on a dildo.

Vejam, ouçam e gargalhem.

Fitas do meu tempo... 8?

E dado que fiquei obcecado, mais destes virão.

Hot Chip, Colours

Da série Doctor's House

Mas na verdade


Já estou a escrever demais sobre mim e o que criou este tronco deformado.

A falta de um tutor apropriado, claro.


Ainda da wikipedia, Samuel Johnson:

Johnson was a devout, conservative Anglican, a staunch Tory and a compassionate man, supporting a number of poor friends under his own roof. He was an opponent of slavery and once proposed a toast to the "next rebellion of the negroes in the West Indies".[16] He had a black manservant, Francis Barber (Frank), whom Johnson made his heir.[17] He admitted to sympathies for the Jacobite cause but by the reign of George III he had come to accept the Hanoverian Succession. He remained a fiercely independent and original thinker, which may explain his deep affinity for John Milton's work despite Milton's intensely radical — and, for Johnson, intolerable — political and religious outlook.


terça-feira, agosto 14, 2007

Diógenes

Da wikipedia, sobre Diógenes:

At the Isthmian Games, he lectured to large audiences, who turned to him from his one-time teacher Antisthenes. It was, probably, at one of these festivals that he met Alexander the Great. The story goes that while Diogenes was relaxing in the sunlight one morning, Alexander, thrilled to meet the famous philosopher, asked if there was any favour he might do for him. Diogenes replied, "Stand out of my sunlight." Alexander still declared, "If I were not Alexander, then I should wish to be Diogenes." (In another account, Alexander found the philosopher rummaging through a pile of human bones. Diogenes explained, "I am searching for the bones of your father but cannot distinguish them from those of a slave.")

Mantendo as comparações no nível devido, sob qualquer ponto de vista.

De (poli)chinelos

O Dorean antecipou-se na ideia.

Há tempos que andava para escrever uma posta a lembrar que, no âmbito de um debate de ideias, insinuar ou afirmar que o antagonista é Comunista ou qualquer coisa que vagamente lembre ser-se de esquerda, anti-mercado ou anti-globalização é um sinal de perca de razão perfeitamente equivalente à aplicação do apodo de fascista.

E por aqui me fico.

Segredos de Polichinelo

Se a esquerda pavloviana dispara 'fascista' à primeira provocação, numa certa direita roem-se as unhas até aos cotovelos doridos por 'comunista' não obter o mesmo efeito e até parece que cegam com tal obsessão.

Tem isto que ver com a descoberta feita por portugueses leitores de jornais espanhóis que a Stasi mandava matar, indiscriminadamente, todo aquele que tentasse pular o Muro da Vergonha. É um facto conhecido de todos mas reafirmá-lo ajuda ao exercício maniqueísta e desvia a atenção de assuntos actuais mais difíceis de comentar.

Eu também fiz uma descoberta recentemente enquanto lia jornais estrangeiros: o número de crianças e mulheres violadas no Darfur é muito maior que as vítimas das kalashnikov no Muro e há milhares de seres indesejados que resultam e resultarão em permanente lembrança dessa vergonha.

Os nascituros não são uma consequência impensada mas sim parte de uma estratégia retorcida de etnicídio. Um miliciano será um criminoso com desejos selvagens contudo, para os líderes muçulmanos das janjaweed, o seu acto cumpre dois objectivos: impedir uma putativa entrada no paraíso à progenitora forçada (pois esta também é muçulmana) e prosseguir com a dita 'arabização' do país.

Daí que me pergunte sobre o que diriam essas vozes tão correctas acerca da vontade da Amnistia Internacional em alargar o seu mandato à defesa do aborto naquelas circunstâncias. E, se ainda houver indignação que baste, o que pensarão da ameaça por parte da Igreja Católica em retirar o seu apoio àquela organização humanitária como sinal de discordância com a sua recente tomada de posição.

Ou a vergonha é maior que o muro e vai ficar tudo em segredo?

Stone Temple Pilots - Creep

Pearl Jam, 2ªcategoria

Radiohead - Creep

Eu sei que já enjoa

Paranoid Android - Radiohead

Abaixo os Franceses!!

Abaixo! As calças, as cuecas e as saias.
Mantém-se apenas o soutien.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Hoje acordei à George Best


I spent a lot of money on booze, birds and fast cars. The rest I just squandered.

"Justiça de supermercado", no Dolo eventual

A propósito do homicida em série de Santa Comba Dão, diz-se que o condenado paga, mas não devia, o mesmo preço de 25 anos quer mate uma, quer mate cinco, quer mate quinze raparigas. Venha a pena de morte. Quem matar uma rapariga é condenado a morrer uma vez. Quem matar quinze raparigas é condenado a morrer quinze vezes.

Por Pedro Santos Cardoso

sábado, agosto 11, 2007

interpol - slow hands

Interpol: Evil

E outra canção vencedora de um festival da eurovisão

Afinal, esta foi mesmo a 15ª batalha decisiva, ao contrário do que se escreveu.

sexta-feira, agosto 10, 2007

"E reproduzem-se?"


Natalidade, por Francisco José Viegas:

(...) Não está posta de parte a hipótese de arrendar essa parcela do território. Ficariam com a bandeira portuguesa, sim. E até se mandariam professores. Mas, que diabo, seriam administrados por uma empresa privada que garantiria que o orçamento de Estado não geraria défices assombrosos com essa terra de ninguém que era bom entregar ao turismo rural e à “literatura fantástica” que se encarregaria de divulgar as suas potencialidades para os fins devidos.
Mas eu continuaria com uma dúvida: e reproduzem-se?

Aviso à navegação

O ócio só liberta quando é o que trabalho oprime.

Já não é só o Miranda das postas do alto

Se um extrapola a sexualidade portuguesa em vôos de calculada loucura, anda para aí meio mundo que se insurge metódica e furiosamente contra o sexo da estranja. No caso, holandeses.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Olá Donale!

Nas palavras de uma grande pensadora dos nossos média, este país tem uma relação difícil com os seus emigrantes. Concordo e assino por baixo.

Inspirado por ela e pela canícula de outrora, deixei entusiasmar-me por um mail que anunciava:

"FESTA DO EMIGRANTE - voltei, voltei... voltei de lá!"

Data bem escolhida, 10 de Agosto, evidentemente para evitar conflitos de calendário com o sagrado dia 15.

Mas, lendo a descrição mais abaixo, os parolos são mesmo os organizadores:

"Grandiosa homenagem à diáspora portuguesa, às favas com chouriço e à música
popular...
O acontecimento mais aguardado do ano!!
Quermesse, bailarico pimba, tremoços, vinho a martelo, o estouvamento do
costume...
"

Mais parolo ainda para o efeito é o local escolhido, o Purex, num óbvio esforço de distanciamento de uma realidade que ainda os arrepia. Como quem sente necessidade de afirmar ao mundo que é moderno e urbano e europeu.

A verdade é que, quando o alvo da sátira é decalcado do cliché dos setenta/oitenta, cheira-me logo a snobismo de arrivista filho de emigrante.

Vade retro!

Isto devia tudo ser proibido

Seria um progresso

terça-feira, agosto 07, 2007

Antonioni e Bergman morreram

"Desde que me lembro..."
"O Mestre ainda..."
"E foi assim que descobri..."
"Das certezas existenciais..."
"Abriram-se-me os olhos para..."

Pronto, já está.


P.S.: confesso que o que me impressiona mesmo hoje em dia é a evolução que as sobrancelhas do David Hemmings tiveram. Telúricas, digo-vos.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Mais um exemplo

Do que eu escrevi aqui.

Neste artigo, a premissa dos grupos heterogéneos faz com a argumentação deixe logo a realidade para entrar numa qualquer dimensão alternativa.

Mesmo assim, o exercício, embora canónico, é imaginativo na transposição.

Até ao último parágrafo. Aí, aplica-se uma força de torção na argumentação para se poder atingir o resultado desejado.

Referir a este link.

Exercício: descobrir quais se aplicam ao dito artigo.

Blasfórmicos, claro.

E que tal?

Haver concorrência e poder mudar-se de Banco (Facilmente)?

Mercado! Does it ring a bell?

Mais uma vez, obrigado ao inesgotável Blasfâmias.

Na cartilha liberal.

Encontra-se sempre o que der jeito no momento.

Ora essa!

É melhor que o Borda d'Água.

O Hilário

Total

Q.E.D.

Do incontarnável (o erro é propositado) Blasfêmeas (o erro é propositado).

Brincar às críticas

Esta posta foi publicada no blogue da revista Atlântico.

E os comunicados empresariais, publicados às catadupas nos jornais, disfarçados de notícias?

Dêem-me contra-exemplos, vá, vá, vá!

São uns a aprender com os outros!

Afinal os profissionais de comunicação (propagandistas?) são os mesmos!

Sim! Também mato os (ditos) mensageiros!

Ou haverá mesmo uns e outros?

Do claro

Do Claro, chegaram-nos duas postas edificantes:

1. Sobre o mercado que temos.

2. Esta posta lembrou-me logo aquilo que eu disse aqui.

Fitas do meu tempo 5


Sexiest song ever...

Recordando tempos de karaoke que lá vão e não voltam mais, jamais: Pulp, Pencil skirt.

O gordo é uma anedota ortográfica por si só mas, que fazer?, este era o único vídeo disponível.

Fitas do meu tempo 4

We Are Scientists, Nobody moves, nobody hurts

Assim se julga.

domingo, agosto 05, 2007

A democracia e o catolicismo

Será verdade que a democracia é má para os países católicos? Que é sobre regimes autoritários que eles mais se desenvolvem?

Bem, se for verdade, isso pode sugerir alguma coisa sobre a ética católica, nomeadamente se comparada com a ética protestante.

Mas eu não vou por aí.

Começo por constatar que essa "verdade" tem várias confirmações históricas tal como tem vários desmentidos.

Mas há algo de significativo no facto deste tema ter voltado a ser abordado.

Dogmas

A existência de Deus é, sem dúvida, um dogma, no qual se acredita ou não.

Dogmas, cada um tem os seus.

Eu tenho um que me poupa muito trabalho: nunca tento desmantelar a argumentação de um Liberal, Neo-conservador, ou bicho do género. Para mim, ela tem sempre valor nulo.

Para eles a verdade é irrelevante, aquilo que conta é o interesse. Logo, eles argumentam apenas para defender os seus interesses. Como todo o racionalismo é forçosamente dogmático, eles baseiam-se em cada dia nos dogmas que mais lhes convierem para arranjarem a argumentação necessária para defenderem o interesse do momento.

Amanhã é outro dia.

Quem é quem é?

Que gosta de negociar em mercados e feiras?
Que foge aos seus deveres para com o estado, mormente no pagamento de impostos e cumprimento das leis?
Que, sempre que pode, usa e abusa dos serviços que o estado põe à disposição dos cidadãos, nomeadamente na educação, habitação, saúde e segurança social?
Que suja e estraga os sítios por onde passa, deixando aos outros o trabalho de limpar?
Que ostenta sem vergonha os luxos adquiridos por meios duvidosos?
Que berra e incomoda os outros que estão à sua volta sem se preocupar se eles estão ou não interessados em ouvi-lo?
Que rouba o próximo sem pudores, caso esteja para aí virado?
Que acha que o mundo é dos mais fortes e não hesita em brigar e agredir todos os que se lhe atravessem no caminho com todos os meios à sua disposição, mesmo que sejam ilícitos?

Acertaram: é o Liberal.

Fitas do meu tempo 3, correcção

O Paulo Duarte Barbosa chamou-me a atenção para a calinada da posta abaixo. Justifico-me com esta arrogância: em 1992, quando ouvia o Bone Machine, já nem me lembrava que os Ramones teriam existido e passou completamente ao lado mais tarde que teriam ainda gravado um último (?) álbum.

Em todo o caso, valeu a pena a intervenção também porque mal abri o seu Step Right Up, saltou-me aos ouvidos uma das minhas bandas do meu tempo: The Shins.

sábado, agosto 04, 2007

Fitas do meu tempo 3

Num vídeo à Lynch, Tom Waits melhorando o clássico dos Ramones.
Dedicado ao N e à JLA.

Stay around in my old hometown
I dont wanna put no money down
I dont wanna get me a big old loan
Work them fingers to the bone
I dont wanna float a broom
Fall in love and get married then boom
How the hell did I get here so soon
I dont wanna grow up

quinta-feira, agosto 02, 2007

pixies - where is my mind

jogo de futebol dos leitores do v-ou-c

Agosto!

Tempo de férias e lazer.

Convido os 25 leitores do v-ou-c para um jogo de futebol ( de 11 ).

A combinar/escolher:
hora
estádio
posições (árbitro, fiscal de linha, guarda-redes, defesa, etc)

Entrei em stresse!

Tinha um erro no meu último artigo, Portugal-Brasil, e estava com medo que o Dorean visse.

Portugal-Brasil

Há algumas semanas um Brasileiro amigo lembrou-me amavelmente (sem assento nem espaço para os parêntesis (plural confirmado no diccionário da Verbo)) que os Portugueses descobriram o Brasil, levaram a cultura e a língua e levaram de volta o ouro e os diamantes.

Como resposta, garanti-lhe que o ouro estava todo enterrado em Mafra.

Os Brasileiros alimentam um grande ressentimento em relação aos Portugueses.

Basta pesquisar um pouco na Internet para se confirmar que, literalmente, o ódio aos Portugueses é ensinado ás criancinhas no Brasil.

Eu percebo que os Brasileiros se ressintam por terem sido colonizados por Portugueses. E não por Ingleses, Franceses ou Alemães. Quanto aos Holandeses, segundo os vossos livros de história, vocês expulsaram-nos, muito antes de nós termos ido aí buscar ouro e diamantes.

O que havemos de dizer nós, Portugueses, que nos ressentimos tanto de sermos Portugueses.

Vocês culpam-nos de muitos dos males da vossa terra. Mas vocês são independentes há 7 gerações!

Já dava para ter mudado muita coisa e corrigido os males que nós deixámos. Pô!

Mas vocês têm razão. A culpa é nossa mas apenas porque quase todos vocês herdaram nossos genes e a nossa cultura é o elemento predominante na vossa.

Aí tá tudo certo! Vocês botam a culpa na gente da mesma maneira que o Português bota a culpa nos outros... Portugueses.

Mas aí não dá para mudar! Ou vocês começam botando a responsabilidade dos problemas em vocês e botam também a capacidade de mudar ou vão ficar na mesma.

Aqui é igual.

Só há uma diferença. Com todos os nossos defeitos, erros e crimes, nós já deixamos uma herança maravilhosa ao mundo.

Um país fantástchico, que ajudámoisse á criá e qui si chama Brásiu.

Um túmulo em Florença


How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.
I love thee to the level of everyday's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.
I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints,--I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life!--and, if God choose,
I shall but love thee better after death.


Elizabeth Barrett Browning, "Sonnets from the Portuguese", XLIII

quarta-feira, agosto 01, 2007

Cinzas (versão cínica)

Sorris.

O teu sorriso espalha as cinzas pelo chão.

Deixa estar que há de haver quem o limpe.