quinta-feira, agosto 03, 2006

Ainda a República Democrática do Congo


Mesmo na improbabilidade de que os senhores que irão ganhar as eleições naquele país (só daqui a algumas semanas se saberá quem) venham a visitar esta humilde tribuna, deixo aqui um conselho amigo: façam um favor ao vosso sofrido povo e tirem lá o 'democrática' do nome da república. Está mais que está provado que dá azar.

foto: contagem dos votos em Kinshasa, 31 VIII 2006, via BBC News

A propósito de números


Paulo Gorjão vem falar aqui da propaganda feita pelos lados em conflito no Líbano à volta da divulgação de números de vítimas, acabando por evidenciar a completa incoerência da opinião pública ocidental na posta seguinte.

De facto, há guerras que dão para o espectáculo televisivo e conversas de café, principalmente quando há potências mediáticas metidas ao barulho. Outros conflitos existirão - alguns dos quais envolvendo os "povos esquecidos" de que falava em tempos o prof. Adriano Moreira - onde, por via da insignificância estratégica ou material, ou por conveniência dos estados, as câmeras não agigantam os mortos e só os próprios choram por aquele terço de crianças.

Por causa das eleições no domingo, vem-me agora à cabeça o antigo Zaire. Podia argumentar-se que a cobertura dada ao longo dos anos aos acontecimentos no Zaire/República 'Democrática' do Congo tem sido mais do que suficiente para a tomada de consciência do público sobre a desumanidade ali reinante.

Para onde quer que se olhe na história do país, os números são impressionantes: só de 1885 a 1908, e enquanto propriedade privada do rei Leopoldo II dos Belgas, dez milhões de congoleses morreram vítimas da exploração colonial.

Mais recentemente, e mesmo já depois da deposição do carniceiro Mobutu, quatro milhões de pessoas viriam a morrer, vítimas das guerras e perseguições em que o país se viu mergulhado entre 1994 até domingo passado.
Isto, só nos últimos dez anos, dá qualquer coisa como dois terços de holocausto nazi (uma unidade de massacre tão válida como qualquer outra) a passar-nos à frente dos olhos na era dos blogues e das guerras em directo. Ao contrário dos 28 mortos de Caná, não chegou para nos impressionar.

No passado dia 30, finalmente, os congoleses foram a votos nas primeiras eleições multi-partidárias de sempre realizadas no seu país. Para trás, espera-se, ficou um dos passados mais sangrentos de qualquer percurso africano em direcção à democracia.

Iguais ao Congo, existem inúmeros conflitos e estados autoritários numa permanente produção de vítimas em boa parte do nosso planeta. Como agora até parece mal não dizer, "muitas delas são crianças". Porque sim, irei tentar neste blogue fazer um esforço despretencioso para lembrá-los, quantificando quando possível as terríveis consequências na "população civil", sem qualquer preocupação de periodicidade ou ordem de putativa importância.

Foto: "Pol Pot's Art", Steeve Gosselin, 2003

terça-feira, agosto 01, 2006

Intervalo da guerra

(ou nem por isso)

A cadeia de electrónica a retalho britânica Currys vai começar a vender ao público painéis solares para conversão doméstica de energia eléctrica.

Com umas formidáveis 3.87 horas diárias de sol (média anual), o Reino Unido torna-se o primeiro país a colocar à disposição do consumidor final, e em troca de GBP 1000 (menos de 1500 Euros), a hipótese de poupar algum dinheiro a si próprio, bastante ao país em particular e uma quantidade apreciável de fósseis ao mundo em geral.

Pena é que em Portugal chova tanto. De qualquer modo, aquilo faria o telhado tão feio.

Morrer em Bagdad

A mantança diária no Iraque não é generalizada, ao contrário do que se podia pensar. Os grupos armados sunitas e xiítas que semeiam o terror no dia-a-dia iraquiano são bastante específicos na escolha das suas vítimas civis. Isto levou a que população de Bagdad, num esforço de habituação a esse quotidiano, tenha encontrado formas de normalizar o absurdo dos assassinatos dando-lhes rótulos apropriados. Alguns exemplos escolhidos aleatoriamente, e sem qualquer preocupação de precedência:

-Morto pelo Pão. Os padeiros são considerados inimigos do Islão porque fornecem esse alimento às forças policiais. As padarias são um dos sítios preferidos dos atentados bombistas.

-Vítima da Moda. É difícil sair à rua em Bagdad com qualquer trapinho. O encarnado está proibido por ambas as guerrilhas islâmicas; calções, t-shirts, e camisas com padrões também; qualquer peça de vestuário minimamente americanizada (jeans, ténis) equivale a pintar um alvo na própria cabeça.

-Vítima da Escola. Segundo os radicais xiítas, as mulheres não podem receber instrução. Todas as famílias que permitem às suas crianças do sexo feminino ir à escola estão sujeitas a intimidações e, em já alguns casos, a várias balas.

-Morto pela Barba. Outro paradeiro comum de bombas. A barbearia é uma profissão de risco pois os barbeiros, lá está, fazem a barba e não pode ser porque as barbas são sagradas. Empunhar uma gillette é um convite ao petardo.

E os americanos? Por absurdo também vão morrendo, por absurdo também vão matando.
O praça Steven D. Green, acusado da violação e homicídio de uma criança de 14 anos e da morte de todos os membros da família dela, disse a quem quis ouvir que "no Iraque, matar pessoas é como pisar uma formiga, quero dizer, mata-se alguém e é tipo, 'Ok, vamos comer uma pizza'".

sexta-feira, julho 28, 2006

Isto é grave

Os E.U.A. rejeitaram a declaração do Conselho de Segurança que condenava Israel pelo bombardeamento do posto de Khiyam da UNIFIL, Força Interna da ONU para o Líbano, que resultou na morte de quatro observadores (Canadá, Áustria, China e Finlândia)

Kofi Annan já se tinha queixado que este ataque ao "seu" posto de observação havia sido deliberado. Por isto, deve entender-se que o secretário-geral das Nações Unidas considera que fará parte da estratégia israelita mover guerra às Nações Unidas.

O míssil teleguiado usado no ataque foi fornecido pelos E.U.A., país que recusa o cessar-fogo na região.

Conclui-se que, por acordo tácito, faz parte da estratégia americana fazer guerra às Nações Unidas.

E agora, José?

quinta-feira, julho 27, 2006

... Outra na ferradura

Na semana em que os Estado Unidos se recusavam a exigir o cessar-fogo imediato no Líbano, o ministério de defesa britânico anuncia que dois airbus americanos carregando várias toneladas de bombas com destino a Israel fizeram escala em território nacional sem a devida autorização.

E o genocídio em curso no Sudão?

Quase meio milhão de pessoas (número de Abril de 2006) mortas pela milícia Janjaweed e pelo governo sudanês na região de Darfur.

Se calhar, por os assassinos serem tão muçulmanos quanto as suas vítimas, já não há "perdas civis" a lamentar.
E se calhar por serem "pretos" também ninguém se escandaliza.

quarta-feira, julho 26, 2006

O cessar-fogo visto pelos israelitas


A posta deste auto-didacta é, para variar, imbecil (até porque vem elogiada por estes) e atira completamente ao lado: não há qualquer sinal de radicalismo com perigo de ascensão em Israel. Pelo contrário, as reacções israelitas seguem uma lógica, maquiavélica talvez, mas puramente militar.

O objectivo israelita é bastante concreto: "limpar" tanto quanto possível a zona de bases do Hezbollah e obrigar a comunidade internacional a legitimar a reocupação de parcelas do sul do Líbano para que aí se reestabeleça um perímetro de segurança ao norte (1).

Mesmo após a retirada das IDF do Líbano, em 2000, e enquanto o mundo desviava os olhos para o que acontecia em Gaza, os cães raivosos do Partido de Deus continuaram a sua guerrilha contra o estado judaico, num não-mata-mas-mói de rockets atirados ao acaso sobre o norte de Israel.
Só quem não viu isto não consegue entender que os israelitas não iriam esperar muito mais tempo por uma intervenção do governo libanês ou das NU para a dissolução definitiva da milícia xiíta (como determinado pela resolução 1559/2004).

Do ponto de vista militar, a única solução era clara mas politicamente tornava-se complicada de executar. As IDF tinham (e têm) capacidade de invadir o Líbano quando quiserem mas haveria maior interesse que a ocupação dos territórios fosse sancionada e, se possível, efectuada por forças neutras.

A clara "desproporcionalidade" da reacção foi o meio de atingir esse fim, até porque uma intervenção dita "cirúrgica" não surtiria efeito a longo prazo, pois para uma guerrilha com livre implantação no terreno, o ressurgimento é rápido.
Pelo contrário, os bombardeamentos sobre todo o território libanês permitiram a Israel primeiro, castigar o governo daquele país pela sua inoperância e mostrar a outros interessados a sua capacidade militar e, em segundo lugar, preparar a mini-invasão terrestre que obrigaria a comunidade internacional a enviar as tais forças da ONU ou NATO para a região de que agora todos falam...

Haverá muito ódio à solta por aqueles lados mas em questões de estratégia, nem árabes nem judeus deixam o coração governar a cabeça, independentemente daquilo das "opiniães" que alguns analistas de pacotilha possam ter mas fazendo sempre o maior uso possível dos idiotas úteis que apareçam.

imagem "A new design for the flag of the state of Israel", (c) Shimon Tzabar (2002)
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(1) A estratégia, aliás, é decalcada do passado, no caso um território minúsculo na confluência das fronteiras israelita-libanesa-síria conhecido como "Sheebaa Farms".

domingo, julho 23, 2006

O "mercado", a globalização e a Chantagem

Tenho ouvido várias pessoas queixar-se que para vencer hoje concursos, as empresas praticamente fazem o trabalho quase de graça, ou mesmo de graça.

Isto aplica-se principalmente a concursos lançados por outras empresas.

Como é que se ganha dinheiro hoje em dia, ou quem?

Existem outras formas mas as empresas que vendem produtos de grande consumo continuam a vender bem, enquanto que reduzem os custos com fornecedores.

Empresas de electricidade, telecomunicações e coisas assim são as que mais ganham ( para além dos produtores de matérias primas e outras commodities ).

Percebem porque é que querem privatizar as águas?

A razão para esta situação reside no facto de haver muito menos fornecedores do que clientes, ao contrário do que acontece com os fornecedores destas empresas, geralmente em maior número que as próprias empresas.

Nunca como agora foi tão bom ser grande.

Esta situação leva a uma "feudalização" do mundo em que vivemos.

Os "feudos" são as grandes empresas e os privilegiados são aqueles que nelas trabalham ( porque aí os empregos são para toda a vida ).

Os desgraçados são os outros.

Entretanto o comum dos mortais é presa de uma chantagem: tem custos fixos a suportar que não vão parar de crescer. Mas se não trabalhar numa grande empresa cada vez mais terá de trabalhar mais para ganhar cada vez menos.

Exerce-se assim na prática uma chantagem das empresas referidas sobre o remanescente da sociedade.

A vingança contra a classe média ocidental continua, e é implacável.

Globalização II

Uma empresa Europeia construiu uma obra de engenharia colossal numa das maiores economias emergentes.

O governo do país Europeu pagou a construção e desenvolvimento da dita obra na esperança que a economia emergente ( e outras ) quisesse comprar mais obras semelhantes.

O governo da economia emergente não aceitou a obra e não pagou a sua parte baseado na existência de defeitos ( menores ) na obra. Mas pô-la a uso, claro.

Alguns meses depois, cópias ilegais da mesma obra, feitas por empresas locais, começaram a ser compradas pelo astuto governo.

Globalização I

O responsável de uma empresa Nórdica gabava-se de que a sua empresa não negociava em certos países, apesar de serem bastante atractivos, porque aí não se respeitava a propriedade intelectual.

A dita empresa tinha acabado de ser comprada por uma empresa Americana.

Um mês depois, não só a nova administração tinha tomado a decisão de produzir os produtos da empresa no dito país como já tinha deslocalizado parte da produção e os utilizadores dos produtos da dita empresa já se queixavam de erros infantis provocados por ignorância e incúria que prejudicavam o funcionamento dos seus próprios produtos.

sexta-feira, julho 21, 2006

Separados à nascença?

Ambos querem a "bomba", ambos desprezam o Conselho de Segurança.
Mas acho que o primeiro não acredita em virgens.
Sieg Heil!

O "direito" ao estacionamento

Anda por aí muita gente preocupadíssima com a recente legislação a aplicar aos parques privados de estacionamento, nomeadamente aquela que permite ao utente pagar ao quarto de hora em lugar de uma hora inteira.

Umas vezes os senhores protestam porque pretendem defender a iniciativa privada - o estacionamento, esse motor da nossa economia - contra, imagine-se, a prepotência com que o governo interfere no seu sagrado lucro; outras, parece que a grande indignação é resultado de temerem (acertadamente) que essa iniciativa privada possa muito bem vir a compensar as tais perdas de lucro indo directamente aos bolsos daqueles que não passam sem andar pela cidade de cú tremido.

Não poderia haver melhor exemplo em que a propalada ideologia se casa perfeitamente com o interessezinho pessoal.

quinta-feira, julho 20, 2006

Ah, pois é... (parte B)

Apesar dos esforços chineses para suavizar o texto da resolução, a Coreia do Norte mostrou-se irritada com a condenação aos seus testes de lançamento de mísseis pelo Conselho de Segurança das N.U.: respondeu logo avisando que continuará a aumentar o seu arsenal e ameaçou que as sanções aprovadas por unanimidade poderão sim conduzir a uma Segunda Guerra da Coreia.

Isto foi na segunda-feira e parece-me que não poderiam ter escolhido melhor altura...

Onde estão os soldados raptados?

Segundo um ministro israelita, os bombardeamentos efectuados no Líbano já destruiram metade da capacidade militar do Hezbollah.
A acreditar na realidade deste sucesso, conclui-se que existe uma probabilidade de 50% de que os dois soldados das IDF estejam neste momento espalhados por todo o lado.

Ah, pois é...

"Irão garante mais uma vez que continuará a enriquecer urânio"

in Público, hoje

quarta-feira, julho 19, 2006

Líbano: The Phoney War

Como muito bem recorda Francisco José Viegas ontem no JN, o plano da ONU para a região da Palestina em 1947 previa a divisão da região em dois estados, um judaico e outro árabe. Contudo, esse plano estava prenhe de falácias: nem todos os palestinianos eram muçulmanos e nem a palestiniana Jordânia fazia parte da divisão acordada.
O problema foi assim, logo na origem, dois: a colonização por euro-judeus, i.e., a ressurreição de "Israel" per se; o outro, a criação de novo da própria Palestina pois, mesmo na ausência do primeiro acto, nenhum "vizinho" árabe tinha interesse num novo estado dito palestiniano.

E o que é que o Líbano tem a vêr com isto? Tirando um passado de ocupação do sul pela OLP, hoje em dia nada, apesar da cartilha que alguns bloqueados continuam a repetir por aí e da desinformação generalizada que os média propagam. Mas essa confusão interessa a muitos.

As relações são outras.

A primeira é de semelhança: o Líbano é também um estado que ele pode ser visto como mais-ou-menos artificial mas multi-religioso e multi-étnico e que, na sequência da retirada do exército sírio e dos fantoches que o desgovernaram, cometeu um erro fatal: democratizou-se e prosperou.
Este país ameaçava assim tornar-se num péssimo exemplo para toda a região, em especial para os estados árabes, se ainda por cima tivermos em conta que este progresso se fez com o apoio do Ocidente e apesar da oposição activa de um partido religioso (Hezbollah, o Partido de Deus, com dois ministros impostos por al-Hassad da Síria ao actual primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora).

A segunda é de geografia, sendo o Líbano usado como um território-tampão para ambos os lados: Israel não pode invadir a Síria sem provocar a Terceira Guerra Mundial e o Irão não tem fronteiras aquele país. Com os acordos de paz entre o estado judaico e o Egipto e a Jordânia (que resultaram num nunca acabar de atentados nesses países), resta aos velhos inimigos guerrearem-se na terra alheia de sempre.

A terceira é de oportunidade: Teerão precisava afastar as atenções dos seus planos nucleares, tal como quando criou a "crise" dos cartoons, e não só isto coincide com a verdadeira crise na Coreia do Norte, país com o qual o Irão tem um protocolo de colaboração para o desenvolvimento de mísseis nucleares (e onde já é certa a presença de engenheiros iranianos), como também com o interesse de Putin em desvalorizar a questão do fornecimento pela Rússia de gás natural à Europa, assunto agendado para a reunião dos G8 que se aproximava. Facto este que não parecerá estranho a quem olhar para o mapa e descobrir o trajecto dos gasodutos russos.

terça-feira, julho 18, 2006

Os amigos da onça

"The Syrians, my [arab] friends, will gladly fight down to the last Palestinian Arab."

Youssef M. Ibrahim, antigo correspondente do New York Times no Médio Oriente e editor da secção de energia do Wall Street Journal, 12VII2006

texto integral aqui, via o Insurgente

Como é que é?

E o programa nuclear iraniano?
Como é que é?

sábado, julho 15, 2006

Indignação do dia: G8

Mesmo que a Rússia duplicasse o seu PIB per capita na próxima década ainda estaria abaixo do nível actual de Portugal, USD 19,000.00.
Como é que se admite que o peso de uma economia assim deficiente possa vir a influenciar o estilo de vida dos nossos "finlandeses"?

A resolução 1559/2004 da ONU

O Conselho de Segurança da ONU queria a retirada de todas as forças estrangeiras do Líbano, o desarmamento das milícias, incluindo os xiítas do Hezbollah, e a restauração da soberania do governo libanês sobre o território.

Mas "soberania" é um conceito demasiado vago num país com dois exércitos, dois governos e nenhum estado.

A Síria, que tinha até há pouco tempo governado o Líbano, fez regressar contra-vontade parte das suas tropas mas não retirou totalmente do país. Apesar disto, os optimistas vislumbraram no gesto uma nesga de paz sem pensar que seria impossível de todo desarmar a milícia apoiada por Damasco: não só o governo libanês é ele próprio constituído também por membros do Hezbollah civil como precisaria de um milagre para convencer um exército com um número significativo de xiítas nas suas fileiras a executar a resolução 1559.

Entretanto, e a oeste, apesar dos "raptos" palestinianos e "ataques" israelitas, a verdade é que o Hamas (como se previa após a sua eleição) não deixou de manifestar a intenção de reconhecer a existência do estado judeu (1). As recentes escaramuças entre israelitas e palestinianos seriam, no entanto, o cenário de fundo perfeito para a provocação de novos confrontos na fronteira norte de Israel.

E o que por ali acontece é a "guerra aberta" desejada tanto pelo líder da milícia xiíta Hassan Nasrallah (um lunático raivoso) como pelos conservadores israelitas (uns raivosos lunáticos).

Lentamente, começam a (re)criar-se as condições para o regresso dos militares sírios ao sacrificado Líbano. Tolo será quem não vir nestas manobras uma concertação perfeita com os objectivos de Teerão (2). E o eixo xiíta não encerra aqui o seu ciclo...

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(1) Uso a terminologia comum na imprensa embora não atribua ao estado constituído de Israel o grau secular ou racial que os seus vizinhos muçulmanos atingem: 60% da população nativa jordana, por exemplo, não pode votar, exercer professorado, medicina, engenharia ou advocacia, assumir propriedade de bens imóveis ou meios de comunicação social pelo simples facto de ser palestiniana.

(2) Vêr a posta que se segue.

sexta-feira, julho 14, 2006

Humor inglês

Um membro do parlamento britânico (trabalhistas) que desejou permanecer anónimo saiu-se com esta:

O julgamento de Saddam Hussein acabou e o juíz decidiu-se por aplicar ao ditador a pena de morte por fuzilamento.
Contudo, e numa concessão devida a um antigo chefe de estado, foi permitido ao condenado escolher os executores da sentença. Saddam logo nomeou: Lampard, Gerrard, Beckham, Cole, Rooney, Crouch...

sexta-feira, julho 07, 2006

"Gostava de ter sido eu a escrever isto..."

Inauguro com esta magnífica posta acerca de Vasco Graça Moura essa ubíqua rubrica de tantos blogues.
Mais: a prosa das restantes é de tal recorte que merece passar já a Sabor da Semana.

Gripe em tempos de cólera

Agora que o mundial de futebol acaba, e o ténis de Wimbledon pouca paixão patrioteira desperta entre nós, a gripe dos passarocos volta a atacar os jornais. Ele é de novo estudos de opinião, mergulhões espanhóis aos espirros e coisa e tal.

Relembro: esta é a famosa pandemia que vai matar em três tempos toda a gente que não comprar os tamiflus que apenas os países 'desenvolvidos' têm e que, em três anos de existência, logrou infectar umas assombrosas duzentas pessoas.

Com tanto em que pensar, porque nos haveríamos de lembrar que a cólera, uma doença com vacina e cura, já ceifou desde Fevereiro mais de 2000 vidas em Angola (em quase 49 000 infectados)?

Não se deseja a ninguém mas...

Aconteceu ontem, em Fojo Lobal (Ponte de Lima), no país profundo. Festa de aniversário de um qualquer da aldeia.

"Vamos aos foguetes!", deve ter dito um.

"Mas não é proibido, por causa dos fogos?", desejo eu que alguém terá interposto.

"Aqui quem manda sou eu e festa é festa!", imagina-se, com alguma boa vontade, a resposta do presidente da junta do lugar de cem habitantes, também conviva da patuscada.

Dois minutos depois, a cabeça de onde saira aquela boçalidade rebentava com toda a pompa e estrondo que a decisão merecia.

quarta-feira, julho 05, 2006

O problema

São as equipas que jogam de azul e branco.

Mas o Dorean tem uma solução para isso. :)

terça-feira, julho 04, 2006

O homem menos poderoso de Portugal

Para além de José Sócrates, que outro Português se poderá queixar de que há quem saiba das suas intenções com seis meses de antecedência?

( Sobre a substituição de Freitas do Amaral por Luís Amado - não foi no Portugal-Inglaterra, mas a Inglaterra saíu beneficiada com a substituição )

Chegou a hora

A selecção Portuguesa prepara-se para enfrentar as suas Nemesis.

Ganhará os próximos jogos quem apresentar o jogo mais calculista, quem souber destruir com eficácia o jogo adversário e quem souber aproveitar as mais pequenas oportunidades.

Portugal vai poder demonstrar a competitividade do seu futebol.

Nesta hora lamento que a beleza do futebol Português tenha ficado para trás.

Recordo com saudade a elegância de Paulo Sousa, a fantasia de Rui Costa, a excitação do futebol do Figo jovem, as diabruras de João Pinto, o talento tranquilo e inexcedível de Pedro Barbosa.

Admiro o futebol gazua de Cristiano Ronaldo, o futebol envolvente e enleante de Simão, a eficácia talentosa de Deco, a estratégia do Figo maduro.

Mas é nos britânicos Ricardos, nas virtudes guerreiras de Miguel e na grandeza de Petit que vai assentar o sucesso da selecção.

Depois deste campeonato, há que reinventar o jogo.

Amor à camisola

Já cá faltava a comichão do costume acerca da cor da camisola da selecção.

Eu posso não perceber nada de futebol mas aquele vermelho-puta-traçado-de-verde-fluorescente da farda d'antanho só pode realmente parecer bem a saudosistas dos anos setenta.

Ó camarada Moreira, olhe que não há cor que melhor nos defina que o reguengos (ou outro qualquer - "bordeaux", como lhe chamou, é que não): consegue ser elegante e castiço ao mesmo tempo e ainda faz publicidade ao único produto nacional com o qual a estranja consegue associar-nos.

Para mais, quando se fala de amor à camisola um português que se preze não se põe aí a pensar em sangue mas sim no tinto.

Índia vs. China, 1-1

A China e a Índia reabriram ontem, 3 de Julho, a antiga Rota da Seda no ponto em que esta servia de ligação entre o Tibete e a União Indiana e que estava fechado há 44 anos, data da ocupação chinesa: a passagem de Nathu La, nos Himalaias (4000 metros).

As autoridades prevêem que a nova estrada promova as trocas comerciais entre os dois países e ponha fim ao isolamento daquela área.

Globalmente, o acordo não passa de um reconhecimento tácito da anexação do Tibete pelo governo da RPC.

Com mais de mil milhões de habitantes cada um e taxas de crescimento económico anual de 20%, os dois gigantes aproveitam para mostrar ao mundo uma aproximação territorial que pode representar a formação futura de um bloco económico hegemónico.

Acontece que, e apesar da propaganda óbvia, a imagem que me fica do dia de ontem foi a das obras no lado chinês da dita estrada: o uso de dezenas de homens e mulheres os quais, de cara coberta, passavam de mão em mão as pedras que outros como eles haviam partido da rocha do chão a golpes de martelo. Como provavelmente os seus antepassados de há séculos e séculos devem ter feito inicialmente...

72 virgens


Após confirmada a morte de Abu Musab Al-Zarqawi, o congressista Steve King (Iowa) previu que a sua recompensa celestial
fosse 72 virgens todas elas sósias da correspondente na Casa Branca Helen Thomas (na foto).

sexta-feira, junho 30, 2006

"Colaboradores" de hoje, patrões de amanhã

Porque alguns deles lêem (e às vezes até escrevem em) blogues mas não tocam nos jornais, a crónica de hoje no DN por alguém com o qual nem sempre concordo.

quinta-feira, junho 29, 2006

Contabilidade geopolítica

1 barril de petróleo = 1 barril de pólvora.

domingo, junho 25, 2006

Nanosoft

Chegou-me ao conhecimento, embora por interposta pessoa, que alguns visitantes deste blogue estariam a observar alguma desformatação da página aquando do seu visionamento por meio de PC.
Verificando-se esta situação, completamente alheia à nossa vontade, só nos resta pedir profusamente desculpas pelo sucedido e desejar um rápido reestabelecimento em equipamento MacIntosh.

sábado, junho 24, 2006

Boa vizinhança


O GIGANTE DE TELECOMUNICAÇÕES CHINÊS Huawei tem a sua sede lisboeta ali para os lados do Rego. Mais precisamente, o edifício da empresa encontra-se entre a Bolsa de Lisboa e a sede nacional do Partido Comunista Português... A geografia a confirmar o chavão "um país, dois sistemas".

quinta-feira, junho 22, 2006

Entretanto, em Timor Leste

Do blogue Timor Online:

"(...)
Os militares australianos tem sido cada vez mais agressivos dizendo às pessoas que Alkatiri é o 'ex-Primeiro-Ministro” e a perguntarem às pessoas quem é que elas apoiam. Hoje hastearam a bandeira da Austrália no edifício da Educação Não-Formal em Vila Verde, depois de terem impedido o içar da bandeira de Timor-Leste. Estas instalações são utilizadas pelo Ministério da Educação e também utilizado como dormitório por alguns soldados australianos.
(...)
"

Por Peter Murphy, secretário da Social Education and Research Concerning Humanity (SEARCH) Foundation, ONG baseada na Austrália, em Díli, 21 de Junho de 2006.

terça-feira, junho 20, 2006

Segredo de Polichinelo

O problema de Patrick Monteiro de Barros não é não perceber rigorosamente nada de energia nuclear.
O problema é que nem tem precisado de tentar perceber ou forçado a disfarçar essa ignorância.

Simulacro da central dita "EPR" (European Pressurised Reactor), consórcio entre a Siemens AG e a francesa Areva, em construção na Finlândia e com entrada em funcionamento em 2009.

quinta-feira, junho 15, 2006

E agora o futebol: antes que eles ganhem alguma coisa

Scolari já levou a selecção Portuguesa mais longe do que alguma vez ela foi.

No entanto, é perseguido na imprensa como poucos o foram.

Porquê?

Em primeiro lugar porque não é um lacaio de Pinto da Costa. A lógica do presidente do FCP é implacável e a selecção compete com o FCP pelos patrocínios das empresas. A selecção é apenas útil se servir de montra aos jogadores do FCP. Pinto da Costa tem razão, quem paga os salários são os clubes mas a federação tem enormes lucros com a selecção.

Em segundo lugar porque é Brasileiro mas acima de tudo porque é estrangeiro e chegou aqui com uma lógica vencedora e anti-paroquiana. Abanou o status quo. Isso não é perdoável por todos aqueles treinadores de bancada que só por usarem gravatas à PP acham que compram a respeitabilidade necessária para dizerem todo o tipo de disparates.

Scolari tem mentalidade ganhadora, pensa fora da caixa e sabe gerir a imagem. É bom e sabe vender bem uma imagem que corresponde à realidade. Num país onde a imagem é geralmente o oposto daquilo que se é, onde se prefere os salamaleques hipócritas à confrontação honesta e corajosa, Scolari é culpado do pecado original.

Mas Scolari é uma lufada de ar fresco neste país de mesquinharia e mediocridade.

Antes que ganhe ou perca e se vá embora, vale a pena dizer: Obrigado Scolari.

quarta-feira, junho 07, 2006

A crise timorense explicada às criancinhas

Dois terços do Mar de Timor pertencem a Timor-Leste.
O Mar de Timor tem muito, muito petróleo (e não só).
A Austrália queria todo esse petróleo para ela. Todo? Bom, pelo menos quase todo.
Há uns meses atrás, o primeiro-ministro de Timor fez finca-pé e quase ganhou.

A Austrália não gostou e logo disse de si para si: "vou vêr se consigo enviar muitos soldados para Timor-Leste para demitir esse primeiro-ministro reguila e ficar eu a mandar no país".
E se bem o pensou, melhor o fez.

Peço desculpa por estas interrupções...

... O programa seguirá dentro de semanas.

Entretanto, aproveito para dar as boas-vindas a um novo (desde Maio) blogue, o 8 e coisa, nove e tal.
É um blogue exclusivamente de mulheres mas não pretende falar exclusivamente de mulheres, o que só lhe fica bem. Entre a gregueria, o desabafo e a crítica, há linhas abruptas que dá mesmo gosto ler.

Ali fica, no topo dos Sabores da Semana (sem segundos sentidos) para vosso gozo e até chegar o senhor/a que se segue.

segunda-feira, junho 05, 2006

Tuga Outsorcing

Dizem que o Estado Português tem funcionários a mais.

Parece ser claro que não tem dinheiro para os sustentar.

Dizem que estes funcionários trabalham pouco, ou não fazem mesmo nada.

Vai daí que o Estado, através da lei da mobilidade, vai colocar milhares desses funcionários num "quadro de excedentes".

Aqui, o estado vai logo poupar uns bons cobres em "gadgets" e subsídios que vai deixar de pagar.

Depois vai permitir que estes funcionários passem a trabalhar em empresas privadas, pagando-lhes parte do ordenado.

Ou seja, o Estado vai subsidiar as empresas que lhe aceitem a malta excedentária.

No entanto, esta situação depende da vontade dos excedentários em deixarem de ser funcionários ociosos.

Dei comigo a pensar que o estado se vai posicionar no mercado como fornecedor de serviços de outsorcing.

Não vou alimentar as teses miderabilistas tipo: "Vende-se manga d'alpaca, ... com conhecimentos de Windows e Office ( utilização de um a dois dedos de cada vez )...".

Pelo contrário, penso que o posicionamento do Estado deve ser mais agressivo.

Deve começar por criar uma Empresa Pública de Gestão de Recursos Humanos do estado, mesmo que começasse com a designação vetusta de EMPUGESTRECHU ( aceitam-se ideias! ).

Esta empresa será encarregue da gestão e colocação no mercado de 100 a 200 mil trabalhadores de serviços em regime de outsorcing.

Esta inundação do mercado de trabalho porá uma forte pressão de baixa nos salários das empresas privadas.

Por outro lado, vai equivaler, em termos de força de mão de obra, a aceitar em Portugal 100 ou 200 mil novos imigrantes, porventura menos qualificados que os Ucranianos.

Mas o país fica muito bem posicionado para tirar partido da Directiva Comunitária de liberalização dos Serviços.

Fintamos toda a gente ( talvez valha a pena aproveitar o mundial de futebol ) ao criarmos do nada uma nova empresa de outsorcing com pessoal razoavelmente qualificado.

Nem a Índia nos consegue passar a perna.

Depois, entrega-se a empresa à gestão privada, que logo lhe muda o nome para Tuga Outsorcing ( a branding ainda não vai estar a funcionar em pleno! ).

A agressividade comercial aumenta e passamos a ser a base da indústria de serviços Europeia.

Quando a empresa dá enormes lucros ao estado, privatiza-se e cria-se uma das maiores consultoras privadas do mundo.

Para nome. um génio do brande encontra um nome fabuloso que recolhe aplauso unânime: Portugal, Portugal Outsorcing, e o logo é o simbolo dos templários.

Depois acordei, banhado em suor.

Que ideia bizarra!

domingo, maio 28, 2006

Carta aberta ao Dr. João Carlos Espada

Caro Dr. João Carlos Espada,

li o seu artigo no Expresso, tal como leio, há vários anos, quase todas as semanas.

Aprecio o facto de, algures no passado, os seus artigos me terem dado a conhecer Tocqueville e de me terem levado a ler a "Democracia na América" e o "Antigo Regime e a Revolução".

A leitura destes livros mereceu-me interpretações algo diferentes das suas. Tal situação será talvez justificada pelo facto de não terem sido esses exercícos devidamente acompanhadas pelos adequados serviços de tutoria, faltando-me também quer o tempo quer as ferramentas intelectuais necessárias para poder formular uma interpretação mais sofisticada e muito provavelmente diferente.

No seu artigo desta semana o Sr. Doutor cita alguém que disse "Não troquemos a liberdade pelo conforto: em breve perderemos ambas."

Corrija-me se estou enganado mas penso que estamos perante uma paráfrase de Benjamin Franklin, que disse ( cito sem verificar fontes, talvez esteja enganado ): Quem está disposto a trocar a sua liberdade pela sua segurança não merece nem uma coisa nem outra.

No geral concordo com o seu artigo mas penso que a paráfrase introduz uma diferença subtil ( ou não, considerando os tempos que correm ) no pensamento de Franklin.

Vejo hoje em dia as suas intervenções na imprensa como elementos de uma acção de propaganda, ou melhor ainda, de recrutamento ( de jovens para a defesa das suas ideias essencialmente ( extremamente? ) conservadoras ).

Mas penso que os princípios gerais e citações que transmite permitem intrepretações prácticas bastante diferentes das suas.

Essas ideias gerais que afirma defender são tão boas que não carecem de paráfrases potencialmente enganadoras e que podem levar os jovens a fazer interpretações adulteradas daqueles princípios que, por exemplo, os founding fathers dos EEUU tomavam como self-evident.

Para finalizar, peço desculpa pelo anonimato ( relativo, quando falamos de suportes digitais e acessos à Internet mantidos por grandes empresas comerciais ) mas eu não sou muito corajoso, tenho uma família para sustentar e se fôr despedido por defender estas ideias não vou concerteza arranjar emprego num think-thank conservador ( nem noutro ) Americano, ao contrário do que aconteceu com a nossa corajosa Somali.

Com os melhores cumprimentos,
Aardvark

sexta-feira, maio 26, 2006

Daqui a 20 anos

CONTAS SÃO CONTAS.
A floresta ocupa cerca de 2/3 do território continental. Isto são, conservadoramente, 60 000 km2 ou 6 milhões de hectares. Dito assim, até parece muito. Mas não é.
O ano passado arderam pouco mais de 300 000 ha, significando que, a este ritmo, daqui a 20 anos as únicas sombras das quais um português poderá disfrutar estarão nos separadores de avenida e jardins municipais.
Ainda assim, se as câmaras não pararem de as substituir por 'peças de escultura' ou placards de publicidade e os amigos da pica ou os pombos sobreviverem, estamos tramados.


Estas são as minhas preferidas. Têm a vantagem de arderem menos que outras mas a desvantagem de demorar pelo menos 50 anos entre a queda da lande no solo e o desenvolvimento em árvore adulta. Para muitas, será tarde demais.

quinta-feira, maio 25, 2006

Anedota que se poderia contar a uma criança

(original mais tarde adaptado por um espectador do Newsnight, um programa também ele baseado no nosso telejornal do segundo canal)

Um jovem mudou-se para o Alentejo e comprou um burro a um agricultor por 100 euros. O vendedor acordou em entregar-lhe o burro no dia seguinte.

No dia seguinte, o agricultor apareceu-lhe à porta e disse-lhe, "desculpe lá mas tenho más notícias para lhe dar: o burro morreu."

O rapaz respondeu, "não faz mal, devolva-me o dinheiro e ficamos assim."
E o homem, "não posso, já o gastei..."
O jovem então, "Bom, então traga-me lá o burro na mesma. Vou rifá-lo. Mas não diga a ninguém que o burro está morto, está bem?"

Um mês depois, o agricultor encontrou-se com o rapaz e perguntou-lhe, "então? que aconteceu no fim com o burro morto?"

"Olhe, vendi 500 bilhetes a 2 euros cada e acabei com um lucro de 998 euros"
"Mas ninguém reclamou???"
O rapaz disse, "só o tipo que ganhou; por isso, devolvi-lhe os dois euricos".

Eventualmente, o rapaz tornou-se presidente de uma grande empresa de construção civil e o agricultor passou a ser o autarca permanente da zona, isto embora mudasse de partido de vez em quando.

Dos blogues dos outros

A causa foi modificada, 25V06:

(...) Outro exemplo é o da engenharia genética versus alimentação "natural" e agricultura "biológica", que uns milhões de filhos da puta do mundo abastado, todos muito consciencia ecologica e com ligação à terra (as lojinhas paneleiras no Bairro Alto de produtos sem pesticidas e assim), insistem em classificar como a luta, respectivamente, do mal contra o bem, da artificialidade contra a natureza.
(...) Tanto um como outro são problemas que em muito seriam mitigados se se (la está) investisse brutal e selvaticamente em investigação nos produtos geneticamente modificados, para, primeiro, se perceber sem histerismo se o que efectivamente poupam tanto na utilização de pesticidas e herbicidas como na quantidade de terra que se tem que roubar actualmente ao estado selvagem (através do aumento da produtividade) para produzir a papinha minima necessaria compensa o riscos riscos de introduzirmos o dedo no coração da Criação.

O Partido Ecologista os Vermelhos, perdão, o Partido Ecologista Os Verdes, a extraordinaria proporção de pessoas com "consciência ecológica" do Bloco de Esquerda (que naturalmente não têm a mais vaga ideia de nada) e a toda, mas quando digo toda é mesmo toda, a Direita, que sobre estes assuntos nem nunca sequer fingiu estar preocupada (o que é preferivel, apesar de tudo), merecem todos ser enrabados (...)


Timor online, 25V06:

Quarta-feira, o governo timorense (...) pediu formalmente ajuda militar e policial a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.

A Malásia vai enviar quase 500 soldados e polícias (...), 25 dos quais partiram hoje de manhã para Díli como missão avançada, anunciou o governo malaio.

Uma força (...) de 160 militares australianos chegou hoje a Díli e tomou já posições para garantir a segurança do aeroporto da capital timorense. A Austrália aceitou enviar um contingente de cerca de 1.300 militares.

A Nova Zelândia ainda não anunciou oficialmente o contingente que vai enviar, mas informações não confirmadas indicam que 60 militares neo-zelandeses chegaram quarta-feira ao fim do dia a Díli.


[Entretanto...]

Portugal anunciou que está disponível para enviar uma companhia da GNR, mas aguarda uma decisão da ONU para ordenar a partida de uma força.

A Grande Loja do Queijo Limiano, 21V06:

Prefere-se discutir o efémero, o imediato, o fácil. O costume. O artigo de Medina Carreira nunca existiu. O país de que ele fala também não existe para uma boa parte dos que se deviam ocupar a tratar dele. O que existe é algo de diferente, esquizofrénico, onde o que conta é a bola, as touradas, o envelope 9, o Dr. Carrilho e os decotes... da Alexanda Lencastre. É verdadeiramente um país à imagem dos Morangos com Açúcar. Um país onde até a esquerda, do PS ao BE, passando pelo PCP, defende os 'privilegiados'. Um país onde a única coisa que conta é o momento, o imediato, um país onde não há uma voz que defenda quem nada tem, quem tem pensões de absoluta miséria e nem dinheiro para comprar comida, quanto mais medicamentos. Um país egoísta incapaz de repartir, de redistribuir, de racionalizar e de se reformar. Um país incapaz de compreender que para ter hipóteses de sobrevivência tem (ou tinha) que mudar. Reformas ? Serão boas certamente, desde que só afectem os outros, Poupanças ? Idem. Cortes, contenções ? Evidentemente, também.

domingo, maio 21, 2006

Abaixo as touradas (?) - II

Na posta anterior abordei a "ontologia da oportunidade" (????) no activismo anti-tourada.

Nesta vou abordar a "ontologia da legitimidade". Vou defender a ideia de que este activismo é produto da hipocrisia decorrente da crescente abstração das actividades humanas.

Nas sociedades primitivas matava-se animais e seres humanos de uma forma essencialmente ritualizada. Essa ritualização respondia a duas necessidades:

1. Contrariar a repugnância natural dos seres humanos saudáveis pelo derramamento de sangue.

2. Matar animais e humanos: por fome, defesa, ganância, fome.

O próprio canibalismo é essencialmente uma ritualização e acaba por providenciar uma justificação adicional para a morte de outros indivíduos.

O progresso da tecnologia, nomeadamente do armamento e a progressiva especialização dos indivíduos dentro das sociedades ditas civilizadas introduz um distancimento entre a morte de indivíduos ou animais e os autores desta.

Tal distancimento permitiu prescindir da ritualização, que permanece apenas de forma residual, nomeadamente nas religiões judaica e muçulmana ( para os animais! ).

O Cristianismo aboliu a ritualização ( nos animais ).

Este distanciamento, resultante da utilização de mecanismos mais abstractos, tornou mais fácil a utilização da violência.

Permitiu também um ainda maior distanciamento aos cúmplices da violência.

Se exceptuarmos os vegetarianos veganos, todos nós somos cúmplices de maus tratos cometidos sobre muitos animais. Não interessa o propósito. Não é pelo propósito que nós convivemos bem com esses maus tratos.

É porque não vemos. Porque não somos nós.

Nós consumimos em excesso e somos responsáveis pela delapidação em excesso dos recursos da Terra. Mas como não vemos e não somos os únicos, não nos importamos.

No nosso trabalho, muitos participamos no desenvolvimento de novas formas de controle da vida alheia e trabalhamos activamente em formas de comunicação de massas que nada mais fazem que distorcer a realidade.

A privacidade acabou e a liberdade de informação e de opinião saiu dos meios de comunicação social.

As possíveis consequências prácticas destes desenvolvimentos no futuro podem ser terríveis. Mas nós não as vemos, ou não as vamos ver, e não somos os únicos.

Mas somos cúmplices.

Só resta o vegetariano vegano como activista legítimo.

Restava. Alguém que toma opções tão radicais e incómodas para si próprio não se preoucupa com aquilo que não o afecta directamente.

Para as touradas tem a solução de não ver e de ser contra.

Não me parece que faça sentido ser activista. Ou será que depois nos vai querer obrigar a sermos vegetarianos veganos?

Abaixo as touradas (?) - I

Começo por dizer que a publicação desta posta é uma revelação da minha falta de bom senso.

Vou arranjar sarilhos por isto.

Mas não consigo resistir...

Há quem não goste de tourada. Isso é uma coisa.

Há quem seja contra as touradas. Isso é outra.

E há ainda quem seja activista contra as touradas. Que me desculpem aqueles que se dedicam a esta causa com o afinco que tenho visto nos últimos anos, mas eu não os consigo perceber.

Não consigo perceber que haja quem se dedique a lutar contra a morte dos touros numa arena quando tantos direitos dos animais são espezinhados no dia a dia por muito respeitável mas pouco visível gente.

Quando temos problemas ambientais gravíssimos.

Quando os direitos humanos são espezinhados no mundo inteiro e não são cabalmente respeitados em POrtugal.

Não consigo também perceber os meios usados.

Para quê as manifestações/provocações junto das praças?

Será o mito da virilidade/coragem dos forcados que impele estes activistas a tentar confrontá-los físicamente?

Porque é que não tentam uma acção popular no parlamento?

Temem dar aos nossos deputados mais uma boa desculpa para um absentismo prudente? Exijam um referendo e batam-se por ele.

Ou será que quem participa nestas manifestações está apenas a falar para dentro da tribo? A mostrar a seu zelo radical?

Quem é que perde tempo a compilar uma lista de "torturadores de touros" ( bastou uma pesquisa na net? )? Tem de ter muito. E de não ter o mínimo sentido das prioridades.

Há gente para tudo.

sábado, maio 20, 2006

E estavam à espera de quê?



"MINISTÉRIO PÚBLICO ARQUIVOU PROCESSO CONTRA JOSÉ LUÍS JUDAS [autarca] E AMÉRICO SANTO [construtor civil]", no Público de hoje.

Entretanto, no meu blogue de flames favorito, o blasfémias, têm andado num frenesim (está bem, eles andam sempre com fogo no rabo por qualquer assunto mesmo): aquilo é postas sem fim contra o conceito de ordens profissionais pois parece que vai contra a "concorrência" (!?).

Eu li tudinho o que escreveram, comentários e respostas aos comentários, e respostas às respostas às respostas, e até agora também ainda não percebi a lógica. Acho que tem qualquer coisa a vêr com, uma associação de, vá lá, arquitectos ser incompetente para avaliar a competência de um recém-licenciado em arquitectura e o consumidor, esse sim, ser quem saberá melhor zelar pela conduta do profissional.

Ah, e no melhor espírito auto-didacta da casa, parece que nem licenciaturas deveriam ser necessárias.

Não há dúvida que os Sr.s Judas e Santo não estão sozinhos na sua luta contra a burocracia, essa verdadeira força de atraso da nossa sociedade.

quinta-feira, maio 18, 2006

Campo enorme

No DN de hoje, João Andrade, presidente da Associação Nacional dos Criadores de Toiros de Lide, responde a certas e determinadas pessoas da defesa animal:

"Irão realizar-se duas manifestações no Campo Pequeno. Uma do lado de fora e outra do lado de dentro, esta última das sete mil pessoas que esgotaram a praça para assistir ao espectáculo. E haverá mais um milhão a ver na TV."

E mai nada.

domingo, maio 14, 2006

Os Chineses e a língua Inglesa

Enquanto o Inglês fôr a língua franca, os Chineses vão-se debater com algumas dificuldades.

Senão vejam os seguintes exemplos.

Uma casa de banho para deficientes:
















Pague a sua atenção:
















Bill Clinton esteve aqui:
















Agora em Chinês:

sábado, maio 13, 2006

Feios, porcos, e maus


DEPOIS DE ANOS DE ABANDONO E FOGOS, O QUE RESTA DA POPULAÇÃO DE VILA DE REI "aguarda com expectativa" a chegada de dois tipos de viajantes muito distintos: os primeiros vieram do Brasil, em grupos familiares, e fizeram milhares de quilómetros para chegar a uma terra desertificada, onde os portugueses já não querem morar ou trabalhar. Vêm de coração aberto, com esperança no futuro e vontade de criar raízes entre nós, sem preconceitos.
São gente próxima, homens, mulheres e crianças, válidos e precisos.

O segundo grupo partiu de Lisboa às 14h00 de hoje, e demorará poucas horas lá chegar. Vêm em matilha, e da terra onde irão por algumas horas berrar para as câmaras conhecem pouco mais que o nome. Não querem lá viver, e com nada pretendem contribuir. Vêm absurdos, com o coração carregado de frustrações desconhecidas e o vício de tudo odiar.
São animais de sangue frio e carne podre, homúnculos fora de prazo, estranhos e inúteis.

O código escatológico


HÁ CERCA DE TRÊS ANOS ATRÁS, descobri o "The Da Vinci Code" em casa de um amigo, naquela estante atrás da porta onde ele havia acumulado o espólio adquirido em mais de 30 anos de distracções de viagem.

Entre comboios e idas à casa-de-banho, a novela não duraria uma semana nas minhas mãos.
Em parte, a culpa não é do autor: não me eram estranhas algumas das heresias por lá misturadas - no que me faz espantar tanto espanto das gentes -, deixando por isso pouca liberdade para qualquer ansiedade policial.

Sem preconceito de erudição, confesso que não era literatura à qual estivesse habituado mas, e ao fim de uma curta análise, cheguei a duas conclusões: número um, confirmei o conhecimento geral de que os escritos de aeroporto são criados na esperança de futura adaptação ao (tele-)cinema; número dois, o livro do sr.Brown era uma merda.

Quadro: "Maria Magdalena" de Leonardo de Vinci. Foto ©AP/Scanpix

sexta-feira, maio 12, 2006

Estava a pedir de mais

Um dia destes publico mais fotos.

Parabéns!!

Parabéns bebé, pelos teus dois anos!

O papá vai a caminho!

Fotos, claro

Pois é! O Connexion é mesmo bom!

Enquanto estive ausente

Mto trabalho. Pouco tempo pá famelga!

Depois ele há certos países de onde não se consegue aceder aos blogs. Porque será? Problemas técnicos?

Não há dúvida que o país onde é mais difícil entrar é mesmo a Amrika!

Um amigo meu esteve na China e contou-me estas coisas:

A China é um país simpático. Os polícias são simpáticos e despreoucupados e o ambiente geral é de segurança e descontração.

Pelo menos em Pequim.

Uma nuvem de smog paira permanentemente sobre Pequim. Só se vê o sol depois de um dia de chuva. E lá, passam-se meses sem que chova.

A China é o paraíso para um profissional altamente qualificado: salários altíssimos, custo de vida baixíssimo, segurança. ( E o smog claro ).

Um ocidental faz uma vida de nababo e amealha uma ótimia reforma. Trabalha que nem um cão, claro, mas na Europa também trabalharia ( pelo menos nas mesmas funções )

Consegue-se regatear uma boa camisa por 3 euros, umas meias por 10 cêntimos. ( tudo bem regateado. Para os "narigudos" é mais caro. Deve-se pedir a um amigo Chinês )

Não há falta de trabalho para gestores e engenheiros "narigudos" ( os ocidentais, para eles, da mesma forma que eles são os "amarelos" e "olhos-em-bico" para nós.

Os Chinocas são simpáticos mas não sabem dizer não nem aceitam um não.

A China é o futuro, pelo menos o mais próximo. Toda a gente está lá a tentar ganhar dinheiro. Nem todos conseguem.

Mas as oportunidades são infinitas.

O sucesso local do Starbucks justifica-se pelo facto de eles não saberem o que é café.

As tradições e história familiar dos Chineses batem por knock-out as tradições das melhores famílias euopeias, quer em antiguidade ( dos livros genealógicos ), quer em tradições ( códigos escritos de conduta familiar que indicam, entre outros, a forma como se deve identificar cada geração da família )

A comida em Pequim é óptima e faz a fusão do melhor da comida de todas as regiões da China.

O meu amigo aconselha a visita à Grande Muralha, a hora e meia de distância de Pequim e ao palácio de verão.

Não esteve na cidade proibida nem em Tianamen.

O clima geral é de optimismo e a China de hoje é uma cópia em grande dos grandes tigres da América Latina nos anos 70: Argentina, Chile, Portugal. Ditadura, progresso económico, optimismo e desigualdade social.

A cerveja e o vinho são caros. O queijo e os enchidos são maus.

A cidade está cheia de Alemães, Americanos e Franceses,

Os Ingleses preferem Hong-Kong.

O serviço "Conexion", da Boeing, é excelente, mesmo num Airbus!

quarta-feira, maio 10, 2006

"Visão" exemplar


MAIS CEDO OU MAIS TARDE, O MINISTRO DA SAÚDE VAI MANDAR FECHAR o bloco de partos do hospital de Lamego "por falta de médicos especializados".

Enquanto isso, a Ordem dos Médicos mantém a sua luta contra a formação de mais colegas no país, nomeadamente, e em conluio com as universidades do Porto e de Aveiro, usando de toda a influência ao seu alcance para impedir a constituição de uma faculdade de medicina em Viseu - onde há o tal hospital, um politécnico que até tem enfermagem e uma escola de tecnologia onde já se faz I&D em instrumentação médica...

Sem dúvida, um caso daqueles de coordenação ministerial a todos os títulos exemplar: o ministério da saúde encerra um serviço público por não haver obstretas numa cidade onde o ministro da educação não autoriza que se produzam médicos nem que o Gago tussa.

Mas esta situação, dada a proximidade dos centros do litoral (*), e também por não passar de uma infeliz coincidência entre privilégios intocáveis e cortes na despesa prevista, é magro espelho da desfaçatez com que o Estado, desde sempre, largou o interior do território e as suas populações à sua sorte. Só que, antes, os governos eram apenas culpados de desinteresse ou inacção; hoje tornaram-se os principais promotores do desinvestimento e do abandono.

Que é o mesmo que dizer que, a leste de Lamego, e para que o déficite se cumpra, a desertificação continua.

a foto é do marco geodésico que assinala o centro geográfico de Portugal continental, nas proximidades de Vila de Rei
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(*) Há sete escolas de medicina no país, e à excepção da Covilhã (onde só há pós-graduações), concentram-se à volta das principais cidades do litoral: duas em Lisboa e duas no Porto; uma em Coimbra e outra em Braga.

segunda-feira, maio 08, 2006

O bode expiatório


NÃO SEI SE ZACARIAS MOUSSAOUI É CULPADO pelos milhares de mortos nos atentados de 9 de Setembro de 2001.
Não saberei dizer com toda a certeza, e poucos saberão, se o homem pertencerá mesmo à omnipresente e omnipotente Al-Qaeda. Se calhar não passa de mais um pobre ansioso, como tantos nos dias que correm, fugindo para a frente de um destino extremo.

Também não saberei se o tribunal de Alexandria apenas quis evitar fabricar um mártir ou castigar o sr.Moussaoui, não lhe satisfazendo essa patética vontade de morrer.

Só sei que foi um dia feliz esse em que, num país com um currículo de direitos humanos pouco exemplar, um homem diabolizado pela opinião pública americana e tornado objecto de contrição da administração não foi condenado à pena morte.

Talvez esteja a ser ingénuo mas gostava de acreditar que se abria aqui um precedente.

quarta-feira, maio 03, 2006

Vírus e bactérias


DESDE FEVEREIRO MORRERAM QUASE MIL PESSOAS em Angola das mais de 2000 já infectadas pela bactéria da cólera, Vibrio cholerae.

Apesar da violência do surto e da sua notória incapacidade para o combater, o governo angolano recusou qualquer ajuda médica, nomeadamente do governo português.

A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral. São factores essenciais para a disseminação da doença condições deficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada.

Água que um governo que enriquece com o petróleo de Cabinda aparentemente não é capaz de providenciar à sua população. Como há mais de uma década que não há eleições, não precisa.

Entretanto morreram quase mil pessoas em dois meses e meio. Talvez seja dez vezes mais que as pandemias malucas conseguiram em três anos mas, afinal de contas, quem é que se rala com a morte de um africano ou outro?

segunda-feira, maio 01, 2006

A cenoura, o cavaco, a chave e o cravo dela


UM EX-COMPANHEIRO DE HUGO CHÁVEZ, para ilustrar os dotes de estratego brilhante do presidente da Venezuela, fazia este comentário a respeito do programa Aló, Presidente (uma espécie de Conversas em família do regime venzuelano):
"Chávez pode muito bem começar a sua 'conversa' com o povo mostrando às câmaras uma cenoura ao mesmo tempo que lhe chama 'beterraba'. No dia seguinte, todos os jornais da oposição o insultarão de idiota para baixo, e que é tão incompetente que nem sabe o que é uma cenoura!
O assunto arrastar-se-á por dias. E no fim, o presidente pensará para si próprio: Nem acredito que consegui pôr esta gente a discutir cenouras e beterrabas durante uma semana inteira!".