domingo, fevereiro 04, 2007
A pergunta do momento
Quanto é que o Pinho ganha?
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dorean paxorales
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O Windows do blogueiro
Já repararam que desde que este Blogger tem nova versão toda a gente começou a mandar postas corridas a pelo menos 3 ou 4 marcadores?
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terça-feira, janeiro 30, 2007
Preconceitos ferroviários
Há pessoas a quem só dei um beijo e há pessoas a quem dei dois; a outras uns internacionais três, e ainda houve a quem dei tudo e mais alguma coisa.
É tudo uma questão de diplomacia e vontade de agradar.
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segunda-feira, janeiro 29, 2007
Era bom demais para ser verdade
No Público de hoje: Associação de municípios nega estar a negociar portagens à entrada das cidades.
Só não percebo é porque é necessário negociar seja o que fôr com essa súcia; cada cidade que decida por si e em proveito dos seus próprios munícipes.
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domingo, janeiro 28, 2007
09 - 03 - 2007
Marque este dia na sua agenda.
We're in for one wild night.
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A Teoria da Bala Mágica
Segundo os investigadores ingleses, quem manuseou o polónio 210 que matou Litvinenko em Novembro último absorveu o suficiente para ele próprio morrer dali a três anos. Posto isto, o melhor mistério de espionagem pós-Guerra Fria já tem data marcada para a sua conclusão: ao primeiro infeliz que naquela altura se fine radioactivo fica o caso resolvido.
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Nota aos Subsídios para uma decisão sobre o aborto/interrupção voluntária da gravidez
A gravidez é contada a partir do primeiro dia do último período e não desde a fertilização, a qual ocorreu num intervalo de duas semanas depois desse dia.
Por isso, quando alguém se refere ao desenvolvimento do embrião dizendo com convicção, e.g., "às X semanas já tem um coração a bater" não sabe do que está a falar (até porque isso do "coração" tem muito que se lhe diga mas não quero complicar).
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Subsídios para uma decisão sobre o aborto/interrupção voluntária da gravidez (4)
Entretanto, o ovo (uma vida humana) que sobreviveu divide-se em mil e uma células (mil e uma vidas humanas, portanto). Estas iniciam um bailado louco que dará forma à substância e é por isso que temos às 7-8 semanas um feto agarrado ao útero, com "cabeça", "tronco" e "membros" e "coração a bater" e tudo.
Mas nem sempre isto o embrião consegue fazer com unhas e dentes - isto é, com desde as hormonas que segrega, com a sua placenta, et c. - e, lá está, sempre se poderá dizer que se perderam mais mil e uma vidas humanas.
Ou só uma, conforme a profundidade das paixões.
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Subsídios para uma decisão sobre o aborto/interrupção voluntária da gravidez (3)
Às vezes, com ou sem consentimento dos geradores, aquele óvulo é fecundado. Feliz ou infelizmente, conforme o tal consentimento dos geradores, acontece que durante os próximos dias que esse ovo também pode vir a ser expelido.
Pode dizer-se que uma vida humana é deitada fora mas, que fazer?, é o DIU, a pílula do dia seguinte, ou simplesmente o pH intra-uterino.
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14:37
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Subsídios para uma decisão sobre o aborto/interrupção voluntária da gravidez (2)
Todos os dias, milhões de espermatozóides residentes em território nacional e saudáveis são expelidos para o vazio.
Pode dizer-se que metade de uma vida humana é deitada fora mas, que fazer?, é a masturbação.
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14:32
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Subsídios para uma decisão sobre o aborto/interrupção voluntária da gravidez (1)
Todos os meses, milhões de residentes em território nacional saudáveis, expelem um óvulo.
Pode dizer-se que metade de uma vida humana é deitada fora mas, que fazer?, é a menstruação.
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sexta-feira, janeiro 26, 2007
Os murchos
Primeiro foi o pasquim de J.A.S. que inaugurou a sua prensa com uma provocação de taberna: 28% dos portugueses queriam ser espanhóis. Fez furor, garantiu as vendas do primeiro número e, previsivelmente, deu-se a conhecer ao El País dos vizinhos.
Depois, o vetusto DN, entrando na mesma onda niilista, mandou publicar aqui há semanas uma sondagem que dava como certo que 24% de compatriotas preferiam uma Madeira independente. Claro que deu polémica mas por motivos menos óbvios: só foram consultados residentes no continente; os principais interessados, por assim dizer, não tiveram voto na matéria.
A conclusão a que consigo chegar só pode ser peremptória: existe pelo menos um quarto de portugueses que não quer sê-lo e, na falta de tanto, não quer que outros o sejam. Sim, porque tenho cá para mim que os bananas de um lado são exactamente os mesmos murchos do outro.
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quarta-feira, janeiro 10, 2007
Sabor da semana de hoje
Apesar da delicada e criteriosa escolha de imagens (à excepção, talvez, da própria) e de um grafismo, chamemos-lhe assim, mediterrânico, José Mateus Cavaco Silva (?), nascido a 25 de Abril (??), comenta com algum espírito no seu blogue sobre aquilo que ele aparenta saber e nós não.
Por trazer mais informação que aquela a que estamos limitados sem nunca se aproximar do modelo blogueiro-apocalíptico leva com uma entrada directa para o top: o Claro.
E agora esperemos que não me caia um Cessna em cima...
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terça-feira, janeiro 09, 2007
Emigrantes
"Parece que, nos últimos tempos, 70 ou 80 ou 100 mil almas desertaram do país e foram para o estrangeiro procurar melhor modo de vida. O Governo, naturalmente, achará que é uma traição por parte desses cidadãos que se recusam a testemunhar as luminosas etapas do crescimento português."
Francisco José Viegas in Jornal de Notícias, 08-01-07, via Público
Caro F. J. V.,
Não são 100 mil, nem sequer 200 mil; estima-se que só no Reino Unido vivam hoje cerca de 800 mil portugueses emigrados para ali na última década e meia. 800 000. Quase um milhão. Tantos quantos os queridos muçulmanos que tanto barulho fazem no multiculturalismo das notícias copy-paste nacionais.
Fogem aos salários baixos e à inflexibilidade laboral; correm para o operariado temporário mas cumpridor, e para a mobilidade que na pátria evitam como o diabo a cruz. Ali não lhes exigem a alfabetização que abandonaram antes do 9.º ano e não necessitam de concorrer com a exploração de imigrantes ilegais. Se tanto, alguns tornam-se no país de acolhimento eles mesmos os exploradores desses infelizes. À laia de engajador, claro está.
O Grande Porto industrial é quem contribui mais para este derrame: não foi pela beleza das Pedras Rubras que a Ryanair inaugurou essa rota a partir de Londres-Stansted; Norwich, Bolton, só para citar algumas cidades, vivem dos embaladores de carne, dos apanhadores de fruta e legumes com pronúncia do norte. Nas cafeterias do aeroporto de Gatwick não se fala outra língua, da cozinha à mesa do freguês.
Ou ainda alguém acredita que a taxa de desemprego se tem mantido quase constante este tempo todo por milagre de N.Sr.ª de Fátima?
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sábado, janeiro 06, 2007
Choque fecnológico

Bem podem os New Socialistas pregar directivas escandinavas aos peixes que a turba só se levanta ao esganiçar do modelo mexicano.
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quinta-feira, janeiro 04, 2007
Não vale a pena entrar em pânico
Ao contrário do que ajuramentam certas as agências noticiosas, ainda não somos 6 500 000 000 000 (seis bilhões e meio) mas sim apenas 6 500 000 000 (seis mil e quinhentos milhões) de macacos.
Dizei lá que isto não vos deixa um pouco mais reconfortados.
Ora essa, de nada.
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segunda-feira, janeiro 01, 2007
Como 2006 acabou
Acabou mal, numa partida triste, como todas as partidas antes desta o foram. Quase seis horas de voo depois, numa troca de comboios confusa, acabou tambem com um saco abandonado no banco de fumadores do cais 4 da estacao de Pasing.
Nao me custa imaginar os mais de cem euricos de marlboros nos pulmoes de algum factor bavaro, ou as cronicas do MEC (no fundo, um desistente) no papelönen reciklaven; aquilo que me deixa mal-disposto por estes dias e por aqueles que se seguirao e' ter perdido para sempre aquele cachecol preto do meu amor.
Fiquei doido de raiva comigo mesmo, acreditem. A tal ponto que, se este ano que hoje comeca nao se portar bem comigo e nao me trouxer os milhares de alegrias que obviamente mereco, nao respondo por mim.
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quarta-feira, dezembro 13, 2006
terça-feira, dezembro 05, 2006
As golden shares dos outros

Dizia eu, num comentário a uma posta de André Azevedo Alves do Insurgente (transformado apropriadamente em posta própria para que seja lido pelo menos por mais de três pessoas):
"A fábrica belga [da VW] fechou para que o neto de Porsche não tivesse que despedir ninguém na Alemanha. Não por acaso, acontece que o land da Baixa-Saxónia detém 20% da empresa e direito de veto na administração: uma pequena golden share da qual [o governo estadual] faz uso quando entende que estão em causa os interesses dos seus próprios accionistas, perdão, cidadãos."
Nota: o contexto pode ser lido também aqui.
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15:10
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O Pravda em Português

Entre a informação pertinente e a opinião descomplexada, um polvilhar de fotos 'de interesse humano' pelas páginas, acompanhadas por respectiva e sucinta estória; nunca o 'Verdade' fez tanta justiça à composição da sua alegoria.
Sem dúvida, um exemplo de imprensa a seguir e a prova que o capitalismo também trouxe coisas boas à Rússia.
Eu fiquei fã: o Pravda em Português, aqui.
Foto: sessão aeromoças da Varig © Playboy Brasil, 2006
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14:41
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"Um post à Lobo Antunes"
"- Que te disse a Vitória? perguntas entre duas rotações da Bimby e da cebola a refogar como se a tua voz fosse Deus poderoso e omnipresente
- Que te disse a Vitória? e eu, faço-me de parvo e respondo como se fosse a primeira vez dessa noite
- Que te disse a Vitória? e eu lembro-me da Tia Rosa - És a minha cruz! Não era eu. Era ele, aconchegado na cadeira da sala e no gato pardo, com vista para a Fábrica onde moeu os ossos e o cacau - És a minha cruz!
- Que te disse a Vitória? ainda ontem te disse… lembro-me como se fosse hoje. Só não me lembro do almoço do teu dia de anos faz agora anos.
- És a minha cruz! dizia a Tia Rosa."
Com a devida vénia ao Quionga 6
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segunda-feira, dezembro 04, 2006
Começo da arenga que iremos dar aos nossos netos
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"12.º ano geral garante menos emprego que 9.º"
Adianta-nos hoje o DN, num artigo que analisa a causa directa do descrito na reportagem referido na posta anterior. Porque o título é uma falácia que esconde o que só aparece no final do texto: o emprego para quem só tem a escolaridade obrigatória é pouco vinculativo e mal-pago. Apesar de insatisfeitos, a razão por que se notam menos trocas de posto de trabalho nesta faixa deve-se ao facto de quem o tem não ter qualquer alternativa ao mesmo.
A não ser, claro está, emigrar.
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"Ninguém controla os anúncios que prometem salários de sonho no estrangeiro"
Obrigatório lêr o destaque dado hoje no Público à emigração moderna dos portugueses.
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domingo, dezembro 03, 2006
O caso Litvinenko
Um pobre diabo com ilusões de grandeza, a viver em Londres às custas de um mafioso russo, tencionava chantagear os serviços secretos russos em 10 000 libras quando foi assassinado com uma quantidade de polónio radioactivo no valor de 20 milhões.
Acredite quem quiser.
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Quem tramou o 1.º de Dezembro?

Sem televisão que me acuda, percorro as edições de sexta-feira na internet mas, para além do fait-divers monárquico da praxe (1), só uma notícia "séria" aborda a causa responsável pelo fim-de-semana prolongado.
Como quase tudo o que se tornou referência no Portugal de hoje aquela faz matéria de um espanhol: Rafael Valladares, historiador, e autor do livro "A Independência de Portugal - Guerra e Restauração 1640-1680".
Porquê?...
_____________________________________________________________________________
(1) Não é nenhum espanto que a ocasião que celebra a restauração da independência seja aguerridamente celebrada por monárquicos e ostensivamente desprezada por republicanos. Aos primeiros, já nada mais resta senão a evocação do passado e da última dinastia; por outro lado, a frente revolucionária que triunfou no cinco de Outubro reunia as mais variadas facções que se opunham ao regime, de nacional-socialistas a democratas e anarco-sindicalistas, mas incluía também os iberistas herdeiros de Antero de Quental.
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sexta-feira, dezembro 01, 2006
Conspiração a mais?
"TOO MUCH CONSPIRACY?" no original, por Peter Barron, editor do programa televisivo Newsnight, BBC2
"Para onde quer que se uma pessoa se volte hoje em dia dá de caras com teorias da conspiração.
Recentemente, emitimos no nosso programa uma peça do cineasta Shane O'Sullivan no qual se mostrava um novo vídeo provando que três agentes da CIA estavam presentes na noite em que Bobby Kennedy foi assassinado.
Imediatamente, a revelação gerou um debate apaixonado na internet. Depois, temos os assassinatos de Pierre Gemayel and Alexander Litvinenko, e as teorias abundam. Também o relatório de Lord Stevens acerca da tão teorizada morte da Princesa Diana está para sair ao público proximamente, e quase todos os dias emails e ficheiros anexos aterram nas nossas caixas de correio electrónico apontando para alegadas discrepâncias na versão oficial do 11 de Setembro, com títulos como 'The South Tower Napalm Bomb Seventh View'.
Embora tenhamos toda a vida convivido com teorias da conspiração acerca de quase tudo, a internet permitiu-lhe tornar-se uma indústria de crescimento tão explosivo quanto intrigante. Mas quanto de tanta rama deveria ser levada ao público?
Quando Shane veio até nós dizendo estar na posse de novas provas no caso Bobby Kennedy, a minha primeira reacção foi 'hã-hã, certo...', mas quando ele me mostrou o material em causa, incluindo o testemunho de de antigos colegas que identificaram os tais três agentes, fiquei convencido de que, pelo menos, as suasprovas trazem novas questões em relação ao sucedido - sem ser preciso acreditar totalmente numa grande teoria que explique exactamente o que se passou.
Ontem à noite, conversei com um cineasta amador que me confessou a sua crença no encobrimento dado pelos relatórios oficiais do 11/9 e do 7/7. Por que razão, perguntou ele, a BBC não descreve as inúmeras contradições e factos estranhos que rodeiam os relatos destes acontecimentos tão significativos?
De facto, no Newsnight temos até examinado brevemente algumas destas informações, mas estamos conscientes de que mal roçamos a superfície dos icebergues de material que flutuam pela web.
E a razão por que não fomos mais longe na investigação é que, seguramente, e por mais intrigantes que se mostrem algumas circunstâncias, não existe nenhuma outra explicação racional para os ataques que não seja que estes foram perpetrados por dois grupos de terroristas islamistas.
Eu diria que o facto de uma teoria da conspiração ser criada à volta de uma história não é motivo suficiente para levá-la a público ou rejeitá-la.
Vejam, por exemplo, as histórias acerca do fósforo branco em Fallujah e o 'Código de Da Vinci' de Dan Brown. Uma verdadeira, a outra lixo. Mas teria sido um erro tremendo ter decidido numa direcção ou noutra sem ter, pelo menos, deitado uma olhadela por ambas."
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quinta-feira, novembro 30, 2006
"Eles"
A causa das queixinhas, entre muitas outras, por José Pacheco Pereira, no Público de hoje (via Tomás Vasques, no Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos:
(...)"Mas Jorge Silva Melo está (como eu) entre dois mundos: o que gostamos é o que desgostamos. Nas suas memórias entrevistadas está uma contradição que não se sabe resolver. Ele gosta da "plebe", da "canalha" de Gomes Leal, da malta suburbana que fala o português do Kuduro, e queixa-se ao mesmo tempo de que ninguém vai ao teatro nesta "não-cidade" em que vivemos. Claro que ninguém vai ao teatro, claro que acabaram os cafés (pelo menos em Lisboa), claro que se desertificaram os bairros, claro que acabou a Lisboa dos anos 60, tão íntima como provinciana, onde éramos os absolutos cosmopolitas, exactamente porque os filhos dos deserdados das cheias, os filhos dos operários do Barreiro, os filhos das criadas de servir, os filhos dos emigrantes de Champigny, os filhos da "canalha" anarco-sindicalista e faquista de Alcântara mandam no consumo e o mundo que eles querem é muito diferente. Eles entraram pelos cafés dentro e transformaram-nos em snackbars e em lanchonetes, entraram pelas televisões e querem os reality shows, entraram pela "cultura" e pela política e não querem o que nós queremos, ou melhor, o que nós queríamos por eles. O acesso das "massas" ao consumo material e "espiritual" faz o mundo de hoje, aquele que é dominado pela publicidade, pelo marketing, pelas audiências, pelas sondagens. É um mundo infinitamente mais democrático, mas menos "cultural" no sentido antigo, quando a elite, que éramos nós, decidia em questões de bom senso e bom gosto.
E agora? Queríamos que "eles" tivessem voz e agora que a têm não gostamos de os ouvir, quando o enriquecimento revelado por todos os indicadores económicos e sociais dos últimos 30 anos transformou muitos pobres na actual classe média, "baixa" como se diz na publicidade, nos grupos B e C das audiências. Nós queríamos que eles desejassem Shakespeare e eles querem a Floribella, os Morangos e o Paulo Coelho. E depois? Ou ficamos revoltados ou pedagogos tristes e ineficazes, ou uma mistura das duas coisas. Nós ajudámos a fazer este mundo de mais liberdade e mais democracia, que o é de facto. O 25 de Abril foi o que foi porque a geração de 60 o fez assim. Se os militares tivessem derrubado Salazar nos anos 40 ou Delgado o tivesse feito em 1958, o país seria certamente muito diferente." (...)
Ah pois seria, com toda a certezinha absoluta. Só Sepúlveda se poderia admirar de haver aqui polícias que o lêem.
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quarta-feira, novembro 29, 2006
Queixinhas
No seu Origem das Especies, Francisco Jose' Viegas sobre a politica dos portugueses para a cultura:"A arte da queixa funciona na perfeição. Ontem, era atribuída ao Estado a culpa de não haver um programa de livros -- nem na televisão nem na rádio. À minha frente."
"Outra das falácias é a do deserto de programação cultural. Que há poucas coisas a acontecer. Que Porto e Lisboa, etc, etc, etc, não têm actividades culturais bastantes. Esta gente não tem juízo. Leiam os jornais, os boletins municipais, os blogs, os sites, tudo isso. Não me lixem."
O negrito e' meu.
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segunda-feira, novembro 27, 2006
E eu não disse? (*)
Vá lá. Desta vez demoraram uma semanita.
_________________________________________
(*) Posta imediatamente anterior.
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terça-feira, novembro 21, 2006
O lobby nuclear
Agora que voltaram a anunciar pela enésima vez que sempre se vai construir o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor, no original) em Cadarache, espera-se a todo o momento mais uma entrevista do inenarrável Patrick Monteiro de Barros à imprensa do seu coração.
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domingo, novembro 19, 2006
O ex-espião envenenado a frio

ESTÁ LÁ TUDO: um dissidente do KGB, um restaurante japonês em Londres, um encontro com 'um homem chamado Mario', uma entrega de documentos e um veneno indetectável e mortal.
Se a Guerra Fria não tivesse acabado, seria compreensível que alguém julgasse tratar-se do trailer do novo James Bond, acabadinho de estrear na sexta-feira.
Mas não, é mesmo a sério: até hoje pouca gente havia ouvido falar do cidadão Alexander Litvinenko. Exilado em Inglaterra desde 2000, proclamava andar a investigar o assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, em Outubro passado.
Por isso ou não, está agora sob observação em sala limpa, sistema imunitário debilitado pela ingestão de sulfato de tálio.
Litvinenko havia recebido asilo político de Londres por se opôr a Putin e este o perseguir enquanto cidadão. Nomeadamente, impedindo a distribuição do livro em que o antigo agente da KGB e recente do FSB (sigla em inglês para "Direcção Federal de Segurança"), acusava os serviços secretos russos de serem estes, e não os rebeldes chéchenos, os responsáveis pelas bombas que mataram mais de 300 pessoas em prédios de apartamentos em 1999.
Até aqui, o currículo de activista parece impecável. Mas acontece que as dissidências começaram antes, ainda o sr. Putin era apenas o director do FSB. Aparentemente, Litvinenko não foi o mais sucedido dos funcionários no que tocava a combater a corrupção na própria polícia. Mais tarde, em 1998, é acusado de se servir do seu cargo (e é preso por isso) para expôr uma suposta tentativa de assassinato contra o oligarca Boris Berezovsky, actualmente também auto-exilado no Reino Unido.
É certo que é difícil de acreditar que o ex-espião se lembrasse de temperar o próprio sushi só para danificar ainda mais a coxa reputação do presidente russo. Mas há algo de podre nesta história e não é o marisco de Picadilly: gente como Berezovsky foi demasiado lesta a correr para os média para implicar os serviços secretos russos; depois há a visita diária de um 'amigo' comum àquele mafioso a um Litvnenko extremamente debilitado e com guarda armado à porta do quarto.
Se não foi Putin, terá havido troca de favores, num crisscross digno de Hitchcock? Se sim, qual seria a moeda de troca?
Qualquer que tenha sido o mandante, e levando o trocadilho à exaustão, uma coisa parece certa: quem se deita com a máfia arrisca-se a acordar com os peixes.
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sexta-feira, novembro 17, 2006
Imigração
O Reino de Espanha passou de 3 milhões de desempregados nos anos oitenta para um mercado de trabalho em que os imigrantes, segundo um estudo governamental resumido no DN de hoje, foram responsáveis por metade do crescimento económico e metade do excedente das contas públicas nos últimos anos.
No Reino Unido já se sabe disto há muito tempo, daí que, e por piores defeitos que tenha, seja sempre o primeiro país a aceitar a entrada de trabalhadores dos países provindos dos vários alargamentos da União, sem os pudores que outros demonstram.
E nós por cá, como é? Lá vamos convivendo e sofrendo com o déficite, entre o boato mentecapto sobre lojas chinesas, o ucraniano ilegal que assenta tijolos nas obras públicas, o Valentim Loureiro e o perdão de dívidas fiscais à banca.
Quando não aguentamos mais a depressão emigramos. Geralmente para um de dois ou três reinos.
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dorean paxorales
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terça-feira, novembro 14, 2006
"Who's Rumsfeld?"
Foi a pergunta do cabo dos marines James L. Davis Jr., colocado em Zagarit, Iraque.
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domingo, novembro 12, 2006
O maior Português de sempre
Dizem por aí que os melhores classificados na eleição do maior Português de sempre são Cunhal, Salazar e D. Afonso Henriques.
Eles formam o elenco daquilo que seria a melhor eleição presidencial de sempre:
Cunhal como candidato da esquerda,
Salazar como candidato do centro,
D. Afonso Henriques como candidato da direita.
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quarta-feira, novembro 08, 2006
Big Uncle is watching you
É só fazer o registo de endereço de correio electrónico e à noite já pode andar pelos bares a dizer que trabalha para o governo americano.
Aqui Texas Border Watch.
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segunda-feira, novembro 06, 2006
A invasão do Irão
Qual é a hipótese mais viável para uma invasão do Irão pelos EEUU e forças aliadas?
Olhando para um mapa a primeira ideia que vem à cabeça é alcançar Teerão ladeando as margens do Mar Cáspio, a partir do Azerbaijão e do Turquemenistão. Acontece que os EEUU não têm bases no Azerbaijão e têm apenas um reduzido apoio logístico no Turquemenistão.
Para além disso, no primeiro caso, há que vencer umas quantas montanhas de mais de 2000 metros de altitude, o que não favorece um exército mecanizado e high-tec como o Americano na luta contra um inimigo primitivo mas numeroso e determinado.
Em alternativa ao Turquemenistão surge o Afeganistão onde a NATO já tem as bases logísticas necessárias ( à ocupação ).
Acontece que entre o Afeganistão e Teerão existem também umas quantas montanhas, um par de milhares de quilómetros e o deserto estéril do Khorassan.
Por aqui só, não basta.
A partir do Paquistão as condições são semelhantes às do Afeganistão mas para pior: piores bases, maior distância, desertos ainda mais secos.
Sobra a Turquia e o Iraque.
A distância é bastante menor a partir do Iraque, principalmente se se usar o caminho do passo dos Montes Zagros mas, em qualquer dos casos, a distância e a quantidade de obstáculos montanhosos a vencer é demasiado grande, mesmo para o exército Americano, principalmente quando tem a retaguarda Iraquiana ameaçada.
Esta análise parece demonstrar, no entanto, que as melhores hipóteses de invasão são mesmo a partir do Iraque e do Afeganistão.
Does it ring a bell?
Em 2003, Bush apregoou aos quatros ventos o eixo do mal, curiosamente composto por
três países: Iraque, Coreia do Norte e Irão.
Surpreenderam-se na altura com o Irão. Agora já não se surpreendem.
Já na altura se escrevia em surdina que a Coreia era para disfarçar e que o ataque ao Iraque era uma preparação do ataque ao Irão, dado que os EEUU precisavam de um bom trampolim para o ataque e o Iraque era o melhor de todos eles.
Com as dificuldades actuais no Iraque considera-se que a conquista de Teerão é uma empresa arriscada.
Isto é óbvio!
Mas há algo de menos óbvio para os distraídos. Um ataque terrestre que vise vergar a vontade do regime Iraniano não necessita de ter Teerão, rodeada por montanhas e desertos, como alvo principal.
A estratégia anfíbia da Inglaterra Vitoriana ditaria um ataque ao ponto fraco do inimigo de molde a forçá-lo a negociar em condições desfavoráveis.
No caso do Irão, este ponto fraco é a planície do sudeste Iraniano, fronteira ao Iraque e ao golfo Pérsico e fonte da maior parte do petróleo Iraniano.
A tomada desta região é menos perigosa e é um golpe sufocante na economia Iraniana.
A base mais óbvia para este ataque é também o Iraque mas um ataque anfíbio também servia. Os EEUU têm os meios para o efectuar.
O maior contra é o facto de hoje em dia ser extremamente difícil obter o efeito de surpresa exigido por este tipo de operação.
As baixas iniciais seriam também bastante elevadas.
Mesmo assim, com medidas de decepção inteligentes, seria possível enfraquecer e baralhar as defesas.
A invasão do Iraque não era necessária.
A invasão do Iraque está a provar ser insuficiente.
O argumento do Iraque como trampolim para o Irão está a voltar.
Não o engulam.
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Aardvark
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domingo, novembro 05, 2006
Fora de prazo: sondagens
Sempre achei uma certa graça que só em Portugal existisse esta discussão endémica em torno da união ibérica. Como disse Eduardo Lourenço, "temos um excesso de identidade", e parece ser com desenfreada volúpia que nos atiramos frequentemente para a miragem da sua dissolução.
______________________________________________________
Dos livros de História (Mattoso? O. Marques??):
"(...) Nobreza e clero venderam-se porque se achavam geralmente desprovidos de fundos. Ao mesmo tempo receavam motins populares ... para a grande burguesia, também, a União Ibérica só traria um fortalecimento do sistema financeiro do Estado, e portanto uma protecção ... significaria igualmente a abertura dos novos mercados e a supressão das barreiras alfandegárias".
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dorean paxorales
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Self-righteousness
Há dois géneros de pessoa que me arrepiam: as que se levam demasiado a sério e aquelas que não levam a sério ninguém. As primeiras estarão em minoria mas o que mete mais medo é que se alimentem dos despojos das segundas.
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Serviço público de internete
Segundo cita o Portugal dos Pequeninos, há três homens da nossa História que se arriscam ao apodo de Grande Português pela graça de Maria Elisa e vontade da massa histriónica.
A pergunta é: qual dos defuntos afirmou um dia "enquanto houver um português sem pão a revolução continua"?
Ganha quem acertar no menor número de respostas.
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sábado, novembro 04, 2006
Idade dos porquês
Por que é que não há guerras por causa de temperos se um litro de azeite é 5 vezes mais caro que um litro de gasolina?
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16:31
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E o prémio A melhor alcunha dada a colunista do DN vai para...
... "O abominável colunista das Neves",
por João Gundersen, no Arco do Cego.
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16:08
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Dependência Nacional
Alerta de Paulo Gorjão no Bloguítica:
"Nuno Ribeiro da Silva alertou para o perigo da dependência portuguesa face ao exterior em termos de tecnologia e matérias-primas. «Já não é só uma questão de dependência de energia é todo o segmento de bens, serviços e equipamentos», salientou o presidente da Endesa Portugal (DE, 3.11.2006: 17).
.
Pelo sim e pelo não, alguém poderia fazer o favor de alertar Manuel Pinho?"
Fui vêr. Não era orvalho. Era mesmo a Endesa, a empresa espanhola para a qual foi encomendado o MIBEL.
Isto para a parte A da afirmação; para a parte B, descubra a diferença nos parâmetros das aplicações do servidor usado pelo Diário Económico.
Gödel chamaria a isto uma metadependência.
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12:47
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terça-feira, outubro 31, 2006
Caro Anónimo
"Faça-se um referendo sobre quem pode e não pode ter colunas em orgãos de comunicação privados! Já! E depressa!"
Oh meu caro anónimo.
O seu fanatismo ideológico e a sua, digamos, "falta de agilidade" intelectual, a conclusão manipuladora e o tom ameaçador da mensagem não me surpreendem.
Fica uma lição que lhe dou. Resta-lhe depois descobrir quem eu sou, apanhar-me na rua e dar-me uma tareia, ou pior. Uma atitude consequente com a sua forma de estar na vida:
Eu defendo a competição típica de uma economia de MERCADO e não a corrupção típica de um capitalismo MONOPOLISTA.
Para além disso, vivo num país onde a liberdade de expressão é SUPOSTAMENTE protegida.
Os jornais PRIVADOS, precisam de RECEITAS. Estas RECEITAS são, directamente ou indirectamente, pagas por LEITORES.
A não ser, claro, que estes jornais sejam financiados para servirem como meios de PRESSÃO e PROPAGANDA, ao bom estilo Comunista, ou Nazi, escolha o que prefere.
Se os leitores o consentirem, essa será muitas vezes a escolha dos ACIONISTAS.
Num regime LIBERAL e de MERCADO, tenho todo direito de fazer as críticas que fiz e de dizer aos LEITORES dos ditos jornais:
Vocês ( e eu ) PAGAM aqueles jornais. Tenham uma coisa em conta: perguntem-se sobre qual o critério para que fulano ou sicrano escreva lá regularmente: quem é, o que o recomenda, onde estudou e quem lhe pagou os estudos, quem lhe paga o ordenado, em que grupos de interesse se move.
Sobre o conjunto de colunistas de um jornal interessa perguntar quão representativos são dos variados sectores e grupos de interesse da sociedade.
A tão afamada CORRUPÇÃO também passa por estas coisas!
Depois de fazer esta análise passei a comprar cada vez mais os jornais económicos.
Com dinheiro não se brinca e a propaganda é perigosa: é muito difícil mentirmos aos outros sem acabarmos a mentir-nos a nós próprios.
Se mais fizessem como eu talvez as escolhas de colunistas fossem mais cuidadosas e talvez os nossos jornais, ditos generalistas, reflectissem um leque de opiniões mais variado e não se ocupassem a dar credibilidade a certas ideias e pessoas, descredibilizando outras, talvez menos convenientes e menos lucrativas para os ACIONISTAS.
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segunda-feira, outubro 30, 2006
O mundo Islâmico
"Da Indonésia ao Marrocos, os povos muçulmanos estão em evervescência, levando as nações ocidentais [...] a se confrontar com problemas de singular dificuldade. [...] A mais intratável de todas as dificuldades [...] foi a Palestina. Desde a Declaração de Balfour, em 1917, tenho sido um fiel defensor da causa sionista. Nunca achei que os países árabes tenham recebido de nós nada mais do que imparcialidade. À Grã-Bretanha, e unicamente à Grã-Bretanha, eles deveram a sua própria existência como nações. Nós os criamos; dinheiro britânico e consultores britânicos marcaram o ritmo de seu progresso; armas britânicas os protegeram. [...]
Como nação mandatária, a Grã-Bretanha foi confrontada com o espinhoso problema de combinar a imigração judaica para a sua terra natal com a salvaguarda dos direitos dos habitantes árabes. Poucos de nós poderíamos censurar o povo judeu por suas opiniões violentas sobre esse assunto.
Não se pode esperar que uma raça que sofreu praticamente o extermínio seja inteiramente ponderada. Mas as actividades dos terroristas, que tentaram alcançar os seus objectivos através do assassinato de funcionários e militares britânicos, foram um odioso acto de ingratidão que deixou marcas profundas. [...] não foi de surpreender que o governo britânico viesse enfim lavar as suas mãos desse problema e a deixar que, em 1948, os judeus buscassem a sua própria salvação. [...]
A violência contagiosa ligada ao nascimento do Estado de Israel, vem desde então agravando as dificuldades do Oriente Médio. Vejo com admiração o trabalho feito ali para construir uma nação, para reconquistar o deserto e para receber inúmeros desafortunados, provenientes das comunidades judaicas do mundo inteiro. Mas as perspectivas são sombrias.
A situação de centenas de milhares de árabes expulsos de suas casas, sobrevivendo precariamente na terra de ninguém criada em torno das fronteiras de Israel, é cruel e perigosa. [...] Os líderes árabes de maior visão não conseguem enunciar conselhos de moderação sem ser silenciados aos gritos e ameaçados de assassinato. É um panorama tenebroso e assustador de violência e loucura ilimitadas. Uma coisa é certa. A honra e a sensatez exigem que o Estado de Israel seja preservado [...]
Winston Churchill, 1957
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11:58
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sábado, outubro 28, 2006
Aborto: proibição total...

... Na Nicarágua.
A lei aprovada ontem garante que ali não haverá mãe em risco de vida nem violação de menor que excepcione a regra; vai tudo a eito e comem todos.
A idéia peregrina, num país onde todos os anos vão à faca num vão de palhota 36 000 mulheres católicas, começou por ser impingida ao governo pela filial local dessa igreja mas demorou pouco para que até marxistas empedernidos se arrogassem a lucrar com a aparente popularidade da medida.
Com efeito, o ex-ditador Daniel Ortega declarou o seu apoio a esta lei "da vida", o que lhe valeu a tomada da dianteira na corrida presidencial em curso. Resta saber se isto chega para que os antigos contras votem nele ou para conquistar as boas graças da administração Bush.
Sem dúvida, o Terceiro Mundo ocidental no seu melhor. E um exemplo para todos nós.
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15:53
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sexta-feira, outubro 27, 2006
Jacinto Lucas Pires
Há por aí alguém que consiga dar-me uma pista que me ajude a desvendar a sibilina razão para que o cavalheiro em epígrafe tenha assento permanento numa coluna do Diário de Notícias?
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terça-feira, outubro 24, 2006
Véus há muitos

"Apenas um Estado laico pode proteger os direitos das mulheres", diz-nos o título de um artigo publicado no The Guardian do dia 17.
(no também permitiu que eu tenha chegado lá via Esquerda Republicana)
Num jornal que fez desaparecer da língua inglesa a forma feminina de muitas profissões, Polly Toynbee usa a segregação sexual visível no niqab e hijab das mulheres muçulmanas para atacar o apoio financeiro dado por Blair às escolas anglicanas ou católicas - visto que o leva a subsidiar também, multi-culturalismo oblige, intitutos islâmicos de ensino.
A pirueta é compreensível, e não é por ela que o argumento perde validade. No entanto, ele há uma ou duas preposições cuja consistência inspira cuidados.
Não tenho dúvidas, como diz o(a) senhor(a), que o véu seja "profundamente divisório" e que tenha sido "desenhado para que assim seja". O que não acredito é que o seu uso resulte exclusivamente de uma educação religiosa, subsidiada pelo governo ou pela família.
Num país como o Reino Unido, contando com 800 000 mulheres nascidas e criadas na fé do Profeta, apenas 10 000 tapam a cara.
A coisa tem obrigação de chocar o estrangeiro incauto mas para choque civilizacional sabe a pouco. Ainda para mais, e dados os antecedentes culturais das mesmas, parece-me duvidoso que à maioria desta infeliz minoria algum dia tenha sido permitido frequentar qualquer escola, religiosa ou não.
Também concordo em absoluto com o(a) autor(a) quando diz que "face de nenhum cidadão pode ser considerada indecente por causa do seu sexo".
Mas é precisamente aqui que a porca torce o proverbial rabo.
Começa a ser frequente lêr na imprensa britânica comentários de mulheres que, embora nunca até à universidade (laica) tenham usado qualquer tipo de cobertura ou sido pressionadas pela família para o fazer, resolvem subitamente fazer uso do expediente para melhor se esconderem de olhares indesejados.
É muito triste que sintam tal necessidade mas, como diz a divisa da rainha delas, "honi soit qui mal y pense".
Não quero com isto dizer que não existem, na mais ingénua das hipóteses, as tais dez mil situações aberrantes de opressão que o Estado britânico, por admitir e financiar um tipo de ensino confessional, pode vir a multiplicar.
Mas parece-me mais consonante com os valores de quem defende a dignidade de ser humano contra qualquer crença ou doutrina que esconder a cara numa sociedade que se quer laica é nada mais que um comportamento anti-social e nenhuma justificação existe que nos obrigue a aceitá-lo num local de trabalho.
Digo eu, que tampouco me agradaria andar de autocarro com um motorista - homem - de balaklava.
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segunda-feira, outubro 16, 2006
Brit Pop Art

"Lata de comida para bébé sobre mesa de fórmica", técnica mista.
Saar Drimer, 2006.
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20:35
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domingo, outubro 15, 2006
O Gabinete do aiatóla Khamenei
Desde cedo temi que, dada a falta de compreensivismo multiculturalista que grassa neste país, a polémica levantada pela suspensão sem vencimento de uma empregada da British Airways pudesse levar alguns espíritos católicos a retirar ilações a ferrobrás.
Agora mesmo vi que as minhas expectativas anteriores acabaram por se confirmar.
Assim, achei por bem dar aqui voz ao mandamento novo que nos chega da pátria da revolução xiíta (e não "xiita" como às vezes escreve por corruptela a plebe ignara): podem a partir de hoje contar neste sítio com ligação permanente ao Gabinete do aiatóla Khamenei(*), no qual todos os dias o cavalheiro em epígrafe se esforça por esclarecer toda a dúvida litúrgica que os desamparados na rede lhe colocam.
A bem do diálogo entre civilizações.
____________________________________________________________________________
(*) Com os devidos salamaleques a Francisco José Viegas pela sugestão.
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terça-feira, outubro 10, 2006
"Os Sulitários" na FNAC

Apresentação do último livro de Paulo Barriga pelo próprio:
"Caríssimos amigos, companheiros e assim,
O último livro aqui do vosso estimado, Os Sulitários, uma espécie de epopeia poética em torno do homem do Sul, vai ser apresentado na FNAC Chiado, no próximo dia 21 de Outubro, Sábado, por volta das 17H00. As fotografias são do João Francisco Vilhena e a edição da Fundação Alentejo-Terra Mãe.
Que lá esteja presente é o que mais se estima. A coisa é rija."
Apareça, homem!
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22:37
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A anedota do dia vem da Austrália
(peço desculpa pela ausência de tradução. O negrito é meu)
Ramos Horta happy with Aust troops in E Timor
ABC - Tuesday, October 10, 2006. 11:24pm (AEST)
East Timorese Prime Minister Jose Ramos Horta says he and his President Xanana Gusmao have agreed that Australian troops in East Timor should not be replaced by UN peacekeepers.
Dr Ramos Horta is in Australia to try and increase foreign investment in East Timor.
In a lecture at the University of New South Wales, Dr Ramos Horta said he will not ask the UN Security Council for a peacekeeping force when they discuss the issue again, because he is happy with the current arrangement.
"The UN is overstretched so I propose, my President and former Prime Minister agree, that we should continue with the current force arrangement with Australia," he said.
"Their professionalism, the effectiveness of the force, their strict respect for East Timorese suggest we should continue."
Ah, por mera coincidência surgiu agora um relatório de um instituto "independente" que aconselha Xanana e Alkatiri a não participarem nas eleições de 2007. Para evitar mais conflitos, ao que dizem. Ora bem...
A lista de entidades que compõem o conselho consultivo de tão desinteressado organismo pode descobrir-se aqui. Destaco a Chevron mas há outros com o mesmo nível de filantropia.
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domingo, outubro 08, 2006
A minha primeira república
Houve discussão entre mim e outros no blogue Esquerda Republicana acerca da benevolência da Primeira República. Por ser tão grande, resolvi publicar aqui aquele que espero ser o último comentário ao que me foi dito por lá. Ficam assim também aqui para a posteridade meia-dúzia de factozinhos que ajudam desmistificam alguns dos argumentos que alimentam as visões mais românticas do período que se seguiu à queda da monarquia.
Vamos à biblioteca dos leitores incultos e rápidos. Tenho o cuidado de não citar nada que defenda a monarquia ou que tenha origem na pena de fascistas (e.g., VPV ou Hermano Saraiva).
Segundo a wikipédia, Afonso Costa tentou fazer do PRP o partido único da República. Não admira que outros menos ‘democráticos' tenham preferido constituir os seus próprios partidos. Os jornais que se lhe opõem ou são fechados ou são calados.
No consulado de ‘Mata-frades’ a liberdade religiosa da lei torna-se difícil e perigosa de pôr em prática.
A entrada cita o também conhecido reaccionário Fernando Rosas quando este chama a esse regime de liberdade "a ditadura do partido 'democrático'".
O dr. Afonso Costa é também o mesmo que, em 1912, retira o direito de voto aos chefes de família analfabetos quando 80% da população ainda o era. O sufrágio universal deixa de existir em Portugal ao contrário de países como a Alemanha, Itália, Áustria, Montenegro, Suécia e Suiça. O número de eleitores é agora igual ao existente no tempo da monarquia.
Como exemplo da bonomia sindicalista do regime, em 31 de Janeiro de 1912, forças militares e da carbonária tomam de assalto a União dos Sindicatos. Os presos são enviados para bordo da fragata D. Fernando e do transporte Pêro d'Alenquer e deportados. Os grevistas alcunham Afonso Costa de 'racha-sindicalistas'.
Do talassa www.presidencia.pt vem que Manuel de Arriaga, eleito presidente por colégio em 1911 e deposto ‘democraticamente’ por golpe militar em 1915, havia em 1892 discursado como deputado no parlamento de acerca da "descaracterização da Nacionalidade Portuguesa no regime monárquico", em 1892.' Não conheço o texto mas adivinho-o edificante para as gerações que hoje em dia celebram o humanismo republicano d’antanho.
Pelo meio, depôs o governo do camarada anterior sem consultar o Congresso (senado e deputados) e proibiu os deputados desse partido de entrarem no parlamento. Deu entrada à ditadura de Pimenta de Castro.
A 14 de Maio de 1915 o descontentamento das hostes leva, com toda a legitimidade democrática, alguns barcos de guerra a bombardear Lisboa. Os combates são violentos e os mortos às centenas. O General Pimenta de Castro é preso e substituído por Teófilo Braga.
Quando volta ao poder, Afonso Costa decreta a censura para todas as publicações.
Sigamos para bingo. De Sidónio Pais, outro grande democrata, todos conhecem um pouco. Na biografia de Machado Santos, esse grande reaccionário (o tal herói de uma Rotunda defendida por 400 contra 4000 tropas legalistas - onde estariam os 40 mil carbonários de que falava aqui Gil Gonzaga, não sei), encontra-se a lavrada a seguinte passagem do seu protesto contra Sidónio, na sessão de abertura do Senado, em 3 de Dezembro de 1918:
«...Factos revoltantes como este posso citá-los aos centos e invocar o testemunho dos dez mil e tantos presos políticos que se encontram nas cadeias, com a seguinte nota de culpa: «preso às tantas horas do dia tal pelo agente fulano»...
Mas… 'presos políticos'? Na livre primeira república das justiças sociais?? Calúnias!
Entre 1919 e 23, a fome grassa no país, fecham cinco bancos e as greves e as bombas eclodem diariamente sem que deixem de ter resposta adequadamente musculada. Entre Julho e Setembro de 1919, os ataques dos anarquistas aos comboios e subsequentes descarrilamentos são tantos que o Governo para acabar com a crista coloca um vagão cheio de grevistas à frente da máquina. Sem grandes resultados.
Em 1925, ocupa outra vez a Presidência da República Bernardino Machado e a Liga dos Direitos do Homem protesta contra as deportações sem julgamento.
A ‘segunda’ república faz a sua primeira aparição com o golpe de Costa Gomes mas só se solidifica com o convite feito por todos os partidos a Carmona para que este governe em ditadura. Estavam criadas as condições para o nascimento do Estado Novo.
Por último, uma pergunta de algibeira: qual o político da republicano acima mencionado que trouxe pela primeira vez a eleição presidencial por sufrágio livre, directo e universal e quando é que esta teve lugar?
Pista: houve quem o alcunhasse de ‘rei’ mas também acabou em ditador assassinado.
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quinta-feira, outubro 05, 2006
Reses públicas
Se, antes de mais, defendermos uma forma republicana de governo, isto é, governo e representação parlamentar resultantes de eleições, e se a isto juntarmos uma impressa livre e uma Carta respeitando os direitos cívicos, só podemos lamentar as seis décadas de autoritarismo convulso ou latino-americano que se seguiram a 5 de Outubro de 1910.
A monarquia caiu porque houve um partido minoritário (12% nas últimas eleições do antigo regime) que tomou o poder pela força.
Aquela democracia era imperfeita? Era sim, tanto como hoje em dia o voltou a ser. Melhoremos a cidadania, então.
O resto - a questão da chefia do estado - não passa de um adorno constitucional ao qual a manada aspira, sabe-se lá por quê.
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domingo, outubro 01, 2006
Estatísticas virtuais
O blogue de Marcelo Rebelo de Sousa (vêr o novo lacete nos Sabores da Semana), publicado via sítio do morno Sol, teve, até há coisa de 5 minutos e com 15 postas escritas, 151 comentários repartidos por 5019 visitas.
No mesmo endereço pode encontrar-se outra Rebelo, a Pinto da novela sexual: com apenas 2-postas-2, teve direito a quase tantos comentários quanto o professor de referência e a umas assombrosas 4103 visitas.
Acho que está feito o retrato do leitor típico do semanário.
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Na Áustria, como cá

SE NÃO ESTIVESSEM PERMANENTEMENTE EM ESTADO DE DORMÊNCIA PERIFÉRICA, estas eleições interessariam mais aos portugueses do que lhes parece. Mais pelas ilações a tirar, claro está, que por benefício directo.
Também a Áustria passa por crises endémicas, também ali o euro precipitou o endividamento pessoal a níveis insustentáveis, tornando o consumo, para além do turismo, o principal responsável pelo grande crescimento económico do último ano. Também entre os austríacos, nenhum dirigente tem capacidade ou vontade de apresentar uma estratégia de definição nacional, limitando-se a classe política - à excepção dúbia dos Verdes ou dos nacionalistas do partido da 'Liberdade' - a gerir margens de contabilidade.
Será interessante ver como a percepção alpina desta realidade - muito maior que a nossa - irá condicionar o voto. Até agora, o debate foi dominado pelas doces do costume (Schüssel e a baixa de impostos, Gusenbauer e a criação de empregos num país com a segunda mais baixa taxa de desemprego da U.E.) mas o Partido Popular no governo pode muito bem vir a sofrer com os escândalos do costume: corrupção criada pela promiscuidade entre a classe empresarial e política.
Ah, e no que diz respeito a saudosismos e complexos de inferioridade, i.e., impérios perdidos e vizinhos poderosos com os quais nos confundem, os dois países teriam assunto para tertúlia regada a Grüner Veltliner e a Reguengos que duraria até de madrugada.
Salva-nos na disputa, como eu gosto de fazer lembrar ao meu amigo D., de ainda termos uma língua diferente da dos "outros".
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dorean paxorales
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