sábado, junho 24, 2006

Boa vizinhança


O GIGANTE DE TELECOMUNICAÇÕES CHINÊS Huawei tem a sua sede lisboeta ali para os lados do Rego. Mais precisamente, o edifício da empresa encontra-se entre a Bolsa de Lisboa e a sede nacional do Partido Comunista Português... A geografia a confirmar o chavão "um país, dois sistemas".

quinta-feira, junho 22, 2006

Entretanto, em Timor Leste

Do blogue Timor Online:

"(...)
Os militares australianos tem sido cada vez mais agressivos dizendo às pessoas que Alkatiri é o 'ex-Primeiro-Ministro” e a perguntarem às pessoas quem é que elas apoiam. Hoje hastearam a bandeira da Austrália no edifício da Educação Não-Formal em Vila Verde, depois de terem impedido o içar da bandeira de Timor-Leste. Estas instalações são utilizadas pelo Ministério da Educação e também utilizado como dormitório por alguns soldados australianos.
(...)
"

Por Peter Murphy, secretário da Social Education and Research Concerning Humanity (SEARCH) Foundation, ONG baseada na Austrália, em Díli, 21 de Junho de 2006.

terça-feira, junho 20, 2006

Segredo de Polichinelo

O problema de Patrick Monteiro de Barros não é não perceber rigorosamente nada de energia nuclear.
O problema é que nem tem precisado de tentar perceber ou forçado a disfarçar essa ignorância.

Simulacro da central dita "EPR" (European Pressurised Reactor), consórcio entre a Siemens AG e a francesa Areva, em construção na Finlândia e com entrada em funcionamento em 2009.

quinta-feira, junho 15, 2006

E agora o futebol: antes que eles ganhem alguma coisa

Scolari já levou a selecção Portuguesa mais longe do que alguma vez ela foi.

No entanto, é perseguido na imprensa como poucos o foram.

Porquê?

Em primeiro lugar porque não é um lacaio de Pinto da Costa. A lógica do presidente do FCP é implacável e a selecção compete com o FCP pelos patrocínios das empresas. A selecção é apenas útil se servir de montra aos jogadores do FCP. Pinto da Costa tem razão, quem paga os salários são os clubes mas a federação tem enormes lucros com a selecção.

Em segundo lugar porque é Brasileiro mas acima de tudo porque é estrangeiro e chegou aqui com uma lógica vencedora e anti-paroquiana. Abanou o status quo. Isso não é perdoável por todos aqueles treinadores de bancada que só por usarem gravatas à PP acham que compram a respeitabilidade necessária para dizerem todo o tipo de disparates.

Scolari tem mentalidade ganhadora, pensa fora da caixa e sabe gerir a imagem. É bom e sabe vender bem uma imagem que corresponde à realidade. Num país onde a imagem é geralmente o oposto daquilo que se é, onde se prefere os salamaleques hipócritas à confrontação honesta e corajosa, Scolari é culpado do pecado original.

Mas Scolari é uma lufada de ar fresco neste país de mesquinharia e mediocridade.

Antes que ganhe ou perca e se vá embora, vale a pena dizer: Obrigado Scolari.

quarta-feira, junho 07, 2006

A crise timorense explicada às criancinhas

Dois terços do Mar de Timor pertencem a Timor-Leste.
O Mar de Timor tem muito, muito petróleo (e não só).
A Austrália queria todo esse petróleo para ela. Todo? Bom, pelo menos quase todo.
Há uns meses atrás, o primeiro-ministro de Timor fez finca-pé e quase ganhou.

A Austrália não gostou e logo disse de si para si: "vou vêr se consigo enviar muitos soldados para Timor-Leste para demitir esse primeiro-ministro reguila e ficar eu a mandar no país".
E se bem o pensou, melhor o fez.

Peço desculpa por estas interrupções...

... O programa seguirá dentro de semanas.

Entretanto, aproveito para dar as boas-vindas a um novo (desde Maio) blogue, o 8 e coisa, nove e tal.
É um blogue exclusivamente de mulheres mas não pretende falar exclusivamente de mulheres, o que só lhe fica bem. Entre a gregueria, o desabafo e a crítica, há linhas abruptas que dá mesmo gosto ler.

Ali fica, no topo dos Sabores da Semana (sem segundos sentidos) para vosso gozo e até chegar o senhor/a que se segue.

segunda-feira, junho 05, 2006

Tuga Outsorcing

Dizem que o Estado Português tem funcionários a mais.

Parece ser claro que não tem dinheiro para os sustentar.

Dizem que estes funcionários trabalham pouco, ou não fazem mesmo nada.

Vai daí que o Estado, através da lei da mobilidade, vai colocar milhares desses funcionários num "quadro de excedentes".

Aqui, o estado vai logo poupar uns bons cobres em "gadgets" e subsídios que vai deixar de pagar.

Depois vai permitir que estes funcionários passem a trabalhar em empresas privadas, pagando-lhes parte do ordenado.

Ou seja, o Estado vai subsidiar as empresas que lhe aceitem a malta excedentária.

No entanto, esta situação depende da vontade dos excedentários em deixarem de ser funcionários ociosos.

Dei comigo a pensar que o estado se vai posicionar no mercado como fornecedor de serviços de outsorcing.

Não vou alimentar as teses miderabilistas tipo: "Vende-se manga d'alpaca, ... com conhecimentos de Windows e Office ( utilização de um a dois dedos de cada vez )...".

Pelo contrário, penso que o posicionamento do Estado deve ser mais agressivo.

Deve começar por criar uma Empresa Pública de Gestão de Recursos Humanos do estado, mesmo que começasse com a designação vetusta de EMPUGESTRECHU ( aceitam-se ideias! ).

Esta empresa será encarregue da gestão e colocação no mercado de 100 a 200 mil trabalhadores de serviços em regime de outsorcing.

Esta inundação do mercado de trabalho porá uma forte pressão de baixa nos salários das empresas privadas.

Por outro lado, vai equivaler, em termos de força de mão de obra, a aceitar em Portugal 100 ou 200 mil novos imigrantes, porventura menos qualificados que os Ucranianos.

Mas o país fica muito bem posicionado para tirar partido da Directiva Comunitária de liberalização dos Serviços.

Fintamos toda a gente ( talvez valha a pena aproveitar o mundial de futebol ) ao criarmos do nada uma nova empresa de outsorcing com pessoal razoavelmente qualificado.

Nem a Índia nos consegue passar a perna.

Depois, entrega-se a empresa à gestão privada, que logo lhe muda o nome para Tuga Outsorcing ( a branding ainda não vai estar a funcionar em pleno! ).

A agressividade comercial aumenta e passamos a ser a base da indústria de serviços Europeia.

Quando a empresa dá enormes lucros ao estado, privatiza-se e cria-se uma das maiores consultoras privadas do mundo.

Para nome. um génio do brande encontra um nome fabuloso que recolhe aplauso unânime: Portugal, Portugal Outsorcing, e o logo é o simbolo dos templários.

Depois acordei, banhado em suor.

Que ideia bizarra!

domingo, maio 28, 2006

Carta aberta ao Dr. João Carlos Espada

Caro Dr. João Carlos Espada,

li o seu artigo no Expresso, tal como leio, há vários anos, quase todas as semanas.

Aprecio o facto de, algures no passado, os seus artigos me terem dado a conhecer Tocqueville e de me terem levado a ler a "Democracia na América" e o "Antigo Regime e a Revolução".

A leitura destes livros mereceu-me interpretações algo diferentes das suas. Tal situação será talvez justificada pelo facto de não terem sido esses exercícos devidamente acompanhadas pelos adequados serviços de tutoria, faltando-me também quer o tempo quer as ferramentas intelectuais necessárias para poder formular uma interpretação mais sofisticada e muito provavelmente diferente.

No seu artigo desta semana o Sr. Doutor cita alguém que disse "Não troquemos a liberdade pelo conforto: em breve perderemos ambas."

Corrija-me se estou enganado mas penso que estamos perante uma paráfrase de Benjamin Franklin, que disse ( cito sem verificar fontes, talvez esteja enganado ): Quem está disposto a trocar a sua liberdade pela sua segurança não merece nem uma coisa nem outra.

No geral concordo com o seu artigo mas penso que a paráfrase introduz uma diferença subtil ( ou não, considerando os tempos que correm ) no pensamento de Franklin.

Vejo hoje em dia as suas intervenções na imprensa como elementos de uma acção de propaganda, ou melhor ainda, de recrutamento ( de jovens para a defesa das suas ideias essencialmente ( extremamente? ) conservadoras ).

Mas penso que os princípios gerais e citações que transmite permitem intrepretações prácticas bastante diferentes das suas.

Essas ideias gerais que afirma defender são tão boas que não carecem de paráfrases potencialmente enganadoras e que podem levar os jovens a fazer interpretações adulteradas daqueles princípios que, por exemplo, os founding fathers dos EEUU tomavam como self-evident.

Para finalizar, peço desculpa pelo anonimato ( relativo, quando falamos de suportes digitais e acessos à Internet mantidos por grandes empresas comerciais ) mas eu não sou muito corajoso, tenho uma família para sustentar e se fôr despedido por defender estas ideias não vou concerteza arranjar emprego num think-thank conservador ( nem noutro ) Americano, ao contrário do que aconteceu com a nossa corajosa Somali.

Com os melhores cumprimentos,
Aardvark

sexta-feira, maio 26, 2006

Daqui a 20 anos

CONTAS SÃO CONTAS.
A floresta ocupa cerca de 2/3 do território continental. Isto são, conservadoramente, 60 000 km2 ou 6 milhões de hectares. Dito assim, até parece muito. Mas não é.
O ano passado arderam pouco mais de 300 000 ha, significando que, a este ritmo, daqui a 20 anos as únicas sombras das quais um português poderá disfrutar estarão nos separadores de avenida e jardins municipais.
Ainda assim, se as câmaras não pararem de as substituir por 'peças de escultura' ou placards de publicidade e os amigos da pica ou os pombos sobreviverem, estamos tramados.


Estas são as minhas preferidas. Têm a vantagem de arderem menos que outras mas a desvantagem de demorar pelo menos 50 anos entre a queda da lande no solo e o desenvolvimento em árvore adulta. Para muitas, será tarde demais.

quinta-feira, maio 25, 2006

Anedota que se poderia contar a uma criança

(original mais tarde adaptado por um espectador do Newsnight, um programa também ele baseado no nosso telejornal do segundo canal)

Um jovem mudou-se para o Alentejo e comprou um burro a um agricultor por 100 euros. O vendedor acordou em entregar-lhe o burro no dia seguinte.

No dia seguinte, o agricultor apareceu-lhe à porta e disse-lhe, "desculpe lá mas tenho más notícias para lhe dar: o burro morreu."

O rapaz respondeu, "não faz mal, devolva-me o dinheiro e ficamos assim."
E o homem, "não posso, já o gastei..."
O jovem então, "Bom, então traga-me lá o burro na mesma. Vou rifá-lo. Mas não diga a ninguém que o burro está morto, está bem?"

Um mês depois, o agricultor encontrou-se com o rapaz e perguntou-lhe, "então? que aconteceu no fim com o burro morto?"

"Olhe, vendi 500 bilhetes a 2 euros cada e acabei com um lucro de 998 euros"
"Mas ninguém reclamou???"
O rapaz disse, "só o tipo que ganhou; por isso, devolvi-lhe os dois euricos".

Eventualmente, o rapaz tornou-se presidente de uma grande empresa de construção civil e o agricultor passou a ser o autarca permanente da zona, isto embora mudasse de partido de vez em quando.

Dos blogues dos outros

A causa foi modificada, 25V06:

(...) Outro exemplo é o da engenharia genética versus alimentação "natural" e agricultura "biológica", que uns milhões de filhos da puta do mundo abastado, todos muito consciencia ecologica e com ligação à terra (as lojinhas paneleiras no Bairro Alto de produtos sem pesticidas e assim), insistem em classificar como a luta, respectivamente, do mal contra o bem, da artificialidade contra a natureza.
(...) Tanto um como outro são problemas que em muito seriam mitigados se se (la está) investisse brutal e selvaticamente em investigação nos produtos geneticamente modificados, para, primeiro, se perceber sem histerismo se o que efectivamente poupam tanto na utilização de pesticidas e herbicidas como na quantidade de terra que se tem que roubar actualmente ao estado selvagem (através do aumento da produtividade) para produzir a papinha minima necessaria compensa o riscos riscos de introduzirmos o dedo no coração da Criação.

O Partido Ecologista os Vermelhos, perdão, o Partido Ecologista Os Verdes, a extraordinaria proporção de pessoas com "consciência ecológica" do Bloco de Esquerda (que naturalmente não têm a mais vaga ideia de nada) e a toda, mas quando digo toda é mesmo toda, a Direita, que sobre estes assuntos nem nunca sequer fingiu estar preocupada (o que é preferivel, apesar de tudo), merecem todos ser enrabados (...)


Timor online, 25V06:

Quarta-feira, o governo timorense (...) pediu formalmente ajuda militar e policial a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.

A Malásia vai enviar quase 500 soldados e polícias (...), 25 dos quais partiram hoje de manhã para Díli como missão avançada, anunciou o governo malaio.

Uma força (...) de 160 militares australianos chegou hoje a Díli e tomou já posições para garantir a segurança do aeroporto da capital timorense. A Austrália aceitou enviar um contingente de cerca de 1.300 militares.

A Nova Zelândia ainda não anunciou oficialmente o contingente que vai enviar, mas informações não confirmadas indicam que 60 militares neo-zelandeses chegaram quarta-feira ao fim do dia a Díli.


[Entretanto...]

Portugal anunciou que está disponível para enviar uma companhia da GNR, mas aguarda uma decisão da ONU para ordenar a partida de uma força.

A Grande Loja do Queijo Limiano, 21V06:

Prefere-se discutir o efémero, o imediato, o fácil. O costume. O artigo de Medina Carreira nunca existiu. O país de que ele fala também não existe para uma boa parte dos que se deviam ocupar a tratar dele. O que existe é algo de diferente, esquizofrénico, onde o que conta é a bola, as touradas, o envelope 9, o Dr. Carrilho e os decotes... da Alexanda Lencastre. É verdadeiramente um país à imagem dos Morangos com Açúcar. Um país onde até a esquerda, do PS ao BE, passando pelo PCP, defende os 'privilegiados'. Um país onde a única coisa que conta é o momento, o imediato, um país onde não há uma voz que defenda quem nada tem, quem tem pensões de absoluta miséria e nem dinheiro para comprar comida, quanto mais medicamentos. Um país egoísta incapaz de repartir, de redistribuir, de racionalizar e de se reformar. Um país incapaz de compreender que para ter hipóteses de sobrevivência tem (ou tinha) que mudar. Reformas ? Serão boas certamente, desde que só afectem os outros, Poupanças ? Idem. Cortes, contenções ? Evidentemente, também.

domingo, maio 21, 2006

Abaixo as touradas (?) - II

Na posta anterior abordei a "ontologia da oportunidade" (????) no activismo anti-tourada.

Nesta vou abordar a "ontologia da legitimidade". Vou defender a ideia de que este activismo é produto da hipocrisia decorrente da crescente abstração das actividades humanas.

Nas sociedades primitivas matava-se animais e seres humanos de uma forma essencialmente ritualizada. Essa ritualização respondia a duas necessidades:

1. Contrariar a repugnância natural dos seres humanos saudáveis pelo derramamento de sangue.

2. Matar animais e humanos: por fome, defesa, ganância, fome.

O próprio canibalismo é essencialmente uma ritualização e acaba por providenciar uma justificação adicional para a morte de outros indivíduos.

O progresso da tecnologia, nomeadamente do armamento e a progressiva especialização dos indivíduos dentro das sociedades ditas civilizadas introduz um distancimento entre a morte de indivíduos ou animais e os autores desta.

Tal distancimento permitiu prescindir da ritualização, que permanece apenas de forma residual, nomeadamente nas religiões judaica e muçulmana ( para os animais! ).

O Cristianismo aboliu a ritualização ( nos animais ).

Este distanciamento, resultante da utilização de mecanismos mais abstractos, tornou mais fácil a utilização da violência.

Permitiu também um ainda maior distanciamento aos cúmplices da violência.

Se exceptuarmos os vegetarianos veganos, todos nós somos cúmplices de maus tratos cometidos sobre muitos animais. Não interessa o propósito. Não é pelo propósito que nós convivemos bem com esses maus tratos.

É porque não vemos. Porque não somos nós.

Nós consumimos em excesso e somos responsáveis pela delapidação em excesso dos recursos da Terra. Mas como não vemos e não somos os únicos, não nos importamos.

No nosso trabalho, muitos participamos no desenvolvimento de novas formas de controle da vida alheia e trabalhamos activamente em formas de comunicação de massas que nada mais fazem que distorcer a realidade.

A privacidade acabou e a liberdade de informação e de opinião saiu dos meios de comunicação social.

As possíveis consequências prácticas destes desenvolvimentos no futuro podem ser terríveis. Mas nós não as vemos, ou não as vamos ver, e não somos os únicos.

Mas somos cúmplices.

Só resta o vegetariano vegano como activista legítimo.

Restava. Alguém que toma opções tão radicais e incómodas para si próprio não se preoucupa com aquilo que não o afecta directamente.

Para as touradas tem a solução de não ver e de ser contra.

Não me parece que faça sentido ser activista. Ou será que depois nos vai querer obrigar a sermos vegetarianos veganos?

Abaixo as touradas (?) - I

Começo por dizer que a publicação desta posta é uma revelação da minha falta de bom senso.

Vou arranjar sarilhos por isto.

Mas não consigo resistir...

Há quem não goste de tourada. Isso é uma coisa.

Há quem seja contra as touradas. Isso é outra.

E há ainda quem seja activista contra as touradas. Que me desculpem aqueles que se dedicam a esta causa com o afinco que tenho visto nos últimos anos, mas eu não os consigo perceber.

Não consigo perceber que haja quem se dedique a lutar contra a morte dos touros numa arena quando tantos direitos dos animais são espezinhados no dia a dia por muito respeitável mas pouco visível gente.

Quando temos problemas ambientais gravíssimos.

Quando os direitos humanos são espezinhados no mundo inteiro e não são cabalmente respeitados em POrtugal.

Não consigo também perceber os meios usados.

Para quê as manifestações/provocações junto das praças?

Será o mito da virilidade/coragem dos forcados que impele estes activistas a tentar confrontá-los físicamente?

Porque é que não tentam uma acção popular no parlamento?

Temem dar aos nossos deputados mais uma boa desculpa para um absentismo prudente? Exijam um referendo e batam-se por ele.

Ou será que quem participa nestas manifestações está apenas a falar para dentro da tribo? A mostrar a seu zelo radical?

Quem é que perde tempo a compilar uma lista de "torturadores de touros" ( bastou uma pesquisa na net? )? Tem de ter muito. E de não ter o mínimo sentido das prioridades.

Há gente para tudo.

sábado, maio 20, 2006

E estavam à espera de quê?



"MINISTÉRIO PÚBLICO ARQUIVOU PROCESSO CONTRA JOSÉ LUÍS JUDAS [autarca] E AMÉRICO SANTO [construtor civil]", no Público de hoje.

Entretanto, no meu blogue de flames favorito, o blasfémias, têm andado num frenesim (está bem, eles andam sempre com fogo no rabo por qualquer assunto mesmo): aquilo é postas sem fim contra o conceito de ordens profissionais pois parece que vai contra a "concorrência" (!?).

Eu li tudinho o que escreveram, comentários e respostas aos comentários, e respostas às respostas às respostas, e até agora também ainda não percebi a lógica. Acho que tem qualquer coisa a vêr com, uma associação de, vá lá, arquitectos ser incompetente para avaliar a competência de um recém-licenciado em arquitectura e o consumidor, esse sim, ser quem saberá melhor zelar pela conduta do profissional.

Ah, e no melhor espírito auto-didacta da casa, parece que nem licenciaturas deveriam ser necessárias.

Não há dúvida que os Sr.s Judas e Santo não estão sozinhos na sua luta contra a burocracia, essa verdadeira força de atraso da nossa sociedade.

quinta-feira, maio 18, 2006

Campo enorme

No DN de hoje, João Andrade, presidente da Associação Nacional dos Criadores de Toiros de Lide, responde a certas e determinadas pessoas da defesa animal:

"Irão realizar-se duas manifestações no Campo Pequeno. Uma do lado de fora e outra do lado de dentro, esta última das sete mil pessoas que esgotaram a praça para assistir ao espectáculo. E haverá mais um milhão a ver na TV."

E mai nada.

domingo, maio 14, 2006

Os Chineses e a língua Inglesa

Enquanto o Inglês fôr a língua franca, os Chineses vão-se debater com algumas dificuldades.

Senão vejam os seguintes exemplos.

Uma casa de banho para deficientes:
















Pague a sua atenção:
















Bill Clinton esteve aqui:
















Agora em Chinês:

sábado, maio 13, 2006

Feios, porcos, e maus


DEPOIS DE ANOS DE ABANDONO E FOGOS, O QUE RESTA DA POPULAÇÃO DE VILA DE REI "aguarda com expectativa" a chegada de dois tipos de viajantes muito distintos: os primeiros vieram do Brasil, em grupos familiares, e fizeram milhares de quilómetros para chegar a uma terra desertificada, onde os portugueses já não querem morar ou trabalhar. Vêm de coração aberto, com esperança no futuro e vontade de criar raízes entre nós, sem preconceitos.
São gente próxima, homens, mulheres e crianças, válidos e precisos.

O segundo grupo partiu de Lisboa às 14h00 de hoje, e demorará poucas horas lá chegar. Vêm em matilha, e da terra onde irão por algumas horas berrar para as câmaras conhecem pouco mais que o nome. Não querem lá viver, e com nada pretendem contribuir. Vêm absurdos, com o coração carregado de frustrações desconhecidas e o vício de tudo odiar.
São animais de sangue frio e carne podre, homúnculos fora de prazo, estranhos e inúteis.

O código escatológico


HÁ CERCA DE TRÊS ANOS ATRÁS, descobri o "The Da Vinci Code" em casa de um amigo, naquela estante atrás da porta onde ele havia acumulado o espólio adquirido em mais de 30 anos de distracções de viagem.

Entre comboios e idas à casa-de-banho, a novela não duraria uma semana nas minhas mãos.
Em parte, a culpa não é do autor: não me eram estranhas algumas das heresias por lá misturadas - no que me faz espantar tanto espanto das gentes -, deixando por isso pouca liberdade para qualquer ansiedade policial.

Sem preconceito de erudição, confesso que não era literatura à qual estivesse habituado mas, e ao fim de uma curta análise, cheguei a duas conclusões: número um, confirmei o conhecimento geral de que os escritos de aeroporto são criados na esperança de futura adaptação ao (tele-)cinema; número dois, o livro do sr.Brown era uma merda.

Quadro: "Maria Magdalena" de Leonardo de Vinci. Foto ©AP/Scanpix

sexta-feira, maio 12, 2006

Estava a pedir de mais

Um dia destes publico mais fotos.

Parabéns!!

Parabéns bebé, pelos teus dois anos!

O papá vai a caminho!

Fotos, claro

Pois é! O Connexion é mesmo bom!

Enquanto estive ausente

Mto trabalho. Pouco tempo pá famelga!

Depois ele há certos países de onde não se consegue aceder aos blogs. Porque será? Problemas técnicos?

Não há dúvida que o país onde é mais difícil entrar é mesmo a Amrika!

Um amigo meu esteve na China e contou-me estas coisas:

A China é um país simpático. Os polícias são simpáticos e despreoucupados e o ambiente geral é de segurança e descontração.

Pelo menos em Pequim.

Uma nuvem de smog paira permanentemente sobre Pequim. Só se vê o sol depois de um dia de chuva. E lá, passam-se meses sem que chova.

A China é o paraíso para um profissional altamente qualificado: salários altíssimos, custo de vida baixíssimo, segurança. ( E o smog claro ).

Um ocidental faz uma vida de nababo e amealha uma ótimia reforma. Trabalha que nem um cão, claro, mas na Europa também trabalharia ( pelo menos nas mesmas funções )

Consegue-se regatear uma boa camisa por 3 euros, umas meias por 10 cêntimos. ( tudo bem regateado. Para os "narigudos" é mais caro. Deve-se pedir a um amigo Chinês )

Não há falta de trabalho para gestores e engenheiros "narigudos" ( os ocidentais, para eles, da mesma forma que eles são os "amarelos" e "olhos-em-bico" para nós.

Os Chinocas são simpáticos mas não sabem dizer não nem aceitam um não.

A China é o futuro, pelo menos o mais próximo. Toda a gente está lá a tentar ganhar dinheiro. Nem todos conseguem.

Mas as oportunidades são infinitas.

O sucesso local do Starbucks justifica-se pelo facto de eles não saberem o que é café.

As tradições e história familiar dos Chineses batem por knock-out as tradições das melhores famílias euopeias, quer em antiguidade ( dos livros genealógicos ), quer em tradições ( códigos escritos de conduta familiar que indicam, entre outros, a forma como se deve identificar cada geração da família )

A comida em Pequim é óptima e faz a fusão do melhor da comida de todas as regiões da China.

O meu amigo aconselha a visita à Grande Muralha, a hora e meia de distância de Pequim e ao palácio de verão.

Não esteve na cidade proibida nem em Tianamen.

O clima geral é de optimismo e a China de hoje é uma cópia em grande dos grandes tigres da América Latina nos anos 70: Argentina, Chile, Portugal. Ditadura, progresso económico, optimismo e desigualdade social.

A cerveja e o vinho são caros. O queijo e os enchidos são maus.

A cidade está cheia de Alemães, Americanos e Franceses,

Os Ingleses preferem Hong-Kong.

O serviço "Conexion", da Boeing, é excelente, mesmo num Airbus!

quarta-feira, maio 10, 2006

"Visão" exemplar


MAIS CEDO OU MAIS TARDE, O MINISTRO DA SAÚDE VAI MANDAR FECHAR o bloco de partos do hospital de Lamego "por falta de médicos especializados".

Enquanto isso, a Ordem dos Médicos mantém a sua luta contra a formação de mais colegas no país, nomeadamente, e em conluio com as universidades do Porto e de Aveiro, usando de toda a influência ao seu alcance para impedir a constituição de uma faculdade de medicina em Viseu - onde há o tal hospital, um politécnico que até tem enfermagem e uma escola de tecnologia onde já se faz I&D em instrumentação médica...

Sem dúvida, um caso daqueles de coordenação ministerial a todos os títulos exemplar: o ministério da saúde encerra um serviço público por não haver obstretas numa cidade onde o ministro da educação não autoriza que se produzam médicos nem que o Gago tussa.

Mas esta situação, dada a proximidade dos centros do litoral (*), e também por não passar de uma infeliz coincidência entre privilégios intocáveis e cortes na despesa prevista, é magro espelho da desfaçatez com que o Estado, desde sempre, largou o interior do território e as suas populações à sua sorte. Só que, antes, os governos eram apenas culpados de desinteresse ou inacção; hoje tornaram-se os principais promotores do desinvestimento e do abandono.

Que é o mesmo que dizer que, a leste de Lamego, e para que o déficite se cumpra, a desertificação continua.

a foto é do marco geodésico que assinala o centro geográfico de Portugal continental, nas proximidades de Vila de Rei
_____________________________________________
(*) Há sete escolas de medicina no país, e à excepção da Covilhã (onde só há pós-graduações), concentram-se à volta das principais cidades do litoral: duas em Lisboa e duas no Porto; uma em Coimbra e outra em Braga.

segunda-feira, maio 08, 2006

O bode expiatório


NÃO SEI SE ZACARIAS MOUSSAOUI É CULPADO pelos milhares de mortos nos atentados de 9 de Setembro de 2001.
Não saberei dizer com toda a certeza, e poucos saberão, se o homem pertencerá mesmo à omnipresente e omnipotente Al-Qaeda. Se calhar não passa de mais um pobre ansioso, como tantos nos dias que correm, fugindo para a frente de um destino extremo.

Também não saberei se o tribunal de Alexandria apenas quis evitar fabricar um mártir ou castigar o sr.Moussaoui, não lhe satisfazendo essa patética vontade de morrer.

Só sei que foi um dia feliz esse em que, num país com um currículo de direitos humanos pouco exemplar, um homem diabolizado pela opinião pública americana e tornado objecto de contrição da administração não foi condenado à pena morte.

Talvez esteja a ser ingénuo mas gostava de acreditar que se abria aqui um precedente.

quarta-feira, maio 03, 2006

Vírus e bactérias


DESDE FEVEREIRO MORRERAM QUASE MIL PESSOAS em Angola das mais de 2000 já infectadas pela bactéria da cólera, Vibrio cholerae.

Apesar da violência do surto e da sua notória incapacidade para o combater, o governo angolano recusou qualquer ajuda médica, nomeadamente do governo português.

A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral. São factores essenciais para a disseminação da doença condições deficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada.

Água que um governo que enriquece com o petróleo de Cabinda aparentemente não é capaz de providenciar à sua população. Como há mais de uma década que não há eleições, não precisa.

Entretanto morreram quase mil pessoas em dois meses e meio. Talvez seja dez vezes mais que as pandemias malucas conseguiram em três anos mas, afinal de contas, quem é que se rala com a morte de um africano ou outro?

segunda-feira, maio 01, 2006

A cenoura, o cavaco, a chave e o cravo dela


UM EX-COMPANHEIRO DE HUGO CHÁVEZ, para ilustrar os dotes de estratego brilhante do presidente da Venezuela, fazia este comentário a respeito do programa Aló, Presidente (uma espécie de Conversas em família do regime venzuelano):
"Chávez pode muito bem começar a sua 'conversa' com o povo mostrando às câmaras uma cenoura ao mesmo tempo que lhe chama 'beterraba'. No dia seguinte, todos os jornais da oposição o insultarão de idiota para baixo, e que é tão incompetente que nem sabe o que é uma cenoura!
O assunto arrastar-se-á por dias. E no fim, o presidente pensará para si próprio: Nem acredito que consegui pôr esta gente a discutir cenouras e beterrabas durante uma semana inteira!".

Rosa Casaca


DIZEM AS REGRAS DO PARLAMENTO EUROPEU que os deputados devem “evitar aceitar ofertas ou benefícios aquando no exercício das suas funções”.

E lá tentar evitar, é possível que os senhores deputados tentem; mas parece que em certas ocasiões a recusa torna-se complicada.

Este será, provavelmente, o caso de Paulo Casaca, eurodeputado eleito pelo P.S.: enquanto membro da Delegação para as Relações com o Irão e presidente da Delegação para as relações com a Assembleia Parlamentar da NATO, recebeu vários presentes do Conselho Nacional de Resistência do Irão, uma organização considerada ‘terrorista’ pelo Departamento de Estado americano e, sob os nomes de Organização Mujaedine do Povo do Irão, OMPI, e Mojahedin-e-Khalq, também inserida nas listas negras da União Europeia.

Segundo a sua própria declaração de interesses financeiros, um documento criado por aquele parlamento visando aumentar a transparência nas actividades dos seus membros, o sr. Casaca aceitou “como oferta por ocasião de encontros com dirigentes da resistência iraniana” (sic), entre outras coisas: quatro tapetes persas; uma peça de cerâmica de Natanz; uma gravura de 1m x 1m (?); e um relógio de pulso Hugo Boss.

Mas Paulo Casaca não será o único beneficiário destes resistentes iranianos e tudo indica que tal em nada depende das orientações políticas dos excelsos representantes: o socialista partilha este entusiasmo pela arte oriental com o deputado pelo partido conservador britânico Struan Stevenson, também ele entretanto contemplado com pinturas e tapetes persas.

Presumo que o sr. Casaca, durante as suas acções de legitimização da OMPI junto da União Europeia, nunca perde de vista as inevitáveis diferenças culturais que separam a sua integridade profissional dos interesses iranianos; e deverá ser, concerteza, por isso que sentirá devidamente justificados aqueles pequenos desvios com as mais puras razões de diplomacia.

Al-Qaeda e Islão

Não deixeis que o ódio da populaça – porque vos impediram de chegar à Mesquita Sagrada – vos incite à transgressão. Auxiliai-vos na virtude e na piedade. Não vos auxilieis mutuamente no pecado e na hostilidade, mas temei a Deus, porque Deus é severíssimo no castigo. Al-Corão 5:2

Auxílio prometido até hoje pela Al-Qaeda às vítimas do terremoto no Paquistão: USD 0.00.

quinta-feira, abril 27, 2006

Acabou-se-me a pachorra para...

... restaurantes com "cozinha de fusão".

A imaginação daquela gente não tem limites: memorizaram os dois pratos que passaram a vida a comer nos bons tempos de Corfú e juntaram-lhe curgetes e cerveja belga. Abrem portas em antigas tascas de zona histórica e descaracterizam-nas à moda "mediterrânica".

A lista é igual em todos os estabelecimentos e é independente das variadas nacionalidades dos proprietários (embora os nórdicos ainda tenham desculpa, por razões óbvias): curgetes salteadas com cús-cús e salada de curgetes com feta e húmos. Também há "pastas" e "risotos" com molho de leffe e as azeitonas são intragáveis.

Se lhes dessem um telecomando para as as mãos, o serviço de mesa era igual ao de um pizza hut com velas.

A primeira ironia é que tanto o pessoal da casa como os clientes, apesar da clonagem, são aquele tipo de rapaziada sempre pronta para vociferar contra a globalização e o fast food.
A segunda é que os odiados burgessos da Bica do Sapato estarão talvez à mesma hora a mascar as mesmas nhanhas, partilhando sem dúvida da mesma vertigem "cosmopolita".

Blhegue.

segunda-feira, abril 24, 2006

Os Sulitários

A Fundação Alentejo-Terra Mãe

tem o prazer de convidar V. Exª para a apresentação do livro

OS SULITÁRIOS

de
JOÃO FRANCISCO VILHENA | PAULO BARRIGA

7 DE MAIO, 16H00
SALÃO DE EXPOSIÇÕES
FUNDAÇÃO ALENTEJO-TERRA MÃE
RUA DOS PENEDOS, Nº13-B, ÉVORA

Apresentação por
António Mega Ferreira

a inauguração da exposição de fotografia "Os Sulitários"
conta com a actuação do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento.
Na ocasião, será servido um "Alentejo de Honra".

800 milhões de libras



É o valor extra necessário este ano para manter a presença militar britânica no Iraque.
É também o tamanho do buraco orçamental do National Health Service.

sexta-feira, abril 21, 2006

Influenza, o estado da nossa ignorância


O Diário de Notícias alertou-nos na sexta-feira para o facto de Portugal ser "o país menos preparado" para a grande praga que está aí a rebentar, não tarda nada.

O Público, por seu turno, e no mesmo dia, volta a anunciar que a "pandemia é inevitável", fazendo o favor de se apoiar num artigo da revista Science que não traz menção a nenhuma inevitabilidade.

O que parece realmente inevitável no pânico mediático é referência constante aos antivirais, Tamiflu (Roche) e Relenza (GlaxoSmithKline), esses dois únicos medicamentos comprovadamente miraculosos na cura de qualquer gripe das galinhas e dos pintassilgos.

O que já parece pouco interessante realçar são os factos de uma infecção [ainda?] sem transmissão humana: em 3 anos de liberdade, este vírus megalómano já conseguiu infectar, a partir dos frangos, um número absolutamente assustador de 194 vítimas humanas a nível mundial (quase duzentas!), das quais morreram, vejam bem, pouco menos de metade.

Há aqui um divórcio nítido entre o que está escrito na imprensa científica e o frete que os jornalistas em questão acabaram por fazer às companhias farmacêuticas. Na melhor das hipóteses, os senhores que trabalham nos média não sabem ler em inglês. Na pior, são papagaios que se limitam a repetir o dogma da pandemia, no absoluto desrespeito por um público que, muitas vezes, deles depende para a compreensão de assuntos complexos.

Para quem quiser saber mais, transcrevo aqui a introdução à célebre edição especial de 21 de Abril da citada Science, apropriadamente intitulada "Influenza, o estado da nossa ignorância" (texto integral em Vol. 312. no. 5772, p. 379):

"Introduction to special issue

Influenza: The State of Our Ignorance
Caroline Ash and Leslie Roberts

The startling spread of H5N1 across much of the globe highlights our vulnerability to the emergence of novel subtypes of influenza virus. Yet despite our fears of pandemic human disease, H5N1 is primarily a disease of birds. Olsen and colleagues (p. 384) outline the unseen network of influenza among migratory birds that spans Earth. H5N1 has engendered alarm not only because it is unusually virulent, laying waste to poultry and causing severe economic losses for farmers, but also because it can, with some difficulty, infect humans and other mammals. So far, the virus has killed more than half of the nearly 200 people known to have been infected. Kuiken and colleagues (p. 394) explore the routes through the obstacles to interspecies transmission (the host species barrier) of viruses. Their analysis focuses on which adaptations are needed to facilitate bird-to-human transfer of H5N1. Examples are provided by Shinya* and in a Brevia by van Riel et al. (p. 399). These authors show that the virus preferentially binds to cell types bearing specific surface receptors found deep in the lungs, which may partly explain its poor human-to-human transmissibility. (...)"

quinta-feira, abril 20, 2006

Pandemanias



Escreveu Pedro Rolo Duarte esta semana: “Apesar das polémicas em que se envolveu nos últimos anos, Clara é reconhecidamente uma cientista de mérito, professora universitária, e tem um extenso trabalho desenvolvido em Portugal e nos Estados Unidos.”

Procurei no PubMed.
A última vez que Pinto-Correia C publicou foi na Perspectives in Biology and Medicine, em 1999 e chamava-se o artigo “Strange tales of small men: homunculi in reproduction”. Antes disso, dez artigos espalhados em revistas igualmente obscuras e, na maior parte dos casos, especializadas na área de interesse da bióloga e escritora, a espermatogénese.

Lá que a senhora tem o dom do mediatismo, ninguém o nega. Que será o supra-sumo das ciência biológicas em Portugal, já não se poderá garantir. Mas para o que é, pouco interessa.

O que tem realmente interesse nesta história é o facto de alguém, que apesar de tudo provém do meio académico, neste país de ignorantes e hipocondríacos ter levantado a dúvida quanto às razões que poderiam assistir à constante publicitação de novas patologias pandémicas e à forma como as medidas com que se as combatem são apresentadas à opinião pública.

Como foi dali que apropriadamente veio a lebre, vamos aos Estados Unidos e à gripe.

O Departament of Health and Human Services, DHHS, leva a cabo desde os anos oitenta uma campanha permanente de intimidação do público norte-americano com vista a promover as vacinas e o consumo de medicamentos contra a gripe.
Digo "intimidação" porque que se trata do uso consciente de informações falsas por parte de uma entidade federal com o objectivo de condicionar o comportamento e os hábitos de consumo dos cidadãos através do medo.

No sítio do Centers for Disease Control and Prevention escreve-se que 200.000 americanos são internados nos hospitais "por complicações associadas à gripe". O que o dito departamento não diz é que, em mais de oitenta por cento dos casos, os tais internamentos se referem a idosos ou a enfermos cujo estado de debilitação foi provocado por outras doenças.

Mas a pior mentira oferecida à opinião pública norte-americana é a de que 36.000 seus compatriotas morreriam todos os anos "por causa da gripe". De facto, e em muitas ocasiões até já ouvi este dado precedido da frase "a gripe e a pneumonia são a sétima causa de morte [prematura?] nos Estados Unidos". Acontece que, mais uma vez, aquele departamento de estado joga uma falácia: das mais de trinta mil mortes apontadas só 1200 poderiam atribuídas à infecção por influenza; o restante número reporta-se à pneumonia clássica.

Agora atente-se à política de vacinação recomendada pelo DHHS: até Outubro de 2005 estavam definidos grupos de risco (segundo metodologia clássica, e.g., a partir dos 65, doentes crónicos, bébés, et c.), os quais deveria ser vacinados contra o influenza; mas a partir daquela data, TODA a população deverá vacinar-se.

Mas no fim das contas, o secretário de defesa americano D. Rumsfeld detém ou não parte, ou todo, da empresa que produz o fantástico "tamiflu"? E ainda que assim seja, essa panacéia é eficaz?
As respostas são "Não sei" e "Até é capaz de ser".
Agora se será necessário tomar estas vacinas e medicamentos por causa das gripes que matam meio-mundo e arredores, isso já outra história.

domingo, abril 16, 2006

O estranho caso dos bébés desaparecidos



António Bagão Félix achou que hoje seria um bom dia para comentar as recentes alterações às disposições do registo civil de nascimentos em Espanha e que passam a designar "pai" e "mãe", respectivamente, "progenitor A e B".

A partir daí, o economista alarga a crítica moral a todos os domínios onde julga que o seu modelo de Família corre perigo lançando um ataque que presumo "preemptivo" (1) contra futuras réplicas nacionais de uma legislação espanhola a qual, por fatalismo, gostamos de prevêr sempre mais avançada: "Imagino já (...) as barrigas de aluguer, a criação de embriões excedentários, a fecundação heteróloga ou até a inseminação post mortem, (...)"
(2).

Acredito que haverá muita gente em Portugal que concordará com a análise medieval do sr. Félix; a maioria da nossa população não beneficiou, tal como ele, de uma boa formação científica e olha para as práticas médicas actuais com a paranóia do aldeão de antanho que apanhava um alquímico em plena laboração.

Mas ao querer fazer uso dos nossos medos primários, o sr. Félix, conscientemente ou não, debita um apocalipse errado: em particular, os embriões excedentários são elemento de redundância no procedimento de fecundação assistida e, como tal, contribuição indispensável para que aquele seja bem sucedido.

Aquilo que se deveria temer seria a perda de controlo civil sobre essa (e outras) prática médica, algo que só será possível se persistirmos em considerar qualquer tribuno com aspirações mais ou menos moralistas como oráculo de um conhecimento o qual, por ser demasiado complexo, exige maior preparação que aquela que satisfaz as necessidades políticas do mesmo.

Ironicamente, o descontrolo que levaria à "produção" de embriões com fins comerciais seria mais facilmente atingido no paraíso capitalista com o qual alguns amigos do sr. Félix sonham. Mas daí não parece o ex-governante compreender haver motivo para medo.

_____________________________________________________
(1) Também já eu me vou preparando para a utilização "maciça" deste termo nos nossos "mídias".
(2) DN, 16IV06

ilustração de Séverine Assous, da Illustrissimo

quinta-feira, abril 13, 2006

Adendas da guerra ao terrorismo


Em 1971, os países-membro da Organização de Produtores e Exportadores de Petróleo, OPEP, decidiram que todas as transacções de petróleo e derivados seriam a partir dali feitas exclusivamente em dólares americanos, USD.

Para os Estados Unidos, isto representou um excelente negócio pois, ao obrigar todo e qualquer país a comprar grandes quantidades da moeda americana por forma a satisfazer as suas necessidades petrolíferas, aumentava grandemente o valor cambial do dólar sem nenhum esforço por parte do governo ou da economia americanos. Estava criado o "petrodólar".

Fosse esta a única consequência, isto é, o aumento artificial do poder económico dos E.U.A., e talvez até nem tivesse trazido mal maior ao mundo; o problema só se torna realmente sério porque, para satisfazer esta nova necessidade de divisas, o banco central americano teve, de facto, de emitir mais moeda.

Agora imaginemos o seguinte: uma pessoa sem dinheiro mas com fama resolve passar cheques ao desbarato, comprando bens e serviços em troca de um pedaço de papel que só tem valor porque quem lhe fornece os bens ou serviços acredita que esse papel, vindo de quem vem, pode ser guardado como futura moeda de troca.
Que sucede se os fornecedores mudam de idéias e resolvem levantar todos esses cheques ao mesmo tempo?

Vejamos.
Após a primeira guerra do golfo, a partir de 1995, o Iraque foi obrigado pela O.N.U. a vender o seu petróleo por comida no valor de mais de USD$65 000 000 000 (sessenta mil milhões de dólares) Oil-for-Food Programme, resolução do conselho de segurança 986; é no mínimo compreensível que o governo iraquiano achasse que estaria a favorecer demasiado o seu inimigo e vencedor.
Daí que em 2000, Saddam anunciasse unilateralmente a decisão de passar a avaliar o seu petróleo em... Euros.
Era o fim do "petrodólar". Em 1999, 1 Euro valia 0.8 USD. Em 2001, com um euro já se podia comprar 1 dólar e meio.

Voltando à metáfora, esta parecia ser uma boa altura para o fornecedor ir levantar os cheques... Só que, sabemos nós, o dinheiro nunca existiu.
No caso de um cidadão comum, seria caso para declarar bancarrota e talvez passar uns anos na cadeia; no caso dos Estados Unidos, foi razão mais que suficiente para encontrar ligações à al-Qaeda e armas de destruição massiva no país do atrevido.

Por fim, a pergunta: que outros dois países anunciaram na mesma altura a intenção de passar a negociar petróleo em Euros?
Precisamente o Irão, a Coreia do Norte e a Venezuela.

quarta-feira, abril 12, 2006

Ele há fumo sem fogo


Quando cheguei finalmente a Munique era tarde e estava absolutamente esfomeado. Apesar da hora, o meu anfitrião ainda teve a paciência de me levar a um restaurante nas traseiras do Englischer Garten. Enquanto esperava pela comida hesitei em acender um cigarro, assim mesmo, por instinto. Só depois reparei que nas três salas daquela extensa Gasthaus se fumava em todo o lado.
Ri-me da minha retenção. Contei então ao meu amigo que, ainda na véspera, tinham aprovado em Portugal uma lei que proibia o fumo em locais públicos e como agora os média estavam inundados de preocupações bem-pensantes e conselhos de gente séria.
"Ah sim, aqui também há essa lei", disse-me, "mas não lhe damos importância nenhuma". Todos quantos à nossa volta ouviram a conversa, clientes e empregados, olharam para mim e soltaram uma mui saudável gargalhada.

Ainda estou para perceber porque dizem que os alemães não têm sentido de humor.

terça-feira, abril 11, 2006

Dada

"NOW, THEREFORE, I, Dennis Highberger, Mayor of the City of Lawrence, Kansas, do hereby proclaim the days of February 4, March 28, April 1, July 15, August 2, August 7, August 16, August 26, September 18, September 22, October 1, October 17, and October 26, 2006, as 'International Dadaism Month.' "

Texto integral na Harper's de Março.

sexta-feira, abril 07, 2006

O Fim-do-mundo



A SIC comprou o programa de Jamie Oliver, um jeitoso do esparguete que só é notável por ser inglês e cozinheiro ao mesmo tempo.

Os senhores que governam, e com o pretexto mais bovino de toda a legislatura, acabam irresponsavelmente de nos dissolver o velho casamento do café com o cigarro e destruir uma cultura social de séculos.

Mas aquilo que me deixa mesmo com a ira encalacrada nos fagotes e mostra a absoluta decadência dos finlandeses da nossa sociedade é o terem transformado a melhor água mineral do mundo numa mijordice amaricada "com sabores", mais própria para clubes de aeróbica de histéricas que para curar as minhas santas ressacas.

Isto está bonito, está.

quinta-feira, abril 06, 2006

Nostalgia...


... Do tempo em que se sabia escrever.

benficas, parte dia-seguinte

E eu não disse?

quarta-feira, abril 05, 2006

"Tragam as espanholas!"

Quem chega a Espanha pelo aeroporto de Málaga, e ainda antes de chegar à zona de bagagens, é imediatamente saudado por jovens sorridentes que lhe espetam nas mãos um panfleto de uma das muitas empresas imobiliárias inglesas que dominam aquele mercado. A saturação da oferta é evidente e, cá fora, a destruição ambiental também.

Após 15 anos de peculato, construção desenfreada, tráfico de influências e crimes ecológicos, o governo espanhol dissolveu finalmente a administração autárquica de Marbella por corrupção.
Foram presos 23 membros da autarquia, incluindo vereadores da oposição.

Por cá, nomes como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais despertam a indignação de todos mas mantém-se impunes e no poder; no Algarve, dezenas de autarcas enriqueceram e destruiram a paisagem natural e urbana durante anos a fio sem nunca sofrerem quaisquer consequências.
E naquela que era até hoje uma das poucas regiões que havia sobrevivido à sanha dos patos-bravos, o Alentejo, prepara-se agora desafectação do litoral à reserva natural da costa vicentina para permitir a construção de milhares de fogos, centros comerciais e mamarrachos vários que, à imagem de Marberlla, aliciem a vinda de ainda mais hooligans em férias alcoólicas para o nosso país.

Sr.Primeiro-Ministro: e se, ao menos por um momento, fizesse jus às suas próprias palavras e trouxesse uns espanhóis ou espanholas que o ensinassem a vêr-se livre dos corruptos locais? É que, em questões de ambiente e planeamento urbano, o modelo finlandês talvez ainda esteja um bocadinho inalcançável.

benficas

"Basta empatar com golos!"
(título recolhido no Público online de hoje)

As equipas portuguesas não jogam para ganhar. Jogam porque tem de ser.
Sem dúvida, um exemplo do atavismo nacional no seu melhor.

terça-feira, abril 04, 2006

(G)RÊVE GÉNÉRALE

A Sorbonne fechou os seus portões após semanas de protestos que resultaram em danos à universidade avaliados em 1 milhão de euros.

Furioso, o seu presidente chamou aos estudantes que se manifestam contra o Contrat Première Embauche, CPE, "estúpidos e ignorantes". Justificando-se, Jean-Robert Pitte disse que os jovens franceses de agora não tinham sonhos mas ilusões: "sonhar é querer cumprir um objectivo difícil, é tentar vencer um desafio. Estes estudantes acreditam que têm direito inerente a tudo e se as coisas não lhes correm de feição então acham que a culpa só pode ser dos outros."

"Correr-lhes de feição" ali, significa a garantia de um emprego no fim do curso, por menor que seja a relevância dos currículos para o mercado de trabalho.

Tal como em França, todos os anos milhares de portugueses ingressam em licenciaturas estéreis, tendo sido a criação de muitas um efeito secundário da lei da autonomia universitária. Mas ao contrário dos seus colegas franceses, durante longuíssimos cinco anos a grande maioria destas cabeças não perderá muito tempo com detalhes destes. Ser estudante universitário é, antes de mais, um estatuto e porquanto os seus detentores consideram-se acima da coisa mundana (excepção feita para quem está em cursos de cariz pedagógico, naturalmente). (1)

Mas este estado transitório de elitismo não é a única causa da despreocupação. Apesar das semelhanças dos sistemas de ensino e de alguma mentalidade vigente há um outro factor em jogo que faz toda a diferença: a empregabilidade dos recém-licenciados.
Salvaguardas feitas, não é mais fácil encontrar empregadores em Portugal que em França mas aqui (como em boa parte do mundo), quando eles existem, dão preferência precisamente aos jovens: são mais entusiastas; mais adaptáveis; mais enérgicos; mais dispostos a sacrifícios; mais ambiciosos; mais baratos. E, sobretudo, mais fáceis de moldar na cultura da empresa.

Por que é que isto não acontece em França? A resposta não está directamente no desemprego juvenil mas naquilo que impede a sua diminuição: a inviolabilidade do emprego sénior que impede a abertura de vagas nos serviços público e promove a retracção na indústria.
A flexibilidade proposta por de Villepin para o despedimento de jovens trabalhadores vem tentar contornar as dificuldades de despedimento daqueles que já estão empregados há largos anos. Apesar das aparências, o CPE é uma medida que pretende ainda manter um sistema social que todos sabem ser insustentável mas que ninguém se atreve a destruir.

Para tanto, sacrificam quem cresceu pensando que também um dia teria acesso às mesmas garantias de emprego vitalício. Isto é, não se querendo correr o risco de provocar os privilegiados, ataca-se quem nada tem para defender com esperança que, entre mortos e feridos, alguns sobrevivam aos tais dois anos de provação (2).

__________________________
(1) Poderiamos dizer que em Portugal o sonho, se calhar por ser precoce, nem é um emprego. A ilusão começa logo findo o secundário como se pôde constatar com as manifestações que exigiam o fim da nota mínima de acesso à faculdade (!).

(2) Período agora reduzido a apenas um ano por proposta de Chirac, que é o mesmo que dizer "duas vezes o período normal de experimentação" durante o qual tanto empregador como empregado têm o direito de rescindir o contrato sem justa causa; dificilmente se compreende porque não foi imediatamente aceite...

domingo, abril 02, 2006

Onde é que eu já ouvi isto?


Castellamare del Golfo, Sicília.

São dez da manhã de um sábado de Julho, o sol já cresce em força mas ainda há tempo para a sombra de uma esplanada na pequena praça central. Ao lado da minha mesa, cinco "rapazes" de meia-idade discutem as novidades políticas dos seus jornais. Fazem-no acaloramente como todos os latinos, mas com os gestos e as vozes amaciados pela diplomacia própria dos ilhéus.
Às tantas, farto de tanta opinião, um levanta-se e diz: "Ehe! Temos mar, temos sol, boa comida, bom vinho, e [voz mais arrastada] belas mulheres!... Como haviamos de querer trabalhar?"
Todos se riem e se rendem à simplicidade do argumento. Depois, encostam-se às cadeiras em silêncio, olham para o horizonte e perdem-se por uns momentos na baía que dali se vê, com a sua água luminosa, o castelo amarelado que dá nome à vila, e o lá-vai-um preguiçoso dos barquitos que levam os turistas a conhecer as rochas da sua costa.

Onde é que eu já vi isto?

sábado, abril 01, 2006

"Guantánamo"

A que é que associam a palavra Guantánamo?

A opressão ( dupla, até ), ilegalidade, injustiça, arbitrariedade, tortura?

Pois bem, "Guantánamo" vai ser encerrada.

Mas os prisioneiros vão continuar prisioneiros, provavelmente dispersos pelas filiais que a CIA abriu em muitos países "amigos" cujas leis não obrigam ao respeito pelos direitos humanos.

Porque é que "Guantánamo" vai ser encerrada?

A que é que associam a palavra Guantánamo?

Nem de propósito!

Freitas, o gangmaster

Freitas voou para o Canadá para reclamar "justiça", exigir "explicações", contratar "advogados", et c., prometendo não se vir embora daquele país sem ter resolvido o assunto.

Depois de o conseguirem convencer de que os migrantes ilegais serão mesmo deportados, Freitas decidiu apelar ao instinto primário dos seus eleitores, insinuando que a administração canadiana teria sido menos exigente para com os espanhóis (e gregos, italianos, ...) na mesma situação.

Para cúmulo, e em desespero por argumentos que justificassem a sua posição, encontrou-se com empresários portugueses legais que lhe explicaram a dependência que os seus negócios tinham da mão-de-obra dos seus compatriotas ilegais.

Entradas de leão, saídas de sendeiro. Pelo caminho, um discurso hispanófobo para consumo interno e a mensagem de que o MNE aprova a exploração de trabalho ilegal noutros países.

Que será que os seus colegas da Administração Interna e do Trabalho e Segurança Social pensarão disto?

Armários, gavetas e etiquetas

É comum as pessoas correrem a classificar os outros quando ouvem destes uma opinião de que discordam.

Principalmente se essa opinião de alguma forma vai contra a ortodoxia do momento.

A etiquetação, engavetamento, ou arrumação, é uma forma de preguiça mental, que serve para afastarmos quaisquer dúvidas que a "heresia" faça surgir na nossa mente, de outra forma descansada e afastada de angústias existenciais, prejudiciais à saúde, nomeadamente ao coração e ao colesterol, para não falar das temidas depressões. ( Ai, as frases longas )

Ao etiquetarmos alguém, baseados numa ideia exposta, estamos, claro, a fazer uma generalização abusiva mas o principal efeito da etiquetação é a descredibilização do outro e a criação de um alvo fácil, que permite, a partir daí, a recusa de qualquer ideia proveniente da fonte etiquetada.

Independentemente da validade da ideia.

Quantas vezes não ouvimos frases como "Fulano diz isto mas ele é não sei o quê?" ( e não apenas no "Gato Fedorento" )?

Mas a eficácia da criação de "alvos" permitida pelo engavetamento não deve ser, de forma alguma, menosprezada.

No século XX, o engavetamento foi usado de forma contrária para criar formas de identificação com um grupo: os fascistas, nazis e comunistas foram especialistas nesta práctica.

Como se sabe, a coisa passou de moda e agora, grupos com intenções semelhantes usam a estratégia contrária.

Assim, fala-se dos "neo-conservadores" mas nenhum neo-conservador se admite como tal. A admissão do nome implicava a criação de um alvo e a própria organização da estrutura, como aliás, das modernas estruturas terroristas, não é rígida nem hierárquica mas funciona antes, em regime de "franchising", embora sem um nome associado, porque a intenção é, neste caso, dificultar o reconhecimento.

O franchising neo-conservador, que infiltrou ( tal como dos outros, Portugal não precisa destes submarinos que, ainda por cima, tal como os antigos, não submergem ), por exemplo, a comissão eleitoral de Aníbal Silva, ou o franchising da Al-Qaeda, são dois exemplos deste "pós-modernismo".

Por outro lado, vemos muita gente de esquerda a desistir de "salvar o mundo" mas a aceitar o engavetamento em "causas", a que eu chamarei "parciais", de melhoria da sociedade:

Protecção dos animais
Condição feminina
Amamentação natural
Direitos dos homossexuais, etc.
Outras "causas" e questões "fracturantes"

O poder, embevecido, agradece. Assim divididos, são mais fáceis de ser utilizados quando convém e dejectados quando não interessa.

Tudo isto passa essencialmente por um processo de simplificação da linguagem, suportado pelos media e baseado no declínio da popularidade da expressão escrita.

Houve um escritor do século XX que descreveu, com grande poder de antecipação, a eficácia deste processo : George Orwell, no seu "1984".

Um homem comum, como o etiquetou um dia, numa mistura de desdém e admiração, um simpático "facho" que anda por aí a escrever colunas em jornais e revistas em vez de administrar ( tachar ) as empresas da família.

Goddard seguiu Orwell, no seu "Farenheit 451".

Enfim, comida para pensar.

Serviço público de televisão

A RTP passou esta semana, a horas impróprias, é verdade, uma fantástica série de três episódios, baseada na trilogia "To the ends of the Earth", de William Golding.

Proclamo a série, produzida pela BBC, claro, como a melhor série que passou na televisão Portuguesa nos últimos dez anos.

Duas televisões de serviço público fizeram aquilo que só elas fazem: excelência absoluta, paga por todos, para benefício de quem quer, percebe, ou pode ( estar acordado até à uma da manhã ).

Ainda bem!

Bendito sono perdido.

Se sair o vídeo, avisem-me.

sexta-feira, março 31, 2006

Almada Negreiros, 2-1

"Ó burguesia! Ó ideal com i pequeno!

Ó ideal ricocó dos Mendes e dos Possidónios!

Ó cofre de indigentes

Cuja personalidade é moral de todos

Ó geral da mediocridade!

Ó choque ignóbil do vulgar, protagonista do normal!

Ó horror! Os burgueses de Portugal

Têm pior que os outros

O serem portugueses!"

segunda-feira, março 27, 2006

vítimas de "racismos"



Na África do Sul, ocorrem em média mais de 120 homicídios e tentativas de homicídio POR DIA e Joanesburgo, onde alguma parte dos cidadãos de origem portuguesa vive, é o epicentro desta violência.
Os crimes são cometidos, em larga maioria, pelos negros que vivem na miséria das townships mas estes raramente escolhem as suas vítimas com base na côr ou nacionalidade dos seus antepassados.
No entanto, e porque no fundo nos estamos todos nas tintas para o que se passa do outro lado do mundo, a notícia deste quotidiano assim relatada carece de impacto. Daí que nos seja apresentada pelo jornalismo imediatista truncada do seu contexto, para aproveitamento máximo da natural empatia que cada um tem por um seu compatriota.

(isto tem as suas consequências, claro, e o espectáculo de circo levado ao público lisboeta pelo partido renovador nacional na Alameda D.Afonso Henriques, há algum tempo atrás, serviu para mostrá-lo)

À semelhança do caso anterior, quando chegou a vez de noticiar a ''crise'' dos emigrantes no Canadá voltou a ser dada aos portugueses a informação em formato de estalo.

Todos os anos, inúmeros países do hemisfério norte, incluindo Portugal, expulsam do seu território milhares de migrantes de todas as nacionalidades pelas mais variadíssimas razões. Em particular, o Canadá deportou 11 mil estrangeiros em 2005, dos quais apenas 409 eram portugueses (para quem gosta de contas, não chega a 4% do total).

Mas a imagem que passou foi a de que, não contentes em nos tirarem o bacalhau, os estupores dos canadianos não nos querem lá. E para cúmulo, são eficientes a deportar.

O curioso é que, apesar da afronta, parece que em tempo de paz a grande maioria dos eleitores não sabe nem quer saber como funcionam os consulados de Portugal no mundo (muito mal). O assunto exterior, simplesmente, não lhes diz respeito.
Mas não lhes diz respeito o MNE como parece que não lhes diz respeito outros ministérios. É que, com tanta paz, a classe "média" portuguesa também parece ignorar a emigração crescente e as razões que geram essa fuga para o estrangeiro.
Aparentemente, é problema de gente que também não lhe interessa.

Nestes momentos, o que interessa é o patriotismo parolo, e é dever de cada um berrar contra o dito racismo canadiano ou sul-africano.
Desde que não se passe dali, claro, que a nossa vida não é isto.

domingo, março 26, 2006

Liberalices

A malta auto-proclamada liberal ficou em polvorosa com as parangonas: imagine-se que os ranhosos dos checos já eram mais ricos que nós!
Então andámos para aqui a sugar subsídios para a reestruturação do ''tecido empresarial'' desde os anos oitenta e agora vêm aqueles ingratos, que até precisaram que lhes mandássemos rosas ou não faziam a revolução, meter-nos no fundo da escala social da Europa em meia-dúzia de anos?

A culpa, está claro, é do socialismo, que os rapazes da Boémia tão atempadamente extirparam da sua constituição. Do Estado em geral e das golden shares em particular. Da Universidade, porque as melhores do mundo são privadas. Do Bloco de Esquerda, esse verdadeiro contra-poder. Do Jorge Sampaio, porque sim.
E, para alguns lunáticos, o impedimento à Riqueza da Nação está encastrado nos princípios da Democracia.

Aos feiticeiros do mercado e seus aprendizes, deixo um conselho desinteressado: em situações assim aviltantes há que manter a calma e olhar para o lado positivo da coisa; pelo menos, podemos ficar descansados que daquele país não virão mais imigrantes roubar-nos as mulheres e o dinheiro dos impostos.

As costureirinhas


Porque se perde tanto tempo discutindo o acessório?
Que interessa a mesa, o sofá, as vinte e quatro bandeiras e o arraiolos do presidente?
Quando é que os media portugueses eliminam a costela 'Caras' do seus editoriais?
Para quando o fim da conversa de salão que quase todos repetem às multidões com a intimidade de um bordão de mau cómico?

É claro que também há quem se convença que a sua tendência para a costura é vocação diplomática, no melhor dos casos, ou de místico, no pior. E vá de interpretar ao pior estilo danbrowniano o virote da casaca do ministro e o número de malmequéres plantados à porta do cavalo de Belém.

Que palhaçada.

segunda-feira, março 20, 2006

Ainda o artigo de MST: a explicação

Peguem no vosso extracto bancário.

Listem as despesas obrigatórias recorrentes que aí constam:

Seguros ( vida, automóvel, responsabilidade civil, paredes, roubo, empregada ), luz, água, gás, hipermercado, gasolina, portagens, condomínio, telefone, telemóvel, internet, cabo, ginásio, clube de vídeo, o que quiserem.

A prestação da casa, de certa forma, não conta. O cartão de crédito também não.

Vocês pagam estas contas a pronto, e muitas vezes através de débito directo na vossa conta.

Muitas destas contas são fixas, sendo que aqui até existe uma vantagem mútua.

Outras são regulares.

As empresas que recebem este dinheiro têm um cash flow elevado e rendimentos fixos ( não sou especialista em economia, finanças ou gestão ).

Mas estas empresas, tirando os ordenados, pagam muitas vezes as suas despesas a 90 dias ou mais.

As pessoas são aqui uma chatice.

Com a livre circulação de capitais, estas empresas podem aplicar financeiramente o seu cash flow nas economias emergentes, que crescem a ritmos extremamente elevados, ao contrário da nossa economia decrépita. O risco destas aplicações, convenientemente diversificadas, é moderado, dada a dimensão, "inércia" positiva do crescimento, potencial destes mercados e aumento exponencial da procura de matérias primas e commodities necessárias ao crescimento, como o cimento e os produtos extraídos da madeira.

Arriscado mesmo é aplicar esse cash flow em depósitos bancários em Portugal, a taxas de juro em crescimento mas muito pouco remuneradoras.

Isto explica em parte o desempenho positivo de muitos dos títulos de referência da bolsa de Lisboa.

As empresas referidas têm sede do nosso dinheiro porque pagamos a pronto. Elas, que são poderosas, pagam a prazo aos fornecedores.

Em Inglaterra, pagamentos a mais de 90 dias são inaceitáveis.

Mas em Portugal isto é legítimo e legal. É legítimo porque o pior pagador é o estado, que paga a 180 dias e mais. Há até casos de pagamentos a 600! dias em ministérios tutelados por ministros que, na sua vida privada se fartavam de queixar de que o estado não é uma pessoa de bem.

Este sistema prejudica seriamente as pequenas empresas, aflitas com o cash flow, dependentes dos bancos para sobreviver e incapazes de investir.

Logo aquelas que mais poderiam contribuir para renovar o tecido produtivo nacional.

Com esta atitude o estado favorece a concentração da riqueza e prejudica o renascimento da economia.

Não há plano tecnológico que "safe" isto.

Por outro lado, num país pobre e com o desemprego a aumentar, os salários não acompanham o crescimento dos lucros das empresas e a economia estagna ainda mais , devido ao decréscimo do consumo interno.

Novamente perdem as pequenas empresas e os trabalhadores por conta de outrém.

As grandes empresas não investem em Portugal, não há fundos de capital de risco, ou há muito poucos e só para os amigos.

De qualquer forma os pequenos só muito a custo sobrevivem nesta selva, não falando de ficarem grandes.

Depois há o "inbreeding", cancro das nossas universidades, que se aplica também ao mundo empresarial: precisas de já lá estar dentro e quem vem de fora, com sangue novo, não é bem vindo. Só se safa se fôr grande, e mesmo assim...

Os conhecimentos e laços familiares contam excessivamente neste país periférico e provinciano.

Um país pobre, com um desemprego crescente, salários baixos, protecção social ineficaz, educação medíocre.

Mas com um óptimo clima, mar e boa comida!

O paraíso para quem é rico.

A "pequena Suíça", de 73, está de volta.

E não se queixem: Marcello era bem melhor que Salazar.

domingo, março 19, 2006

Mercado de electricidade??

Deixem-me rir.

Esta semana ocorreu a primeira ( suponho ) reunião da associação dos produtores de electricidade e a conclusão foi a de que a electricidade vai aumentar.

Em entrevista no final da reunião,o presidente da associação referiu que a electricidade vai aumentar porque o petróleo aumentou, por causa do protocolo de Quioto, porque as renováveis são caras e, imagine-se, porque são subsidiadas (?).

Enfim, a electricidade vai aumentar. Porquê? Porque, do ponto de vista do consumidor final não há mercado.

Há um único distribuidor, que compra a todos os produtores. Estes, rapidamente aprenderam a agir em cartel.

A única distribuidora vai passar a fazer os consumidores finais pagar a factura por inteiro.

Apesar de ser controlada pelo estado e de ter lucros fabulosos, age como agiria uma empresa privada que detém o monopólio de um bem de consumo obrigatório. Poruqe está cotada em bolsa, claro.

Como se vê, a privatização de sectores como a electricidade faz aumentar o preço desta no consumidor final. A diminuição da qualidade do serviço virá a seguir.

Porquê? Bem, vou limitar-me a dizer que é uma constatação empírica.

Na verdade é porque não há, nem pode haver ( devido às especificidades do sector ) mercado.

Eu repito: não há mercado!

Miguel Sousa Tavares ontem no Expresso

Leram ( Ou devo dizer Lêste, mais adequado à cardinalidade de leitores deste blog )?

Pois é.

Brilhante no conteúdo e na escrita, chegando a ser hilariante na referência ao vpv enquanto monumento nacional que deve ser subsidiado.

Deixo a outros a tarefa árdua e importante de identificar a gaveta ideológica em que se deve colocar o MST, à luz do artigo que ele escreveu ontem.

sábado, março 18, 2006

Para quem ainda não percebeu



No DN de hoje, um pequeno lamiré contra a russificação da nossa economia.
É poucochinho, talvez tímido, mas já é alguma coisa.

sexta-feira, março 17, 2006

Igualdade...

O nosso presidente ( vénia ) afirmou na campanha eleitoral ( cito de memória ): "Duas pessoas igualmente inteligentes e igualmente informadas chegam naturalmente às mesmas conclusões".

Numa publicação recente, um gestor estrangeiro de nomeada propôs uma versão mais "fraca" da "máxima": "Duas pessoas igualmente inteligentes e igualmente informadas chegam geralmente às mesmas conclusões".

Este aforismo está na moda e o facto de presidentes-economistas e gestores internacionais a utilizaram em circunstâncias diferentes e com um intervalo de tempo pequeno demostra que andam "igualmente informados".

É mesmo possível que sejam "igualmente inteligentes".

Há muito tempo que eu tenho "para mim" uma máxima "semelhante": "Duas pessoas razoavelmente inteligentes, igualmente informadas, igualmente honestas e igualmente ambiciosas chegam geralmente às mesmas conclusões".

Na verdade não há grande diferença. Que bom! Sou quase um presidente-economista ou um gestor internacional.

Só me falta... a massçarooca!

Tudo se equilibra

É uma daquelas verdades insofismáveis que me deixa de bem com a vida.

Tudo se equilibra!

Com ela me deito e com ela adormeço, consolado.

Tudo se equilibra. O yin e yan dos Chineses.

Uns comem um frango, outros não comem nenhum ( e não apanham gripe das aves ).

Uns trabalham demais, outros não fazem nada.

Uns nascem ricos, outros na miséria.

Há quem explore e há quem seja explorado.

Há quem roube e há quem é roubado.

Sempre que alguém suja há alguém que limpa.

Etecetera!

Enfim, verdades simples, tautologias eternas.

Com elas me deito, com elas me deleito, com elas adormeço.

+ uma: OPA da SONAE sobre a PT





















Esperemos que a Sonae consiga melhorar o serviço ao cliente.

Mercado, mercado, ó mercado! Pois pois.

A não esquecer

Em Portugal, evitar a cerveja. Em Inglaterra, evitar o vinho.
Céus, que dor-de-cabeça.