domingo, maio 14, 2006
sábado, maio 13, 2006
Feios, porcos, e maus


DEPOIS DE ANOS DE ABANDONO E FOGOS, O QUE RESTA DA POPULAÇÃO DE VILA DE REI "aguarda com expectativa" a chegada de dois tipos de viajantes muito distintos: os primeiros vieram do Brasil, em grupos familiares, e fizeram milhares de quilómetros para chegar a uma terra desertificada, onde os portugueses já não querem morar ou trabalhar. Vêm de coração aberto, com esperança no futuro e vontade de criar raízes entre nós, sem preconceitos.
São gente próxima, homens, mulheres e crianças, válidos e precisos.
O segundo grupo partiu de Lisboa às 14h00 de hoje, e demorará poucas horas lá chegar. Vêm em matilha, e da terra onde irão por algumas horas berrar para as câmaras conhecem pouco mais que o nome. Não querem lá viver, e com nada pretendem contribuir. Vêm absurdos, com o coração carregado de frustrações desconhecidas e o vício de tudo odiar.
São animais de sangue frio e carne podre, homúnculos fora de prazo, estranhos e inúteis.
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dorean paxorales
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O código escatológico

HÁ CERCA DE TRÊS ANOS ATRÁS, descobri o "The Da Vinci Code" em casa de um amigo, naquela estante atrás da porta onde ele havia acumulado o espólio adquirido em mais de 30 anos de distracções de viagem.
Entre comboios e idas à casa-de-banho, a novela não duraria uma semana nas minhas mãos.
Em parte, a culpa não é do autor: não me eram estranhas algumas das heresias por lá misturadas - no que me faz espantar tanto espanto das gentes -, deixando por isso pouca liberdade para qualquer ansiedade policial.
Sem preconceito de erudição, confesso que não era literatura à qual estivesse habituado mas, e ao fim de uma curta análise, cheguei a duas conclusões: número um, confirmei o conhecimento geral de que os escritos de aeroporto são criados na esperança de futura adaptação ao (tele-)cinema; número dois, o livro do sr.Brown era uma merda.
Quadro: "Maria Magdalena" de Leonardo de Vinci. Foto ©AP/Scanpix
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dorean paxorales
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16:46
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sexta-feira, maio 12, 2006
Estava a pedir de mais
Um dia destes publico mais fotos.
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Aardvark
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08:58
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Parabéns!!
Parabéns bebé, pelos teus dois anos!
O papá vai a caminho!
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Aardvark
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08:53
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Enquanto estive ausente
Mto trabalho. Pouco tempo pá famelga!
Depois ele há certos países de onde não se consegue aceder aos blogs. Porque será? Problemas técnicos?
Não há dúvida que o país onde é mais difícil entrar é mesmo a Amrika!
Um amigo meu esteve na China e contou-me estas coisas:
A China é um país simpático. Os polícias são simpáticos e despreoucupados e o ambiente geral é de segurança e descontração.
Pelo menos em Pequim.
Uma nuvem de smog paira permanentemente sobre Pequim. Só se vê o sol depois de um dia de chuva. E lá, passam-se meses sem que chova.
A China é o paraíso para um profissional altamente qualificado: salários altíssimos, custo de vida baixíssimo, segurança. ( E o smog claro ).
Um ocidental faz uma vida de nababo e amealha uma ótimia reforma. Trabalha que nem um cão, claro, mas na Europa também trabalharia ( pelo menos nas mesmas funções )
Consegue-se regatear uma boa camisa por 3 euros, umas meias por 10 cêntimos. ( tudo bem regateado. Para os "narigudos" é mais caro. Deve-se pedir a um amigo Chinês )
Não há falta de trabalho para gestores e engenheiros "narigudos" ( os ocidentais, para eles, da mesma forma que eles são os "amarelos" e "olhos-em-bico" para nós.
Os Chinocas são simpáticos mas não sabem dizer não nem aceitam um não.
A China é o futuro, pelo menos o mais próximo. Toda a gente está lá a tentar ganhar dinheiro. Nem todos conseguem.
Mas as oportunidades são infinitas.
O sucesso local do Starbucks justifica-se pelo facto de eles não saberem o que é café.
As tradições e história familiar dos Chineses batem por knock-out as tradições das melhores famílias euopeias, quer em antiguidade ( dos livros genealógicos ), quer em tradições ( códigos escritos de conduta familiar que indicam, entre outros, a forma como se deve identificar cada geração da família )
A comida em Pequim é óptima e faz a fusão do melhor da comida de todas as regiões da China.
O meu amigo aconselha a visita à Grande Muralha, a hora e meia de distância de Pequim e ao palácio de verão.
Não esteve na cidade proibida nem em Tianamen.
O clima geral é de optimismo e a China de hoje é uma cópia em grande dos grandes tigres da América Latina nos anos 70: Argentina, Chile, Portugal. Ditadura, progresso económico, optimismo e desigualdade social.
A cerveja e o vinho são caros. O queijo e os enchidos são maus.
A cidade está cheia de Alemães, Americanos e Franceses,
Os Ingleses preferem Hong-Kong.
O serviço "Conexion", da Boeing, é excelente, mesmo num Airbus!
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Aardvark
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08:21
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quarta-feira, maio 10, 2006
"Visão" exemplar

MAIS CEDO OU MAIS TARDE, O MINISTRO DA SAÚDE VAI MANDAR FECHAR o bloco de partos do hospital de Lamego "por falta de médicos especializados".
Enquanto isso, a Ordem dos Médicos mantém a sua luta contra a formação de mais colegas no país, nomeadamente, e em conluio com as universidades do Porto e de Aveiro, usando de toda a influência ao seu alcance para impedir a constituição de uma faculdade de medicina em Viseu - onde há o tal hospital, um politécnico que até tem enfermagem e uma escola de tecnologia onde já se faz I&D em instrumentação médica...
Sem dúvida, um caso daqueles de coordenação ministerial a todos os títulos exemplar: o ministério da saúde encerra um serviço público por não haver obstretas numa cidade onde o ministro da educação não autoriza que se produzam médicos nem que o Gago tussa.
Mas esta situação, dada a proximidade dos centros do litoral (*), e também por não passar de uma infeliz coincidência entre privilégios intocáveis e cortes na despesa prevista, é magro espelho da desfaçatez com que o Estado, desde sempre, largou o interior do território e as suas populações à sua sorte. Só que, antes, os governos eram apenas culpados de desinteresse ou inacção; hoje tornaram-se os principais promotores do desinvestimento e do abandono.
Que é o mesmo que dizer que, a leste de Lamego, e para que o déficite se cumpra, a desertificação continua.
a foto é do marco geodésico que assinala o centro geográfico de Portugal continental, nas proximidades de Vila de Rei
_____________________________________________
(*) Há sete escolas de medicina no país, e à excepção da Covilhã (onde só há pós-graduações), concentram-se à volta das principais cidades do litoral: duas em Lisboa e duas no Porto; uma em Coimbra e outra em Braga.
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13:51
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segunda-feira, maio 08, 2006
O bode expiatório

NÃO SEI SE ZACARIAS MOUSSAOUI É CULPADO pelos milhares de mortos nos atentados de 9 de Setembro de 2001.
Não saberei dizer com toda a certeza, e poucos saberão, se o homem pertencerá mesmo à omnipresente e omnipotente Al-Qaeda. Se calhar não passa de mais um pobre ansioso, como tantos nos dias que correm, fugindo para a frente de um destino extremo.
Também não saberei se o tribunal de Alexandria apenas quis evitar fabricar um mártir ou castigar o sr.Moussaoui, não lhe satisfazendo essa patética vontade de morrer.
Só sei que foi um dia feliz esse em que, num país com um currículo de direitos humanos pouco exemplar, um homem diabolizado pela opinião pública americana e tornado objecto de contrição da administração não foi condenado à pena morte.
Talvez esteja a ser ingénuo mas gostava de acreditar que se abria aqui um precedente.
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19:08
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quarta-feira, maio 03, 2006
Vírus e bactérias

DESDE FEVEREIRO MORRERAM QUASE MIL PESSOAS em Angola das mais de 2000 já infectadas pela bactéria da cólera, Vibrio cholerae.
Apesar da violência do surto e da sua notória incapacidade para o combater, o governo angolano recusou qualquer ajuda médica, nomeadamente do governo português.
A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral. São factores essenciais para a disseminação da doença condições deficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada.
Água que um governo que enriquece com o petróleo de Cabinda aparentemente não é capaz de providenciar à sua população. Como há mais de uma década que não há eleições, não precisa.
Entretanto morreram quase mil pessoas em dois meses e meio. Talvez seja dez vezes mais que as pandemias malucas conseguiram em três anos mas, afinal de contas, quem é que se rala com a morte de um africano ou outro?
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11:43
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segunda-feira, maio 01, 2006
A cenoura, o cavaco, a chave e o cravo dela

UM EX-COMPANHEIRO DE HUGO CHÁVEZ, para ilustrar os dotes de estratego brilhante do presidente da Venezuela, fazia este comentário a respeito do programa Aló, Presidente (uma espécie de Conversas em família do regime venzuelano):
"Chávez pode muito bem começar a sua 'conversa' com o povo mostrando às câmaras uma cenoura ao mesmo tempo que lhe chama 'beterraba'. No dia seguinte, todos os jornais da oposição o insultarão de idiota para baixo, e que é tão incompetente que nem sabe o que é uma cenoura!
O assunto arrastar-se-á por dias. E no fim, o presidente pensará para si próprio: Nem acredito que consegui pôr esta gente a discutir cenouras e beterrabas durante uma semana inteira!".
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19:34
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Rosa Casaca

DIZEM AS REGRAS DO PARLAMENTO EUROPEU que os deputados devem “evitar aceitar ofertas ou benefícios aquando no exercício das suas funções”.
E lá tentar evitar, é possível que os senhores deputados tentem; mas parece que em certas ocasiões a recusa torna-se complicada.
Este será, provavelmente, o caso de Paulo Casaca, eurodeputado eleito pelo P.S.: enquanto membro da Delegação para as Relações com o Irão e presidente da Delegação para as relações com a Assembleia Parlamentar da NATO, recebeu vários presentes do Conselho Nacional de Resistência do Irão, uma organização considerada ‘terrorista’ pelo Departamento de Estado americano e, sob os nomes de Organização Mujaedine do Povo do Irão, OMPI, e Mojahedin-e-Khalq, também inserida nas listas negras da União Europeia.
Segundo a sua própria declaração de interesses financeiros, um documento criado por aquele parlamento visando aumentar a transparência nas actividades dos seus membros, o sr. Casaca aceitou “como oferta por ocasião de encontros com dirigentes da resistência iraniana” (sic), entre outras coisas: quatro tapetes persas; uma peça de cerâmica de Natanz; uma gravura de 1m x 1m (?); e um relógio de pulso Hugo Boss.
Mas Paulo Casaca não será o único beneficiário destes resistentes iranianos e tudo indica que tal em nada depende das orientações políticas dos excelsos representantes: o socialista partilha este entusiasmo pela arte oriental com o deputado pelo partido conservador britânico Struan Stevenson, também ele entretanto contemplado com pinturas e tapetes persas.
Presumo que o sr. Casaca, durante as suas acções de legitimização da OMPI junto da União Europeia, nunca perde de vista as inevitáveis diferenças culturais que separam a sua integridade profissional dos interesses iranianos; e deverá ser, concerteza, por isso que sentirá devidamente justificados aqueles pequenos desvios com as mais puras razões de diplomacia.
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17:08
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Al-Qaeda e Islão
Não deixeis que o ódio da populaça – porque vos impediram de chegar à Mesquita Sagrada – vos incite à transgressão. Auxiliai-vos na virtude e na piedade. Não vos auxilieis mutuamente no pecado e na hostilidade, mas temei a Deus, porque Deus é severíssimo no castigo. Al-Corão 5:2
Auxílio prometido até hoje pela Al-Qaeda às vítimas do terremoto no Paquistão: USD 0.00.
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16:47
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quinta-feira, abril 27, 2006
Acabou-se-me a pachorra para...
... restaurantes com "cozinha de fusão".
A imaginação daquela gente não tem limites: memorizaram os dois pratos que passaram a vida a comer nos bons tempos de Corfú e juntaram-lhe curgetes e cerveja belga. Abrem portas em antigas tascas de zona histórica e descaracterizam-nas à moda "mediterrânica".
A lista é igual em todos os estabelecimentos e é independente das variadas nacionalidades dos proprietários (embora os nórdicos ainda tenham desculpa, por razões óbvias): curgetes salteadas com cús-cús e salada de curgetes com feta e húmos. Também há "pastas" e "risotos" com molho de leffe e as azeitonas são intragáveis.
Se lhes dessem um telecomando para as as mãos, o serviço de mesa era igual ao de um pizza hut com velas.
A primeira ironia é que tanto o pessoal da casa como os clientes, apesar da clonagem, são aquele tipo de rapaziada sempre pronta para vociferar contra a globalização e o fast food.
A segunda é que os odiados burgessos da Bica do Sapato estarão talvez à mesma hora a mascar as mesmas nhanhas, partilhando sem dúvida da mesma vertigem "cosmopolita".
Blhegue. 
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segunda-feira, abril 24, 2006
Os Sulitários
A Fundação Alentejo-Terra Mãe
tem o prazer de convidar V. Exª para a apresentação do livro
OS SULITÁRIOS
de
JOÃO FRANCISCO VILHENA | PAULO BARRIGA
7 DE MAIO, 16H00
SALÃO DE EXPOSIÇÕES
FUNDAÇÃO ALENTEJO-TERRA MÃE
RUA DOS PENEDOS, Nº13-B, ÉVORA
Apresentação por
António Mega Ferreira
a inauguração da exposição de fotografia "Os Sulitários"
conta com a actuação do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento.
Na ocasião, será servido um "Alentejo de Honra".
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15:13
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800 milhões de libras

É o valor extra necessário este ano para manter a presença militar britânica no Iraque.
É também o tamanho do buraco orçamental do National Health Service.
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sexta-feira, abril 21, 2006
Influenza, o estado da nossa ignorância

O Diário de Notícias alertou-nos na sexta-feira para o facto de Portugal ser "o país menos preparado" para a grande praga que está aí a rebentar, não tarda nada.
O Público, por seu turno, e no mesmo dia, volta a anunciar que a "pandemia é inevitável", fazendo o favor de se apoiar num artigo da revista Science que não traz menção a nenhuma inevitabilidade.
O que parece realmente inevitável no pânico mediático é referência constante aos antivirais, Tamiflu (Roche) e Relenza (GlaxoSmithKline), esses dois únicos medicamentos comprovadamente miraculosos na cura de qualquer gripe das galinhas e dos pintassilgos.
O que já parece pouco interessante realçar são os factos de uma infecção [ainda?] sem transmissão humana: em 3 anos de liberdade, este vírus megalómano já conseguiu infectar, a partir dos frangos, um número absolutamente assustador de 194 vítimas humanas a nível mundial (quase duzentas!), das quais morreram, vejam bem, pouco menos de metade.
Há aqui um divórcio nítido entre o que está escrito na imprensa científica e o frete que os jornalistas em questão acabaram por fazer às companhias farmacêuticas. Na melhor das hipóteses, os senhores que trabalham nos média não sabem ler em inglês. Na pior, são papagaios que se limitam a repetir o dogma da pandemia, no absoluto desrespeito por um público que, muitas vezes, deles depende para a compreensão de assuntos complexos.
Para quem quiser saber mais, transcrevo aqui a introdução à célebre edição especial de 21 de Abril da citada Science, apropriadamente intitulada "Influenza, o estado da nossa ignorância" (texto integral em Vol. 312. no. 5772, p. 379):
"Introduction to special issue
Influenza: The State of Our Ignorance
Caroline Ash and Leslie Roberts
The startling spread of H5N1 across much of the globe highlights our vulnerability to the emergence of novel subtypes of influenza virus. Yet despite our fears of pandemic human disease, H5N1 is primarily a disease of birds. Olsen and colleagues (p. 384) outline the unseen network of influenza among migratory birds that spans Earth. H5N1 has engendered alarm not only because it is unusually virulent, laying waste to poultry and causing severe economic losses for farmers, but also because it can, with some difficulty, infect humans and other mammals. So far, the virus has killed more than half of the nearly 200 people known to have been infected. Kuiken and colleagues (p. 394) explore the routes through the obstacles to interspecies transmission (the host species barrier) of viruses. Their analysis focuses on which adaptations are needed to facilitate bird-to-human transfer of H5N1. Examples are provided by Shinya* and in a Brevia by van Riel et al. (p. 399). These authors show that the virus preferentially binds to cell types bearing specific surface receptors found deep in the lungs, which may partly explain its poor human-to-human transmissibility. (...)"
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13:53
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quinta-feira, abril 20, 2006
Pandemanias

Escreveu Pedro Rolo Duarte esta semana: “Apesar das polémicas em que se envolveu nos últimos anos, Clara é reconhecidamente uma cientista de mérito, professora universitária, e tem um extenso trabalho desenvolvido em Portugal e nos Estados Unidos.”
Procurei no PubMed.
A última vez que Pinto-Correia C publicou foi na Perspectives in Biology and Medicine, em 1999 e chamava-se o artigo “Strange tales of small men: homunculi in reproduction”. Antes disso, dez artigos espalhados em revistas igualmente obscuras e, na maior parte dos casos, especializadas na área de interesse da bióloga e escritora, a espermatogénese.
Lá que a senhora tem o dom do mediatismo, ninguém o nega. Que será o supra-sumo das ciência biológicas em Portugal, já não se poderá garantir. Mas para o que é, pouco interessa.
O que tem realmente interesse nesta história é o facto de alguém, que apesar de tudo provém do meio académico, neste país de ignorantes e hipocondríacos ter levantado a dúvida quanto às razões que poderiam assistir à constante publicitação de novas patologias pandémicas e à forma como as medidas com que se as combatem são apresentadas à opinião pública.
Como foi dali que apropriadamente veio a lebre, vamos aos Estados Unidos e à gripe.
O Departament of Health and Human Services, DHHS, leva a cabo desde os anos oitenta uma campanha permanente de intimidação do público norte-americano com vista a promover as vacinas e o consumo de medicamentos contra a gripe.
Digo "intimidação" porque que se trata do uso consciente de informações falsas por parte de uma entidade federal com o objectivo de condicionar o comportamento e os hábitos de consumo dos cidadãos através do medo.
No sítio do Centers for Disease Control and Prevention escreve-se que 200.000 americanos são internados nos hospitais "por complicações associadas à gripe". O que o dito departamento não diz é que, em mais de oitenta por cento dos casos, os tais internamentos se referem a idosos ou a enfermos cujo estado de debilitação foi provocado por outras doenças.
Mas a pior mentira oferecida à opinião pública norte-americana é a de que 36.000 seus compatriotas morreriam todos os anos "por causa da gripe". De facto, e em muitas ocasiões até já ouvi este dado precedido da frase "a gripe e a pneumonia são a sétima causa de morte [prematura?] nos Estados Unidos". Acontece que, mais uma vez, aquele departamento de estado joga uma falácia: das mais de trinta mil mortes apontadas só 1200 poderiam atribuídas à infecção por influenza; o restante número reporta-se à pneumonia clássica.
Agora atente-se à política de vacinação recomendada pelo DHHS: até Outubro de 2005 estavam definidos grupos de risco (segundo metodologia clássica, e.g., a partir dos 65, doentes crónicos, bébés, et c.), os quais deveria ser vacinados contra o influenza; mas a partir daquela data, TODA a população deverá vacinar-se.
Mas no fim das contas, o secretário de defesa americano D. Rumsfeld detém ou não parte, ou todo, da empresa que produz o fantástico "tamiflu"? E ainda que assim seja, essa panacéia é eficaz?
As respostas são "Não sei" e "Até é capaz de ser".
Agora se será necessário tomar estas vacinas e medicamentos por causa das gripes que matam meio-mundo e arredores, isso já outra história.
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domingo, abril 16, 2006
O estranho caso dos bébés desaparecidos

António Bagão Félix achou que hoje seria um bom dia para comentar as recentes alterações às disposições do registo civil de nascimentos em Espanha e que passam a designar "pai" e "mãe", respectivamente, "progenitor A e B".
A partir daí, o economista alarga a crítica moral a todos os domínios onde julga que o seu modelo de Família corre perigo lançando um ataque que presumo "preemptivo" (1) contra futuras réplicas nacionais de uma legislação espanhola a qual, por fatalismo, gostamos de prevêr sempre mais avançada: "Imagino já (...) as barrigas de aluguer, a criação de embriões excedentários, a fecundação heteróloga ou até a inseminação post mortem, (...)"
(2).
Acredito que haverá muita gente em Portugal que concordará com a análise medieval do sr. Félix; a maioria da nossa população não beneficiou, tal como ele, de uma boa formação científica e olha para as práticas médicas actuais com a paranóia do aldeão de antanho que apanhava um alquímico em plena laboração.
Mas ao querer fazer uso dos nossos medos primários, o sr. Félix, conscientemente ou não, debita um apocalipse errado: em particular, os embriões excedentários são elemento de redundância no procedimento de fecundação assistida e, como tal, contribuição indispensável para que aquele seja bem sucedido.
Aquilo que se deveria temer seria a perda de controlo civil sobre essa (e outras) prática médica, algo que só será possível se persistirmos em considerar qualquer tribuno com aspirações mais ou menos moralistas como oráculo de um conhecimento o qual, por ser demasiado complexo, exige maior preparação que aquela que satisfaz as necessidades políticas do mesmo.
Ironicamente, o descontrolo que levaria à "produção" de embriões com fins comerciais seria mais facilmente atingido no paraíso capitalista com o qual alguns amigos do sr. Félix sonham. Mas daí não parece o ex-governante compreender haver motivo para medo.
_____________________________________________________
(1) Também já eu me vou preparando para a utilização "maciça" deste termo nos nossos "mídias".
(2) DN, 16IV06
ilustração de Séverine Assous, da Illustrissimo
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quinta-feira, abril 13, 2006
Adendas da guerra ao terrorismo

Em 1971, os países-membro da Organização de Produtores e Exportadores de Petróleo, OPEP, decidiram que todas as transacções de petróleo e derivados seriam a partir dali feitas exclusivamente em dólares americanos, USD.
Para os Estados Unidos, isto representou um excelente negócio pois, ao obrigar todo e qualquer país a comprar grandes quantidades da moeda americana por forma a satisfazer as suas necessidades petrolíferas, aumentava grandemente o valor cambial do dólar sem nenhum esforço por parte do governo ou da economia americanos. Estava criado o "petrodólar".
Fosse esta a única consequência, isto é, o aumento artificial do poder económico dos E.U.A., e talvez até nem tivesse trazido mal maior ao mundo; o problema só se torna realmente sério porque, para satisfazer esta nova necessidade de divisas, o banco central americano teve, de facto, de emitir mais moeda.
Agora imaginemos o seguinte: uma pessoa sem dinheiro mas com fama resolve passar cheques ao desbarato, comprando bens e serviços em troca de um pedaço de papel que só tem valor porque quem lhe fornece os bens ou serviços acredita que esse papel, vindo de quem vem, pode ser guardado como futura moeda de troca.
Que sucede se os fornecedores mudam de idéias e resolvem levantar todos esses cheques ao mesmo tempo?
Vejamos.
Após a primeira guerra do golfo, a partir de 1995, o Iraque foi obrigado pela O.N.U. a vender o seu petróleo por comida no valor de mais de USD$65 000 000 000 (sessenta mil milhões de dólares) Oil-for-Food Programme, resolução do conselho de segurança 986; é no mínimo compreensível que o governo iraquiano achasse que estaria a favorecer demasiado o seu inimigo e vencedor.
Daí que em 2000, Saddam anunciasse unilateralmente a decisão de passar a avaliar o seu petróleo em... Euros.
Era o fim do "petrodólar". Em 1999, 1 Euro valia 0.8 USD. Em 2001, com um euro já se podia comprar 1 dólar e meio.
Voltando à metáfora, esta parecia ser uma boa altura para o fornecedor ir levantar os cheques... Só que, sabemos nós, o dinheiro nunca existiu.
No caso de um cidadão comum, seria caso para declarar bancarrota e talvez passar uns anos na cadeia; no caso dos Estados Unidos, foi razão mais que suficiente para encontrar ligações à al-Qaeda e armas de destruição massiva no país do atrevido.
Por fim, a pergunta: que outros dois países anunciaram na mesma altura a intenção de passar a negociar petróleo em Euros?
Precisamente o Irão, a Coreia do Norte e a Venezuela.
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quarta-feira, abril 12, 2006
Ele há fumo sem fogo

Quando cheguei finalmente a Munique era tarde e estava absolutamente esfomeado. Apesar da hora, o meu anfitrião ainda teve a paciência de me levar a um restaurante nas traseiras do Englischer Garten. Enquanto esperava pela comida hesitei em acender um cigarro, assim mesmo, por instinto. Só depois reparei que nas três salas daquela extensa Gasthaus se fumava em todo o lado.
Ri-me da minha retenção. Contei então ao meu amigo que, ainda na véspera, tinham aprovado em Portugal uma lei que proibia o fumo em locais públicos e como agora os média estavam inundados de preocupações bem-pensantes e conselhos de gente séria.
"Ah sim, aqui também há essa lei", disse-me, "mas não lhe damos importância nenhuma". Todos quantos à nossa volta ouviram a conversa, clientes e empregados, olharam para mim e soltaram uma mui saudável gargalhada.
Ainda estou para perceber porque dizem que os alemães não têm sentido de humor.
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terça-feira, abril 11, 2006
Dada
"NOW, THEREFORE, I, Dennis Highberger, Mayor of the City of Lawrence, Kansas, do hereby proclaim the days of February 4, March 28, April 1, July 15, August 2, August 7, August 16, August 26, September 18, September 22, October 1, October 17, and October 26, 2006, as 'International Dadaism Month.' "
Texto integral na Harper's de Março.
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sexta-feira, abril 07, 2006
O Fim-do-mundo

A SIC comprou o programa de Jamie Oliver, um jeitoso do esparguete que só é notável por ser inglês e cozinheiro ao mesmo tempo.
Os senhores que governam, e com o pretexto mais bovino de toda a legislatura, acabam irresponsavelmente de nos dissolver o velho casamento do café com o cigarro e destruir uma cultura social de séculos.
Mas aquilo que me deixa mesmo com a ira encalacrada nos fagotes e mostra a absoluta decadência dos finlandeses da nossa sociedade é o terem transformado a melhor água mineral do mundo numa mijordice amaricada "com sabores", mais própria para clubes de aeróbica de histéricas que para curar as minhas santas ressacas.
Isto está bonito, está.
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quinta-feira, abril 06, 2006
Nostalgia...

... Do tempo em que se sabia escrever.
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quarta-feira, abril 05, 2006
"Tragam as espanholas!"
Quem chega a Espanha pelo aeroporto de Málaga, e ainda antes de chegar à zona de bagagens, é imediatamente saudado por jovens sorridentes que lhe espetam nas mãos um panfleto de uma das muitas empresas imobiliárias inglesas que dominam aquele mercado. A saturação da oferta é evidente e, cá fora, a destruição ambiental também.
Após 15 anos de peculato, construção desenfreada, tráfico de influências e crimes ecológicos, o governo espanhol dissolveu finalmente a administração autárquica de Marbella por corrupção.
Foram presos 23 membros da autarquia, incluindo vereadores da oposição.
Por cá, nomes como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais despertam a indignação de todos mas mantém-se impunes e no poder; no Algarve, dezenas de autarcas enriqueceram e destruiram a paisagem natural e urbana durante anos a fio sem nunca sofrerem quaisquer consequências.
E naquela que era até hoje uma das poucas regiões que havia sobrevivido à sanha dos patos-bravos, o Alentejo, prepara-se agora desafectação do litoral à reserva natural da costa vicentina para permitir a construção de milhares de fogos, centros comerciais e mamarrachos vários que, à imagem de Marberlla, aliciem a vinda de ainda mais hooligans em férias alcoólicas para o nosso país.
Sr.Primeiro-Ministro: e se, ao menos por um momento, fizesse jus às suas próprias palavras e trouxesse uns espanhóis ou espanholas que o ensinassem a vêr-se livre dos corruptos locais? É que, em questões de ambiente e planeamento urbano, o modelo finlandês talvez ainda esteja um bocadinho inalcançável.
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benficas
"Basta empatar com golos!"
(título recolhido no Público online de hoje)
As equipas portuguesas não jogam para ganhar. Jogam porque tem de ser.
Sem dúvida, um exemplo do atavismo nacional no seu melhor.
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terça-feira, abril 04, 2006
(G)RÊVE GÉNÉRALE
A Sorbonne fechou os seus portões após semanas de protestos que resultaram em danos à universidade avaliados em 1 milhão de euros.
Furioso, o seu presidente chamou aos estudantes que se manifestam contra o Contrat Première Embauche, CPE, "estúpidos e ignorantes". Justificando-se, Jean-Robert Pitte disse que os jovens franceses de agora não tinham sonhos mas ilusões: "sonhar é querer cumprir um objectivo difícil, é tentar vencer um desafio. Estes estudantes acreditam que têm direito inerente a tudo e se as coisas não lhes correm de feição então acham que a culpa só pode ser dos outros."
"Correr-lhes de feição" ali, significa a garantia de um emprego no fim do curso, por menor que seja a relevância dos currículos para o mercado de trabalho.
Tal como em França, todos os anos milhares de portugueses ingressam em licenciaturas estéreis, tendo sido a criação de muitas um efeito secundário da lei da autonomia universitária. Mas ao contrário dos seus colegas franceses, durante longuíssimos cinco anos a grande maioria destas cabeças não perderá muito tempo com detalhes destes. Ser estudante universitário é, antes de mais, um estatuto e porquanto os seus detentores consideram-se acima da coisa mundana (excepção feita para quem está em cursos de cariz pedagógico, naturalmente). (1)
Mas este estado transitório de elitismo não é a única causa da despreocupação. Apesar das semelhanças dos sistemas de ensino e de alguma mentalidade vigente há um outro factor em jogo que faz toda a diferença: a empregabilidade dos recém-licenciados.
Salvaguardas feitas, não é mais fácil encontrar empregadores em Portugal que em França mas aqui (como em boa parte do mundo), quando eles existem, dão preferência precisamente aos jovens: são mais entusiastas; mais adaptáveis; mais enérgicos; mais dispostos a sacrifícios; mais ambiciosos; mais baratos. E, sobretudo, mais fáceis de moldar na cultura da empresa.
Por que é que isto não acontece em França? A resposta não está directamente no desemprego juvenil mas naquilo que impede a sua diminuição: a inviolabilidade do emprego sénior que impede a abertura de vagas nos serviços público e promove a retracção na indústria.
A flexibilidade proposta por de Villepin para o despedimento de jovens trabalhadores vem tentar contornar as dificuldades de despedimento daqueles que já estão empregados há largos anos. Apesar das aparências, o CPE é uma medida que pretende ainda manter um sistema social que todos sabem ser insustentável mas que ninguém se atreve a destruir.
Para tanto, sacrificam quem cresceu pensando que também um dia teria acesso às mesmas garantias de emprego vitalício. Isto é, não se querendo correr o risco de provocar os privilegiados, ataca-se quem nada tem para defender com esperança que, entre mortos e feridos, alguns sobrevivam aos tais dois anos de provação (2).
__________________________
(1) Poderiamos dizer que em Portugal o sonho, se calhar por ser precoce, nem é um emprego. A ilusão começa logo findo o secundário como se pôde constatar com as manifestações que exigiam o fim da nota mínima de acesso à faculdade (!).
(2) Período agora reduzido a apenas um ano por proposta de Chirac, que é o mesmo que dizer "duas vezes o período normal de experimentação" durante o qual tanto empregador como empregado têm o direito de rescindir o contrato sem justa causa; dificilmente se compreende porque não foi imediatamente aceite...
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domingo, abril 02, 2006
Onde é que eu já ouvi isto?

Castellamare del Golfo, Sicília.
São dez da manhã de um sábado de Julho, o sol já cresce em força mas ainda há tempo para a sombra de uma esplanada na pequena praça central. Ao lado da minha mesa, cinco "rapazes" de meia-idade discutem as novidades políticas dos seus jornais. Fazem-no acaloramente como todos os latinos, mas com os gestos e as vozes amaciados pela diplomacia própria dos ilhéus.
Às tantas, farto de tanta opinião, um levanta-se e diz: "Ehe! Temos mar, temos sol, boa comida, bom vinho, e [voz mais arrastada] belas mulheres!... Como haviamos de querer trabalhar?"
Todos se riem e se rendem à simplicidade do argumento. Depois, encostam-se às cadeiras em silêncio, olham para o horizonte e perdem-se por uns momentos na baía que dali se vê, com a sua água luminosa, o castelo amarelado que dá nome à vila, e o lá-vai-um preguiçoso dos barquitos que levam os turistas a conhecer as rochas da sua costa.
Onde é que eu já vi isto?
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sábado, abril 01, 2006
"Guantánamo"
A que é que associam a palavra Guantánamo?
A opressão ( dupla, até ), ilegalidade, injustiça, arbitrariedade, tortura?
Pois bem, "Guantánamo" vai ser encerrada.
Mas os prisioneiros vão continuar prisioneiros, provavelmente dispersos pelas filiais que a CIA abriu em muitos países "amigos" cujas leis não obrigam ao respeito pelos direitos humanos.
Porque é que "Guantánamo" vai ser encerrada?
A que é que associam a palavra Guantánamo?
Nem de propósito!
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19:49
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Freitas, o gangmaster
Freitas voou para o Canadá para reclamar "justiça", exigir "explicações", contratar "advogados", et c., prometendo não se vir embora daquele país sem ter resolvido o assunto.
Depois de o conseguirem convencer de que os migrantes ilegais serão mesmo deportados, Freitas decidiu apelar ao instinto primário dos seus eleitores, insinuando que a administração canadiana teria sido menos exigente para com os espanhóis (e gregos, italianos, ...) na mesma situação.
Para cúmulo, e em desespero por argumentos que justificassem a sua posição, encontrou-se com empresários portugueses legais que lhe explicaram a dependência que os seus negócios tinham da mão-de-obra dos seus compatriotas ilegais.
Entradas de leão, saídas de sendeiro. Pelo caminho, um discurso hispanófobo para consumo interno e a mensagem de que o MNE aprova a exploração de trabalho ilegal noutros países.
Que será que os seus colegas da Administração Interna e do Trabalho e Segurança Social pensarão disto?
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18:31
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Armários, gavetas e etiquetas
É comum as pessoas correrem a classificar os outros quando ouvem destes uma opinião de que discordam.
Principalmente se essa opinião de alguma forma vai contra a ortodoxia do momento.
A etiquetação, engavetamento, ou arrumação, é uma forma de preguiça mental, que serve para afastarmos quaisquer dúvidas que a "heresia" faça surgir na nossa mente, de outra forma descansada e afastada de angústias existenciais, prejudiciais à saúde, nomeadamente ao coração e ao colesterol, para não falar das temidas depressões. ( Ai, as frases longas )
Ao etiquetarmos alguém, baseados numa ideia exposta, estamos, claro, a fazer uma generalização abusiva mas o principal efeito da etiquetação é a descredibilização do outro e a criação de um alvo fácil, que permite, a partir daí, a recusa de qualquer ideia proveniente da fonte etiquetada.
Independentemente da validade da ideia.
Quantas vezes não ouvimos frases como "Fulano diz isto mas ele é não sei o quê?" ( e não apenas no "Gato Fedorento" )?
Mas a eficácia da criação de "alvos" permitida pelo engavetamento não deve ser, de forma alguma, menosprezada.
No século XX, o engavetamento foi usado de forma contrária para criar formas de identificação com um grupo: os fascistas, nazis e comunistas foram especialistas nesta práctica.
Como se sabe, a coisa passou de moda e agora, grupos com intenções semelhantes usam a estratégia contrária.
Assim, fala-se dos "neo-conservadores" mas nenhum neo-conservador se admite como tal. A admissão do nome implicava a criação de um alvo e a própria organização da estrutura, como aliás, das modernas estruturas terroristas, não é rígida nem hierárquica mas funciona antes, em regime de "franchising", embora sem um nome associado, porque a intenção é, neste caso, dificultar o reconhecimento.
O franchising neo-conservador, que infiltrou ( tal como dos outros, Portugal não precisa destes submarinos que, ainda por cima, tal como os antigos, não submergem ), por exemplo, a comissão eleitoral de Aníbal Silva, ou o franchising da Al-Qaeda, são dois exemplos deste "pós-modernismo".
Por outro lado, vemos muita gente de esquerda a desistir de "salvar o mundo" mas a aceitar o engavetamento em "causas", a que eu chamarei "parciais", de melhoria da sociedade:
Protecção dos animais
Condição feminina
Amamentação natural
Direitos dos homossexuais, etc.
Outras "causas" e questões "fracturantes"
O poder, embevecido, agradece. Assim divididos, são mais fáceis de ser utilizados quando convém e dejectados quando não interessa.
Tudo isto passa essencialmente por um processo de simplificação da linguagem, suportado pelos media e baseado no declínio da popularidade da expressão escrita.
Houve um escritor do século XX que descreveu, com grande poder de antecipação, a eficácia deste processo : George Orwell, no seu "1984".
Um homem comum, como o etiquetou um dia, numa mistura de desdém e admiração, um simpático "facho" que anda por aí a escrever colunas em jornais e revistas em vez de administrar ( tachar ) as empresas da família.
Goddard seguiu Orwell, no seu "Farenheit 451".
Enfim, comida para pensar.
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15:35
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Serviço público de televisão
A RTP passou esta semana, a horas impróprias, é verdade, uma fantástica série de três episódios, baseada na trilogia "To the ends of the Earth", de William Golding.
Proclamo a série, produzida pela BBC, claro, como a melhor série que passou na televisão Portuguesa nos últimos dez anos.
Duas televisões de serviço público fizeram aquilo que só elas fazem: excelência absoluta, paga por todos, para benefício de quem quer, percebe, ou pode ( estar acordado até à uma da manhã ).
Ainda bem!
Bendito sono perdido.
Se sair o vídeo, avisem-me.
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15:29
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sexta-feira, março 31, 2006
Almada Negreiros, 2-1
"Ó burguesia! Ó ideal com i pequeno!
Ó ideal ricocó dos Mendes e dos Possidónios!
Ó cofre de indigentes
Cuja personalidade é moral de todos
Ó geral da mediocridade!
Ó choque ignóbil do vulgar, protagonista do normal!
Ó horror! Os burgueses de Portugal
Têm pior que os outros
O serem portugueses!"
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segunda-feira, março 27, 2006
vítimas de "racismos"

Na África do Sul, ocorrem em média mais de 120 homicídios e tentativas de homicídio POR DIA e Joanesburgo, onde alguma parte dos cidadãos de origem portuguesa vive, é o epicentro desta violência.
Os crimes são cometidos, em larga maioria, pelos negros que vivem na miséria das townships mas estes raramente escolhem as suas vítimas com base na côr ou nacionalidade dos seus antepassados.
No entanto, e porque no fundo nos estamos todos nas tintas para o que se passa do outro lado do mundo, a notícia deste quotidiano assim relatada carece de impacto. Daí que nos seja apresentada pelo jornalismo imediatista truncada do seu contexto, para aproveitamento máximo da natural empatia que cada um tem por um seu compatriota.
(isto tem as suas consequências, claro, e o espectáculo de circo levado ao público lisboeta pelo partido renovador nacional na Alameda D.Afonso Henriques, há algum tempo atrás, serviu para mostrá-lo)
À semelhança do caso anterior, quando chegou a vez de noticiar a ''crise'' dos emigrantes no Canadá voltou a ser dada aos portugueses a informação em formato de estalo.
Todos os anos, inúmeros países do hemisfério norte, incluindo Portugal, expulsam do seu território milhares de migrantes de todas as nacionalidades pelas mais variadíssimas razões. Em particular, o Canadá deportou 11 mil estrangeiros em 2005, dos quais apenas 409 eram portugueses (para quem gosta de contas, não chega a 4% do total).
Mas a imagem que passou foi a de que, não contentes em nos tirarem o bacalhau, os estupores dos canadianos não nos querem lá. E para cúmulo, são eficientes a deportar.
O curioso é que, apesar da afronta, parece que em tempo de paz a grande maioria dos eleitores não sabe nem quer saber como funcionam os consulados de Portugal no mundo (muito mal). O assunto exterior, simplesmente, não lhes diz respeito.
Mas não lhes diz respeito o MNE como parece que não lhes diz respeito outros ministérios. É que, com tanta paz, a classe "média" portuguesa também parece ignorar a emigração crescente e as razões que geram essa fuga para o estrangeiro.
Aparentemente, é problema de gente que também não lhe interessa.
Nestes momentos, o que interessa é o patriotismo parolo, e é dever de cada um berrar contra o dito racismo canadiano ou sul-africano.
Desde que não se passe dali, claro, que a nossa vida não é isto.
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16:24
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domingo, março 26, 2006
Liberalices
A malta auto-proclamada liberal ficou em polvorosa com as parangonas: imagine-se que os ranhosos dos checos já eram mais ricos que nós!
Então andámos para aqui a sugar subsídios para a reestruturação do ''tecido empresarial'' desde os anos oitenta e agora vêm aqueles ingratos, que até precisaram que lhes mandássemos rosas ou não faziam a revolução, meter-nos no fundo da escala social da Europa em meia-dúzia de anos?
A culpa, está claro, é do socialismo, que os rapazes da Boémia tão atempadamente extirparam da sua constituição. Do Estado em geral e das golden shares em particular. Da Universidade, porque as melhores do mundo são privadas. Do Bloco de Esquerda, esse verdadeiro contra-poder. Do Jorge Sampaio, porque sim.
E, para alguns lunáticos, o impedimento à Riqueza da Nação está encastrado nos princípios da Democracia.
Aos feiticeiros do mercado e seus aprendizes, deixo um conselho desinteressado: em situações assim aviltantes há que manter a calma e olhar para o lado positivo da coisa; pelo menos, podemos ficar descansados que daquele país não virão mais imigrantes roubar-nos as mulheres e o dinheiro dos impostos.
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19:01
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As costureirinhas

Porque se perde tanto tempo discutindo o acessório?
Que interessa a mesa, o sofá, as vinte e quatro bandeiras e o arraiolos do presidente?
Quando é que os media portugueses eliminam a costela 'Caras' do seus editoriais?
Para quando o fim da conversa de salão que quase todos repetem às multidões com a intimidade de um bordão de mau cómico?
É claro que também há quem se convença que a sua tendência para a costura é vocação diplomática, no melhor dos casos, ou de místico, no pior. E vá de interpretar ao pior estilo danbrowniano o virote da casaca do ministro e o número de malmequéres plantados à porta do cavalo de Belém.
Que palhaçada.
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segunda-feira, março 20, 2006
Ainda o artigo de MST: a explicação
Peguem no vosso extracto bancário.
Listem as despesas obrigatórias recorrentes que aí constam:
Seguros ( vida, automóvel, responsabilidade civil, paredes, roubo, empregada ), luz, água, gás, hipermercado, gasolina, portagens, condomínio, telefone, telemóvel, internet, cabo, ginásio, clube de vídeo, o que quiserem.
A prestação da casa, de certa forma, não conta. O cartão de crédito também não.
Vocês pagam estas contas a pronto, e muitas vezes através de débito directo na vossa conta.
Muitas destas contas são fixas, sendo que aqui até existe uma vantagem mútua.
Outras são regulares.
As empresas que recebem este dinheiro têm um cash flow elevado e rendimentos fixos ( não sou especialista em economia, finanças ou gestão ).
Mas estas empresas, tirando os ordenados, pagam muitas vezes as suas despesas a 90 dias ou mais.
As pessoas são aqui uma chatice.
Com a livre circulação de capitais, estas empresas podem aplicar financeiramente o seu cash flow nas economias emergentes, que crescem a ritmos extremamente elevados, ao contrário da nossa economia decrépita. O risco destas aplicações, convenientemente diversificadas, é moderado, dada a dimensão, "inércia" positiva do crescimento, potencial destes mercados e aumento exponencial da procura de matérias primas e commodities necessárias ao crescimento, como o cimento e os produtos extraídos da madeira.
Arriscado mesmo é aplicar esse cash flow em depósitos bancários em Portugal, a taxas de juro em crescimento mas muito pouco remuneradoras.
Isto explica em parte o desempenho positivo de muitos dos títulos de referência da bolsa de Lisboa.
As empresas referidas têm sede do nosso dinheiro porque pagamos a pronto. Elas, que são poderosas, pagam a prazo aos fornecedores.
Em Inglaterra, pagamentos a mais de 90 dias são inaceitáveis.
Mas em Portugal isto é legítimo e legal. É legítimo porque o pior pagador é o estado, que paga a 180 dias e mais. Há até casos de pagamentos a 600! dias em ministérios tutelados por ministros que, na sua vida privada se fartavam de queixar de que o estado não é uma pessoa de bem.
Este sistema prejudica seriamente as pequenas empresas, aflitas com o cash flow, dependentes dos bancos para sobreviver e incapazes de investir.
Logo aquelas que mais poderiam contribuir para renovar o tecido produtivo nacional.
Com esta atitude o estado favorece a concentração da riqueza e prejudica o renascimento da economia.
Não há plano tecnológico que "safe" isto.
Por outro lado, num país pobre e com o desemprego a aumentar, os salários não acompanham o crescimento dos lucros das empresas e a economia estagna ainda mais , devido ao decréscimo do consumo interno.
Novamente perdem as pequenas empresas e os trabalhadores por conta de outrém.
As grandes empresas não investem em Portugal, não há fundos de capital de risco, ou há muito poucos e só para os amigos.
De qualquer forma os pequenos só muito a custo sobrevivem nesta selva, não falando de ficarem grandes.
Depois há o "inbreeding", cancro das nossas universidades, que se aplica também ao mundo empresarial: precisas de já lá estar dentro e quem vem de fora, com sangue novo, não é bem vindo. Só se safa se fôr grande, e mesmo assim...
Os conhecimentos e laços familiares contam excessivamente neste país periférico e provinciano.
Um país pobre, com um desemprego crescente, salários baixos, protecção social ineficaz, educação medíocre.
Mas com um óptimo clima, mar e boa comida!
O paraíso para quem é rico.
A "pequena Suíça", de 73, está de volta.
E não se queixem: Marcello era bem melhor que Salazar.
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domingo, março 19, 2006
Mercado de electricidade??
Deixem-me rir.
Esta semana ocorreu a primeira ( suponho ) reunião da associação dos produtores de electricidade e a conclusão foi a de que a electricidade vai aumentar.
Em entrevista no final da reunião,o presidente da associação referiu que a electricidade vai aumentar porque o petróleo aumentou, por causa do protocolo de Quioto, porque as renováveis são caras e, imagine-se, porque são subsidiadas (?).
Enfim, a electricidade vai aumentar. Porquê? Porque, do ponto de vista do consumidor final não há mercado.
Há um único distribuidor, que compra a todos os produtores. Estes, rapidamente aprenderam a agir em cartel.
A única distribuidora vai passar a fazer os consumidores finais pagar a factura por inteiro.
Apesar de ser controlada pelo estado e de ter lucros fabulosos, age como agiria uma empresa privada que detém o monopólio de um bem de consumo obrigatório. Poruqe está cotada em bolsa, claro.
Como se vê, a privatização de sectores como a electricidade faz aumentar o preço desta no consumidor final. A diminuição da qualidade do serviço virá a seguir.
Porquê? Bem, vou limitar-me a dizer que é uma constatação empírica.
Na verdade é porque não há, nem pode haver ( devido às especificidades do sector ) mercado.
Eu repito: não há mercado!
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11:38
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Miguel Sousa Tavares ontem no Expresso
Leram ( Ou devo dizer Lêste, mais adequado à cardinalidade de leitores deste blog )?
Pois é.
Brilhante no conteúdo e na escrita, chegando a ser hilariante na referência ao vpv enquanto monumento nacional que deve ser subsidiado.
Deixo a outros a tarefa árdua e importante de identificar a gaveta ideológica em que se deve colocar o MST, à luz do artigo que ele escreveu ontem.
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11:32
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sábado, março 18, 2006
Para quem ainda não percebeu

No DN de hoje, um pequeno lamiré contra a russificação da nossa economia.
É poucochinho, talvez tímido, mas já é alguma coisa.
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14:01
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sexta-feira, março 17, 2006
Igualdade...
O nosso presidente ( vénia ) afirmou na campanha eleitoral ( cito de memória ): "Duas pessoas igualmente inteligentes e igualmente informadas chegam naturalmente às mesmas conclusões".
Numa publicação recente, um gestor estrangeiro de nomeada propôs uma versão mais "fraca" da "máxima": "Duas pessoas igualmente inteligentes e igualmente informadas chegam geralmente às mesmas conclusões".
Este aforismo está na moda e o facto de presidentes-economistas e gestores internacionais a utilizaram em circunstâncias diferentes e com um intervalo de tempo pequeno demostra que andam "igualmente informados".
É mesmo possível que sejam "igualmente inteligentes".
Há muito tempo que eu tenho "para mim" uma máxima "semelhante": "Duas pessoas razoavelmente inteligentes, igualmente informadas, igualmente honestas e igualmente ambiciosas chegam geralmente às mesmas conclusões".
Na verdade não há grande diferença. Que bom! Sou quase um presidente-economista ou um gestor internacional.
Só me falta... a massçarooca!
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23:46
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Tudo se equilibra
É uma daquelas verdades insofismáveis que me deixa de bem com a vida.
Tudo se equilibra!
Com ela me deito e com ela adormeço, consolado.
Tudo se equilibra. O yin e yan dos Chineses.
Uns comem um frango, outros não comem nenhum ( e não apanham gripe das aves ).
Uns trabalham demais, outros não fazem nada.
Uns nascem ricos, outros na miséria.
Há quem explore e há quem seja explorado.
Há quem roube e há quem é roubado.
Sempre que alguém suja há alguém que limpa.
Etecetera!
Enfim, verdades simples, tautologias eternas.
Com elas me deito, com elas me deleito, com elas adormeço.
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23:34
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A não esquecer
Em Portugal, evitar a cerveja. Em Inglaterra, evitar o vinho.
Céus, que dor-de-cabeça.
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quinta-feira, março 16, 2006
Idéias de cotas
E na futurologia demagoga, quantos lugares elegíveis caberão ao tercinho de mulheres?
E como se dará a dança das cadeiras da substituição de deputados-eleitos? Também só se poderá trocar mulher por mulher e homem por homem?
E já agora porque é que a quota não é 90%? Estão com medo da reacção?
Eu lembro-me de uma senhora que não precisou de quotas para se tornar a primeira primeira-ministra na Europa. Agora que revêjo o retrato, de facto, a senhora tinha qualquer coisa de finlandês.
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18:31
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Quotas e OPAs


O BPI, um dos maiores bancos nacionais, nunca se preocupou em definir uma política centralizada de género, deixando às várias direcções operacionais a liberdade de critério nas contratações. A direcção de desenvolvimento web, e.g., chegou a ter 80% do seu pessoal composto por colaboradoras. E era co-chefiada por uma mulher.
No outro lado do espectro, o BCP tem um cadastro preocupante. Nos anos noventa, e por se recusar a contratar mulheres ou despedir as que engravidavam, mereceu uma investigação à conduta laboral e o epíteto de 'Banco Com Preconceitos'.
Não contentes com isto, a sanha reaccionária da sua administração encontrou depois uma outra forma de judiar com os seus colaboradores: qualquer transacção bancária pessoal era passível de análise moral e podia ser usada como instrumento de intimidação.
Agora parece que o BCP quer comprar o BPI e um dos resultados dessa fusão pode vir a ser a criação do maior empregador do sector bancário.
As virgens do mercado excitam-se com o dinamismo da operação, até parecendo que vão a cavalo com os heróis das bolsas. As carpideiras do sector público estremecem com a agressividade do capital.
Alheio a tudo isto, o governo vai repescando os apontamentos da era Kennedy e cozinhando mais um disparate de engenharia social. Pena é esquecerem-se que o seu chefe só por provincianismo anda titulado de engenheiro.
P.S.: como anedota, conto o caso de um colaborador do BCP, exemplar mas com pêlo na venta, que por isso foi convidado a ter uma conversa com a chefia da direcção onde trabalhava. O director, depois de mostrar conhecimento sobre uso do cartão de débito numa discoteca da capital à 1 da manhã de quarta-feira, aconselhou o seu subordinado a não repetir a façanha pois aquele não era este tipo de comportamento que o Banco esperava de um seu colaborador.
A história correu todo o departamento e no fim do mês, depois de receberem o salário, praticamente toda a gente tinha transferido o dinheiro disponível para uma conta em outro banco. Agora, quanto desse dinheiro acabou no BPI, já não vos sei dizer.
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terça-feira, março 14, 2006
Speed-date com Gonzalez

ou e depois a culpa é dos soldados
Um percurso tenebroso
1997-um jurista obscuro, Alberto Gonzales, aconselha o então governador Bush a desobedecer aos acordos da Convenção de Viena com base no facto de que o estado do Texas não ser signatário de tais acordos.
Esta convenção, ratificada pelo Senado norte-americano em 1969, assegura ''o direito de um cidadão estrangeiro a constituir a sua defesa com recurso a conselheiro jurídico do seu próprio país''.
Dois dias depois, o estado do Texas executou o cidadão mexicano Irineo Tristan Montoya, apesar dos protestos do governo federal mexicano por nunca ter sido informado sequer da sua detenção (como obriga a mesma convenção).
Maio, 2000-logo após ter sido eleito para o Supremo Tribunal de Justiça do Texas, o juiz Alberto Gonzalez recebeu contribuições da empresa Enron e dos seus advogados no valor de USD$35,450. No total, Gonzales acumulou USD$100,000 em 'luvas' pagas por várias empresas.
Janeiro, 2002-O conselheiro para a Casa Branca Alberto Gonzalez afirma em memorando que as disposições previstas pela Convenção de Genebra são obsoletas e devem ser revistas.
Desde então, a administração da Casa Branca passou a considerar que os prisioneiros detidos em Guantanamo não estão ao abrigo daquele acordo internacional.
Agosto, 2002-Alberto Gonzalez aprova um memorando (em conjunto com o vice-presidente Chenney) em que considera que ''as leis que proibem a tortura não se devem aplicar à detenção e interrogatório de combatentes inimigos''.
O memorando vai tão longe quanto especificar, sem restrições morais, o entende que pode ser causado por essa tortura: ''morte, disfunção orgânica, perda de capacidade motora."
Alberto Gonzalez é Attorney General do país mais poderoso do mundo desde Novembro de 2004.
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segunda-feira, março 13, 2006
Sucesso!!!
Dorean,
pede mais fotografias às tuas amigas que sejam como a nossa abelhinha.
O blog está a começar a ser um grande sucesso.
QQ dia já podemos pôr aquele anúncio ao Super POP e vender dildos para começarmos a facturar.
E com o assssento virado para o lado sseeertoooo!
Çussseço!!!!
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domingo, março 12, 2006
O Espectro acabou
Esperemos que o processo que a sr.ª Clara Ferreira Alves interpôs a um dos contribuintes, o doutor Vasco Pulido Valente, não tenha sido a causa.
Tendo em conta a data do fecho, esperemos sim que o gesto de ambos os jornalistas daquele blogue simplesmente pretenda assinalar uma nova época de caça ao cavaco.
Noutras paragens mas com a acutilância de sempre.
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A Besta dos Balcãs

Ao contrário do que se deseja também para demais predadores, Slobodan Milisevic acabou por morrer no cativeiro.
Ora, de acordo com a suspeição do seu advogado, Zdenko Tomanovic, isso terá acontecido por meio de envenenamento.
Faz todo o sentido: como é do conhecimento geral, a Holanda é um covil de déspotas onde a injustiça e desumanidade imperam. Razões suficientes para suspeitar que, sob custódia do Tribunal Penal Internacional em Haia, o ex-ditador corresse sérios riscos de vida.
Assim, para provar sem sombra de dúvida o homicídio, o sr.Tomanovic exigiu que a autópsia ao corpo do animal fosse feita por médicos moscovitas o que, como se esperava, foi-lhe negado.
A família da Besta e o que resta dos seus acólitos terão agora uma pequenina oportunidade para espernear pelo seu mártir e, numa revoltante inversão da realidade, berrar 'assassinos'.
Haverá quem, com a melhor das intenções, acredite nessa estória de veneno. Pela minha parte, acho que fazem bem, não pela prova ou ausência dela mas porque quando alguém decide a morte de 2.000 pessoas (para citar só o Kosovo) arrisca-se a arranjar um inimigo ou outro.
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sexta-feira, março 10, 2006
Fala quem sabe

Numa entrevista recente dada ao Guardian, Nick Cave afirmou que, ao contrário do que muitos pensam, o facto de se deixar de usar drogas não transforma ninguém numa pessoa melhor.
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quinta-feira, março 09, 2006
A noite dos Óscares
Hoje parece-me ser um dia adequado para premiar os partidos políticos com os meus Óscares. Aqui vai:
O Mais Amoral:
Vencedor: CDS-PP.
Durante a presidência de Paulo Portas o CDS-PP voltou à situação de Partido de poder. Isto significa, no vocabulário popular, que todo o cargo ocupado por um porreiraço do PP é usado para distribuir o dinheiro do estado pelos amigos empresários através dos mais diversos contratos de prestação de serviços e compra de equipamentos que imaginar se pode. Para o PP o estado é uma vaca com grandes tetas que servem para alimentar a heróica iniciativa privada, sendo que essa vaca beneficia grandemente da extraordinária capacidade de gestão dos membros do PP e respectivos amigos.
Isto tudo debaixo da capa da integridade moral, direito à vida, princípios, blá blá blá... e ninguém se ri! Benzam-se!
O mais anti-partidos:
Vencedor: PSD.
Não sei se já repararam em todas aquelas pessoas que se queixam dos partidos e que dizem que os políticos são todos iguais. Bem, todas elas votam PSD... desde 1976... sem nunca mudar... e sem nunca deixarem de votar...no PSD.
Elas são as herdeiras da União Nacional e do Salazarismo, tristonhas por só terem hoje em dia cópias de 2ª, Cavaco Silva, ou de 3ª, Durão Barroso.
Firmes defensores da iniciativa privada, da moral e dos bons costumes, são cada vez menos pequenos empresários e cada vez mais funcionários públicos ou detendores de algum outro daqueles empregos/tachos que dura para toda a vida.
O mais sectário:
Vencedor: PS.
Não sei se já repararam mas, para um PS, um governo PS faz sempre tudo certo. Sem falhar nada! Quer privatize a segurança social, a dê ao Aga Khan ou arranje reformas que são o dobro do salário, um governo PS faz sempre tudo certo. E quem discordar, leva!
Quando ocupam uma empresa ou departamento do estado, os Socialistas não descansam enquanto não tomam conta de tudo.
Também pudera: qualquer político medíocre de direita arranja tacho numa empresa privada. Os socialistas têm mais dificuldade. Quando um, bem disfarçado, adquire poder, usa-o à exautão para empregar camaradas. Socialistas, socialistas, e mais socialistas. Porque é sempre bom ter umas massas para as férias e o whisky.
O mais otário:
Vencedor: PCP.
Óbvio! Gajos que dão o salário ao Partido, fazem voluntariado na festa do Avante, têm como líder um torneiro mecânico que bebe imperiais e aldeias velhas, come tremoços e fuma, e tudo em frente à televisão, gajos destes, repito, nunca vão conseguir mandar em nada. Qualquer dia nem a câmara de Borregães vão ter.
Cultivar a honestidade, a competência e o trabalho, não só não convencem ninguém como provocam a risota do mais sisudo dos cangalheiros ( do marxismo ).
Que diabo! Honestos são os paranóicos, competentes são os retentores anais e trabalhadores são os estúpidos. Piores, só mesmo os Franciscanos. Arre!
O mais moralista:
Vencedor: Bloco de Esquerda.
Aquele Louçã não é um seminarista. É um reitor de seminário... da ilha Graciosa. Tanta chatice só dá vontade de pecar. E não me refiro a fumar umas ganzas e a ir jantar fora todos os fins de semana. Refiro-me a investir na bolsa, roubar pobrezinhos, tirar as esmolas das igrejas e fazer tráfico de influências. E depois vem armado em pastor das putas e dos rôtos, como se isso mais o aborto e a eutanásia fossem mesmo o topo das preoucupações da malta.
E depois, com a Joana Amaral Dias por perto, quem é que não quer pecar? Até com a Ana Drago!
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Aardvark
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22:18
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quarta-feira, março 08, 2006
O futuro de Sampaio
Na II República, e até algum tempo a seguir a '74, metia-se lá um oficial-general a fim de sossegar as casernas.
Agora, a moda é outra: candidata-se à reforma dourada qualquer venerando da partidocracia, para sossego de um dos governos.
E depois? E depois vai-se à vida lá fora, que a vaidade é primeiro vício da pós-globalização.
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dorean paxorales
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15:48
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terça-feira, março 07, 2006
O Presente é
a broca do dentista, uma cólica renal, a ânsia de vómito.
o cheiro a sovaco do desemprego, o mau-hálito de quem nos mente descaradamente.
à noite, a solidão muda do outro ao lado.
o Presente é feito da dor que se sente.
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dorean paxorales
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19:51
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domingo, março 05, 2006
Pensamento divergente
Não, violar as regras do xadrez quando se está a perder não é uma forma de pensamento divergente.
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Aardvark
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15:54
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¿¡Coño?!!
Cerca de 350 bebés alentejanos vão passar a nascer em Espanha. A razão é simples: o ministério da saúde quer cortar na despesa e encerrar maternidades nos hospitais onde estas ''não sejam rentáveis'', i.e., onde a população escasseia, como em Elvas.
A rendibilidade e os cortes são também as razões apontadas pelo ministério da educação para o fecho de escolas do ensino básico no interior do país.
Fico na dúvida: a estratégia do nosso governo é de desertificar o território nacional, promovendo a migração para o litoral e para a indústria turística ou é de estimular a aprendizagem da língua espanhola logo no ciclo berço-escola primária, de forma a aumentar a competitividade da população activa?
Presumo que a visão de futuro nacional dos cavalheiros dos pê-ésses (-dês) se sinta defraudada por nunca ter havido uma fronteira com a Alemanha. Isso sim, tinha dado um jeitão.
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dorean paxorales
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15:22
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sábado, março 04, 2006
Monopólio e concorrência II
Há um facto que o Dorean ignora, tal como muita gente hoje em dia.
O facto é este: não existe concorrência no mercado da electricidade, ou do gás.
A coisa devia ser óbvia: se eu estiver insatisfeito com a companhia de electricidade eu não posso mudar de companhia. Posso passar a usar um gerador, abdicar da electricidade ou mudar de país. Mas não posso mudar de companhia.
Do ponto de vista de consumidor, não existe mercado de electricidade, tal como, na verdade, não existe mercado de gás.
Existe monopólio. Esse monopólio, ou é tutelado pelo estado ou é dominado pelas empresas privadas.
Como a concorrência nestes sectores é uma fantasia, para não dizer mais, é preferível que estes sectores sejam tutelados pelo estado, no mínimo através de golden shares.
Para além de tudo o mais, um estado que não exerça esse controle torna-se ainda mais fraco perante o sector privado, sendo que essa fraqueza significa que este perde a capacidade de regular o que quer que seja.
Esta é a realidade e a práctica observável.
Depois há a ideologia.
Voltarei para mostrar, numa próxima posta, como em Portugal mesmo o sector das comunicações não é passível de funcionar num regime de concorrência.
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Aardvark
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18:32
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