Rosa Casaca

DIZEM AS REGRAS DO PARLAMENTO EUROPEU que os deputados devem “evitar aceitar ofertas ou benefícios aquando no exercício das suas funções”.
E lá tentar evitar, é possível que os senhores deputados tentem; mas parece que em certas ocasiões a recusa torna-se complicada.
Este será, provavelmente, o caso de Paulo Casaca, eurodeputado eleito pelo P.S.: enquanto membro da Delegação para as Relações com o Irão e presidente da Delegação para as relações com a Assembleia Parlamentar da NATO, recebeu vários presentes do Conselho Nacional de Resistência do Irão, uma organização considerada ‘terrorista’ pelo Departamento de Estado americano e, sob os nomes de Organização Mujaedine do Povo do Irão, OMPI, e Mojahedin-e-Khalq, também inserida nas listas negras da União Europeia.
Segundo a sua própria declaração de interesses financeiros, um documento criado por aquele parlamento visando aumentar a transparência nas actividades dos seus membros, o sr. Casaca aceitou “como oferta por ocasião de encontros com dirigentes da resistência iraniana” (sic), entre outras coisas: quatro tapetes persas; uma peça de cerâmica de Natanz; uma gravura de 1m x 1m (?); e um relógio de pulso Hugo Boss.
Mas Paulo Casaca não será o único beneficiário destes resistentes iranianos e tudo indica que tal em nada depende das orientações políticas dos excelsos representantes: o socialista partilha este entusiasmo pela arte oriental com o deputado pelo partido conservador britânico Struan Stevenson, também ele entretanto contemplado com pinturas e tapetes persas.
Presumo que o sr. Casaca, durante as suas acções de legitimização da OMPI junto da União Europeia, nunca perde de vista as inevitáveis diferenças culturais que separam a sua integridade profissional dos interesses iranianos; e deverá ser, concerteza, por isso que sentirá devidamente justificados aqueles pequenos desvios com as mais puras razões de diplomacia.

























