O inefável JoaoMiranda
sim, esse mesmo
Aqui, no Verdade ou Consequência, e em primeira mão, o site do profissional.
sim, esse mesmo
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dorean paxorales
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16:04
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Um amigo contou-me a seguinte bizarria, passada há duas semanas numa free house em Inglaterra.
'Era um quadro encantador: alguns ingleses de ambas as idades e todos os sexos acabavam de regressar de uma dessas manisfestações espúrias contra o "terrorismo israelo-americano".
Sentaram-se à minha frente com a disposição aparente de dever cumprido. Entre eles, uma mulher repelente vestia uma t-shirt com piadinha cáustica anti-bush. Havia também um barbas envergando com [duvidoso] orgulho, o amarelo e verde com a AK-47 e tudo do logo do Hezbollah.
Depois de algumas pintas de bebidas fermentadas, uma das mulheres do grupo, companheira de outras causas, colocou-se em dúvida e começou a falar qualquer coisa que não percebi acerca dos direitos das mulheres muçulmanas. Não deve ter sido considerado kosher pelos outros pois foi imediatamente interrompida pela camarada anti-bush: "Desculpa mas estás a ser racista. Não podes julgar o mundo pelos teus olhos ocidentais. É uma outra cultura, precisamos respeitar a sua especificidade. E não penses que nós aqui estamos melhores!"
Puxei de um cigarro e provoquei a tosse convulsa daquela mesa ainda antes de o acender.
"Não," pensei, "de facto, não estamos".'
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dorean paxorales
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14:09
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No artigo Proche-Orient : les illusions calamiteuses d'une géopolitique surréaliste, publicado no Figaro de 8 de Agosto, André Glucksmann levanta oportunamente a questão da hiperbolização das tragédias no Médio Oriente na percepção da opinião pública mas desilude quando acaba por perder-se em considerações de umbigo de mundo.
O que o filósofo francês parece esquecer é que a culpabilização ocidental em torno da questão palestiniana também se alimenta do conflito entre a suposta superioridade moral europeia e o ultramontismo norte-americano - uma das muitas heranças da Guerra Fria da qual ainda vai custar para nos livrarmos.
Quando 200 000 muçulmanos são mortos no Darfur por outros muçulmanos, como refere Glucksmann, quem no Ocidente se dá ao trabalho que a indignação obriga já que nenhuma potência mediática, daquelas que despertam paixões nos moralistas anacletos e nos neo-coisos de serviço, se quer envolver?
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dorean paxorales
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12:11
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O homem em causa é daquele género pessoas que me metem medo: um moralista angustiado e sem sentido de humor. Posto isto, vir a saber-se agora que, na verdura da juventude, o sr. Grass acabou alistado pelas Waffen-Schutzstaffel da caveirinha, em lugar de me aquecer, arrefece-me.
Ademais, ensina aos bons cristãos uma parábola qualquer que há mais alegria no Céu pelo estróina arrependido que pelo penitente de toda a vida.
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dorean paxorales
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11:30
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Excertos de um artigo publicado na revista Atlântico, Agosto de 2006, da autoria de Tiago Cavaco:
«DARWIN E OS ESQUELETOS DA HUMANIDADE
No debate entre criacionismo e Evolucionismo, os darwinistas trocaram o velho barbudo que criou amorosamente o Planeta Azul [...] A sutentabilidade do enredo é precária e não cria empatia nos leitores. Nós participamos na discussão.
Não é bonito nem excitante descrever uma cronologia do debate entre o Criacionismo e o Evolucionismo. É contudo certo qual das duas teses chegou primeiro. [...]
A Europa sente em relação à América um vazio do tamanho de Deus.[...]
somente um Francês demasiado adormecido à sensibilidade religiosa do país mais competente do mundo (os EUA, os EUA) pode admirar-se com o vigor académico do Design Inteligente. [...]
sustentar o Design Inteligente não é o mesmo que sustentar a interpretação científico-literal do relato do Génesis. [...]
A minha abordagem [...] é a do testemunho. [...]
A partir desse momento sob a teoria da evolução pesou explicar como é que um macaco se faz um homenzinho. [...]
A resistência criacionista [...] foi reagregando-se. [...]
A década de oitenta [...] traz um novo plantel à equipa. E com orçamento reforçado (há quem acuse que os avanços criacionistas resultam de um financiamento suspeito por parte dos sectores americanos mais conservadores). [...]
o criacionismo do autor deste texto é objector de consciência. Não entra em guerras. [...]
Sou a pessoa errada para defender com competência a Criacionismo na imprensa respeitável nacional. [...]
Aos darwinistas não convém o optimismo. O planeta vai para o maneta por isso Deus deve ser despedido por incompetência grosseira. Quão mais ateu o espírito mais ecologista será. [...]
a certeza do esgotamento dos recursos naturais pressupõe a ineficácia da intervenção divina. [...]
Logo a responsabilidade permanece em exclusivo no discernimento humano e por isso o futuro é negro. [...]
ainda não é Al Gore o sustentador da atmosfera terrestre.[...]
O bom cristão deverá relembrar que é Deus quem ainda manda na geringonça. E que ela só avaria se Ele permitir. [...]
o que todos desejamos é vender as nossas teses sobre o Apocalipse. A única concórdia é sobre a necessidade de o guião colocar no último episódio muito pranto e ranger de dentes. Os fiéis pela via da impenitência dos pecadores, os darwinistas pela incontinência dos consumidores.
Os darwinistas arreliam-se. Com cada letra criacionista publicada, com cada dólar investido na defesa do Design Inteligente, com cada Liceu americano que ousa colocar o bom Charles lado a lado com o Bom Deus. Como contornar o facto de que os darwinistas se têm tornado nas últimas décadas pessoas apreciavelmente desagradáveis? [...]
O darwinista é o que sobra de um Hobbes sem crença na Eternidade. A melhor pedagogia para os darwinistas não é sequer convertê-los aos cristianismo. Ensiná-los a divertir-se já seria óptimo. Descontrair. Respirar fundo. Enquanto há ar.
O darwinismo começa a soçobrar [...]»
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Aardvark
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19:25
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Vicente Jorge Silva mostra-se surpreendido, no DN de hoje, com o facto de até a Time, ('insuspeita', de facto) opinar que a concertação entre Hamas, os vários Hezbollah que para aí há e a Al-Caida é apenas aparente e nada tem a vêr com terrorismo.
De facto, é infelizmente costumeiro para os ocidentais remeter a origem dos conflitos no mundo muçulmano para os tais "reais ressentimentos islâmicos" da propaganda anti-americana. Costumeiro e conveniente para ambos os lados: o "nós contra eles" não requer explicações e acelera decisões. Pelo contrário, analisar instala a dúvida, inimiga da acção.
O que na revista americana se aflora é o que em outras publicações apesar de menos visíveis é discutido com maior nitidez: no xadrez da região as agendas dos vários poderes diferem bastante entre si e a imagem de um Islão unido contra o Grande Satã serve principalmente a quem se quer impor como líder da putativa união.
Esta estratégia do inimigo exterior não começou com Nasser ou outros nacionalistas árabes; muito antes disso, foi no cisma que empurrou sunitas e xiítas para uma luta pela supremacia religiosa (em que já califado e o sultanato se confundiam) que encontrou a sua origem. Mas a vantagem de que os sunitas gozaram até hoje, que em muitos casos, se traduziu em opressão da seita minoritária, tem vindo a ser ameaçada. Existe um ressurgimento xiíta que, embora até possa encontrar paralelo na revolução iraniana de '79, nunca até agora conseguiu extravasar as fronteiras do estado persa, ao que não é estranho o facto de nos países tradicionalmente inimigos de Israel a maioria da população ser sunita (como sunitas também são os árabes da Palestina e do Hamas, pelos quais Teerão só chora quando lhe convém).
No jogo de influência sobre os milhões de almas que habitam o espaço muçulmano não ganha quem infligir mais derrotas militares aos E.U.A. e os seus aliados. Para ganhar a liderança basta mostrar iniciativa e capacidade de enfrentar o inimigo, pois a manipulação das emoções dos "ressentidos" já é exercício de poder de facto.
Na guerra actual, tal como durante séculos na Europa (onde também a religião comandava a vida), o combate é, antes de mais, pelo pragmático título de "Defensor da Fé".
foto: George W. Bush e o seu aliado sunita, o rei Abdul da Arábia Saudita, em Crawford, Texas (Associated Press, 2002)
____________________________________________________________
(*) título roubado ao livro de Vali Nasr, The Shia Revival: How Conflicts Within Islam Will Shape the Future , W W Norton & Co Ltd (2006)
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dorean paxorales
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16:04
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Agora que toda a gente já sabe que 'tudo não passou de um plano', repito o que já havia escrito a 27 de Julho, 'inda a guerra corria célere e ninguém falava nas Sheebaa Farms...
(...) não há qualquer sinal de radicalismo com perigo de ascensão em Israel. Pelo contrário, as reacções israelitas seguem uma lógica, maquiavélica talvez, mas puramente militar.
O objectivo israelita é bastante concreto: "limpar" tanto quanto possível a zona de bases do Hezbollah e obrigar a comunidade internacional a legitimar a reocupação de parcelas do sul do Líbano para que aí se reestabeleça um perímetro de segurança ao norte (1).
Nas próximas semanas veremos quem de facto ganhou a guerra.
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dorean paxorales
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15:07
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Muito pela mão do rei Maomé II, os marroquinos têm visto surgir em debate as leis que pretendem reformar o estatuto da Mulher e da condição familiar naquele país muçulmano. É mais um dos projectos a realizar num processo de democratização lento mas firme e que, ao contrário de outros países mais a sul ou a levante, promete vir a tornar-se bem-sucedido.
Ao mesmo tempo, no Reino Unido, e no rescaldo do susto de quinta-feira passada, várias organizações islâmicas moderadas acabam de sugerir à Secretária para as Comunidades Ruth Kelly que, entre os seus, venha a ser permitido [ou reconhecido?] o estabelecimento da lei islâmica no que concerne ao casamento.
"É preciso mostrar aos jovens que o nosso país respeita a sua religião e assim evitar que caiam facilmente na propaganda daqueles que pretendem a sua radicalização".
Os líderes muçulmanos contudo ressalvam que, apesar desta subtracção ao direito civil de todo o pai de família que queira manter a mulher ou a filha com rédea curta, não é do seu intuito a futura imposição da sharia como substituto do código penal britânico.
Pessoalmente, não sei se valia a pena tanta contenção; uma inglesa que um dia se visse no risco de ser passada a fio de espada podia sempre refugiar-se num sítio mais civilizado. Como por exemplo, Marrocos.
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dorean paxorales
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18:41
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No Dolo Eventual:
A machadada politicamente correcta
(...)
É politicamente incorrecto fumar, nem que seja fechado em casa. É uma coisa que nos torna piores pessoas, com dificuldades de discernimento mental grave, que se nos colocam sempre que temos de decidir entre um cigarro, ou a necessidade imperiosa de salvar uma criança pendurada de um penhasco que ameaça ruir a qualquer momento.
Para a UE todos nós fumadores iríamos decidir pelo cigarro e isso torna-nos cidadãos a perseguir.
É uma lógica de esforço comum da sociedade. Na realidade eles gostam de nós e querem integrar-nos. Querem poder novamente contar connosco nos cafés e restaurantes que entretanto deixámos de frequentar porque não se podia lá fumar.
Por isso é natural que as empresas nos desconsiderem (eu queria mesmo dizer discriminem, mas deve ser ilegal) e prefiram aqueles grandes malucos que comem o iogurte com bifidus activus com a colher da sopa, fazem corridas de cadeiras ou que têm a audácia de misturar café normal com café descafeinado, lá no escritório. Esses sim sabem viver sem fumo...
Esses sim, são os que vivem no verdadeiro perigo, e é dessa gente criativa que as empresas precisam, e não de gente como nós que fuma que nem cavalos, que vai morrer mais cedo, que não vai cumprir os mínimos olímpicos da segurança social, e logo não vai ajudar no futuro de algum filho da mãe de um preguiçoso que pode muito bem ainda nem ter nascido.
Prometo que se precisar de ir a alguma entrevista de emprego no futuro, me vou pintar de preto, insistir que tenho 82 anos, que sou uma traveca hindu, mas que não fumo.... só para ver se alguém tem coragem para me discriminar.
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dorean paxorales
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14:18
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Desde a queda do regime marxista de Siad Barre que a Somália é um país faminto e ingovernável. A confirmá-lo, as saídas de sendeiro do contingente de marines norte-americanos (primeiro sancionado e mais tarde substituído pelas Nações Unidas), em 1995, após dois anos de numerosas baixas e total fracasso nos seus respeitáveis objectivos: auxílio humanitário à população; desarmamento dos vários senhores da guerra que aterrorizavam o país e estabelecimento de um governo federal que unificasse os vários territórios entretanto em estado de autodeclarada "independência".
E nunca mais se ouviu falar daqueles desgraçados. Até que...
Em Junho deste ano a "capital", Mogadíscio, suportou uma batalha sangrenta entre uma espécie de "frente unida" dos fora-da-lei que haviam anteriormente combatido as N.U. e o novo poder em ascenção: as milícias islamitas do Conselho de Tribunais Islâmicos (a única forma de lei dos últimos 15 anos). Os antigos senhores da guerra, apesar de agora serem apoiados pelos E.U.A. (!), acabaram por perdê-la.
As milícias islâmicas, que desde sempre apoiaram as acções da Al-Caeda, partilham desde então com os restantes senhores da guerra não só o controlo do território somálio como o desprezo pelo governo federal interino do presidente Abdillahi Yusuf e do primeiro-ministro Mohamed Ghedi.
Entretanto, alguns jovens foram abatidos a tiro por se encontrarem a assistir às cerimónias de abertura da Copa do Mundo de Futebol. O futebol foi então proibido. Filmes considerados "maléficos" também.
Numa tentativa de evitar que o frágil governo interino fosse de facto derrubado (e não só por isso, claro...), a Etiópia fez entrar as suas tropas no país, o que levou os islamitas a suspender as negociações anteriormente encetadas enquanto houvesse militares estrangeiros presentes em território nacional...
A intervenção fez unir os somálios em torno do Conselho de Tribunais Islâmicos e prevê-se agora uma guerra "oficial" entre a Etiópia e a Somália. O governo provisório é para esquecer e os vizinhos quenianos temem o alastrar do conflito e do fundamentalismo para o seu próprio território e clamam por uma intervenção estrangeira.
Faz lembrar algo?
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dorean paxorales
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19:23
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13,000 é o número de madraças no activo no Paquistão.
Grande parte destas escolas religiosas prega a jihad aos seus estudantes. Os estrangeiros acorrem em massa e muitos desses são cidadãos britânicos que vieram "visitar a família".
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dorean paxorales
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12:25
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Mesmo na improbabilidade de que os senhores que irão ganhar as eleições naquele país (só daqui a algumas semanas se saberá quem) venham a visitar esta humilde tribuna, deixo aqui um conselho amigo: façam um favor ao vosso sofrido povo e tirem lá o 'democrática' do nome da república. Está mais que está provado que dá azar.
foto: contagem dos votos em Kinshasa, 31 VIII 2006, via BBC News
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dorean paxorales
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18:42
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Paulo Gorjão vem falar aqui da propaganda feita pelos lados em conflito no Líbano à volta da divulgação de números de vítimas, acabando por evidenciar a completa incoerência da opinião pública ocidental na posta seguinte.
De facto, há guerras que dão para o espectáculo televisivo e conversas de café, principalmente quando há potências mediáticas metidas ao barulho. Outros conflitos existirão - alguns dos quais envolvendo os "povos esquecidos" de que falava em tempos o prof. Adriano Moreira - onde, por via da insignificância estratégica ou material, ou por conveniência dos estados, as câmeras não agigantam os mortos e só os próprios choram por aquele terço de crianças.
Por causa das eleições no domingo, vem-me agora à cabeça o antigo Zaire. Podia argumentar-se que a cobertura dada ao longo dos anos aos acontecimentos no Zaire/República 'Democrática' do Congo tem sido mais do que suficiente para a tomada de consciência do público sobre a desumanidade ali reinante.
Para onde quer que se olhe na história do país, os números são impressionantes: só de 1885 a 1908, e enquanto propriedade privada do rei Leopoldo II dos Belgas, dez milhões de congoleses morreram vítimas da exploração colonial.
Mais recentemente, e mesmo já depois da deposição do carniceiro Mobutu, quatro milhões de pessoas viriam a morrer, vítimas das guerras e perseguições em que o país se viu mergulhado entre 1994 até domingo passado.
Isto, só nos últimos dez anos, dá qualquer coisa como dois terços de holocausto nazi (uma unidade de massacre tão válida como qualquer outra) a passar-nos à frente dos olhos na era dos blogues e das guerras em directo. Ao contrário dos 28 mortos de Caná, não chegou para nos impressionar.
No passado dia 30, finalmente, os congoleses foram a votos nas primeiras eleições multi-partidárias de sempre realizadas no seu país. Para trás, espera-se, ficou um dos passados mais sangrentos de qualquer percurso africano em direcção à democracia.
Iguais ao Congo, existem inúmeros conflitos e estados autoritários numa permanente produção de vítimas em boa parte do nosso planeta. Como agora até parece mal não dizer, "muitas delas são crianças". Porque sim, irei tentar neste blogue fazer um esforço despretencioso para lembrá-los, quantificando quando possível as terríveis consequências na "população civil", sem qualquer preocupação de periodicidade ou ordem de putativa importância.
Foto: "Pol Pot's Art", Steeve Gosselin, 2003
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dorean paxorales
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13:10
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(ou nem por isso)
A cadeia de electrónica a retalho britânica Currys vai começar a vender ao público painéis solares para conversão doméstica de energia eléctrica.
Com umas formidáveis 3.87 horas diárias de sol (média anual), o Reino Unido torna-se o primeiro país a colocar à disposição do consumidor final, e em troca de GBP 1000 (menos de 1500 Euros), a hipótese de poupar algum dinheiro a si próprio, bastante ao país em particular e uma quantidade apreciável de fósseis ao mundo em geral.
Pena é que em Portugal chova tanto. De qualquer modo, aquilo faria o telhado tão feio.
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dorean paxorales
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18:10
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A mantança diária no Iraque não é generalizada, ao contrário do que se podia pensar. Os grupos armados sunitas e xiítas que semeiam o terror no dia-a-dia iraquiano são bastante específicos na escolha das suas vítimas civis. Isto levou a que população de Bagdad, num esforço de habituação a esse quotidiano, tenha encontrado formas de normalizar o absurdo dos assassinatos dando-lhes rótulos apropriados. Alguns exemplos escolhidos aleatoriamente, e sem qualquer preocupação de precedência:
-Morto pelo Pão. Os padeiros são considerados inimigos do Islão porque fornecem esse alimento às forças policiais. As padarias são um dos sítios preferidos dos atentados bombistas.
-Vítima da Moda. É difícil sair à rua em Bagdad com qualquer trapinho. O encarnado está proibido por ambas as guerrilhas islâmicas; calções, t-shirts, e camisas com padrões também; qualquer peça de vestuário minimamente americanizada (jeans, ténis) equivale a pintar um alvo na própria cabeça.
-Vítima da Escola. Segundo os radicais xiítas, as mulheres não podem receber instrução. Todas as famílias que permitem às suas crianças do sexo feminino ir à escola estão sujeitas a intimidações e, em já alguns casos, a várias balas.
-Morto pela Barba. Outro paradeiro comum de bombas. A barbearia é uma profissão de risco pois os barbeiros, lá está, fazem a barba e não pode ser porque as barbas são sagradas. Empunhar uma gillette é um convite ao petardo.
E os americanos? Por absurdo também vão morrendo, por absurdo também vão matando.
O praça Steven D. Green, acusado da violação e homicídio de uma criança de 14 anos e da morte de todos os membros da família dela, disse a quem quis ouvir que "no Iraque, matar pessoas é como pisar uma formiga, quero dizer, mata-se alguém e é tipo, 'Ok, vamos comer uma pizza'".
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dorean paxorales
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13:21
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Os E.U.A. rejeitaram a declaração do Conselho de Segurança que condenava Israel pelo bombardeamento do posto de Khiyam da UNIFIL, Força Interna da ONU para o Líbano, que resultou na morte de quatro observadores (Canadá, Áustria, China e Finlândia)
Kofi Annan já se tinha queixado que este ataque ao "seu" posto de observação havia sido deliberado. Por isto, deve entender-se que o secretário-geral das Nações Unidas considera que fará parte da estratégia israelita mover guerra às Nações Unidas.
O míssil teleguiado usado no ataque foi fornecido pelos E.U.A., país que recusa o cessar-fogo na região.
Conclui-se que, por acordo tácito, faz parte da estratégia americana fazer guerra às Nações Unidas.
E agora, José?
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dorean paxorales
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16:28
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Na semana em que os Estado Unidos se recusavam a exigir o cessar-fogo imediato no Líbano, o ministério de defesa britânico anuncia que dois airbus americanos carregando várias toneladas de bombas com destino a Israel fizeram escala em território nacional sem a devida autorização.
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dorean paxorales
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16:43
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Quase meio milhão de pessoas (número de Abril de 2006) mortas pela milícia Janjaweed e pelo governo sudanês na região de Darfur.
Se calhar, por os assassinos serem tão muçulmanos quanto as suas vítimas, já não há "perdas civis" a lamentar.
E se calhar por serem "pretos" também ninguém se escandaliza.
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dorean paxorales
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16:21
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A posta deste auto-didacta é, para variar, imbecil (até porque vem elogiada por estes) e atira completamente ao lado: não há qualquer sinal de radicalismo com perigo de ascensão em Israel. Pelo contrário, as reacções israelitas seguem uma lógica, maquiavélica talvez, mas puramente militar.
O objectivo israelita é bastante concreto: "limpar" tanto quanto possível a zona de bases do Hezbollah e obrigar a comunidade internacional a legitimar a reocupação de parcelas do sul do Líbano para que aí se reestabeleça um perímetro de segurança ao norte (1).
Mesmo após a retirada das IDF do Líbano, em 2000, e enquanto o mundo desviava os olhos para o que acontecia em Gaza, os cães raivosos do Partido de Deus continuaram a sua guerrilha contra o estado judaico, num não-mata-mas-mói de rockets atirados ao acaso sobre o norte de Israel.
Só quem não viu isto não consegue entender que os israelitas não iriam esperar muito mais tempo por uma intervenção do governo libanês ou das NU para a dissolução definitiva da milícia xiíta (como determinado pela resolução 1559/2004).
Do ponto de vista militar, a única solução era clara mas politicamente tornava-se complicada de executar. As IDF tinham (e têm) capacidade de invadir o Líbano quando quiserem mas haveria maior interesse que a ocupação dos territórios fosse sancionada e, se possível, efectuada por forças neutras.
A clara "desproporcionalidade" da reacção foi o meio de atingir esse fim, até porque uma intervenção dita "cirúrgica" não surtiria efeito a longo prazo, pois para uma guerrilha com livre implantação no terreno, o ressurgimento é rápido.
Pelo contrário, os bombardeamentos sobre todo o território libanês permitiram a Israel primeiro, castigar o governo daquele país pela sua inoperância e mostrar a outros interessados a sua capacidade militar e, em segundo lugar, preparar a mini-invasão terrestre que obrigaria a comunidade internacional a enviar as tais forças da ONU ou NATO para a região de que agora todos falam...
Haverá muito ódio à solta por aqueles lados mas em questões de estratégia, nem árabes nem judeus deixam o coração governar a cabeça, independentemente daquilo das "opiniães" que alguns analistas de pacotilha possam ter mas fazendo sempre o maior uso possível dos idiotas úteis que apareçam.
imagem "A new design for the flag of the state of Israel", (c) Shimon Tzabar (2002)
___________________________________________________
(1) A estratégia, aliás, é decalcada do passado, no caso um território minúsculo na confluência das fronteiras israelita-libanesa-síria conhecido como "Sheebaa Farms".
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dorean paxorales
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14:23
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Tenho ouvido várias pessoas queixar-se que para vencer hoje concursos, as empresas praticamente fazem o trabalho quase de graça, ou mesmo de graça.
Isto aplica-se principalmente a concursos lançados por outras empresas.
Como é que se ganha dinheiro hoje em dia, ou quem?
Existem outras formas mas as empresas que vendem produtos de grande consumo continuam a vender bem, enquanto que reduzem os custos com fornecedores.
Empresas de electricidade, telecomunicações e coisas assim são as que mais ganham ( para além dos produtores de matérias primas e outras commodities ).
Percebem porque é que querem privatizar as águas?
A razão para esta situação reside no facto de haver muito menos fornecedores do que clientes, ao contrário do que acontece com os fornecedores destas empresas, geralmente em maior número que as próprias empresas.
Nunca como agora foi tão bom ser grande.
Esta situação leva a uma "feudalização" do mundo em que vivemos.
Os "feudos" são as grandes empresas e os privilegiados são aqueles que nelas trabalham ( porque aí os empregos são para toda a vida ).
Os desgraçados são os outros.
Entretanto o comum dos mortais é presa de uma chantagem: tem custos fixos a suportar que não vão parar de crescer. Mas se não trabalhar numa grande empresa cada vez mais terá de trabalhar mais para ganhar cada vez menos.
Exerce-se assim na prática uma chantagem das empresas referidas sobre o remanescente da sociedade.
A vingança contra a classe média ocidental continua, e é implacável.
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Aardvark
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19:57
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Uma empresa Europeia construiu uma obra de engenharia colossal numa das maiores economias emergentes.
O governo do país Europeu pagou a construção e desenvolvimento da dita obra na esperança que a economia emergente ( e outras ) quisesse comprar mais obras semelhantes.
O governo da economia emergente não aceitou a obra e não pagou a sua parte baseado na existência de defeitos ( menores ) na obra. Mas pô-la a uso, claro.
Alguns meses depois, cópias ilegais da mesma obra, feitas por empresas locais, começaram a ser compradas pelo astuto governo.
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Aardvark
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19:50
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O responsável de uma empresa Nórdica gabava-se de que a sua empresa não negociava em certos países, apesar de serem bastante atractivos, porque aí não se respeitava a propriedade intelectual.
A dita empresa tinha acabado de ser comprada por uma empresa Americana.
Um mês depois, não só a nova administração tinha tomado a decisão de produzir os produtos da empresa no dito país como já tinha deslocalizado parte da produção e os utilizadores dos produtos da dita empresa já se queixavam de erros infantis provocados por ignorância e incúria que prejudicavam o funcionamento dos seus próprios produtos.
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Aardvark
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19:44
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Ambos querem a "bomba", ambos desprezam o Conselho de Segurança.
Mas acho que o primeiro não acredita em virgens.
Sieg Heil!
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dorean paxorales
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17:55
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Anda por aí muita gente preocupadíssima com a recente legislação a aplicar aos parques privados de estacionamento, nomeadamente aquela que permite ao utente pagar ao quarto de hora em lugar de uma hora inteira.
Umas vezes os senhores protestam porque pretendem defender a iniciativa privada - o estacionamento, esse motor da nossa economia - contra, imagine-se, a prepotência com que o governo interfere no seu sagrado lucro; outras, parece que a grande indignação é resultado de temerem (acertadamente) que essa iniciativa privada possa muito bem vir a compensar as tais perdas de lucro indo directamente aos bolsos daqueles que não passam sem andar pela cidade de cú tremido.
Não poderia haver melhor exemplo em que a propalada ideologia se casa perfeitamente com o interessezinho pessoal.
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dorean paxorales
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14:54
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Apesar dos esforços chineses para suavizar o texto da resolução, a Coreia do Norte mostrou-se irritada com a condenação aos seus testes de lançamento de mísseis pelo Conselho de Segurança das N.U.: respondeu logo avisando que continuará a aumentar o seu arsenal e ameaçou que as sanções aprovadas por unanimidade poderão sim conduzir a uma Segunda Guerra da Coreia.
Isto foi na segunda-feira e parece-me que não poderiam ter escolhido melhor altura...
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dorean paxorales
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19:17
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Segundo um ministro israelita, os bombardeamentos efectuados no Líbano já destruiram metade da capacidade militar do Hezbollah.
A acreditar na realidade deste sucesso, conclui-se que existe uma probabilidade de 50% de que os dois soldados das IDF estejam neste momento espalhados por todo o lado.
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dorean paxorales
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18:05
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"Irão garante mais uma vez que continuará a enriquecer urânio"
in Público, hoje
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dorean paxorales
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13:50
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Como muito bem recorda Francisco José Viegas ontem no JN, o plano da ONU para a região da Palestina em 1947 previa a divisão da região em dois estados, um judaico e outro árabe. Contudo, esse plano estava prenhe de falácias: nem todos os palestinianos eram muçulmanos e nem a palestiniana Jordânia fazia parte da divisão acordada.
O problema foi assim, logo na origem, dois: a colonização por euro-judeus, i.e., a ressurreição de "Israel" per se; o outro, a criação de novo da própria Palestina pois, mesmo na ausência do primeiro acto, nenhum "vizinho" árabe tinha interesse num novo estado dito palestiniano.
E o que é que o Líbano tem a vêr com isto? Tirando um passado de ocupação do sul pela OLP, hoje em dia nada, apesar da cartilha que alguns bloqueados continuam a repetir por aí e da desinformação generalizada que os média propagam. Mas essa confusão interessa a muitos.
As relações são outras.
A primeira é de semelhança: o Líbano é também um estado que ele pode ser visto como mais-ou-menos artificial mas multi-religioso e multi-étnico e que, na sequência da retirada do exército sírio e dos fantoches que o desgovernaram, cometeu um erro fatal: democratizou-se e prosperou.
Este país ameaçava assim tornar-se num péssimo exemplo para toda a região, em especial para os estados árabes, se ainda por cima tivermos em conta que este progresso se fez com o apoio do Ocidente e apesar da oposição activa de um partido religioso (Hezbollah, o Partido de Deus, com dois ministros impostos por al-Hassad da Síria ao actual primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora).
A segunda é de geografia, sendo o Líbano usado como um território-tampão para ambos os lados: Israel não pode invadir a Síria sem provocar a Terceira Guerra Mundial e o Irão não tem fronteiras aquele país. Com os acordos de paz entre o estado judaico e o Egipto e a Jordânia (que resultaram num nunca acabar de atentados nesses países), resta aos velhos inimigos guerrearem-se na terra alheia de sempre.
A terceira é de oportunidade: Teerão precisava afastar as atenções dos seus planos nucleares, tal como quando criou a "crise" dos cartoons, e não só isto coincide com a verdadeira crise na Coreia do Norte, país com o qual o Irão tem um protocolo de colaboração para o desenvolvimento de mísseis nucleares (e onde já é certa a presença de engenheiros iranianos), como também com o interesse de Putin em desvalorizar a questão do fornecimento pela Rússia de gás natural à Europa, assunto agendado para a reunião dos G8 que se aproximava. Facto este que não parecerá estranho a quem olhar para o mapa e descobrir o trajecto dos gasodutos russos.
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13:50
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"The Syrians, my [arab] friends, will gladly fight down to the last Palestinian Arab."
Youssef M. Ibrahim, antigo correspondente do New York Times no Médio Oriente e editor da secção de energia do Wall Street Journal, 12VII2006
texto integral aqui, via o Insurgente
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12:17
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E o programa nuclear iraniano?
Como é que é?
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dorean paxorales
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11:37
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Mesmo que a Rússia duplicasse o seu PIB per capita na próxima década ainda estaria abaixo do nível actual de Portugal, USD 19,000.00.
Como é que se admite que o peso de uma economia assim deficiente possa vir a influenciar o estilo de vida dos nossos "finlandeses"?
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dorean paxorales
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16:13
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O Conselho de Segurança da ONU queria a retirada de todas as forças estrangeiras do Líbano, o desarmamento das milícias, incluindo os xiítas do Hezbollah, e a restauração da soberania do governo libanês sobre o território.
Mas "soberania" é um conceito demasiado vago num país com dois exércitos, dois governos e nenhum estado.
A Síria, que tinha até há pouco tempo governado o Líbano, fez regressar contra-vontade parte das suas tropas mas não retirou totalmente do país. Apesar disto, os optimistas vislumbraram no gesto uma nesga de paz sem pensar que seria impossível de todo desarmar a milícia apoiada por Damasco: não só o governo libanês é ele próprio constituído também por membros do Hezbollah civil como precisaria de um milagre para convencer um exército com um número significativo de xiítas nas suas fileiras a executar a resolução 1559.
Entretanto, e a oeste, apesar dos "raptos" palestinianos e "ataques" israelitas, a verdade é que o Hamas (como se previa após a sua eleição) não deixou de manifestar a intenção de reconhecer a existência do estado judeu (1). As recentes escaramuças entre israelitas e palestinianos seriam, no entanto, o cenário de fundo perfeito para a provocação de novos confrontos na fronteira norte de Israel.
E o que por ali acontece é a "guerra aberta" desejada tanto pelo líder da milícia xiíta Hassan Nasrallah (um lunático raivoso) como pelos conservadores israelitas (uns raivosos lunáticos).
Lentamente, começam a (re)criar-se as condições para o regresso dos militares sírios ao sacrificado Líbano. Tolo será quem não vir nestas manobras uma concertação perfeita com os objectivos de Teerão (2). E o eixo xiíta não encerra aqui o seu ciclo...
___________________________________________________________________________
(1) Uso a terminologia comum na imprensa embora não atribua ao estado constituído de Israel o grau secular ou racial que os seus vizinhos muçulmanos atingem: 60% da população nativa jordana, por exemplo, não pode votar, exercer professorado, medicina, engenharia ou advocacia, assumir propriedade de bens imóveis ou meios de comunicação social pelo simples facto de ser palestiniana.
(2) Vêr a posta que se segue.
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dorean paxorales
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14:31
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Um membro do parlamento britânico (trabalhistas) que desejou permanecer anónimo saiu-se com esta:
O julgamento de Saddam Hussein acabou e o juíz decidiu-se por aplicar ao ditador a pena de morte por fuzilamento.
Contudo, e numa concessão devida a um antigo chefe de estado, foi permitido ao condenado escolher os executores da sentença. Saddam logo nomeou: Lampard, Gerrard, Beckham, Cole, Rooney, Crouch...
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dorean paxorales
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18:15
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Inauguro com esta magnífica posta acerca de Vasco Graça Moura essa ubíqua rubrica de tantos blogues.
Mais: a prosa das restantes é de tal recorte que merece passar já a Sabor da Semana.
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dorean paxorales
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16:25
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Agora que o mundial de futebol acaba, e o ténis de Wimbledon pouca paixão patrioteira desperta entre nós, a gripe dos passarocos volta a atacar os jornais. Ele é de novo estudos de opinião, mergulhões espanhóis aos espirros e coisa e tal.
Relembro: esta é a famosa pandemia que vai matar em três tempos toda a gente que não comprar os tamiflus que apenas os países 'desenvolvidos' têm e que, em três anos de existência, logrou infectar umas assombrosas duzentas pessoas.
Com tanto em que pensar, porque nos haveríamos de lembrar que a cólera, uma doença com vacina e cura, já ceifou desde Fevereiro mais de 2000 vidas em Angola (em quase 49 000 infectados)?
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dorean paxorales
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13:11
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Aconteceu ontem, em Fojo Lobal (Ponte de Lima), no país profundo. Festa de aniversário de um qualquer da aldeia.
"Vamos aos foguetes!", deve ter dito um.
"Mas não é proibido, por causa dos fogos?", desejo eu que alguém terá interposto.
"Aqui quem manda sou eu e festa é festa!", imagina-se, com alguma boa vontade, a resposta do presidente da junta do lugar de cem habitantes, também conviva da patuscada.
Dois minutos depois, a cabeça de onde saira aquela boçalidade rebentava com toda a pompa e estrondo que a decisão merecia.
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dorean paxorales
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11:54
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São as equipas que jogam de azul e branco.
Mas o Dorean tem uma solução para isso. :)
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Aardvark
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23:15
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Para além de José Sócrates, que outro Português se poderá queixar de que há quem saiba das suas intenções com seis meses de antecedência?
( Sobre a substituição de Freitas do Amaral por Luís Amado - não foi no Portugal-Inglaterra, mas a Inglaterra saíu beneficiada com a substituição )
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Aardvark
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23:11
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A selecção Portuguesa prepara-se para enfrentar as suas Nemesis.
Ganhará os próximos jogos quem apresentar o jogo mais calculista, quem souber destruir com eficácia o jogo adversário e quem souber aproveitar as mais pequenas oportunidades.
Portugal vai poder demonstrar a competitividade do seu futebol.
Nesta hora lamento que a beleza do futebol Português tenha ficado para trás.
Recordo com saudade a elegância de Paulo Sousa, a fantasia de Rui Costa, a excitação do futebol do Figo jovem, as diabruras de João Pinto, o talento tranquilo e inexcedível de Pedro Barbosa.
Admiro o futebol gazua de Cristiano Ronaldo, o futebol envolvente e enleante de Simão, a eficácia talentosa de Deco, a estratégia do Figo maduro.
Mas é nos britânicos Ricardos, nas virtudes guerreiras de Miguel e na grandeza de Petit que vai assentar o sucesso da selecção.
Depois deste campeonato, há que reinventar o jogo.
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Aardvark
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22:57
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Já cá faltava a comichão do costume acerca da cor da camisola da selecção.
Eu posso não perceber nada de futebol mas aquele vermelho-puta-traçado-de-verde-fluorescente da farda d'antanho só pode realmente parecer bem a saudosistas dos anos setenta.
Ó camarada Moreira, olhe que não há cor que melhor nos defina que o reguengos (ou outro qualquer - "bordeaux", como lhe chamou, é que não): consegue ser elegante e castiço ao mesmo tempo e ainda faz publicidade ao único produto nacional com o qual a estranja consegue associar-nos.
Para mais, quando se fala de amor à camisola um português que se preze não se põe aí a pensar em sangue mas sim no tinto.
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dorean paxorales
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15:19
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A China e a Índia reabriram ontem, 3 de Julho, a antiga Rota da Seda no ponto em que esta servia de ligação entre o Tibete e a União Indiana e que estava fechado há 44 anos, data da ocupação chinesa: a passagem de Nathu La, nos Himalaias (4000 metros).
As autoridades prevêem que a nova estrada promova as trocas comerciais entre os dois países e ponha fim ao isolamento daquela área.
Globalmente, o acordo não passa de um reconhecimento tácito da anexação do Tibete pelo governo da RPC.
Com mais de mil milhões de habitantes cada um e taxas de crescimento económico anual de 20%, os dois gigantes aproveitam para mostrar ao mundo uma aproximação territorial que pode representar a formação futura de um bloco económico hegemónico.
Acontece que, e apesar da propaganda óbvia, a imagem que me fica do dia de ontem foi a das obras no lado chinês da dita estrada: o uso de dezenas de homens e mulheres os quais, de cara coberta, passavam de mão em mão as pedras que outros como eles haviam partido da rocha do chão a golpes de martelo. Como provavelmente os seus antepassados de há séculos e séculos devem ter feito inicialmente...
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14:08
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Após confirmada a morte de Abu Musab Al-Zarqawi, o congressista Steve King (Iowa) previu que a sua recompensa celestial
fosse 72 virgens todas elas sósias da correspondente na Casa Branca Helen Thomas (na foto).
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dorean paxorales
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13:22
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Porque alguns deles lêem (e às vezes até escrevem em) blogues mas não tocam nos jornais, a crónica de hoje no DN por alguém com o qual nem sempre concordo.
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11:30
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1 barril de petróleo = 1 barril de pólvora.
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dorean paxorales
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13:18
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Chegou-me ao conhecimento, embora por interposta pessoa, que alguns visitantes deste blogue estariam a observar alguma desformatação da página aquando do seu visionamento por meio de PC.
Verificando-se esta situação, completamente alheia à nossa vontade, só nos resta pedir profusamente desculpas pelo sucedido e desejar um rápido reestabelecimento em equipamento MacIntosh.
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dorean paxorales
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15:46
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O GIGANTE DE TELECOMUNICAÇÕES CHINÊS Huawei tem a sua sede lisboeta ali para os lados do Rego. Mais precisamente, o edifício da empresa encontra-se entre a Bolsa de Lisboa e a sede nacional do Partido Comunista Português... A geografia a confirmar o chavão "um país, dois sistemas".
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dorean paxorales
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20:05
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Do blogue Timor Online:
"(...)
Os militares australianos tem sido cada vez mais agressivos dizendo às pessoas que Alkatiri é o 'ex-Primeiro-Ministro” e a perguntarem às pessoas quem é que elas apoiam. Hoje hastearam a bandeira da Austrália no edifício da Educação Não-Formal em Vila Verde, depois de terem impedido o içar da bandeira de Timor-Leste. Estas instalações são utilizadas pelo Ministério da Educação e também utilizado como dormitório por alguns soldados australianos.
(...)"
Por Peter Murphy, secretário da Social Education and Research Concerning Humanity (SEARCH) Foundation, ONG baseada na Austrália, em Díli, 21 de Junho de 2006.
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dorean paxorales
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13:05
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O problema de Patrick Monteiro de Barros não é não perceber rigorosamente nada de energia nuclear.
O problema é que nem tem precisado de tentar perceber ou forçado a disfarçar essa ignorância. 
Simulacro da central dita "EPR" (European Pressurised Reactor), consórcio entre a Siemens AG e a francesa Areva, em construção na Finlândia e com entrada em funcionamento em 2009.
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dorean paxorales
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15:14
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Scolari já levou a selecção Portuguesa mais longe do que alguma vez ela foi.
No entanto, é perseguido na imprensa como poucos o foram.
Porquê?
Em primeiro lugar porque não é um lacaio de Pinto da Costa. A lógica do presidente do FCP é implacável e a selecção compete com o FCP pelos patrocínios das empresas. A selecção é apenas útil se servir de montra aos jogadores do FCP. Pinto da Costa tem razão, quem paga os salários são os clubes mas a federação tem enormes lucros com a selecção.
Em segundo lugar porque é Brasileiro mas acima de tudo porque é estrangeiro e chegou aqui com uma lógica vencedora e anti-paroquiana. Abanou o status quo. Isso não é perdoável por todos aqueles treinadores de bancada que só por usarem gravatas à PP acham que compram a respeitabilidade necessária para dizerem todo o tipo de disparates.
Scolari tem mentalidade ganhadora, pensa fora da caixa e sabe gerir a imagem. É bom e sabe vender bem uma imagem que corresponde à realidade. Num país onde a imagem é geralmente o oposto daquilo que se é, onde se prefere os salamaleques hipócritas à confrontação honesta e corajosa, Scolari é culpado do pecado original.
Mas Scolari é uma lufada de ar fresco neste país de mesquinharia e mediocridade.
Antes que ganhe ou perca e se vá embora, vale a pena dizer: Obrigado Scolari.
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Aardvark
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14:42
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Dois terços do Mar de Timor pertencem a Timor-Leste.
O Mar de Timor tem muito, muito petróleo (e não só).
A Austrália queria todo esse petróleo para ela. Todo? Bom, pelo menos quase todo.
Há uns meses atrás, o primeiro-ministro de Timor fez finca-pé e quase ganhou.
A Austrália não gostou e logo disse de si para si: "vou vêr se consigo enviar muitos soldados para Timor-Leste para demitir esse primeiro-ministro reguila e ficar eu a mandar no país".
E se bem o pensou, melhor o fez.
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dorean paxorales
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19:53
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... O programa seguirá dentro de semanas.
Entretanto, aproveito para dar as boas-vindas a um novo (desde Maio) blogue, o 8 e coisa, nove e tal.
É um blogue exclusivamente de mulheres mas não pretende falar exclusivamente de mulheres, o que só lhe fica bem. Entre a gregueria, o desabafo e a crítica, há linhas abruptas que dá mesmo gosto ler.
Ali fica, no topo dos Sabores da Semana (sem segundos sentidos) para vosso gozo e até chegar o senhor/a que se segue.
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dorean paxorales
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12:16
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Dizem que o Estado Português tem funcionários a mais.
Parece ser claro que não tem dinheiro para os sustentar.
Dizem que estes funcionários trabalham pouco, ou não fazem mesmo nada.
Vai daí que o Estado, através da lei da mobilidade, vai colocar milhares desses funcionários num "quadro de excedentes".
Aqui, o estado vai logo poupar uns bons cobres em "gadgets" e subsídios que vai deixar de pagar.
Depois vai permitir que estes funcionários passem a trabalhar em empresas privadas, pagando-lhes parte do ordenado.
Ou seja, o Estado vai subsidiar as empresas que lhe aceitem a malta excedentária.
No entanto, esta situação depende da vontade dos excedentários em deixarem de ser funcionários ociosos.
Dei comigo a pensar que o estado se vai posicionar no mercado como fornecedor de serviços de outsorcing.
Não vou alimentar as teses miderabilistas tipo: "Vende-se manga d'alpaca, ... com conhecimentos de Windows e Office ( utilização de um a dois dedos de cada vez )...".
Pelo contrário, penso que o posicionamento do Estado deve ser mais agressivo.
Deve começar por criar uma Empresa Pública de Gestão de Recursos Humanos do estado, mesmo que começasse com a designação vetusta de EMPUGESTRECHU ( aceitam-se ideias! ).
Esta empresa será encarregue da gestão e colocação no mercado de 100 a 200 mil trabalhadores de serviços em regime de outsorcing.
Esta inundação do mercado de trabalho porá uma forte pressão de baixa nos salários das empresas privadas.
Por outro lado, vai equivaler, em termos de força de mão de obra, a aceitar em Portugal 100 ou 200 mil novos imigrantes, porventura menos qualificados que os Ucranianos.
Mas o país fica muito bem posicionado para tirar partido da Directiva Comunitária de liberalização dos Serviços.
Fintamos toda a gente ( talvez valha a pena aproveitar o mundial de futebol ) ao criarmos do nada uma nova empresa de outsorcing com pessoal razoavelmente qualificado.
Nem a Índia nos consegue passar a perna.
Depois, entrega-se a empresa à gestão privada, que logo lhe muda o nome para Tuga Outsorcing ( a branding ainda não vai estar a funcionar em pleno! ).
A agressividade comercial aumenta e passamos a ser a base da indústria de serviços Europeia.
Quando a empresa dá enormes lucros ao estado, privatiza-se e cria-se uma das maiores consultoras privadas do mundo.
Para nome. um génio do brande encontra um nome fabuloso que recolhe aplauso unânime: Portugal, Portugal Outsorcing, e o logo é o simbolo dos templários.
Depois acordei, banhado em suor.
Que ideia bizarra!
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Aardvark
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22:02
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Caro Dr. João Carlos Espada,
li o seu artigo no Expresso, tal como leio, há vários anos, quase todas as semanas.
Aprecio o facto de, algures no passado, os seus artigos me terem dado a conhecer Tocqueville e de me terem levado a ler a "Democracia na América" e o "Antigo Regime e a Revolução".
A leitura destes livros mereceu-me interpretações algo diferentes das suas. Tal situação será talvez justificada pelo facto de não terem sido esses exercícos devidamente acompanhadas pelos adequados serviços de tutoria, faltando-me também quer o tempo quer as ferramentas intelectuais necessárias para poder formular uma interpretação mais sofisticada e muito provavelmente diferente.
No seu artigo desta semana o Sr. Doutor cita alguém que disse "Não troquemos a liberdade pelo conforto: em breve perderemos ambas."
Corrija-me se estou enganado mas penso que estamos perante uma paráfrase de Benjamin Franklin, que disse ( cito sem verificar fontes, talvez esteja enganado ): Quem está disposto a trocar a sua liberdade pela sua segurança não merece nem uma coisa nem outra.
No geral concordo com o seu artigo mas penso que a paráfrase introduz uma diferença subtil ( ou não, considerando os tempos que correm ) no pensamento de Franklin.
Vejo hoje em dia as suas intervenções na imprensa como elementos de uma acção de propaganda, ou melhor ainda, de recrutamento ( de jovens para a defesa das suas ideias essencialmente ( extremamente? ) conservadoras ).
Mas penso que os princípios gerais e citações que transmite permitem intrepretações prácticas bastante diferentes das suas.
Essas ideias gerais que afirma defender são tão boas que não carecem de paráfrases potencialmente enganadoras e que podem levar os jovens a fazer interpretações adulteradas daqueles princípios que, por exemplo, os founding fathers dos EEUU tomavam como self-evident.
Para finalizar, peço desculpa pelo anonimato ( relativo, quando falamos de suportes digitais e acessos à Internet mantidos por grandes empresas comerciais ) mas eu não sou muito corajoso, tenho uma família para sustentar e se fôr despedido por defender estas ideias não vou concerteza arranjar emprego num think-thank conservador ( nem noutro ) Americano, ao contrário do que aconteceu com a nossa corajosa Somali.
Com os melhores cumprimentos,
Aardvark
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Aardvark
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19:42
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CONTAS SÃO CONTAS.
A floresta ocupa cerca de 2/3 do território continental. Isto são, conservadoramente, 60 000 km2 ou 6 milhões de hectares. Dito assim, até parece muito. Mas não é.
O ano passado arderam pouco mais de 300 000 ha, significando que, a este ritmo, daqui a 20 anos as únicas sombras das quais um português poderá disfrutar estarão nos separadores de avenida e jardins municipais.
Ainda assim, se as câmaras não pararem de as substituir por 'peças de escultura' ou placards de publicidade e os amigos da pica ou os pombos sobreviverem, estamos tramados.
Estas são as minhas preferidas. Têm a vantagem de arderem menos que outras mas a desvantagem de demorar pelo menos 50 anos entre a queda da lande no solo e o desenvolvimento em árvore adulta. Para muitas, será tarde demais.
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dorean paxorales
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13:24
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(original mais tarde adaptado por um espectador do Newsnight, um programa também ele baseado no nosso telejornal do segundo canal)
Um jovem mudou-se para o Alentejo e comprou um burro a um agricultor por 100 euros. O vendedor acordou em entregar-lhe o burro no dia seguinte.
No dia seguinte, o agricultor apareceu-lhe à porta e disse-lhe, "desculpe lá mas tenho más notícias para lhe dar: o burro morreu."
O rapaz respondeu, "não faz mal, devolva-me o dinheiro e ficamos assim."
E o homem, "não posso, já o gastei..."
O jovem então, "Bom, então traga-me lá o burro na mesma. Vou rifá-lo. Mas não diga a ninguém que o burro está morto, está bem?"
Um mês depois, o agricultor encontrou-se com o rapaz e perguntou-lhe, "então? que aconteceu no fim com o burro morto?"
"Olhe, vendi 500 bilhetes a 2 euros cada e acabei com um lucro de 998 euros"
"Mas ninguém reclamou???"
O rapaz disse, "só o tipo que ganhou; por isso, devolvi-lhe os dois euricos".
Eventualmente, o rapaz tornou-se presidente de uma grande empresa de construção civil e o agricultor passou a ser o autarca permanente da zona, isto embora mudasse de partido de vez em quando.
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dorean paxorales
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18:13
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A causa foi modificada, 25V06:
(...) Outro exemplo é o da engenharia genética versus alimentação "natural" e agricultura "biológica", que uns milhões de filhos da puta do mundo abastado, todos muito consciencia ecologica e com ligação à terra (as lojinhas paneleiras no Bairro Alto de produtos sem pesticidas e assim), insistem em classificar como a luta, respectivamente, do mal contra o bem, da artificialidade contra a natureza.
(...) Tanto um como outro são problemas que em muito seriam mitigados se se (la está) investisse brutal e selvaticamente em investigação nos produtos geneticamente modificados, para, primeiro, se perceber sem histerismo se o que efectivamente poupam tanto na utilização de pesticidas e herbicidas como na quantidade de terra que se tem que roubar actualmente ao estado selvagem (através do aumento da produtividade) para produzir a papinha minima necessaria compensa o riscos riscos de introduzirmos o dedo no coração da Criação.
O Partido Ecologista os Vermelhos, perdão, o Partido Ecologista Os Verdes, a extraordinaria proporção de pessoas com "consciência ecológica" do Bloco de Esquerda (que naturalmente não têm a mais vaga ideia de nada) e a toda, mas quando digo toda é mesmo toda, a Direita, que sobre estes assuntos nem nunca sequer fingiu estar preocupada (o que é preferivel, apesar de tudo), merecem todos ser enrabados (...)
Timor online, 25V06:
Quarta-feira, o governo timorense (...) pediu formalmente ajuda militar e policial a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.
A Malásia vai enviar quase 500 soldados e polícias (...), 25 dos quais partiram hoje de manhã para Díli como missão avançada, anunciou o governo malaio.
Uma força (...) de 160 militares australianos chegou hoje a Díli e tomou já posições para garantir a segurança do aeroporto da capital timorense. A Austrália aceitou enviar um contingente de cerca de 1.300 militares.
A Nova Zelândia ainda não anunciou oficialmente o contingente que vai enviar, mas informações não confirmadas indicam que 60 militares neo-zelandeses chegaram quarta-feira ao fim do dia a Díli.
[Entretanto...]
Portugal anunciou que está disponível para enviar uma companhia da GNR, mas aguarda uma decisão da ONU para ordenar a partida de uma força.
A Grande Loja do Queijo Limiano, 21V06:
Prefere-se discutir o efémero, o imediato, o fácil. O costume. O artigo de Medina Carreira nunca existiu. O país de que ele fala também não existe para uma boa parte dos que se deviam ocupar a tratar dele. O que existe é algo de diferente, esquizofrénico, onde o que conta é a bola, as touradas, o envelope 9, o Dr. Carrilho e os decotes... da Alexanda Lencastre. É verdadeiramente um país à imagem dos Morangos com Açúcar. Um país onde até a esquerda, do PS ao BE, passando pelo PCP, defende os 'privilegiados'. Um país onde a única coisa que conta é o momento, o imediato, um país onde não há uma voz que defenda quem nada tem, quem tem pensões de absoluta miséria e nem dinheiro para comprar comida, quanto mais medicamentos. Um país egoísta incapaz de repartir, de redistribuir, de racionalizar e de se reformar. Um país incapaz de compreender que para ter hipóteses de sobrevivência tem (ou tinha) que mudar. Reformas ? Serão boas certamente, desde que só afectem os outros, Poupanças ? Idem. Cortes, contenções ? Evidentemente, também.
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dorean paxorales
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11:54
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Na posta anterior abordei a "ontologia da oportunidade" (????) no activismo anti-tourada.
Nesta vou abordar a "ontologia da legitimidade". Vou defender a ideia de que este activismo é produto da hipocrisia decorrente da crescente abstração das actividades humanas.
Nas sociedades primitivas matava-se animais e seres humanos de uma forma essencialmente ritualizada. Essa ritualização respondia a duas necessidades:
1. Contrariar a repugnância natural dos seres humanos saudáveis pelo derramamento de sangue.
2. Matar animais e humanos: por fome, defesa, ganância, fome.
O próprio canibalismo é essencialmente uma ritualização e acaba por providenciar uma justificação adicional para a morte de outros indivíduos.
O progresso da tecnologia, nomeadamente do armamento e a progressiva especialização dos indivíduos dentro das sociedades ditas civilizadas introduz um distancimento entre a morte de indivíduos ou animais e os autores desta.
Tal distancimento permitiu prescindir da ritualização, que permanece apenas de forma residual, nomeadamente nas religiões judaica e muçulmana ( para os animais! ).
O Cristianismo aboliu a ritualização ( nos animais ).
Este distanciamento, resultante da utilização de mecanismos mais abstractos, tornou mais fácil a utilização da violência.
Permitiu também um ainda maior distanciamento aos cúmplices da violência.
Se exceptuarmos os vegetarianos veganos, todos nós somos cúmplices de maus tratos cometidos sobre muitos animais. Não interessa o propósito. Não é pelo propósito que nós convivemos bem com esses maus tratos.
É porque não vemos. Porque não somos nós.
Nós consumimos em excesso e somos responsáveis pela delapidação em excesso dos recursos da Terra. Mas como não vemos e não somos os únicos, não nos importamos.
No nosso trabalho, muitos participamos no desenvolvimento de novas formas de controle da vida alheia e trabalhamos activamente em formas de comunicação de massas que nada mais fazem que distorcer a realidade.
A privacidade acabou e a liberdade de informação e de opinião saiu dos meios de comunicação social.
As possíveis consequências prácticas destes desenvolvimentos no futuro podem ser terríveis. Mas nós não as vemos, ou não as vamos ver, e não somos os únicos.
Mas somos cúmplices.
Só resta o vegetariano vegano como activista legítimo.
Restava. Alguém que toma opções tão radicais e incómodas para si próprio não se preoucupa com aquilo que não o afecta directamente.
Para as touradas tem a solução de não ver e de ser contra.
Não me parece que faça sentido ser activista. Ou será que depois nos vai querer obrigar a sermos vegetarianos veganos?
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Aardvark
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21:03
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Começo por dizer que a publicação desta posta é uma revelação da minha falta de bom senso.
Vou arranjar sarilhos por isto.
Mas não consigo resistir...
Há quem não goste de tourada. Isso é uma coisa.
Há quem seja contra as touradas. Isso é outra.
E há ainda quem seja activista contra as touradas. Que me desculpem aqueles que se dedicam a esta causa com o afinco que tenho visto nos últimos anos, mas eu não os consigo perceber.
Não consigo perceber que haja quem se dedique a lutar contra a morte dos touros numa arena quando tantos direitos dos animais são espezinhados no dia a dia por muito respeitável mas pouco visível gente.
Quando temos problemas ambientais gravíssimos.
Quando os direitos humanos são espezinhados no mundo inteiro e não são cabalmente respeitados em POrtugal.
Não consigo também perceber os meios usados.
Para quê as manifestações/provocações junto das praças?
Será o mito da virilidade/coragem dos forcados que impele estes activistas a tentar confrontá-los físicamente?
Porque é que não tentam uma acção popular no parlamento?
Temem dar aos nossos deputados mais uma boa desculpa para um absentismo prudente? Exijam um referendo e batam-se por ele.
Ou será que quem participa nestas manifestações está apenas a falar para dentro da tribo? A mostrar a seu zelo radical?
Quem é que perde tempo a compilar uma lista de "torturadores de touros" ( bastou uma pesquisa na net? )? Tem de ter muito. E de não ter o mínimo sentido das prioridades.
Há gente para tudo.
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Aardvark
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20:28
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"MINISTÉRIO PÚBLICO ARQUIVOU PROCESSO CONTRA JOSÉ LUÍS JUDAS [autarca] E AMÉRICO SANTO [construtor civil]", no Público de hoje.
Entretanto, no meu blogue de flames favorito, o blasfémias, têm andado num frenesim (está bem, eles andam sempre com fogo no rabo por qualquer assunto mesmo): aquilo é postas sem fim contra o conceito de ordens profissionais pois parece que vai contra a "concorrência" (!?).
Eu li tudinho o que escreveram, comentários e respostas aos comentários, e respostas às respostas às respostas, e até agora também ainda não percebi a lógica. Acho que tem qualquer coisa a vêr com, uma associação de, vá lá, arquitectos ser incompetente para avaliar a competência de um recém-licenciado em arquitectura e o consumidor, esse sim, ser quem saberá melhor zelar pela conduta do profissional.
Ah, e no melhor espírito auto-didacta da casa, parece que nem licenciaturas deveriam ser necessárias.
Não há dúvida que os Sr.s Judas e Santo não estão sozinhos na sua luta contra a burocracia, essa verdadeira força de atraso da nossa sociedade.
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dorean paxorales
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14:42
2
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No DN de hoje, João Andrade, presidente da Associação Nacional dos Criadores de Toiros de Lide, responde a certas e determinadas pessoas da defesa animal:
"Irão realizar-se duas manifestações no Campo Pequeno. Uma do lado de fora e outra do lado de dentro, esta última das sete mil pessoas que esgotaram a praça para assistir ao espectáculo. E haverá mais um milhão a ver na TV."
E mai nada.
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dorean paxorales
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Quidquid latine dictum sit altum viditur