Museu Salazar em Santa Comba
Acontece que com a normalização democrática e o passar dos anos, a memória de Salazar, da ditadura e da resistência àqueles saiu da rua e refugiou-se nas coutadas particulares da extrema-esquerda ou da extrema-direita (chamemos-lhes assim).
O problema dessa gentalha, principalmente a primeira, é não suportar que a plebe queira agora tomar-lhe o bichinho de estimação de volta, ainda por cima sem certificado de pureza ideológica e sem pedir licença.
E por causa da afronta agora materializada em colecção de retratos e bugigangas, irão espernear e fazer muito barulho, atafulhando crónicas e reportagens audiovisuais com as birras de uma criança mimada a quem obrigam a emprestar o brinquedo. E ainda se vai filosofar imenso à custa deste fait-divers de província, como se os amanhãs risonhos dependessem directamente de quem dá guarida ao cinzento passado que nos tornou os mesquinhos de hoje.
O cómico está em desde já prever-se que, caso o tal museu siga avante (perdão) e apesar do consequente ressaibo, estes snobs de cátedra evitarão qualquer visita contra a sua própria vontade e apenas pelo risco de apostasia.
Mais valia que fossem chatear o Camões.






